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Muito boa tarde, Rui. Muito obrigado pela disponibilidade em falar com a Rádio Observador. Perguntava-lhe como é que vê esta possibilidade do socorro pré-hospitalar poder vir a ser privatizado.

Eu acho que começa a cair a máscara ao senhor presidente do INEM e, eventualmente, um dos motivos da sua vinda. Depois de ter estado associado publicamente a uma empresa prestadora de serviços de emergência, mas também de formação, e da própria empresa, segundo é público, estar a ser investigada pelo Ministério Público por alegadas ligações de elementos também com o INEM e com responsabilidade na formação, surge um despacho publicado pelo Ministério da Saúde e de origem no INEM, que abre a possibilidade, agora assumida pelo senhor presidente do INEM, de entrarem privados a fazer emergência.

Em termos de riscos para o cidadão, que tipo de riscos é que isso poderia implicar, esta abertura aos privados?

Desde logo, e conforme previsto no despacho, o tipo de ambulâncias que pode fazer essas situações de prioridade menos urgente, digamos assim, contempla um risco sério. Por um lado, porque a própria triagem telefónica já é por si só algo falível, mas também porque as tripulações deste tipo de ambulâncias têm menos formação. As próprias ambulâncias têm muito menos equipamento. Isso a somar ao risco já inerente a uma triagem feita pelo telefone, representa um sério risco para o cidadão. Ainda recentemente, num caso que foi tornado público, a situação agravou-se desde que foi enviada uma ambulância dos bombeiros até que a ambulância chegou. Se deslocarmos para lá uma viatura sem equipamento, ou sem o equipamento necessário, cuja tripulação não tem também a formação adequada, claramente, não vai estar preparada para dar a resposta que os cidadãos precisam e isto representa um risco sério para o sistema.

Só aqui para esclarecer um pouco, estamos a falar daqueles casos que podem ser classificados na triagem telefónica como pouco urgentes e, nesse caso, ser enviada para lá uma viatura privada e depois quando chega ao local percebe-se que afinal não se tratava de um caso pouco urgente. É disso que estamos a falar?

Acontece com bastante frequência, eu diria que diariamente, as próprias ambulâncias do INEM, mas também dos bombeiros, que é quem faz hoje esse tipo de prioridades também, quando chegam ao local deparam-se com uma situação bastante mais grave do que aquela que se imaginava e que tinha sido obtida através de uma triagem telefónica. Ora bem, se a ambulância que vai para lá tem menos equipamento e a tripulação tem menos formação, podem nem sequer detetar que a situação é mais grave do que aquela que se imaginava e quando chegar ao hospital pode já de facto ser tarde demais.