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Paulo Santos é líder parlamentar do PCP. Obrigado pela disponibilidade para falar com a Rádio Observador. O PCP denuncia hoje a alegada produção em Portugal de moedas destinadas a Israel. Em que é que se baseia para fazer esta denúncia?

Tivemos conhecimento desta informação e é a partir daqui que também questionamos o governo para perceber o conhecimento do governo relativamente a esta matéria, mas mais do que isso, se não considera, até tendo em conta aquele que tem sido o genocídio levado a cabo por Israel do povo palestiniano, os crimes, o bloqueio, utilizar a fome como uma arma de guerra contra o povo palestiniano, se não considera que é inadequado. Nós consideramos que é profundamente inadequado a Casa da Moeda, neste momento, proceder à cunhagem de dois milhões de moedas para o Estado de Israel, porque Portugal não pode ser complacente com esta sistemática violação dos direitos do povo palestiniano e deve pugnar pelo cumprimento dos princípios da Carta das Nações Unidas, pelo direito internacional, pelo cumprimento das resoluções aprovadas nas Nações Unidas, até tendo em conta que Portugal ainda recentemente reconheceu o Estado da Palestina. Portanto, não pode haver aqui por parte do governo português qualquer branqueamento desta atuação de Israel, de genocídio, de violação, de agressão, de atrocidade contra o povo palestiniano. E é neste sentido que questionamos o governo.

Mas essa cumplicidade comercial é um branqueamento do que se passa em Gaza? As duas situações não podem ser separadas?

Não se pode é fazer de conta que não está a acontecer nada na Faixa de Gaza, nem se pode fazer de conta que Israel não está a levar à prática o genocídio do povo palestiniano. Isto é que não pode ser ignorado. Até tendo em conta a realidade que é absolutamente trágica do povo palestiniano, com os milhares de mortos e de feridos que têm acontecido, privar a população de bens e serviços essenciais. Como é que é possível ignorar tudo isto? Não pode ser ignorado e portanto, por isso é que nós colocamos esta questão em cima da mesa, porque esta atitude do governo português significa o branqueamento daquilo que tem sido a atuação de Israel e, de certa forma, até uma conivência com o regime de Israel, que tem sistematicamente violado os direitos humanos. E isso não pode acontecer.

E já teve algum tipo de resposta, algum tipo de sinal por parte do governo?

Nós entregámos a pergunta hoje, aguardamos a resposta por parte do governo.

E de facto já existem sanções comerciais contra Israel. Acha que deviam ser reforçadas?

Há aqui duas questões que eu queria suscitar, que é: o governo português tem que pugnar pelo cumprimento daquilo que são as resoluções aprovadas das Nações Unidas e que deve utilizar a sua intervenção até no quadro das instituições internacionais nesse sentido. Quando falo do cumprimento das resoluções das Nações Unidas, estou a falar naturalmente da criação do Estado da Palestina, com as fronteiras de 1967, a capital em Jerusalém Leste, o cumprimento do direito de retorno dos refugiados palestinianos. E não pode, de forma alguma, ser conivente com tudo aquilo que o governo de Israel está a fazer, a violência e a agressão contra o povo palestiniano. E este processo que tivemos agora conhecimento da produção de dois milhões de moedas para o Estado de Israel é no mínimo inadequado, para não dizer que revela, de certa forma, essa cumplicidade com o governo israelita com a agressão que Israel está a fazer contra o povo palestiniano. Isso é que não pode ser.

E só para terminar, senhora deputada, porque penso que não ficou claro, como é que o PCP teve conhecimento desta situação? Foi através de uma denúncia?

Nós tivemos esta informação e é nesse sentido que questionamos o governo relativamente a esta matéria. Queremos saber mais sobre esta questão.