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Junta-se em direto o Jornal das duas, Filipe Garcia, economista da informação de mercado dos financeiros. Boa tarde, Filipe. Esta era a decisão que já era esperada.
Sim, boa tarde. O BCE cortou as taxas de referência, como era amplamente esperado, em 25 pontos base e está a dar continuidade ao ciclo de cortes de taxas que iniciou em junho e que está em curso, portanto deverá continuar. Como já foi referido, Christine Lagarde citou que a evolução da inflação está a andar como esperado, no sentido descendente, ainda que tenha destacado a evolução em alta dos salários e que as leituras da inflação deverão subir no final do ano devido a efeitos de base. Tendo em conta o comunicado do BCE, as palavras de Lagarde, que ainda está a falar e há sempre o período de perguntas e respostas, que é sempre importante, o mais provável é que o BCE corte taxas de juro mais uma vez este ano, em dezembro, quando o BCE apresentar as novas projeções econômicas, embora o mercado atribua ainda uma probabilidade de cerca de 40% de um corte já em 17 de outubro, mas que não me parece que seja o mais provável. Ainda teremos mais cortes por parte da Reserva Federal dos Estados Unidos.
Isso poderá depender de quê? Poderá depender, por exemplo, da evolução da economia, essa decisão?
Sim, eu creio que há uma parte importante desta decisão que tem a ver com a evolução da inflação, mas também com os sinais de desaceleração que existem a nível global, nas economias e na zona euro também. Mas o BCE tem vindo a dizer que as suas decisões são dependentes dos dados. Ora bem, aquilo que me parece é que até à reunião de outubro não teremos tantos dados quanto isso, que permitam ao BCE tomar já uma decisão. E o BCE tem preferido esperar pelas previsões trimestrais do próprio gabinete de estudos do BCE para fazer esse corte de juros. Claro que se tivermos uma situação de uma desaceleração muito forte, um choque financeiro, uma queda nos mercados muito pronunciada, isso poderá vir a acontecer. Mas a forma como está feito o comunicado, em que chama a atenção para a evolução dos salários, que ainda é no sentido ascendente. Lagarde estava a dizer há pouco que há uma diferença grande entre aquilo que é a evolução da inflação dos serviços e a inflação dos bens, com a inflação a cair e a dos serviços a acelerar, dá a entender que o BCE não quer acelerar já o ritmo de corte de taxas e, portanto, parece-me que o mais normal, tendo em conta tudo aquilo que está a ser dito, é que se espere por dezembro para mais um corte, que seria o terceiro deste ano.
E que impacto é que nesta decisão já está a ter ou ainda poderá vir a ter mais nas taxas Euribor, que de certa forma já estavam a contar com esta descida anunciada hoje?
Exatamente, as taxas Euribor já estavam a descontar totalmente este corte e também o corte de dezembro. Neste momento, o mercado está à espera que tenhamos um total de cortes de 175 pontos base até final do ano que vem, ou seja, colocando a taxa de referência em aproximadamente 2%. E o que o mercado está à espera é que o Euribor feche o ano, o Euribor a 12 meses na casa dos 2,60, a taxa a seis meses na casa de 2,70. Mas isso não parece que vá ser influenciado por aquilo que são as palavras e a decisão de hoje, porque isso realmente já estava perfeitamente descontado.