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Agora, em directo ao telefone, neste Jornal das 7, está o presidente da Câmara de Albufeira, José Rolo. Muito bom dia, obrigada por estar conosco em directo a esta hora. Que impacto é que vão ter estes cortes de água no concelho?
Muito bom dia. Bom dia à equipa da Rádio Observador, também a todos os ouvintes que neste momento possam estar a ouvir este noticiário. Bom, é um tema realmente actual, é um tema que era bom que não se estivesse a discutir estas reduções, estas medidas de reutilização da água, para que, para o futuro, era bom que se tivesse feito muita coisa. Evidentemente, isso é um assunto que se deverá discutir, mas é um assunto mais de interesse em termos partidários, em termos da campanha eleitoral, do que propriamente neste momento, porque neste momento convém e temos que voltar todas as atenções não para a escassez da água, mas para que tenhamos água. É a inversão do discurso, porque nós não podemos transmitir a situação de catástrofe. Temos que transmitir a ideia que estamos todos a trabalhar com o mesmo objetivo, com o mesmo foco, para que possamos, no fim deste verão, quer a agricultura, quer o turismo, e quer os residentes, obviamente, a parte doméstica, terem realmente água para consumir com parcimônia, com racionalidade e com a realidade que a atualidade impõe.
Mas parece-lhe que com as medidas que foram anunciadas ontem, o verão vai conseguir garantir água para todos os setores que o Algarve tem neste momento disponíveis, nomeadamente o turismo?
Sim, penso que sim. Penso que com os números que foram apresentados em reunião da AMAL na passada sexta-feira e agora com a reunião interministerial, penso que com os números existentes da água existente nas albufeiras e contando com a parte subterrânea e contando com toda esta situação, sem que chova absolutamente nada. Agora, neste momento, estamos numa fase de chuva que não vem resolver assunto nenhum e problema nenhum dessas situações, mas de qualquer das maneiras, é uma chuva que pelo menos mantém a fresquidão, mantém as plantas, penso eu, carregadas. Penso que para isso chegará. De qualquer maneira, é já uma altura em que não será necessário consumir água para regas e a agricultura vai ser um dos lesados, os agricultores vão ser lesados nesta área. O governo já prometeu haver algumas ajudas financeiras. As câmaras municipais também necessitam, porque as águas têm solicitado às câmaras que reativem os seus furos. É aquilo que vai acontecer e aquilo que vai também ajudar. Considerando todos esses números, a quantidade d'água nas barragens, o aumento da exploração da água subterrânea. E com os consumos que estão previstos em termos daquilo que são o histórico e depois aquilo que é a redução proposta e com estas 46 medidas, que ainda não conheço totalmente, mas de qualquer das maneiras elas são à volta da redução da pressão, da questão dos condutores, talvez, da questão de uma série de coisas que também já falámos no outro dia.
José Rolo, mas não é legítimo que se discuta tudo aquilo que não se fez nos últimos anos para evitar estarmos agora com medidas que são quase paliativas relativamente à situação que as albufeiras no Algarve já têm?
É mais que legítimo. Só que nós temos sempre que ter em conta, como na nossa vida, temos que ter o passado, o presente e o futuro. Evidentemente, o passado há que discuti-lo, para seguir para o futuro, temos que olhar para os erros do passado, para aprendermos com os erros, que é a pedagogia do erro. Isso é extremamente importante analisarmos e todos nós, independentemente do governo que seja, mas não só este governo que teve oito anos, mas também os outros governos anteriores, igualmente. Também não se fez nada em termos de transvases do norte ao sul, não se fez nada em termos de transvases do Alqueva para o sistema do Algarve, não se fez nada na construção das barragens, conforme o José Macário Correia afirmou há bocado. Há uma série de coisas, mas barragens também só são importantes se caso chova, se não chover, também não servem para nada. Mas de qualquer das maneiras, o transvase podia ter sido útil, a reutilização da água das hectares podia ter sido já uma realidade, o investimento na questão dos municípios, das perdas d'água nas redes municipais, podia ter sido com um financiamento muito mais robusto e há muito mais anos que essa problemática vem ao de cima. De vez em quando vemos nos jornais a percentagem de perda d'água em cada município e ficamos assustados. E, no entanto, não tem sido feito nada durante vários anos. Portanto, é legítimo falar nisso, mas neste momento o foco tem que ser a principal atualidade. E depois a seguir, como disse, os partidos têm todo o sentido de trabalhar no passado, mas também determinando aquilo que se vai e para o futuro, e tentar não falar muito, mas fazer mais.