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Em directo neste jornal temos José Macário Correia, presidente da Associação dos Beneficiários do Plano de Rega do Sotavento do Algarve. José Macário Correia, muito bom dia.
Bom dia.
Tem tido reuniões com os ministros do Ambiente e da Agricultura. Já teve respostas a estas preocupações?
Há um mês e meio que tenho reuniões de manhã, à tarde e à noite, comunicações sucessivas. Se por cada reunião aumentasse um hectómetro cúbico nas barragens, estava tudo cheio.
Estava resolvido.
Sim, temos um país de burocracia, de reuniões, de comissões, de grupos de trabalho, e o que nós estamos aqui a sofrer é a falta de decisões em tempo oportuno. Ou seja, nós estamos a pagar os custos enormes da não atuação há quatro ou cinco anos. Houve um ministro do Ambiente que tinha uma postura perfeitamente ilógica, anormal, e que tinha um tratamento até divulgante em relação a este assunto e em relação ao trato com as pessoas, e não foram tomadas decisões quando deveriam ter sido tomadas. Hoje, nós estamos com um problema de falta de água, porque ela não foi armazenada, não se fez o que tinha que ser feito na Soupara, não se fez o que tinha que ser feito no Pomarão, não se tratou da dessalinizadora em tempo oportuno, não se resolveram as perdas de água dos municípios e hoje estamos todos a sofrer isso, a inação de quem deveria ter decidido há anos. Ontem tive uma reunião à noite com a ministra da Agricultura e o ministro do Ambiente. Agora de manhã volto a encontrar-me com o vice-presidente da Agência Portuguesa do Ambiente. São reuniões sucessivas a ver se toma uma decisão concreta. Nós não queremos subsídios, não queremos indemnizações, nós queremos trabalhar e queremos que nos deem alguma água. Ainda agora, há instantes, estava a chover em Faro e estavam a mostrar fotografias de rotundas inundadas de água, com rega de rotundas à chuva. É uma coisa que não é de maneira nenhuma aceitável. Temos pouca água nas barragens e quando está a chover, estão a regar rotundas. Isto não pode ser.
Que medidas concretas é que podem surgir agora? Como explicou, não foram tomadas na altura em que era necessário. O que é que pode sair agora que possa ajudar a situação?
Coisas muito simples. Os furos municipais onde os aquíferos têm água devem ser reativados, em vez de as câmaras municipais estarem a tirar água das barragens, que é preciso para o regadio agrícola. Nós não queremos água para desperdiçar. Nós com a água transformamo-la em alimentos, e os alimentos são necessários. Sem comida, não há vida. Nós queremos água para trabalhar e para produzir alimentação para a população. E isso faz-se com o facto de as câmaras municipais irem aos furos, em vez de tirar água das barragens. E as câmaras municipais estão a perder 30 hectómetros cúbicos, são 30 milhões de metros cúbicos de água, por inoperância de reparação das redes. Os consumidores do Algarve, na casa de cada um, pagam a fatura 30% mais caro do que deviam pagar, porque pagam a água que consomem e pagam um terço da água que as câmaras tratam, jogam fora, desperdiçam, e nós é que pagamos. Isto não pode continuar assim. Tem que haver uma atitude responsável e não se pode regar rotundas quando está a chover. Mesmo quando não está a chover, a água é escassa, quanto mais quando chove, estar a inundar alcatrão e calçadas com água, que é a mesma que nós temos para regar, é água do mesmo copo, da mesma barragem. Isto é inadmissível. Depois, é preciso que se reativem furos onde os aquíferos têm condições para fazer a exploração dessa água. É preciso que se poupe onde se deve poupar e é preciso que se avance rapidamente com a obra do Pomarão, que é trazer água do Guadiana para o Odeleite. É preciso que se faça, daqui a algum tempo, a ligação de Santa Clara a Odemira para a Bravura e para a Odloça. Nós temos as decisões claras daquilo que é preciso fazer. Alguém que decida. E é grave que aqui estamos a sofrer hoje, é porque alguém não decidiu há uns anos atrás, quando devia ter decidido. Não tivemos quem nos governasse nesta área.
O que espera com todas estas medidas que aqui lança, o que espera que seja anunciado esta tarde? Algumas dessas ideias ou os cortes na ordem dos 70% para a agricultura?
Aquilo que o governo vai anunciar são cortes. Ou seja, aquilo que nós preferíamos que anunciasse eram decisões para aumentar o armazenamento de água, mas aquilo que vai ser anunciado são cortes. E depois de anunciarem os cortes, acham que têm o assunto resolvido. Isto não é admissível. Nós queremos decisões que aumentem o armazenamento de água, que deem uma luz verde à economia. Nós queremos estadistas, pessoas com visão, pessoas que deem sinais de esperança ao mundo e à população. Não queremos anunciar cortes, mais cortes e mais cortes. Nós não queremos que a economia pare, que se levem pessoas para o desemprego, que nós não conseguimos pagar aos fornecedores. Não é essa a vida. A vida tem que ser progresso, desenvolvimento e visão de futuro. É isso que se espera de quem dirige o país. Visão de Estado.