Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Rui Rocha, que já foi o líder da Iniciativa Liberal, hoje é deputado, também é vereador na Câmara de Braga e agora está em direto no Jornal das 10. Bom dia, Rui Rocha, obrigada por se juntar a esta discussão. Ontem acusou mesmo Hugo Soares de trair a história do PSD e da direita por causa da escolha deste nome. Hoje já o líder parlamentar do PSD voltou a pedir aos partidos para conversarem. É isso que deve acontecer? Deve haver um consenso em torno deste nome do Tiago Antunes ou é necessário haver uma outra candidatura?

Bom dia, antes de mais. Parece-me evidente que é necessária uma outra candidatura. O resultado da eleição que existiu ontem aqui na Assembleia da República foi absolutamente arrasador para Tiago Antunes, veja-se, proposto pelo PS, esse esforço titânico, diria, quase de submissão ao PS de Hugo Soares na tentativa de salvar essa eleição, e depois a resposta dos deputados foi óbvia. Nós ouvimos Pedro Delgado Alves a dizer que no PS não tinha havido ninguém que não tivesse votado. Nunca poderemos saber, mas é evidente que no PSD houve uma grande parte dos deputados que não seguiram esse apelo lancinante de Hugo Soares para salvar a candidatura de Tiago Antunes. Ora, parece-me que o resultado foi evidente e que esse nome não passará no Parlamento, portanto, é necessário outro nome. Da minha parte, não ponho em causa que o PS, no âmbito do acordo que foi negociado, apresente esse nome. Agora, tem que ser um nome que não tenha os problemas de percurso que Tiago Antunes apresenta.

Rui Rocha, falemos desses problemas de percurso do Tiago Antunes. São o quê? A proximidade a José Sócrates e a António Costa é porque não foi verdadeiramente colocado em causa a competência técnica ou o valor acadêmico do Tiago Antunes, pois não?

Não. Eu próprio estive na audição do Tiago Antunes e não fiz nenhum tipo de reserva relativamente ao percurso acadêmico. Devo dizer, entretanto, que, por exemplo, é um percurso acadêmico que não tem a notoriedade que tinha Maria Lúcia Amaral, que foi uma boa Provedora de Justiça, embora depois no cargo ministerial que exerceu, não tenha correspondido a isso, mas enquanto Provedora de Justiça fez um bom trabalho e tinha um percurso acadêmico de nível muito superior a Tiago Antunes. Agora, de facto, esse não é o problema. O problema é ter pertencido ao núcleo duro de José Sócrates, ter pertencido ao gabinete onde, sabe-se, foi montada uma operação de intoxicação da opinião pública, de manipulação, de intimidação de adversários políticos e de intimidação também de jornalistas e de todos aqueles que ousavam pôr em causa a resplandecência da gestão de José Sócrates. E, portanto, alguém com este percurso, com esta proximidade, com este envolvimento nessa máquina, não teria condições, obviamente, para garantir os direitos, liberdades e garantias dos portugueses, porque é essa a missão principal do Provedor de Justiça.

Que imagem é que passa da forma como o Parlamento funciona quando há um acordo entre partidos e depois há esta troca de acusações e os resultados que saem?

Eu penso que a imagem que tem que sair do Parlamento em si é uma imagem positiva. Eu, pela minha parte, fiz o meu trabalho. Fiz uma audição a Tiago Antunes em que expus os motivos, detalhadamente, de forma frontal, pelos quais eu considerava que não havia condições para ser eleito. E o Parlamento, pegando nos dados disponíveis, entendeu que, de facto, não havia condições para isso. Outra coisa são os tais entendimentos que são feitos nos gabinetes e que revelam duas coisas. Por um lado, que o PS ainda não entendeu o que aconteceu ao longo dos anos, ainda não fez um ato de contrição. Há uma ferida aberta na sociedade portuguesa contra o passado socrático e o PS não conseguiu resolver essa ferida aberta fazendo um ato de contrição. Nunca fez e continua a não fazer. E o PS tem que perceber que os portugueses, que estão representados no Parlamento por deputados, têm aversão a pessoas que tenham tido envolvimento, ainda para mais, no caso, nessa máquina de manipulação da opinião pública e de intimidação. Portanto, essa é uma primeira nota. A segunda é que Hugo Soares também, não podemos ignorar isso, é uma correia de transmissão do próprio Luís Montenegro, tem que perceber que não podem, em nome dos negócios que fazem de distribuição de lugares, tentar impor aos portugueses, e já agora aos deputados do PSD, ficamos a sabê-lo, nomes que são nomes contranatura relativamente à história do partido, porque, na verdade, o alvo principal dessa máquina de intoxicação foram precisamente os deputados de então do PSD, as lideranças de então do PSD, o então presidente da República do PSD, Aníbal Cavaco Silva. E, portanto, quem não respeita a sua história, como o Hugo Soares, depois tem o resultado que vimos que aconteceu e, portanto, tem a humilhação correspondente à falta de respeito pelo passado do próprio partido.