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Pergunto-lhe, José Costa, qual é a posição do sindicato acerca do discurso do governo sobre as provas digitais. Há condições para se realizarem?
O governo proferiu, estava a ouvir agora até na televisão, pela voz do secretário de Estado, Alexandre Homem Cristo, mas o ministro não disse isso. Ou seja, nós temos aqui uma contradição no discurso. Foi o próprio ministro que aqui há dias admitiu a possibilidade de haver alguns problemas nas escolas na implementação destas provas. Esta, para já, é a primeira contradição, até porque o ministro está mais próximo da verdade. Nós sabemos que as escolas estão com problemas, porque têm carência de material, têm sistemas obsoletos, há escolas onde as licenças já caducaram e, portanto, este otimismo do senhor secretário de Estado, em contradição com o que diz o próprio ministro, parece-nos um bocado exagerado. Agora, em relação a nós, quanto às provas, temos um posicionamento, até porque somos contra uma iniciativa que vai acontecer no meio do ano e que vai criar uma grande instabilidade no funcionamento normal das escolas. É uma coisa que também prepara exames e, portanto, também temos um posicionamento em relação aos exames, mas se calhar isso agora não vem aqui ao caso. Se bem que está também na intenção do próprio pré-aviso de greve. Mas a questão central aqui é que, de facto, esta iniciativa, que são as provas modelo, as provas de teste, as tais moda, acontecem numa altura, repito, em que as escolas estão a funcionar em pleno, portanto, vai criar uma grande perturbação dentro das escolas e mais uma vez vai sobrecarregar os professores. Ou seja, estas provas vão acontecer e, ao contrário do que o ministro disse, não há nenhuma bolsa solidária e os professores estão solidários para tudo. Atenção, mas não é desta forma. E o que o ministro disse é falso, não há nenhuma bolsa solidária. O que há são professores que são obrigatoriamente designados para este serviço pelas direções das escolas. Mas este serviço, repito, sobrecarrega os professores, nomeadamente acrescenta serviço de exames, quando tem o secretariado de exames, e mais as classificações das provas, dos professores classificadores, que vão ser obrigados a ter de o fazer para lá das suas 35 horas de horário de trabalho. E por isso é que a FENPROF, por estas e por outras razões, emitiu o pré-aviso de greve. A partir de segunda-feira funciona e o serviço de greve abrange a vigilância aos exames e todo o serviço que está inerente aos exames, a estas provas, nomeadamente o secretariado de exames, o transporte, a vigilância, a classificação e tudo o que é normal quando se monta uma estrutura desta.
E tem ideia da adesão que a greve poderá ter?
Vamos ver amanhã. Das classificações, amanhã não se consegue perceber nada, porque só quando as provas forem feitas. Agora, o que nós temos ali, só amanhã conseguimos ver, nomeadamente as vigilâncias. As vigilâncias decorrem durante a aula do professor. Vamos ver. Isto implica que o professor que está designado para fazer essa tarefa, que é a tarefa de vigilância ao exame, não dá a sua aula. E não dando a sua aula, se entender que faz greve, depois não dá aula, como é óbvio, porque o serviço para que está convocado sobrepõe-se ao que tinha, que era a aula. E se fizer greve, não vai dar aula, mas só amanhã é que nós conseguimos medir isso. E depois a seguir, vamos também fazer a medição das indicações que temos, é que de facto há professores indignadíssimos com a forma como isto foi apresentado e a sobrecarga, a perturbação que isto vai causar nas escolas. E mais uma vez, é algo que não acrescenta nada. Algo que cria perturbação, não se percebe a utilidade destas provas. É isto tudo que está em cima da mesa. Vamos agora a partir de segunda-feira tentar perceber, de facto, qual é a adesão à greve, que é de difícil medição. São provas fáceis de fazer. Pode haver na escola um grande número de professores a aderir, mas basta haver ali três ou quatro que as provas se fazem. Vamos ver, de qualquer forma, vamos fazer esta medição a partir de segunda-feira.
Esta greve foi convocada há alguns dias. Pretendem assim reforçar o contacto com o governo?
Quando enviamos o pré-aviso de greve, vai para o Ministério da Educação, vai para todas as estruturas, nomeadamente o ministro. O Ministério da Educação, não há nenhum contacto. Este é o contacto formal que nós temos com o governo. Eu recordo que também quando o senhor ministro fez aquelas declarações que havia uma bolsa solidária dos professores, etc., que iam ser solidários e que se iam oferecer, eu acho que não falou também nem com os sindicatos, nem com nenhum professor quando emitiu aquela, que não corresponde à verdade, é falso. Mas penso que também não falou com ninguém.