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Queria perguntar se nos pode explicar como é que aquela situação, que acabamos todos por ver, aquele momento mais tenso, como é que aconteceu e porque é que aconteceu? O que é que estava ali a fazer no momento em que a doutora Ana Abrunhosa chegou?
Da minha parte não houve tensão nenhuma, pelo contrário, calma total. Eu fui falar com associações, cooperativas, regantes, agricultores e aquele dique que ali está a ser colocado e que está a ser reparado serve 2400 agricultores e um perímetro de cerca de 12 mil hectares. É extremamente importante. A reunião estava marcada para as 14h30, eu cheguei às 14h30. A senhora presidente de câmara não informou se chegava atrasada ou a que horas chegava. Nós começámos com a visita, começámos a falar com os agricultores, começámos a ver a obra que foi feita em tempo recorde. Começámos a verificar e a conversar sobre as necessidades que há em relação aos agricultores, mas não deixamos de ter avisado os autarcas de que estaríamos ali, que estaríamos ali às 14h30. E o normal é o ministro chegar a horas, e foi isso que eu fiz.
E portanto, a autarca é que acabou, na verdade, por não chegar a horas, já tinha começado ali essa visita.
Eu não ia pôr os agricultores à espera e sem saber o tempo que iriam esperar. E o objetivo ali era falar com os agricultores que estão preocupados. Temos como objetivo em maio eles já poderem ter água para a campanha, para terem água para o milho e para o arroz. Eu posso ter cometido o erro de ter chegado a tempo, mas isso é um bom erro. E depois os jornalistas foram acompanhando a conversa com os agricultores e a determinado momento fizeram-me uma pergunta, depois outro fez outra pergunta e eu respondi. É quando chega a senhora presidente de câmara com indignação a dizer se eu estava ali para fazer uma conferência de imprensa ou para falar com os autarcas. Não, eu fui ali para falar com os agricultores, avisando sempre os autarcas. Eu continuo municipalista, eu estive a presidente de câmara municipal.
Sim, falou desse valor até que dá ao papel dos autarcas.
Um valor brutal. A cada sítio que eu vou, o meu gabinete avisa os autarcas que eu vou, independentemente de poder ir a convite de uma instituição. E naquele caso não foi a câmara que me convidou. Naquele caso fomos ver uma obra onde estava a APA, a DGAV, e também programar aquilo que são os objetivos em termos da agricultura. A senhora presidente de câmara acabou depois, no fim, a dizer que percebe muito bem que isto teve momentos de tensão, há momentos face à situação que se viveu, e ainda se vive, de alguma emotividade. Portanto, eu, como bom cristão, também desculpo isto tudo.
Queria lhe perguntar também, porque nesse momento vemo-lo dizer que a ministra, já estou a cometer o mesmo erro, que a autarca tinha razão, mas acha que houve algum exagero ali naquele momento, naquela reação?
Eu não me vou referir a isso. A única parte em que eu digo que ela pode ter razão, e eu já disse isso, que se calhar cometi esse erro, foi em ter respondido aos jornalistas sem me assegurar que todos os autarcas convidados estivessem presentes. Eu podia ter dito: "Deixe ver se a senhora presidente da Câmara Municipal, a doutora Ana Abrunhosa, chega ou não." Posso ter cometido esse erro, que eu nem considero que seja um erro, mas a situação poderia ter sido diferente se eu não tivesse falado aos jornalistas, mas a verdade é que também os jornalistas que ali estavam já nos estavam a acompanhar e a ouvir as nossas conversas com os agricultores e havia outros que já tinham falado aos jornalistas antes. Portanto, quando lá chegamos, outras pessoas, não interessa sequer referir de quem, já tinham falado com os jornalistas. Portanto, isso foi uma coisa normal. Mas admito que se por acaso não tivesse falado naquele momento aos jornalistas, que aquela situação não tivesse ocorrido, mas no final também tudo ficou sanado.
Ficou sanado, no fim. Deixe-me só fazer uma última pergunta, que é para perceber se acha que houve ali algum aproveitamento da parte da doutora Ana Abrunhosa, porque a situação depois escalou bastante. Apesar de já ter, a certa altura, até ter dito que poderia ter cometido esse erro, continuou a haver ali um momento um bocadinho prolongado de tensão com as televisões a gravar. Interpretou isso de alguma maneira como aproveitamento da situação ou nem por isso?
Se houve um momento de tensão, não foi da minha parte. O governante tem que aguentar todos os momentos de tensão. Eu não tive nenhum momento de tensão, bem pelo contrário. E depois no final, conversamos. Agora eu não vou cometer a indelicadeza ou a presunção de que aquilo pode ter sido uma coisa propositada para se fazer ali um número político da parte da senhora presidente de câmara. Não vou dizer isso. Não vou dizer isso, nem me passa isso pela cabeça. Agora, eu costumo sempre me pôr no sítio do outro e acho que face a todos os momentos vividos, há ali alguma tensão e alguma emoção que a própria presidente da Câmara Municipal acabou por reconhecer em declarações.
É o momento que ficou destacado.
É o momento que destaca quando aquilo que eu quero destacar é a necessidade de nós termos uma campanha, ou seja, termos água para o arroz e para o Mondego, e são 2400 agricultores num perímetro que tem 12 mil hectares. Isso é o que eu quero destacar.
Ficou satisfeito com o progresso que viu no terreno?
Como?
Estava-lhe a perguntar se ficou satisfeito com o progresso que viu no terreno.
Há muita rapidez. Há ali obras que são da responsabilidade da APA, que estão a avançar rapidamente em termos daquilo que é o imediato, mas que vão necessitar depois de uma execução mais profunda. E também há ainda prejuízos que estão debaixo d'água. E há, no fundo, uma inventariação de todos os prejuízos que ainda não é possível. Mas nós queremos é que a campanha não se perca e esse é o meu foco. Agora, situações que acabam por ficar sanadas, e em relação às quais eu não tive a mínima culpa. Quer dizer, o normal é chegar a horas e eu não vou deixar de chegar a horas. E também não gosto de pôr ninguém à espera. Não deixei ninguém à espera. Fui conversando com os agricultores, as associações de regantes. Fomos conversando. Agora, também podia ser uma indelicadeza não responder a questões das jornalistas, e eu respondi a algumas questões. E foi o facto de ter respondido a essas questões que despoletou aquela situação.