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Hoje celebra-se o Dia Internacional do Resíduo Zero. Tenho comigo Ismael Rienda. Ismael, o que podemos fazer no nosso dia a dia para diminuir este gerar de resíduos, que se prevê que continue a aumentar?
Sim. Bom dia, antes de mais. No nosso dia a dia, há muitas coisas que nós podemos fazer, porque estamos sempre em contacto com objetos, porque estamos a adquirir produtos, a adquirir serviços. Cada vez que fazemos uma compra ou cada vez que estamos a escolher um produto ou um serviço, tentar perceber qual é a forma de, por um lado, levá-lo para casa sem embalagens ou com o menor número de embalagens descartáveis. Uma vez que estamos em casa, tentar que as embalagens, seja papel, vidro ou plástico, são corretamente colocadas na reciclagem, no ecoponto certo. E depois tentar que esse produto tenha uma vida útil o mais possível prolongada e que não seja desperdiçado. Isto também aplica-se, por exemplo, aos alimentos, tentar que haja menos desperdício alimentar.
Pergunto-lhe também, em relação ao caminho que se prevê que o mundo esteja a seguir nesta produção de resíduos, para onde é que estamos a caminhar?
Esta pergunta é interessante, porque, por um lado, a economia está, nesta fase em Portugal, a crescer, e normalmente quando a economia cresce, a produção de resíduos aumenta. O objetivo é tentar separar o crescimento económico e o bem-estar da produção de resíduos, portanto, tentar criar um modelo de sociedade em que atingir o bem-estar económico não produz aquela quantidade de resíduos. Mas também é verdade que, com o passar do tempo, com as mudanças nos tipos de atividades económicas, agora, por exemplo, temos muito mais tecnologia do que há umas décadas atrás, portanto, os tipos de resíduos vão mudando ao longo dos anos e temos que nos adaptar para encontrar novas soluções constantemente. Isto também aplica-se, por exemplo, ao típico copo de bebidas, o copo descartável, que antes era de plástico e agora passou a ser uma espécie de material compósito, que tem papel, mas tem também um filme de plástico. Os materiais vão mudando e temos que nos adaptar a estas novas situações.
Isto depende também, em larga escala, da consciencialização das pessoas, não é? E por isso também gostava de lhe perguntar se considera que os jovens estão mais alerta para estas questões.
Sim e não. Por um lado, eu acho que sim. Há mais informação, pelo menos nas redes sociais e na internet no geral. Eu acho que os jovens cada vez mais quando vão a eventos e a festivais, acabam por reparar que a gestão dos copos é diferente, se calhar vão ter que pagar uma caução para ter um copo reutilizável ou é-lhes oferecido um copo reutilizável. Há algumas mudanças, mas fico depois na dúvida: será que os jovens e as pessoas no geral sabem efetivamente o que é que fazer com uma embalagem ou com outro tipo de resíduo? Não sei até que ponto é que temos os instrumentos suficientes para combater este problema.
Considera, portanto, que há uma falta de literacia no que toca a estes assuntos?
Sim, mas sem levar isto para temas muito complexos de aspetos científicos. A pessoa que está a separar o resíduo está a fazer um exercício mental de poucos segundos. Em poucos segundos, o nosso cérebro está a tentar perceber onde é que eu coloco, por exemplo, o tal produto no ecoponto, ou se é no ecoponto ou se é no indiferenciado. São decisões de segundos ou até de menos. Portanto, é fundamental garantir que as pessoas têm também uma ajuda visual, por exemplo, de cores ou de indicações nas embalagens, nos produtos, até nos locais, para percebermos facilmente o que é que temos de fazer, porque senão eu acho que também é uma decisão bastante duvidosa, às vezes. Encontramos um material e não sabemos efetivamente que tipo de material é, onde temos que colocá-lo, como podemos fazer para não o produzir. Eu acho que aqui há ainda muitos temas por melhorar.
São tudo temas que hoje merecem especial destaque, exatamente por ser o Dia Internacional do Resíduo Zero. E termino só por lhe perguntar se está prevista alguma iniciativa para hoje, para assinalar este dia.
Eu acho que sendo as datas da Páscoa, é mais complicado terem iniciativas relacionadas com, por exemplo, entidades públicas, municípios, mas ao longo do mês de março tem-se trabalhado bastante em mostrar quais são as alternativas ligadas às nossas formas de consumo, como por exemplo, o fomento das compras a granel, e uma série de notícias que têm aparecido nas últimas semanas para tentar levar a atenção das pessoas a este tema. E também no dia de hoje vão se calhar ver algumas notícias aparecerem na internet e nas redes sociais, também para nos levar a pensar quem é que tem que atuar, se são só os cidadãos, se são as entidades públicas, os municípios, o Estado. Acho que aqui dentro deste dia internacional, que é uma chamada ao consumo consciente, sim, mas também há muitos atores que estão envolvidos. Portanto, acho que vão aparecer algumas notícias interessantes para nos ajudar a perceber.