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Junta-se agora a este jornal Ricardo Marques, que é especialista na área de energia. Bom dia, Ricardo Marques. Este corte da produção, falamos de mais de um milhão de barris de petróleo por dia, é preocupante, vai ser preocupante?
Muito sinceramente, não me parece. Ou seja, em termos de preço, apesar de estarmos a subir $4 por barril hoje, com esta nossa surpresa, estamos no mesmo valor que estávamos no início de março. No fundo, o que aconteceu aqui foi a recuperação das perdas que se verificaram em março. Por outro lado, penso que se a OPEP está a fazer isto, é porque sente que as expectativas de procura que estavam projetadas para este ano não estão a ser alcançadas. Hoje os dados da indústria da China mostram uma situação muito mais fraca do que muitos estimavam. Acima de tudo, parece-me que com esta decisão, a possibilidade dos preços continuarem a descer reduz, mas não estou a ver que leve um disparo dos preços para cima dos $100.
Ou seja, não vamos voltar a ver a gasolina e o gasóleo a €2 o litro.
Poderemos ver, se houver outras situações. Só por esta razão, não. Poderão, entretanto, se a OPEP decidir cortar mais um ou dois milhões, ou se a Rússia decidir cortar dois milhões. Não me parece que este evento seja suficiente pra levar outra vez o gasóleo pra esses valores. Tanto mais que o gasóleo continua a cair. Enquanto há dois meses o gasóleo estava a negociar a $40 acima do Brent, hoje está a negociar a 19.
Sim. Portanto, Ricardo Marques, o que entende é que se decidiu um corte na produção porque o crescimento econômico não estava a ter os níveis que se esperava para este ano.
Exatamente. E eu penso que a Arábia Saudita e os outros optaram por cortar antes que os preços viessem mais pra baixo.
Sim, isto terá reflexos inevitáveis na inflação, que estava a desacelerar.
Se ficar por aqui, o que acontece é que pelo lado da energia ou dos combustíveis, não vamos ter uma desaceleração tão rápida. Mas, a menos que os preços continuem a subir por alguma razão, não me parece que vá ser isso que trave a descida da inflação, tanto mais que continuamos com outros fatores como o gás ou com a eletricidade, com os preços em baixo.