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No final da reunião de Conselho de Ministros, à cabeça a decisão de prolongar a situação de contingência, uma decisão que não é bem acolhida pelo setor de distribuição. Junta-se a nós o diretor-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição. Boa tarde, Gonçalo Lopes Xavier.

Boa tarde.

Por que não concordam com esta decisão do governo?

Nós não contestamos a decisão do governo de prolongar o estado de contingência. O que contestamos é a manutenção de algumas das regras e das indicações do estado de contingência que já provaram que não têm bom acolhimento e, do ponto de vista da saúde pública, não têm qualquer efeito prático.

Tais como?

Desde logo, é preciso perceber que a distribuição em Portugal esteve desde a primeira hora, quer a distribuição alimentar, que normalmente designada nos supermercados, quer também a distribuição, o retalho especializado, portanto as lojas de moda, de brinquedos, de móveis, de desporto, que são nossos associados, estivemos desde o princípio alinhados e mesmo a antecipar as medidas que a Direção-Geral de Saúde preconizou para o setor. Não contestamos isso. Pelo contrário, alinhamos, antecipamos e investimos muito na segurança dos nossos colaboradores e na segurança dos consumidores. E temos muita dificuldade em perceber como é que se insiste num erro que está à vista de todos. O facto de nós mantermos uma regra de acesso aos espaços comerciais que está em vigor desde maio, que continuou a ser confirmado em setembro e que agora aparentemente não foi alterada, que é a regra de termos cinco pessoas por cada 100 metros quadrados nos espaços comerciais, é insistir num erro. As lojas estão seguras e estão vazias. As pessoas circulam à vontade nas lojas e circulam em segurança com os equipamentos e com as distâncias de segurança que nós disponibilizamos, com o álcool que disponibilizamos aos clientes e em vez de estarem a circular e de se dar acesso a maior número de pessoas dentro das lojas, quer falemos de retalho alimentar, quer falemos de retalho especializado, as pessoas estão a acumularem-se à porta dos edifícios e à porta das lojas, a fazer fila, onde aí sim, pode haver um risco maior de contaminação.

Qual é o número que consideram adequado? Cinco pessoas por 100 metros quadrados, não. Qual é o número adequado?

Se nós verificarmos que há outros países que estão em condições mais complexas do ponto de vista da pandemia e que, no retalho, têm o dobro das pessoas, como em Espanha, ou o triplo das pessoas, como em França, ou cinco vezes mais, como na Alemanha, temos muita dificuldade em perceber por que se insiste numa matéria que do ponto de vista da segurança e da saúde pública, nós não questionamos, porque os nossos espaços estão livres de Covid, estão com as regras todas de espaçamento, de distância social e de higienização. E o que vemos é pessoas à porta das lojas a acumularem-se, em vez de estarem dentro da loja a fazerem as suas compras para abastecerem suas casas.

Relativamente aos horários, alguma objeção?

Olhe, há duas notas que é preciso que os nossos consumidores percebam. Não tem qualquer efeito a proibição que se mantém de não se vender álcool depois das 20h. É uma medida incongruente, é uma medida que nós percebemos que tenha sido tomada no verão, na região metropolitana de Lisboa, para atender a uma emergência, que era o facto de estarmos no verão, os jovens estarem de férias e, face à impossibilidade de se reunirem noutros locais, faziam, de facto, encontros onde bebiam as suas cervejas, enfim, vinho, o que fosse. E nesse sentido percebeu-se essa ação durante o verão. Ora, o que acontece é que o verão acabou, as aulas começaram, os jovens já não estão em férias, já não há tempo para este tipo de reuniões e o governo insiste numa medida que o que está a provocar é constrangimentos no final do dia, quando as pessoas saem dos seus trabalhos e querem fazer as suas compras e abastecer as suas casas e veem-se forçadas a acumularem-se entre as 19h e as 20h para poderem comprar uma garrafa de vinho para irem jantar tranquilamente com as suas famílias. Parece-nos que isto é completamente desajustado. Alargar isto a todo o país é uma medida populista e que não tem qualquer aderência com uma medida de saúde pública.

Agradeço-te. Gonçalo Lopes Xavier, diretor-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, com as objeções às regras aplicadas pelo governo no âmbito do prolongamento da situação de contingência.