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O presidente da Câmara de Ourém, Luís Albuquerque, muito bom dia. Obrigada por estar connosco. Antes de mais e antes de falarmos das dificuldades no abastecimento de energia, como é que foi a noite? Previa-se também muita chuva.
Bom dia. A noite não foi uma noite tranquila, mas penso que não terá atingido as proporções que se previam. Houve efetivamente ventos no início da noite, cerca da uma da manhã, talvez, soprou com alguma intensidade, nada comparado com a depressão Cristina. E choveu, também não com muita intensidade, durante a noite. E por isso, uma noite difícil, mas talvez não com aquela severidade que se poderia imaginar e de acordo com as previsões que existiam.
E por isso mesmo, já por aí são boas notícias. Não há, é no resto, na verdade, Luís Albuquerque, como é que estamos ao nível do restabelecimento de energia? É uma das grandes preocupações do Conselho.
Estamos mal. Deixe-me dizer que, por exemplo, o restabelecimento de água, porque também era fundamental, se calhar até mais do que a própria energia, e isso nós, felizmente, aqui com o concessionário, com um esforço muito grande, com muitos geradores, com o empenhamento total de todos, hoje podemos dizer que já temos cerca de 95% do Conselho restabelecido com água. Esperamos que durante o dia de hoje consigamos atingir, senão os 100%, 99%, o que não deixa de ser significativo, tendo em conta a catástrofe que atingiu o nosso Conselho. Em relação à energia, não tenho dados atualizados, porque ainda não me consigo atualizar os dados, mas o que sei é que havia ainda 308 PT inoperacionais e que durante o dia de ontem a ERedes conseguiu reparar 40, o que significa que ainda há cerca de 270 PT inoperacionais, o que penso que deve dar cerca de 15 mil pessoas ainda sem energia elétrica e com muitas dificuldades de poder prever quando é que todas poderão ter acesso a esse bem essencial que é a eletricidade.
E sem a capacidade de garantir geradores a todas estas pessoas.
Isso é humanamente impossível, porque não há geradores que valham. Nós conseguimos, os nossos geradores, e porque também era uma preocupação nossa, direcionar esses geradores para as escolas. Nós temos 34 escolas, todas elas sofreram danos significativos. Conseguimos nestes cinco dias recuperar 32. Hoje, 32 das 34 escolas que temos no concelho irão reabrir com toda a segurança, com fornecimento de alimentação, com o serviço de transportes a ser efetuado normalmente. Poderá haver aqui alguns constrangimentos em termos de vias, mas pensamos que, e foi para aí que direcionamos, porque dessas 32 escolas, há 12 que vão funcionar com geradores e foi para aí que tivemos que direcionar a nossa atenção para que hoje pudessem, pelo menos, as crianças terem o recomeço das aulas para decorrer com a normalidade possível.
Tem o número concreto de desalojados, Luís Albuquerque?
Neste momento, temos muitos desalojados, mas muitos deles foram deslocalizados para casas de familiares que conseguiram acolher as pessoas. Nós, neste momento, temos 13 pessoas que estão a nosso encargo, em que lhes estamos a garantir alimentação e alojamento enquanto as suas casas não são arranjadas, porque sofreram danos irreparáveis. E, portanto, neste momento temos 13, mas admite-se perfeitamente que durante o dia de hoje, mais gente possa vir solicitar este tipo de apoio, porque a devastação é total e há muitas casas, há muitas pessoas ainda com a estrutura que caiu e que vai cair quando vier a tirra nos próximos dias, irá com certeza solicitar-nos apoio, porque as suas casas, mesmo com o fornecimento de lonas, e ontem nós demos mais de mil lonas às pessoas que nos pediram e continuamos a ter hoje lonas disponíveis, pelo que eu aqui deixo, se precisarem de lonas, se precisarem de telhas, nós hoje também vamos ter cerca de cinco ou seis mil telhas disponíveis para dar às pessoas, que se dirijam ao posto de comando, ao Estaleiro Municipal, que nós ali estaremos para dar aquilo que for necessário para garantir o maior conforto possível às pessoas.
O conforto possível. O Conselho de Ministros decidiu ontem uma série de ajudas para os conselhos mais afetados, de que faz parte, naturalmente, Ourém. Faz uma avaliação positiva dessas ajudas?
Tudo o que vier é bom. Sinceramente, há cinco dias quase que não vejo notícias, não ouço notícias, também porque não há comunicações. O que vejo é o que vou vendo quando estou no posto de comando e tenho lá estado quase que 24 horas ininterruptamente desde quarta-feira, aqui através das redes sociais. Já estive mais ou menos a olhar para aquilo que o governo disponibilizou. Mais do que os apoios, mais do que aquilo que é necessário vir, e é urgente que venha, é que venha rápido e que venha com a maior agilidade possível para que as pessoas possam rapidamente poder aceder a elas para poderem começar a refazer as suas vidas.