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Junta-se agora a nós neste jornal, Tsung Tze-Chung, é o representante de Taiwan em Portugal. Bom dia, obrigada por estar conosco. Começo por lhe perguntar como é que está a acompanhar a situação em Taiwan à distância.
Agradecemos essa tecnologia. Agora o mundo parece não ter muita distância. Na minha mesa tenho dois ecrãs. Um ecrã é sobre canais jornalísticos de Taiwan e o outro ecrã é de Portugal. Eu reparei ainda ontem, esses últimos dias, que toda a informação aqui em Portugal está a receber quase simultaneamente a situação lá em Taiwan. O mundo já não tem distância, parece.
Já não há distâncias e, portanto, o que sabemos é que continuam os exercícios militares chineses em torno da ilha.
Sim, mas Taiwan já está habituado a toda essa situação. O mundo apanhou uma surpresa, mas em Taiwan já enfrentamos essa situação nos últimos 70 anos. A vida é quase normal lá. A bolsa de valores caiu um pouco, mas essa crise, a pessoa faz uma comparação com a crise de 1996, quando elegemos pela primeira vez o nosso presidente da República. Todo o nosso avanço da democracia, a China não gosta. Ela pode inventar alguma razão para invadir, ou fazer exercício, ou lançar míssil perto de Taiwan. Mas o nosso ministro da Defesa pronunciou também: "Não queremos guerra, mas estamos preparados para defender a nossa democracia, o nosso direito."
Mas parece que, desta vez, estes exercícios chineses podem ser diferentes e Taiwan sente que pode estar à beira de uma guerra?
Sim, porque a tecnologia da guerra avançou depois de 96 até agora. A Força Armada da China avançou, mas a Força Armada de Taiwan também avançou. A guerra, agora, não é como a guerra anterior. Veja essa guerra da Ucrânia. Tudo por causa da ambição de alguns países grandes, que queriam anexar o terreno de outro país. E a guerra aconteceu assim. Mas vamos ver essa determinação de defender o seu direito do povo da Ucrânia. O povo de Taiwan tem a mesma determinação para se defender. Não queremos guerra, mas quando acontecer a guerra, o povo taiwanês vai ser igual ao povo ucraniano, vamos sair para defender. Espero que isso não aconteça, mas precisamos do apoio do mundo que compartilha o mesmo valor, o mundo da democracia, o mundo que tem valor dos direitos humanos. Temos que trabalhar juntos, precisamos muito apoio nessa natureza.