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O squash vai passar a ser uma modalidade olímpica. Luís Ferreira, como é que encara esta decisão?

Encaro com uma enorme motivação, além de toda a alegria que, tanto eu como toda a comunidade squashista, está a viver neste momento. É algo que nós já percebíamos há algum tempo, com o squash visto já desde os anos 2000, e ficamos sempre à porta. Como ainda hoje foi dito em Mumbai, na Índia, quando foi ratificado, o squash foi comparado às noivas que ficam sempre à beira da igreja. Ou seja, é sempre uma promessa, mas que nunca é concretizada. Felizmente, conseguimos chegar a este dia em que o squash vai fazer mesmo parte, ou já faz parte do leque dos desportos olímpicos. É uma enorme satisfação, porque nós sabemos que temos tudo o que é necessário para ser um desporto olímpico.

Então, a que se deveu essa espera de ficarem sempre à porta?

Além do desporto em si, que tem todas as componentes físicas e do fair play, houve aspetos que foram necessários trabalhar. E até como promover. Foi necessário demonstrar que temos, não só desde as bases, desde os juniores até aos veteranos, que existe uma igualdade no tratamento entre masculinos e femininos. E aí estamos a falar em termos de oportunidades e prize money e para fora, no circuito profissional, embora ainda haja muito trabalho a fazer noutras áreas. Mas também demonstrar que é um desporto que é jogado em mais de 150 países e que, no circuito profissional, temos mais de metade desses países presentes e com uma grande diversidade. Além do que já tínhamos de base, foi a forma como nós promovemos o squash e conseguimos demonstrar adicionalmente a quem direkt, neste caso, não só à entidade que vai promover os Jogos Olímpicos em LA, em 2028, mas também ao próprio Comitê Olímpico.

Não sei se tem estes dados em relação ao número de jogadores profissionais de squash em Portugal.

Isso tenho. Nós temos, neste momento, cerca de 500 filiados e estamos distribuídos geograficamente em todo o país, incluindo as ilhas. E atualmente o nosso melhor atleta é um top 50 do mundo, o Rui Soares, que vive em UK. A nossa atual campeã nacional, a Catarina Nunes, que tirou um curso na Faculdade de Engenharia do Porto e decidiu colocar o seu curso em standby para ser jogadora profissional de squash e está cá a viver e é no Porto. E temos mais duas atletas que estão a viver no Reino Unido, e que fazem parte do circuito profissional. Temos um leque de jogadores que se aproxima dos 10 profissionais atualmente em Portugal. Não ainda 10, mas a caminho disso.

E com a modalidade agora a entrar nos Jogos Olímpicos, pergunta se podemos já ambicionar uma medalha.

Ambição temos sempre. Temos cinco anos até chegarmos lá. Atualmente estamos a fazer um trabalho com esta camada de juniores com ascensão, com potencial para fazerem parte de uma equipa de elite. Temos de ter sempre os pés na Terra, mas saber que é sempre possível ambicionar medalhas. Nós sabemos que atualmente as modalidades que vão estar presentes serão as modalidades singulares, portanto masculinos e femininos. Eventualmente, estão a ser definidos alguns parâmetros em termos de participação ou número de atletas por país, ou como é que vão ser definidas as qualificações. Mas eu digo que sim, temos sempre de pensar que é possível chegarmos às medalhas.

Luís, gostava também só de lhe perguntar que impacto espera que o facto de o squash passar a ser um desporto olímpico possa ter na modalidade.

Honestamente, e isto não é de um dia para o outro, que de repente fica tudo bem. Mas nós antes do Covid estávamos a crescer a três dígitos e a termos mais juniores. Os femininos crescemos muito, também em atletas femininos, e estávamos a crescer de forma gradual também nos masculinos. Infelizmente, com este tempo todo de Covid, tivemos quase que fazer um reset e voltar a trabalhar. O que nós estamos a verificar é que, e já mais nalgumas zonas do país do que noutras, existe mais procura de courts de squash, porque isto sem sítios para jogar fica mais difícil. Mas temos tido vários contactos na federação de investidores privados que querem construir campos desportivos e que pensam em construir squash também porque vem também com bom retorno. Juntamente com o trabalho que tem de ser intensificado, não só com a Federação Mundial e a Federação Europeia, da qual faço parte há dois anos do bordo da Federação Europeia, em que nós temos de trabalhar mais e melhor em conjunto. Nisto de ganharmos notoriedade para o squash. Em Portugal, particularmente, eu vejo que estamos a crescer, mas temos que aproveitar esta onda e agora que já temos também Madeira e dos Lobos a considerarmos no nosso leque de entidades oficiais, ver juntamente do Comitê Olímpico de Portugal, juntamente com o IPDJ, para verificar como é que nós podemos intensificar e melhorar esta qualidade que temos agora, que nos qualifica como desporto olímpico.