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Temos agora em direto o líder parlamentar do CDS, Paulo Núncio. Muito bom dia, Paulo Núncio, obrigada por estar conosco em direto. Se a moção de confiança for rejeitada, como tudo indica, qual lhe parece que deve ser a solução ideal: eleições ou ser apresentado um novo chefe de governo? Isso também pode ser considerado?

Muito bom dia e obrigado pelo convite. Repare, o CDS sempre se bateu pela estabilidade política, mas consideramos que no dia em que for aprovada a moção de confiança, se for aprovada, ou se for chumbada, neste caso, a moção de confiança, não restará outra oportunidade senão avançarmos para eleições antecipadas e o CDS está muito calmo e muito sereno relativamente a essa situação.

Portanto, aquela possibilidade de ser sugerido um nome para liderar o governo, evitando a paragem que implica de eleições antecipadas, fica excluída por parte do CDS. Não é isso que irá sequer sugerir ao Presidente da República.

Repare, neste momento temos um governo que está a governar bem, que está a cumprir o seu programa. Há uma crise política que é da exclusiva responsabilidade das oposições. Se a moção de confiança vier a ser rejeitada e se o governo cair por causa disso, o normal é que a Aliança Democrática se apresente novamente a eleições, defendendo, no fundo, o legado, que é um bom legado deste governo.

Tinha essa questão também para esclarecer consigo, Paulo Núncio. A aliança CDS-PSD vai manter-se para estas eleições, não estando obviamente previstas no acordo de coligação?

Cada coisa a seu tempo. Primeiro, vamos discutir a moção de confiança. Como lhe digo, o CDS é favorável à estabilidade. Somos contra crises políticas e entendemos que o país está a passar por uma situação favorável e que a estabilidade política deve ser mantida. Repare, Portugal está a ter um crescimento econômico notável. Estamos a crescer três vezes mais do que a média da zona euro. Estamos a conseguir reduzir impostos, estamos a conseguir reduzir a dívida, estamos a conseguir excedentes orçamentais. Portugal é hoje elogiado na Europa e no mundo como exemplo a seguir. E, por outro lado, é importante também referir que a situação internacional é uma situação bastante grave e bastante perigosa. E por isso tudo indicaria que a melhor solução para o país seria manter o governo, manter a estabilidade política e que as pessoas pudessem contar com estabilidade financeira nas suas casas. Infelizmente, a oposição tudo tem feito para degradar a situação política. Tivemos duas moções de censura no espaço de 15 dias. Este governo, como é sabido, não tem uma maioria absoluta no Parlamento, por isso precisa de condições para governar. Se essas condições não existirem, evidentemente que terá que haver uma clarificação e nessa altura a palavra deverá ser devolvida ao soberano, ao povo, para tomar uma decisão.

Paulo Núncio, mas por tudo o que está a dizer, e na perspectiva de um calendário eleitoral em que só teremos um governo perto do verão, esta crise não teria sido evitada se o primeiro-ministro tivesse respondido às questões que foram colocadas pelo Partido Socialista e pelo Bloco de Esquerda e que ontem, no debate da moção de censura, esclareceram que Montenegro ainda não respondeu? Não teria sido evitável?

Muito pelo contrário. Eu acho que o primeiro-ministro tem dado todas as explicações. Aliás, esta campanha que tem sido feita pelas oposições baseia-se em insinuações, em suspeições, em difamações. Não há um único facto, não há uma única ilegalidade, não há uma única irregularidade que possa ser apontada ao primeiro-ministro. Trata-se tudo de chicana política, trata-se tudo de jogadas político-partidárias, de táticas, de manobras. E eu acho que os portugueses estão muito cansados deste jogo das oposições e, por isso, como lhe digo, a situação política foi-se degradando.

É preciso voltar a legitimar o governo.

É preciso uma clarificação. Se a moção de confiança não vier a ser aprovada, ou se for chumbada, parece-me que a palavra deve ser devolvida ao povo. E nessa matéria, deixe-me dizer, nós estamos muito serenos e muito tranquilos, porque tudo fizemos ao longo do último ano para melhorar a vida dos portugueses, quer no Parlamento, quer no Governo. E estou certo que se os portugueses forem chamados novamente às urnas, saberão reconhecer o trabalho realizado por este governo e premiar esse trabalho.

E voltamos a ter uma situação de bloqueio no Parlamento depois das eleições. Vai ser necessário fazer pontes com outros partidos? Haverá condições com os mesmos líderes partidários que existem agora, que passa a haver entendimentos?

Repare, o agente político não deve trabalhar sobre cenários. Cada coisa a seu tempo, como lhe dizia. Vamos primeiro pra moção de confiança. O CDS está, como sempre esteve, do lado da estabilidade política e dos portugueses. Vamos lutar pela estabilidade política até o fim. Se a moção de confiança vier a ser rejeitada, vamos para eleições e estamos preparadíssimos para essas eleições. Temos um bom legado, temos resultados palpáveis, concretos, específicos, de melhoria da situação dos portugueses no último ano, nos últimos 12 meses de trabalho deste governo. E por isso estamos muito serenos e muito tranquilos relativamente a essas eleições. Achamos que há todas as condições para que a Aliança Democrática possa reforçar a sua posição relativamente às últimas eleições.

E pedir uma maioria absoluta.

Cada coisa a seu tempo. Eu acho que o trabalho do governo é claro, a vida das pessoas melhorou significativamente. Conseguimos reduzir impostos pras famílias, pros jovens, pras empresas. Conseguimos resolver um conjunto de problemas grandes relacionados com determinadas classes profissionais, professores, profissionais de saúde, forças de segurança, militares.

Percebemos, Paulo Núncio, que a pré-campanha já começou e ficamos aqui à espera, então, primeiro que o Conselho de Ministros aprove essa moção de confiança que há de ser discutida e votada no Parlamento na próxima semana.

Deixe-me já agora dizer, relativamente ao trabalho do governo neste último ano, também realçar o aumento de pensões para cerca de quatro milhões de pensionistas e reformados e, fundamentalmente, o aumento do complemento solidário para idosos, para os idosos mais carenciados, aqueles que têm mais dificuldades. O governo teve essa preocupação social.

E teremos esses argumentos em campanha.

E isso seguramente que vai ser reiterado, mencionado e valorizado no dia em que os portugueses tiverem novamente que tomar decisões.