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Neste jornal das 10 está Sérgio Monte, é o secretário-geral-adjunto da UGT. Bom dia, Sérgio Monte. Fica satisfeito com esta abertura do Primeiro-Ministro para um aumento do salário mínimo nacional para lá do que está previsto?

Muito bom dia, muito obrigado pelo convite. Em primeiro lugar, a entrevista do senhor Primeiro-Ministro realça, de facto, que há recetividade do governo à mensagem dos parceiros sociais para que em 2024, dadas as previsões macroeconômicas para esse ano, possa haver uma aceleração das metas que estão no acordo de médio prazo. O acordo de médio prazo é um acordo que não é estático, é dinâmico e, portanto, tudo aponta que poderíamos acelerar as metas, tendo em conta, relativamente ao salário mínimo e aquilo que foi falado, a UGT na sua política reivindicativa, claramente aponta para que este ano haja um valor acima dos 810 €, tendo em conta que há uma meta de pelo menos 900 em 2026, e se é pelo menos 900, nada indica que não possa ser mais se a economia, de facto, tiver esse desempenho positivo. Por outro lado, também realçar que da mensagem do senhor Primeiro-Ministro passa a ideia de que o governo quer encetar esforços no sentido de abandonarmos de vez essa política de baixos salários. Nós não podemos continuar num país em que os salários são encarados como fator de competitividade. Nós temos que competir pela qualidade dos produtos, pela qualificação dos trabalhadores.

Sérgio Monte, mas isso consegue-se aumentando o salário mínimo nacional ou havendo um aumento salarial mais alargado?

O aumento salarial mais alargado, curiosamente nos primeiros anos, o salário mínimo, de facto, comprimiu bastante o salário médio, que foi um aumento, nós estamos a falar de um aumento nos últimos anos, 50% do salário mínimo. Mas agora os salários médios já estão a fazer o seu caminho, a sua trajetória para descolar do salário mínimo, uma vez que os dados que estão aí são públicos, nos indicam que o número de trabalhadores a receber o salário mínimo diminuiu, e ainda bem. Portanto, o salário mínimo funciona aqui, digamos, como mola, ser ele o dinamizador para que os outros salários também aumentem. E já agora, permita-me também que realce essa entrevista ao senhor Primeiro-Ministro, que é importante ver que o 15º mês signifique que as empresas têm condições para pagar um pouco mais. E se fosse possível também a negociação coletiva, como aliás aconteceu em 2023, muita da negociação coletiva em 2023, muitos salários aumentaram acima do referencial dos 5.1 previsto para este ano, também que em 2024 possamos ir acima dos 4.8, no sentido, de facto, de caminharmos para abandonar esse modelo de baixos salários. Por fim, realçar uma outra coisa que é importante, deu polêmica recentemente e acho que agora ficou esclarecido, que haverá aumento das pensões e aumento do indexante de apoios sociais em 2024, o aumento será feito pela forma legal, pela forma que consta da lei. E dadas as previsões macroeconômicas que sabemos para 2024, haverá, aí sim, em 2024, uma efetiva recuperação do poder de compra dos pensionistas. E isso é muito importante também.