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Junta-se a esta edição das 19h, o major-general João Vieira Borges. Muito obrigada por poder estar conosco. Que significado é que tem a morte do líder do Hamas para este conflito?
Muito boa tarde. O significado é claramente simbólico, tendo em conta que ele foi o líder dos ataques do 7 de outubro. Portanto, para Israel e para o mundo que luta contra o terrorismo, obviamente que é um dia importante, um dia simbólico. Para Israel, por outro lado, tendo em conta a liderança do Hamas, é também, numa fase em que o Hamas estava claramente enfraquecido, um estandarte da vitória. Foi isso que esteve presente no discurso do primeiro-ministro Netanyahu, inclusivamente o próprio Gallant, ministro da Defesa, referiu que era a altura da rendição. O próprio primeiro-ministro também disse que era o momento do retorno dos reféns e do fim da guerra, o início do fim, independentemente de ela ainda não ter acabado. Portanto, é um momento importante para Israel, para o mundo democrático, e é um momento também para o Hamas, uma machadada muito forte. E devemos aproveitar esta oportunidade, como eu venho dizendo desde o último ataque do Irão, devemos aproveitar esta conjuntura favorável para haver um esforço diplomático no sentido da paz. Agora sim, talvez Israel dê mais contributos no sentido da paz na região, até porque atingiu um dos seus objetivos. Para Netanyahu simboliza o fim do Hamas, que era um dos grandes objetivos. Agora falta a questão dos reféns, que é importante, e depois garantir a segurança, que eram os outros dois grandes objetivos.
E o Hamas pode, porventura, render-se como apela aqui Benjamin Netanyahu, ou isso será difícil?
Isso será difícil, será sempre trabalhado de outra maneira. Estes movimentos terroristas obviamente que não se rendem, porque a derrota total nunca acontece com este tipo de movimentos. E, portanto, para eles há sempre vitórias, nem que a vitória seja o 7 de outubro, tal como ele defendia. E funcionam de outra maneira este tipo de movimentos, independentemente de o seu líder ser o carniceiro, ser o mais cruel de todos. Inclusive acabou de matar os reféns que estavam com ele, que o acompanhavam, eram seis reféns, porque o incomodavam nas suas movimentações, pelos vistos a fugir e não a combater as forças de defesa de Israel. Isso também foi aproveitado no discurso de Netanyahu, isso faz parte da narrativa comunicacional agora para os palestinianos, de libertação, em certa medida sim, porque a própria autoridade palestiniana da Cisjordânia sofreu muito à custa dele, muitos foram mortos por ele, todos os que eram opositores, inclusive da autoridade palestiniana. E portanto, é um homem que desaparecendo, cria um vazio único. E agora Israel está a aproveitar esse momento, e era bom que aproveitasse exatamente para recuperar os reféns. Isso está no discurso de todos os dirigentes, inclusivamente de Lapid, da oposição. Agora é o tempo dos reféns, nem que seja, como dizem aqui os homens mais de extrema-direita, o ministro da Segurança e o ministro das Finanças, por compensações financeiras e afastamento do território. Portanto, já começaram a usar mecanismos para obter os reféns, que não seja pela força, tendo em conta depois os efeitos colaterais e o risco elevado. Mas ainda ninguém fala naquilo que era importante e que o secretário de Estado norte-americano tem estado a trabalhar: no que é o futuro político daquela região. Isso aí, Netanyahu não quer falar, dos dois Estados, Netanyahu não quer falar, mas nesta fase julgo que é importante perceber também que esta é a postura que teria qualquer Estado. Comparam-no, inclusivamente, a Bin Laden, e nós também sabemos o que é que aconteceu da parte dos Estados Unidos quando foi a morte de Bin Laden.
Precisamente por falar aqui nos Estados Unidos, esta vitória que tem aqui Israel, a morte do líder do Hamas, pode mudar alguma coisa no ultimato que Joe Biden fez esta semana a Netanyahu, os 30 dias para tomar medidas efetivas para proteger os civis e os trabalhadores na Faixa de Gaza?
São situações diferentes. De qualquer maneira, é também uma vitória para os Estados Unidos, que apoiam, obviamente, Israel neste combate contra o terrorismo. E aqui nós estamos a falar de um líder que não matou só israelitas, matou dirigentes palestinianos, matou muita gente, foi líder dos ataques mais mortíferos que Israel sofreu desde a sua independência e portanto, para os Estados Unidos, também é importante a morte de Sinwar. A morte de Sinwar vai facilitar, certamente, outros processos, designadamente até o próprio apoio humanitário e depois a libertação dos reféns e a paz. É isso que todos desejamos e penso que pior do que ele, como dirigente, nós dizemos sempre que eles são substituídos e a semente da raiva alimenta novos líderes ainda mais complicados. Isto faz parte das teorias ou das teses de alguns estudiosos do terrorismo. Neste caso, como também dizem grande parte deles, era impossível haver alguém pior e por isso o trata como o diabo. E por isso há aqui tratamentos, inclusivamente de outros movimentos terroristas, inclusivamente de outros mais moderados, a ala mais política do Hamas, que foram afastados e que estão no estrangeiro.