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Comigo tenho Pedro Brinca, economista e professor na Nova SBE. Bom dia, Pedro. Como é que explicamos este crescimento bastante superior aos restantes países da União Europeia e da zona euro relativamente à Irlanda? A Irlanda registou no último trimestre um aumento, uma subida no PIB de 12%. Nos dois trimestres anteriores, tinha registado uma subida de 18%. São valores muito superiores àqueles que se verificam nos restantes países da zona euro, que registam subidas que rondam os 1%, 2%. Por quê?

Não consigo comentar diretamente os números específicos destes trimestres, mas é verdade que, em geral, as taxas de crescimento do PIB na Irlanda tendem a ser bastante maiores do que todos os outros países. E isso acontece, em primeiro lugar, porque as taxas de imposto sobre os rendimentos das empresas são anormalmente baixas na Irlanda. E como tal, há muitas empresas que metem suas sedes na Irlanda e através de gestão contabilística dos seus lucros para pagar os menores impostos possíveis, declaram muitos desses lucros precisamente na sua sede na Irlanda para pagar menos impostos. E isso distorce a realidade da atividade econômica doméstica da Irlanda para valores muito acima daqueles que, na realidade, refletem a qualidade de vida das suas populações ou até mesmo a melhoria dessa qualidade de vida. Mas naturalmente, nem tudo é só isso. Há uma boa parte do crescimento da Irlanda que se justifica precisamente porque os governos irlandeses têm tido o cuidado e a capacidade política de promover um conjunto de políticas que visam criar um ambiente econômico propício ao crescimento. Por exemplo, nos anos 90, os principais partidos do arco da governação conseguiram se juntar para concordar num quadro fiscal que fosse estável num horizonte de 20 anos, independentemente do nível da taxa, o fato de haver um compromisso político dos principais partidos de que não haveria instabilidade legislativa à volta da fiscalidade na Irlanda por um período muito alongado de tempo, levou a um enorme colapso da incerteza. E não há nada mais nocivo para o investimento do que a incerteza. E isso, naturalmente, é, por exemplo, uma política que é muito conducente a que haja uma forte dinâmica de crescimento econômico. Também estamos a falar de um país que fala inglês, que é o novo esperanto, se quiserem, ou o novo latim nas relações internacionais. Estamos a falar de um país que tem níveis de capital humano também relativamente elevados. Tudo isto se junta para, de facto, fazer com que o ecossistema jurídico, social, político irlandês seja amigo, passo a simplicidade da expressão, da criação de atividade econômica e criação de riqueza e com isso, um melhor desempenho econômico que a generalidade dos países.

Muito obrigado, Pedro. Pedro Brinca, economista e professor na Nova SBE.