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Eu não assisti às declarações do Sr. Primeiro-Ministro, mas estando nesse registo que ou assinam o que está em cima da mesa, ou eu apresento uma proposta, ou vamos para um acordo unilateral ainda pior, revela que se calhar estamos num país pouco democrático. Estão a colocar os sindicatos sob uma coação: ou assina isto ou o que vem vai ser muito pior. Estranha-me, porque a última reunião foi na segunda-feira e a Sra. Secretária de Estado, o que nos transmitiu a nós, na segunda reunião, sabendo que o Governo optou por dividir as mesas negociais, à segunda mesa negocial, o que o Governo nos disse foi que iria repensar a sua proposta e que iria entrar em contacto com os sindicatos até sexta-feira. Estranho que a resposta do Governo venha agora pelo Sr. Primeiro-Ministro, em declarações públicas, e não sentado à mesa com os sindicatos. Depois olhar e perceber o porquê e o que é que estamos aqui de diferença. O Governo propõe o índice 13 para os bombeiros sapadores, isto sempre em início de carreira, e os bombeiros sapadores exigiram o índice 14 para a sua reposição. Estamos a falar, e é que ter em atenção, de uma carreira que está estagnada há 22 anos. Isto dava aqui um incremento à volta de 150 €, ao qual nós apresentámos, neste caso, à Sr.ª Secretária de Estado, que não percebíamos o porquê, uma vez que a carreira do INEM, por exemplo, que é muito mais recente, teve um incremento direto de 250 € e os bombeiros sapadores pediram apenas 200 € de aumento à sua carreira, à sua tabela salarial. E não só para valorizar os capitães, mas porque os municípios têm estado a sentir uma dificuldade imensa e são vários os concursos de admissão que caem por falta de candidatos. E a única maneira que temos para que isto não aconteça é efetivamente tornar a carreira atrativa. Eu não percebo porque é que o Governo, neste caso, está a comprar esta guerra, por assim dizer, por um índice de 50 €. Ainda mais quando, e não desfazendo os técnicos de emergência pré-hospitalar, mas atenção que os bombeiros sapadores também são formados na área de emergência pré-hospitalar. Quem está no INEM tem direito a uma valorização de 250 € por fazer emergência pré-hospitalar. Os bombeiros sapadores, que além de emergência pré-hospitalar, têm toda uma plêiade de valências de incêndio urbano, incêndio florestal, etc., na sua formação, não conseguem pelo menos ter 200 € na sua carreira, o que é estranho. Alguém com muito mais valências não consegue ter pelo menos uma valorização igual. Em relação aos suplementos, o Governo, por sua vez, representado pelos secretários de Estado, tem feito várias manobras, entre separar subsídios, depois volta a juntar para tentar criar um subsídio mais atrativo. A questão é: o subsídio de risco está muito aquém do que foi dado às forças de segurança. E nós não conseguimos aceitar que a vida de um bombeiro sapador valha menos do que um elemento das forças de segurança. E não só isto, porque também apelámos a isto à Secretária de Estado. Recordámos que o Governo propôs-nos um suplemento de risco de 20%, sendo que esses 20% comportariam risco, disponibilidade permanente, penosidade e insalubridade. E nós informámos a Sra. Secretária de Estado, com a qual ela devia estar esquecida, que a Assembleia da República votou favoravelmente que para os bombeiros sapadores devia haver um suplemento de risco de pelo menos 25%, só para o risco. Essa votação baixou à especialidade e está em discussão. E o Governo quer-nos apenas propor 20, não só para o risco, como para a penosidade, insalubridade e disponibilidade permanente. Nós informámos a Sra. Secretária de Estado que não faz sentido algum, quando os deputados da nação dizem que pelo menos o risco vale 25% e o Governo só nos quer dar 20. Já para não esquecer que insalubridade e penosidade, por exemplo, os trabalhadores de higiene, só aí ganham 15% do seu vencimento. E os sapadores para risco, disponibilidade permanente, insalubridade e penosidade, só têm direito a 20. E no fim, pelos vistos, pelas declarações, é: "E é muito bom! Ou assinas só 10 ou 15". Baixa-se mais a proposta ainda. É deplorável, sinceramente, é vergonhoso. Estamos numa coação perante os bombeiros sapadores. Não percebemos porque é que estamos a falar, se nós somos um universo de 2500. Será que é este diferencial de valor para pôr o país em falência técnica?
Leonel, eu queria lhe perguntar se sabe se há algum novo encontro marcado com o Governo.
Com o Sindicato Nacional dos Bombeiros Sapadores, que é o sindicato mais representativo do setor, o que está acordado com o Governo é até ao dia de amanhã, o Governo entre em contacto com os sindicatos para marcar novas reuniões. De resto, não sabemos mais nada.