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Vamos começar por Porto de Mós. Começamos no distrito de Leiria, que foi um dos distritos mais afetados, e aqui falamos também de um dos concelhos que muito sofreu com a passagem da depressão Cristina. Ficou um rastro de destruição, falha na eletricidade, problemas na distribuição de água e há registro de feridos e de pelo menos uma vítima mortal já no período de reparações. Eduardo Amaral, é vice-presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós, muito boa tarde. Obrigado por se juntar a esta emissão. Que ponto de situação nos pode fazer neste momento, praticamente uma semana depois da passagem da depressão Cristina? Que problemas ainda há por resolver?

Boa tarde. Agradeço a vossa preocupação, porque realmente é importante neste momento poder passar o máximo de informação e uma das grandes lacunas tem sido a forma de podermos comunicar com as pessoas e elas perceberem, efetivamente, quais é que são os verdadeiros problemas. Porto de Mós foi assolado fortemente também com esta depressão, que acabou por ter aqui um efeito devastador, que para nós, em termos de gestão, em termos de quedas de árvores, telhados, acidentes. Tivemos a vantagem de poder sermos nós que controlamos a rede de água própria e como temos tido experiências do passado, tínhamos já um conjunto de geradores que conseguimos acionar nas estações elevatórias de distribuição e conseguimos, a pouco e pouco, começar a garantir que pelo menos a água chegasse a toda a comunidade, porque sabemos que é o bem mais necessário, para além de todo o outro. E depois procuramos criar toda uma rede colaborativa, conjuntamente com as juntas de freguesia, de forma a poder fazer chegar realmente a resposta mais adequada às necessidades da população. Efetivamente, temos tido aqui alguns acidentes, nomeadamente com os geradores. Os geradores continuam a ser um grande problema e nós já tivemos aqui famílias com situações, porque não sabem, as pessoas não estavam preparadas para ter este tipo de equipamento em casa, que nomeadamente não deve estar dentro de casa. Encontrámos inclusive uma situação de acidente em que tinham o gerador na casa de banho.

Pessoas que ficaram feridas, não é? Por respirarem-

Inalação de fumos e acabaram por ter que ir, neste caso, para o Porto, porque Leiria também estava a registar sistematicamente acidentes por pessoas de quedas de telhado. Infelizmente, também ontem acabamos por ter aqui um acidente fatal e queremos expressar aqui as nossas condolências à família também e esperar que toda a comunidade sinta e que tenha e deixe este espaço de luto para que as pessoas possam também, dentro delas próprias, juntar-se e darem-lhe aquele carinho, mas sem haver aqui interferências externas. É isso que temos procurado.

Sim. Eduardo, eu ia lhe perguntar, nesta altura, sabemos que o trabalho de reconstrução, reparação está a ser geral em toda a região Centro e em outros locais. Neste momento, para Porto de Mós, o que é mais urgente, de que é que mais precisa e quais são as principais preocupações também da autarquia?

As principais preocupações da autarquia foi dar a resposta às necessidades da sua comunidade e fizemos esse levantamento com a ação social e com as juntas de freguesia. Criamos uma rede colaborativa, para além de acionarmos o plano de emergência municipal e reunir os vários agentes do território e a partir daí, poder começar a dar respostas. Depois, com as juntas de freguesia, criar uma perspectiva de retaguarda e de apoio, juntando todas as associações sociocaritativas, as conferências São Vicente Paulo, porque já tinham pessoas referenciadas e que não houvesse a necessidade das pessoas andarem a mendigar, porque agora toda a gente oferece muito e não é o muito que ajuda, é um apoio constante que é fundamental. Depois, fazer o levantamento das habitações que ficaram destruídas, e temos várias.

Já tem algum número?

Os números ainda não temos, porque ainda temos, inclusivamente, algumas árvores a cair, fruto das chuvas que estão a acontecer. E aqui tivemos a vantagem de conseguir, com as nossas equipes de sapadores e com as nossas equipes dos serviços municipalizados, desimpedir tudo o que era acessibilidades para que houvesse aqui uma fluidez de trânsito e poder chegar a quem necessitava. Isso foi garantido no imediato. Agora, o que começamos a precisar é de telhas, é de chapas, é de telhas sanduíche, cimento. Alimentação não, porque nós, felizmente, conseguimos dar essa resposta e pode ser canalizado para Leiria ou para Pombal, que estão aqui com uma situação ainda de mais gente sem ter este tipo de apoio. Mas nós precisamos, fundamentalmente, é de material.

Material de construção, principalmente telhas, que é o que nos diz.

Exatamente.

Eduardo, deixe-me questioná-lo sobre outro assunto, até porque queremos ouvir aqui diferentes concelhos, mas de Porto de Mós houve um assunto, também de Leiria e tem sido reportado, que são casos de roubos. Mais concretamente, em Porto de Mós, estamos aqui a falar de furtos de cabos e de gasóleo, que estão a criar alguns problemas. O que nos pode relatar e que recomendações deixa também à população para ter mais cuidado com algum destes materiais que possam ser alvo de roubo?

Sim, neste caso foram os geradores que conseguimos acionar para garantir o abastecimento de água. Efetivamente, furtavam-nos gasóleo e cabos de alimentação e isso fazia com que os depósitos d'água depois entrassem em colapso e por isso é que não conseguimos responder no imediato. Essa foi uma das lacunas e pedimos a colaboração da GNR, assim como ontem à noite entraram aqui também numa pecuária e levaram cerca de 30 leitões e toda a alimentação e o material veterinário. E isso é o que nós precisamos, porque tudo o que havia a fazer com os nossos serviços, nós fizemos e estamos em condições de garantir aqui este conforto a toda a população. Precisamos é de ajuda agora que não nos chega, que é as forças de fiscalização com mais presença, com mais visibilidade e de fazer aqui um trabalho, realmente, porque ainda há zonas que não têm luz, nomeadamente as freguesias de Juncal, Calvaria, que são as que foram mais afetadas, que também é uma zona de pinhal e foi onde surgiram mais danos em termos de infraestruturas, nomeadamente da rede elétrica. E nós sabemos Que Porto de Mós até tem conseguido garantir a parte elétrica, mas ainda ontem, na reunião que tínhamos com a E-Redes, eles tinham cerca de 1260 pessoas no território para poder dar esta resposta que a gente sabe que não vai ser fácil. Ainda temos cerca de 127 mil pessoas aqui no distrito sem luz. Porto de Mós, felizmente, conseguiu, e agora como começa a vir algumas partes elétricas, já conseguimos deslocalizar alguns geradores, porque também já tínhamos tido experiências do passado e sabíamos o que nos aconteceu, nomeadamente com o apagão e com outras situações que precisávamos deste tipo de estrutura. Mas a grande vantagem é que a rede de águas é nossa. E o que acabamos por dizer também um pouco às pessoas é que mais vale termos uma vela acesa do que andar a gritar no escuro. E a gente não precisa de andar a gritar em lugar nenhum. Queremos é realmente que alguém que olhe para o território venha agora garantir a segurança, que é o que a gente precisa. O resto nós esforçámo-nos e a comunidade juntou-se e a comunidade conseguiu fazer conjuntamente com os serviços municipalizados.

Eduardo, só para terminar, o que mais precisa neste momento? Material de construção e também melhorias na segurança, devido a essa catástrofe que passou pela região e também muita falta de segurança que possa sentir também neste período. São as duas maiores necessidades nesta altura em Porto de Mós, podemos dizer assim.

Sim, efetivamente, agora é poder dar resposta, porque o que temos andado a dizer, e como falou, efetivamente tivemos uma pessoa que faleceu, queda de um telhado. Temos tido aqui inúmeros acidentes e nós estarmos a dar lonas às pessoas para arranjar um problema e eles poderem vir a sofrer um acontecimento trágico como este, acaba por ser um pouco contrassenso. Conjuntamente com a junta de freguesia, estamos a fazer a identificação das necessidades, nomeadamente telhas, bigotas de cimento, chapas zincadas, sanduíche, cimento, para que possamos intervir e fazer efetivamente a resolução permanente, para não andarmos aqui a adiar.

Certo. Eduardo Amaral, vice-presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós, muito obrigado por se ter juntado a nós na Rádio Observador.