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Temos em direto agora Diogo Aires de Campos, que é o diretor do departamento de obstetrícia e ginecologia do Hospital de Santa Maria. Diogo Aires Campos, muito obrigada por estar conosco. Como é que olha para o arranque deste modelo? Pode de facto ajudar a resolver o problema das urgências de obstetrícia e ginecologia?

Muito bom dia. Bom dia a todos. Eu penso que a forma como tem sido apresentado este modelo, às vezes não corresponde exatamente àquilo que se pretende com ele. O modelo pretende ser um contacto de proximidade com as grávidas e com as mulheres com sintomas ginecológicos, que às vezes não sabem se hão de ir à urgência. Os cartazes que estavam a mencionar há bocadinho sobre os sintomas que as pessoas devem levá-los à urgência, não são no sentido de dizer: "só pode vir com esses sintomas". Estão no sentido de dizer: "estes são sintomas que geralmente necessitam de uma avaliação urgente". E nessas situações, porque os sintomas às vezes não são coisas pretas nem brancas, são coisas às vezes mais ténues. Um telefonema para alguém que seja um especialista da área, que pode orientar e dizer: "sim, nessas situações vá à urgência, nessas situações não justifica ir à urgência, vá antes a uma consulta no seu centro de saúde ou vá antes a uma consulta no hospital". Eu penso que é uma medida positiva, no sentido em que ajuda as pessoas a decidirem, em vez de ir toda a gente para a urgência, mesmo sem saber se se justifica ou não essa ida.

Portanto, o que está a dizer é que nem há aqui uma mudança muito grande nesta fase de pré-triagem. Significa que há apenas uma tentativa de perceber exatamente o que é uma urgência de uma falsa urgência.

Sim, e uma melhor orientação das situações em que as mulheres têm dúvidas se devem ou não ir à urgência, através deste contacto telefónico, serão ajudadas nessa decisão. Eu penso que é uma medida que nos países europeus do Norte e do Centro da Europa está adotada há vários anos, não centralizada numa linha SNS 24, mas sim centralizada nos hospitais, mas com características, com critérios muito semelhantes e que, no fundo, acho que tranquiliza as grávidas e as mulheres com sintomas ginecológicos, no sentido em que alguém orienta e diz assim: "nessa situação tem que ir imediatamente à urgência, nessa situação tem que ir de ambulância e noutras pode ir por seu próprio pé ou então tem que ir a uma consulta". Acho que é uma medida que ajuda a orientar esses casos, às vezes que as mulheres têm algumas dúvidas.

Então não vê nenhuma razão para as preocupações que nomeadamente os sindicatos dos médicos têm alertado.

Agora estamos a falar uma coisa diferente. É que os sindicatos dos médicos têm alertado para a redução das equipas de urgência. Nós temos, de facto, em Portugal, um número de médicos nas equipas de urgência muito superior àqueles que têm esses países. E a razão é porque, de facto, precisamos de muitos médicos para dar a ida, dar orientação a um número muito elevado. Temos quatro ou cinco vezes mais episódios de urgência de obstetrícia e ginecologia que países como Inglaterra, Alemanha, França, etc. E de facto, se conseguirmos orientar algumas destas senhoras que não precisam de ir à urgência, mas podem ir para uma consulta no dia seguinte ou no próprio dia, no hospital ou no centro de saúde, podemos, se houver segurança e se as equipas se sentirem seguras, reduzir esse número de elementos na equipa de urgência. Mas acho que ninguém quer, seguramente num hospital, na Materidade Alfredo da Costa, nenhum hospital quer reduzir as equipas sem sentir segurança. A segurança tem que ser obviamente a primeira prioridade de qualquer medida.

Portanto, reduzindo o fluxo, é normal que as equipas também não tenham que ter o mesmo número de profissionais. Como é que o Hospital Santa Maria, nomeadamente o serviço de obstetrícia e ginecologia, está a gerir este primeiro dia desta fase de pré-triagem?

Temos uma fase muito preliminar.

Claro!

Os cartazes só foram colocados à meia-noite de ontem. E de facto, durante a noite não tivemos assim muitas pessoas a recorrer à urgência, mas acho que vamos ver hoje durante o dia e sobretudo ao longo destes três meses. O projeto piloto é piloto de três meses para ver se é necessário ajustar alguns dos critérios de referenciação, se é necessário ajustar alguns dos pontos mais de detalhe da medida, porque de facto acho que o que se pretende é arranjar uma solução que ajude as grávidas e as outras mulheres com queixas ginecológicas, de uma forma que se sintam seguras, serem orientadas. Não é dizer assim: "não venha à urgência", é arranjar outra solução que seja igualmente eficaz e que condicione menos pessoas na urgência. As nossas urgências de obstetrícia e ginecologia em Portugal são, de facto, muito diferentes das urgências do centro e do norte da Europa, e temos que fazer alguma coisa por isso.