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Tozé Brito, Sara Tavares morreu este domingo aos 45 anos. O Tozé Brito esteve presente desde o início da carreira da cantora. Como é que reage agora à morte de Sara Tavares e qual a importância da artista para a música portuguesa?
Antes de mais nada, reajo com uma tristeza profunda e enorme, embora soubesse que ela estava há muito tempo doente. E de alguma forma, a morte dela acaba por ser o fim de um sofrimento muito grande porque ela estava a passar nesta altura. E, portanto, já era esperada, era uma questão de tempo. Ela estava muito mal e se por um lado ficamos obviamente tristes, porque nestes momentos não há como não ficar triste, por outro lado, de alguma forma também penso que estava na hora de ela partir. Porque ela era uma pessoa lindíssima, estava a sofrer imenso. Eu conheci-a com 15 anos exatamente, em 93, quando ela concorreu ao "Chuva de Estrelas" e ganhou o "Chuva de Estrelas" imitando a Whitney Houston.
Ou seja, logo no início da carreira, não é? Ainda mal a carreira tinha começado.
Exatamente. E nessa altura assinei imediatamente contrato. Eu estava na altura de diretor-geral da BMG. Assinamos contrato com ela e ela foi nossa artista durante muitos anos. Depois ganhou o Festival da Canção logo no ano seguinte com o "Chamar a Música". Acompanhei-a também em toda essa fase da vitória no Festival da Canção e da Eurovisão, etc. E criamos uma relação de grande amizade, de grande proximidade, porque eu vi crescer a Sara, no fundo. Eu conheci-a com 15 anos e vi-a crescer, vi-a tornar-se mulher e percebi imediatamente o talento que ela tinha, para além da voz extraordinária que tinha, era uma pessoa lindíssima.
Considerava-se quase um pai, para além da relação de trabalho, havia essa relação de amizade.
De alguma forma, sim, porque eu conheci ela, era muito nova. Era uma criança introvertida, que vivia com a avó, que tinha uma vida complicada, muito difícil. E era uma pessoa que apesar de ser forte, apesar de ter uma personalidade muito forte, precisava muito que a acarinhassem e que acreditassem nela naquela altura. E foi o que tentamos fazer, eu e toda a gente que trabalhava comigo na BMG nessa altura.
Como é que foi vê-la crescer assim ao longo dos anos? Assinou com ela logo nessa altura, muito nova.
Assinei logo, assinei imediatamente na altura em que ela ganhou o "Chuva de Estrelas", já tinha contrato connosco nessa altura.
Como é que foi vê-la crescer ao longo dos anos?
Foi fantástico.
Várias fases.
Gravar os álbuns que gravou, "Mimarbo" e depois o álbum seguinte. Foi vê-la crescer em todos os aspetos, porque era uma criança com 15 anos quando nós a conhecemos e quando eu a conheci pessoalmente nessa altura e assinei contrato com ela. Ela tinha aquele sonho de cantar e era uma fã incondicional da Whitney Houston e depois aos poucos foi crescendo e embora nunca tenha deixado as suas preferências musicais e obviamente que continuou a gostar de tudo aquilo que gostava, encontrou uma voz própria, encontrou uma personalidade própria e foi sempre uma pessoa que até lutou muito contra questões raciais, contra racismo, enfim, lutas sociais, que ela travou com muito empenho.
Isso deu-lhe também força para a carreira, para as músicas.
Sem dúvida. Ela tinha uma força enorme, que só foi cortada pela doença, que foi gravíssima, que apareceu cerca de 10 anos atrás, que foi quando ela descobriu que tinha um tumor no cérebro. E a partir daí a vida tornou-se completamente diferente, como é óbvio, porque esse volume não lhe permitiu que fosse de outra forma. Mas o talento esteve lá sempre, até ao fim. A vontade de viver esteve lá sempre, até ao fim. Mesmo depois de já estar doente, ainda fez muita coisa, ainda deu a cara, ainda participou em muitos espetáculos, ainda tentou e fez muito boa música. E, portanto, a Sara vai ficar para sempre com uma recordação para mim, pessoalmente, obviamente. Eu então que a vi nascer para a música e chamar a música de todas as maneiras e feitios, não só quando ganhou o festival, mas continuar a chamar a música pela vida fora.
É um orgulho, calculo eu, agora olhando para trás, para o percurso de Sara Tavares.
Sem dúvida. Fico muito orgulhoso e muito feliz de ter sido o primeiro a dar-lhe a mão, o primeiro em termos editoriais, como é óbvio. Apesar de certamente pessoas que a acarinharam muito durante esse trajeto, mas em termos editoriais, em termos profissionais, chamemos-lhe assim, em termos musicais, foi connosco que teve contrato sempre durante todos esses anos, foi connosco que trabalhou. Trabalhamos muito perto com ela e é uma saudade imensa que ela deixa