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Paulo Flores, obrigado pela disponibilidade. Que legado deixa Sara Tavares? Também qual a importância, para si, enquanto um cantor angolano, Sara Tavares divulgava a música não só aqui em Portugal, mas também nos palcos. Qual a importância de Sara Tavares?
É uma perda muito grande para todos nós, porque era não só como artista, mas como ser humano, um ser de luz. Que nos dava a todos uma energia e uma convergência nesse espaço lusófono, que de fato nos emociona bastante sentir esta perda assim tão repentina, tão nova, tão jovem. Mas essencialmente, a música dela reflete uma delicadeza, uma doçura, um pensamento que nos transmitiu a todos uma nova capacidade de amar e ser amado, e também de ter orgulho na nossa identidade e nesse espaço que falamos também. Então estamos todos muito abalados com essa perda, acho que é de fato um ponto de luz que se vai muito cedo.
O Paulo Flores tinha aqui uma canção com Sara Tavares, também atuaram juntos em palco. Como é que foram esses momentos? Não só as atuações ao vivo, mas também a composição de temas, a gravação, como é que era trabalhar com Sara Tavares?
Era incrível, não só trabalhar, como disse, mas a relação pessoal que tínhamos, praticamente como irmãos. A primeira colaboração que fizemos foi num disco meu em 1999 chamado "Recompasso", em que cantávamos uma música que era o "Zambi", que falava exatamente da perda de um filho. E gravamos também no último álbum dela a canção "Flutuar", que tivemos a oportunidade de tocar em vários palcos. E depois era a relação que nós tínhamos mesmo de casa, de conversa, de apoio mútuo. E sinceramente, eu ainda estou muito um pouco embaixo, acho que é natural, mas essencialmente também quero realçar essa luz e essa energia positiva que ela transmitiu a todos, aos artistas, ao público e todos aqueles que gostam da cultura e de arte também.