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Já estamos na região da Beira Litoral. Neste caso, Alvaiázere é um dos concelhos que sofreu com a passagem da depressão Cristina. Ainda há problemas na distribuição de energia, há problemas na distribuição de água, há muito para recuperar e há pouca mão de obra. A autarquia tem apontado para falta de ajuda e para um cenário de isolamento. João Guerreiro, presidente da Câmara Municipal de Alvaiázere, qual é o ponto de situação que nos pode fazer? A depressão Cristina foi há cerca de uma semana. O mau tempo continua, espera-se que agrave nos próximos dias. Passada uma semana, que balanço pode fazer dos estragos e do trabalho que há para fazer?
Boa tarde. Antes de mais, obrigado por esta oportunidade. O balanço é trágico. Nós fomos afetados muito severamente por esta tempestade. Provocou danos em mais de 95% do nosso parque habitacional e empresarial, e diria, em quase todas as infraestruturas públicas. Ficámos, de um dia para o outro, sem eletricidade, sem comunicações e não foi fácil de recuperar. Durante algum tempo estivemos sozinhos, estivemos aqui a lutar com os nossos homens, com os elementos da Proteção Civil, GNR, bombeiros, funcionários do município, junta de freguesia. Estamos, neste momento, numa fase de recuperação. Já temos, a nível de energia, cerca de 60% do território com a energia recuperada, ainda falta 40%. O abastecimento de água já está estabilizado, nunca chegou a colapsar. Neste momento, estamos com mais de 95% do território abrangido. Temos ainda alguns problemas de comunicação. Espero que não venham a interferir com esta nossa conversa. Mas a nossa preocupação, efetivamente, até ontem, foi garantir o reforço de meios humanos, porque os nossos homens e mulheres já estavam a ficar exaustos, física e psicologicamente. Felizmente, ontem conseguimos, finalmente, esse reforço. Tivemos três corpos de bombeiros que se deslocaram para aqui, após vários dias a solicitar que fôssemos ajudados.
Sim, esse reforço.
Ontem tivemos esse reforço, três corpos de bombeiros, mais cerca de 20 militares para acrescentar aos 15 que aqui tínhamos, e mais uma brigada da Guarda Nacional Republicana de 10 militares. Neste momento, a esse nível, conseguimos estabilizar. Agora temos a questão mais urgente que nos preocupa, que são as previsões meteorológicas para os próximos dias.
É isso que eu ia lhe perguntar, João. Eu ia lhe perguntar precisamente sobre a maior urgência, calculando que a previsão do IPMA para os próximos dias é muita chuva, mesmo muita chuva, com a próxima depressão, vento forte também, mas isto não facilita, prejudica até esses trabalhos de recuperação que têm sido feitos, quer seja na distribuição de eletricidade e água, como também na reparação dos danos provocados pela depressão Cristina. O que é mais urgente neste momento, a nível de trabalho da autarquia, e que recomendação é que deixa à população para estes próximos dias?
O mais urgente no trabalho é, nestes dias em que, embora não estejam as condições ideais, mas nestes poucos dias em que ainda é possível fazer, fazermos proteções, nem que temporárias, das coberturas das habitações e dos edifícios públicos e das empresas. É aí que estamos muito focados e que estamos a aplicar todos os nossos esforços, porque as pessoas já sofreram imensos danos e se não conseguirmos, de alguma forma, proteger as suas habitações nos próximos dias, vai ser ainda pior.
Sim.
Portanto, estamos muito focados. Estamos com muita falta de materiais. Agora, felizmente, já temos homens e mulheres disponíveis e com competências próprias para fazerem isso. Agora é preciso conseguirmos lonas, telhas, cordas, material de fixação para reparar, nem que seja de forma provisória, as coberturas. E depois, o perigo e as recomendações que fazemos, porque as pessoas estão a entrar em desespero, começam a assumir riscos. Já tivemos pelo menos duas quedas de telhados, com pessoas hospitalizadas, felizmente nenhuma vítima mortal. E também a questão da falta de energia elétrica, que faz com que algumas pessoas recorram à utilização de geradores-
De forma incorreta.
Para a sua própria habitação, e de forma incorreta, o que também já levou a alguns casos de intoxicação por dióxido de carbono, que felizmente já recuperaram, mas são preocupações que temos. Agora, as pessoas, se não forem rapidamente ajudadas, vão começar a tomar decisões de risco e isso preocupa-nos, porque porão a sua integridade física em risco.
João Guerreiro, presidente da Câmara Municipal de Alvaiázere, muito obrigado por ter estado conosco, também com essas recomendações, algumas que deixa aqui, também a evitar, principalmente, a utilização de geradores no interior das habitações, e evitar também situações de risco na reparação de algumas propriedades. João Guerreiro, muito obrigado por ter estado conosco aqui na "Rádio Observador".