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Mas primeiro, o estabelecimento prisional de Coimbra esteve ontem à noite em estado de alerta máximo. Foi descoberto um plano de fuga de seis presos.

Em causa estariam detidos de nacionalidade brasileira, sendo que quatro deles partilham celas a pares, dois estão em celas com outros presos. De acordo com o jornal "Público", que adianta a notícia, há indicação de que haveria um sétimo envolvido no plano, mas não há certezas quanto à identidade. O jornal conta que para o estabelecimento prisional foram chamadas duas equipes do grupo de intervenção da guarda prisional, vindas da zona do Porto. Também as equipes de turno dos guardas prolongaram o trabalho várias horas e a PSP de Coimbra montou um esquema de vigilância às instalações. A Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais explica à Rádio Observador que foi detectada uma situação que poderia indiciar atos preparatórios para uma hipotética tentativa de evasão do âmbito do trabalho cotidiano e permanente de vigilância e de segurança. Nestas circunstâncias, diz a direção-geral, foram tomadas as medidas de segurança e de articulação com os órgãos de polícia criminal, tidas por adequadas, mas sem querer entrar em detalhes. Granda também que à hora habitual do recolher, foi feita a contagem e todos os presos estariam nas respectivas celas, sublinhando assim que não houve qualquer fuga. O jornal "Público" adianta também que a situação da preparação da fuga terá sido descoberta através de uma denúncia, mas que não especificava muitos pormenores sobre o esquema da fuga, além dos intervenientes. Junta-se a nós em direto o presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, Frederico Morais. Boa tarde, Frederico. O que nos pode dizer sobre o que se passou ontem no estabelecimento prisional de Coimbra?

Muito boa tarde, obrigado pela oportunidade de estar a falar com vocês. O que se passou no estabelecimento prisional de Coimbra é que houve um alerta, pelos menos aos meus colegas do Corpo da Guarda Prisional, por volta das 20h, para o máximo possível de elementos se apresentarem no estabelecimento, devido aos indícios de uma fuga de seis elementos que pertencem ao PCC do Primeiro Comando Capital do Brasil. Esses meus colegas, tanto de folga como de férias, isso é que é de louvar, porque nós, como eu digo muitas vezes, somos profissionais e o nosso dever perante o Estado português e perante o povo português é de prontidão e cumprimos aquilo que nos foi pedido. E graças a isso, acionaram 30 elementos que estavam de férias e de folga, acionaram uma equipe do grupo de intervenção e segurança prisional destacada no Porto e garantimos a segurança do estabelecimento e fizeram-se buscas às celas dos indivíduos, onde apanhámos estupefacientes e telemóveis e conseguimos evitar mais uma catástrofe no sistema prisional português.

Como é que classifica a atuação de todos os intervenientes neste processo, sendo que na informação que há é de que houve também equipes da PSP que também foram chamadas e houve também um esquema de vigilância que foi montado também no dia de ontem?

Isto chama-se segurança interna nacional. Isto é a segurança interna a funcionar. É um conjunto de elementos das forças e serviços de segurança que conseguem trabalhar em sintonia, esquecendo todas as divergências e diferenças e trabalhando todos por um só, que é o povo português e o Estado português. Isto quando tudo funciona, funciona.

Desta vez funcionou, é isso?

Funciona, funcionou e terá que funcionar sempre, basta estarmos todos em sintonia e ninguém querer protagonismos para ninguém e todos trabalharmos em equipe. É por isso que isto funcionou, porque senão hoje teríamos aqui a lamentar mais uma fuga de seis indivíduos, mas desta vez estamos a falar de indivíduos que são altamente criminosos, basta ver o historial que eles têm nas cadeias do Brasil e no Brasil, que a vida humana para eles não tem significado nenhum. E se calhar estaríamos aqui a falar de mortes de guardas prisionais, muito provavelmente, mas quando tudo funciona, consegue-se evitar com a devida antecedência e não permitimos que fugissem.

Sabe nos dizer, Frederico Morais, o que aconteceu a estes presos, que se suspeitava que iriam fugir?

Para já, continuam no estabelecimento prisional de Coimbra, mas o sindicato está à espera e esperamos não ter que pedir nós à Direção-Geral uma coisa que é competência dela, que é tirá-los dali para Monsanto, porque é a única cadeia de alta segurança e que por natureza tem um inibidor de sinal de telemóveis natural, que é o excesso de antenas de televisão que há em Monsanto e de comunicações que cortam qualquer sinal de telemóvel. E nós precisamos ter estes indivíduos ali colocados em Monsanto com medidas especiais de segurança e não terem contato nenhum com o exterior. E esperamos que a Direção-Geral o faça, porque é o mínimo que tem que fazer.

Frederico Morais, muito obrigado por ter estado em direto conosco, presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, que nos ajudou a explicar aqui o que é que se passou ontem no estabelecimento prisional de Coimbra, que esteve em alerta máximo por causa de ter sido descoberto um plano de fuga de seis prisioneiros