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Temos o Dia da Independência do Brasil, que também ficará marcado por uma manifestação pró-Bolsonaro. Eu perguntava-lhe desde já, que antecipação consegue fazer deste protesto?
Boa noite a todos os ouvintes da Rádio Observador. Dia 7 de setembro, no Brasil, grandes manifestações pró-governo, voltadas à defesa do governo Bolsonaro. E Bolsonaro tem como grande alvo a mobilização de sua base social mais coesa. Em especial, com foco em policiais militares, pois é uma demonstração de força e de coesão da sua base militar. Então a gente poderia classificar as manifestações pró-governo no dia 7 de setembro, aqui no Brasil, como uma espécie de teste de força. Bolsonaro deseja testar a coesão e a base da sua mobilização social, visando necessidades futuras para a manutenção do seu governo. Não é muito certo o que teremos no Brasil, em termos de solução governativa, após o 7 de setembro. Começo dizendo essas palavras.
Nestas manifestações vamos ter alguns grupos de apoiantes que defendem uma intervenção militar, para que se feche o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. E eu perguntava-lhe quais os riscos destes grupos para a democracia e desta intervenção militar?
Já há algum tempo, as alas mais radicais dos manifestantes pró-governo Bolsonaro vêm apresentando defesas e modos de manifestação pública bastante antidemocráticos. Eles defendem modalidades e repertórios de ação que produzem, e têm como resultado, uma ruptura da democracia completa, na medida em que você já tem um número bastante expressivo de militares apoiando o governo. Agora, várias alas e flancos de policiais militares também ameaçam integrar a participação dessas manifestações. Então nós vivemos no Brasil um momento muito delicado. De um lado, os manifestantes defendem processos que têm como resultado uma ruptura democrática, porque eles desejam que os ministros do Superior Tribunal Federal sejam cassados e também que o Parlamento reduza o seu controle sobre o Poder Executivo. Não necessariamente um fechamento do Parlamento, mas uma independência do Poder Executivo para governar. Isso se parece e indica que Bolsonaro agora procura testar a coesão de sua base, visando demonstrar força e recorrer a esse tipo de repertório, a esse tipo de manifestantes radicalizados, que não defendem a democracia, para a manutenção do seu governo, caso, por exemplo, nas eleições de 2022, ele não consiga reunir os votos suficientes para continuidade no governo. As pesquisas até esse momento indicam que Bolsonaro não tem os votos para isso. Defendeu uma mudança no processo eleitoral para que houvesse voto impresso. É importante saber que no Brasil as urnas são eletrônicas, então Bolsonaro defendia uma alteração visando, segundo ele, a auditoria do sistema e defendendo que, se não fosse aprovado o voto impresso, era possível que nós não tivéssemos eleições no Brasil. E que se ele perdesse as eleições, isso era indicador e indicativo de que houve fraude. E que, portanto, ele poderia recorrer a mecanismos de manifestantes radicalizados nas ruas, inclusive envolvendo as Forças Armadas e os policiais militares, para garantir a manutenção de seu governo a qualquer custo. E tudo indica que o evento, as manifestações de 7 de setembro nas diversas capitais do Brasil, em especial São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, é uma espécie de evento-teste, que procura demonstrar e reunir a capacidade de mobilização desses setores mais radicalizados. E o que nesse momento mais impressiona e mais coloca um clima de medo e pavor na sociedade brasileira, é a presença dos militares nessas manifestações. Diversos policiais militares dos diversos estados do Brasil têm demonstrado que estão com interesse em participar dessas manifestações, e isso nesta semana produziu muitos conflitos entre os poderes dos estados, os poderes executivos de cada estado brasileiro, para conter a manifestação dos policiais militares para participar das manifestações cívicas. Indicando que a participação de policiais militares em eventos antidemocráticos seria passível de punição. Então, nesse momento, os brasileiros, a classe política está bastante atenta, mas também paira um clima de medo no Brasil sobre esse evento de amanhã.
E sobre o evento, ele não passou despercebido para outros países, até porque há uma carta assinada por vários políticos, são mais de 26 países. Eles mostram alguma preocupação e dizem, inclusive, que estes atos convocados por Bolsonaro vão colocar em risco a democracia no país. É da mesma opinião?
Concordo com a opinião, corroboro. Há uma progressiva escalada antidemocrática e de ameaça aos poderes constituídos da democracia brasileira, realizada e perpetrada pelo chefe do Poder Executivo, o presidente Jair Bolsonaro. Então há uma frequente ameaça a ministros do STF, há ameaças aos governadores, há ameaça aos sistemas de freio e contrapeso exercidos também pelos poderes legislativos. Então Bolsonaro tem realizado e desempenhado um conjunto de ameaça aos poderes democráticos no Brasil. Isso sem contar já a conhecida presença bastante expressiva de militares das Forças Armadas em diversos cargos estratégicos do governo e em empresas públicas. Então há um processo, sim, de fragilização da democracia via mecanismos antidemocráticos. E esse evento e as manifestações do 7 de setembro, no dia de amanhã, vai ser um grande demonstrativo disso e por isso, os olhos dos diferentes chefes de Executivo das diferentes nações do mundo democrático estão voltados para o Brasil, para observar os acontecimentos desse dia de amanhã e também as opiniões do presidente Jair Bolsonaro. Então há um clima realmente de atenção nesse momento. Estamos todos aqui acompanhando diariamente cada movimento do governo e tudo tem colocado indicativos e também evidências de que a escalada antidemocrática no Brasil é uma realidade