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Em direto conosco agora neste jornal está o redator principal do Observador, Luís Rosa. Bom dia, Luís.
Bom dia.
Richyardi, acabamos de ouvir, foi uma figura central no processo que levou à queda de Ricardo Salgado e do BES. Fizeste-lhe uma das últimas entrevistas a Ricardo Salgado. Ficou a mágoa entre primos por aquilo que aconteceu no BES?
Sim, havia uma grande mágoa da parte de José Maria Ricciardi, em primeiro lugar, porque José Maria Ricciardi tentou suceder a Ricardo Salgado com o apoio da família, e Ricardo Salgado torpedeou essas intenções, nunca quis, não aceitou. E na entrevista que nos deu em 2023, até revelou que Salgado tinha feito algo que se pode dizer que era uma tentativa de corrupção, uma espécie de proposta: "Quanto é que queres para ficares calado?"
Quanto é que vale o silêncio? Sim.
Quanto é que vale esse silêncio. E José Maria Ricciardi, de facto, sempre teve a convicção de que teria conseguido salvar o BES se tivesse conseguido substituir Salgado ainda em 2013, que era essa a intenção dele, não propriamente em 2014, mas ainda em 2013. E é verdade que pelo que sabemos hoje, em 2013, o Grupo Espírito Santo provavelmente estava falido, mas o banco ainda não tinha sido tão afetado como foi mais tarde, com as investigações que são hoje públicas, quer do Banco de Portugal, quer do Ministério Público. Sabemos que Salgado hipotecou o futuro do BES muito em 2014, com operações de puro desespero que afetaram muito o patrimônio do Banco Espírito Santo, tudo para salvar um grupo que já estava falido. E, portanto, Ricciardi, se tivesse conseguido substituir Salgado, provavelmente teria conseguido proteger muito melhor o BES do que Salgado fez. Portanto, nesse ponto de vista, havia essa grande mágoa de José Maria Ricciardi não ter conseguido atingir esse objetivo. Em relação à relação entre os dois, essa relação sempre foi uma relação complexa, sempre foi uma relação muito complicada. Salgado sempre tentou menorizar o Ricciardi, e o Ricciardi nunca aceitou, obviamente, essa matéria, e sempre tentou lutar pelo seu trabalho, pela sua credibilidade. E Ricciardi, nessa entrevista que nos deu em 2023, ao fim ao cabo, a grande mágoa que persistia é que ele não perdoava Ricardo Salgado pelo fato de ter feito a gestão que fez. E é importante recordar, é um dos títulos dessa entrevista, Ricardo Salgado acabou por ser condenado, contradito e tem julgado por ter, ao fim ao cabo, abuso de confiança, crime de abuso de confiança, que significa que Salgado desviou 10 milhões de euros do próprio Grupo Espírito Santo. E daí a expressão que Ricciardi utiliza na entrevista, que é: não o surpreendia o fato de ele ter roubado a própria família. Era uma frase forte na entrevista. Isso também caracteriza um bocadinho José Maria Ricciardi, uma pessoa muito frontal, uma pessoa que era também muito emocional, no bom sentido da palavra, mas também quando se chateava, também era um bocadinho colérico. Mas era uma pessoa muito emocional, mas que era um empregado que fez uma boa carreira, fez um bom trabalho no Banco Espírito Santo Investimentos. Foi o único banco, e ele tinha muito orgulho nisso. Foi o único banco do Grupo Espírito Santo, se quiseres, que conseguiu ser vendido a um grupo chinês, se não me falha, o Aitong. Com uma receita bastante significativa, era um banco que foi gerido durante muito tempo por José Maria Ricciardi, então José Maria Ricciardi tinha muito orgulho na sua carreira profissional, no trabalho que ele tinha feito. Mas era, de facto, uma pessoa extraordinária de conhecer, porque era muito comunicativo. Eu falei muitas vezes com ele, não só nessa entrevista, como também em encontros privados, e falei muitas vezes com ele nos últimos 10 anos. E era alguém com quem era muito fácil falar, muito comunicativo, muito alegre, muito divertido. E, de facto, é uma notícia muito triste esta com que iniciamos este dia