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Os idosos com mais de 80 anos e os doentes de risco entre os 50 e os 79 anos vão começar a ser chamados para serem vacinados contra a Covid-19. A Ministra da Saúde, Marta Temido, anunciou que esta chamada vai ser feita sobretudo por SMS, por mensagem escrita, o que pode levantar problemas no contato com os cidadãos mais velhos ou com a desatualização de contatos, Anibal.

Junta-se agora nesta emissão do Observador, Osvaldo Gonçalves, presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, que é um dos conselhos mais envelhecidos do país. Antes de mais, bom dia, obrigado por esta disponibilidade em estar aqui conosco nesta emissão.

Bom dia. Bom dia ao auditório.

Senhor Presidente, começava por lhe perguntar se existe essa preocupação com o contato entre os serviços de saúde e os mais velhos, por norma, mais infoexcluídos, e se nesta altura a sua autarquia poderá ter aqui um papel de proximidade para garantir essa coordenação e esse contato.

Sim, com certeza que sim. Muito bom dia, muito obrigado também pela oportunidade. E, de facto, esta questão que aqui está a ser levantada, nomeadamente na forma como irão ser contactadas as pessoas por SMS para a questão da vacinação. Já tive o cuidado também de tentar auscultar junto da estrutura da saúde para perceber de que forma é que nós poderíamos ser uma entidade colaborante também nesta parte e tentar perceber que impacto é que isto poderá ter, nomeadamente pelas dificuldades que as pessoas poderão ter na resposta a esse SMS. E devo dizer que estou tranquilo relativamente à forma como as coisas estão organizadas, até porque numa primeira fase, o SMS irá ser enviado e quem não responder irá ter numa segunda fase, um contato pelo pessoal da saúde, pelos enfermeiros.

E esse contato será feito como? Será feito pessoalmente? Irão à casa das pessoas?

Não, em casa das pessoas só em último caso, até porque as circunstâncias hoje são, de facto, aquelas de evitar o contato. Mas nós temos, de facto, outras formas de poder contactar as pessoas através do telefone, através de outras formas. Nós temos a nossa comunidade, ela está toda muito bem identificada. Os nossos idosos mais isolados estão todos a ser acompanhados pelos apoios domiciliários de centro de dia ou pela gestão dos lares, do apoio domiciliar, aliás. E nós temos essa articulação muito bem feita a todos os níveis. Portanto, será fácil nós, numa circunstância em que não haja uma resposta ou que essa resposta nos suscite alguma dúvida, conseguirmos chegar à conversa com as pessoas e conseguirmos, de alguma forma, dirimir os efeitos de uma resposta que não seja aquela que as pessoas queiram dar, porque eu acredito que todas as pessoas que queiram, que recebam a mensagem, queiram ser vacinadas. Não conheço ninguém que me diga que não quer ser vacinado.

Senhor Presidente Osvaldo Gonçalves, da experiência que tem e estando num dos conselhos com mais idosos do país, esta medida, e aqui alargando, pedindo-lhe um pouquinho a sua opinião em relação ao resto do território nacional. Acha que faz sentido contactar os idosos? Acha que esse levantamento, que está a ser feito na sua autarquia, estará feito também nas restantes autarquias? Da experiência que tem, do contato que tem com outros autarcas, nomeadamente em redor da sua região.

Eu penso que a dimensão desta tarefa que o Ministério da Saúde tem, neste momento, a braços, é algo que tem que evocar todas as formas disponíveis para poder chegar às pessoas. No caso particular de Alcoutim, atendendo às nossas características, de sermos um conselho de muita baixa densidade e de nós termos a possibilidade de conhecermos praticamente todas as pessoas e de termos as pessoas todas identificadas, isso para nós torna-se um pouco mais fácil, tal qual como referi anteriormente. Acredito que no território onde a população seja muito maior, acredito que essa dificuldade também seja maior. Mas eu não vejo que outras formas pudessem ser feitas, acautelando o distanciamento, acautelando evitar os contatos com a população. Também não me parece que haja assim grandes outras alternativas que não seja esta do primeiro contato através do SMS. Até porque as pessoas também têm familiares com quem trocam impressões e trocam telefonemas e trocam mensagens. Eu acredito que isto tenha condições para poder funcionar bem, desde que haja um acompanhamento por parte da entidade da área da saúde e, obviamente, os serviços sociais da Câmara, os serviços de apoio, que um pouco por todo o país também fazem esse trabalho, e as associações, os IPSS. Julgo que todos articulados poderemos levar a bom porto esta missão, que é uma missão hercúlea para todos aqueles que estão na linha da frente.

E Osvaldo Gonçalves, consegue ajudar-nos a fazer um ponto de situação? Como é que tem estado a decorrer o processo de vacinação no Conselho, isto dentro dos grupos considerados prioritários?

Nós temos em Alcoutim três lares. Fora os profissionais de saúde que já tinham sido vacinados, estes três lares já foram todos Todos administraram a primeira dose. Tenho a indicação de que dois deles, durante esta semana, irão ser inoculados com a segunda dose da vacina. Portanto, devo dizer que estou completamente satisfeito com a forma como tem acontecido, seguindo estes critérios e atendendo que, daqui a poucos dias, iremos ter os três lares, que são a comunidade que mais nos preocupa, vacinados. Daqui para a frente, vamos seguindo com os outros critérios, dos 50 para os 79 e dos maiores de 80, que também já estão a ser rastreados sob o ficheiro que foi enviado do número de utentes. Sei que esse trabalho já está a ser feito nos centros de saúde para contactarem e identificarem as pessoas. Portanto, devo dizer que isto está a correr de uma forma normal.

E essas pessoas vão ser vacinadas exatamente onde? Nos centros de saúde ou vai haver algum espaço distinto para a vacinação dessas pessoas, ou seja, desta nova vaga de pessoas?

Eles vão ser contactados para virem ser vacinados. Mas também sei que está previsto descentralizarem um pouco o local da vacinação. Isto é uma situação que ocorre com o reforço de uns critérios de maior rigor, atendendo às características da própria vacina, nomeadamente por causa do manuseamento da própria vacina, e isso também condiciona a forma como o fazem. Mas o que está a ser previsto é que as pessoas se venham dirigir aos centros de vacinação e que recebam aí a vacina.

Alcoutim é um dos concelhos de risco muito elevado nesta altura. Que ponto de situação é que faz aí na sua região? Há surtos ativos nesta altura que estejam a preocupar, nomeadamente em lares?

Não, felizmente, nós tivemos um surto em um lar que surgiu no dia 2 de outubro e que, infelizmente, teve consequências drásticas logo ao fim de pouco tempo. Depois, finalmente, conseguiu-se controlar. E depois disso, temos tido alguns sobressaltos, mas nada de preocupante. Temos tido alguns casos ultimamente na comunidade e temos alguns pessoas confinadas e algumas pessoas também infetadas. Temos, julgo, 19 pessoas, que era os dados da conta de ontem. Talvez seja o maior número que alguma vez se verificou fora dos lares. A questão do surto que tivemos com um lar de idosos. São números irrelevantes sob o ponto de vista do próprio número, mas percentualmente coloca-nos aqui numa situação de risco elevado, atendendo à percentagem que representam na nossa comunidade, precisamente por sermos um concelho com muita baixa densidade.

Sr. Presidente Osvaldo Gonçalves, Presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, ajudando-me a perceber, nesta altura, estamos com esta situação, esta polémica de algumas pessoas passarem à frente nesta vacina da Covid-19. Eu queria saber se me pudesse também ajudar a perceber a sua opinião em relação a alguns autarcas que passaram à frente na vacinação contra a Covid-19. Faz sentido a atitude que tiveram alguns desses autarcas?

Em relação à forma como as coisas são comunicadas e como são passadas para a opinião pública, podem ser às vezes de forma ruidosa. Vou dar o exemplo de uma pessoa que, por exemplo, sendo autarca e sendo presidente de câmara, mas tendo funções, por exemplo, de diretor, responsável de um lar, de um IPSS em que tem que entrar e tem que interagir com os idosos. E se nessa qualidade ele puder ser vacinado, sob o ponto de vista de prevenir essas pessoas, estará a ser vacinado, não como autarca, não como presidente de câmara, mas se calhar como responsável, como coordenador, como diretor.

Mas nesses casos era possível? Numa situação desses casos.

Mas depois as coisas quando saem, às vezes, são comunicadas de uma forma um pouco diferente. Isso depois baralha-nos um bocado, turva-nos um bocado a opinião, mas eu considero que a questão dos critérios relativamente à questão da vacinação, eles são feitos por especialistas e nós devemos acolher e devemos acatar o cumprimento desses mesmos critérios e esperar todos pela nossa vez. E lembrarmo-nos que há um ano, mais ou menos, a esta parte, nós não tínhamos um frasco de gel para desinfetar as mãos. Nós não tínhamos uma máscara, não tínhamos uma viseira. Eu recordo-me da primeira vez que consegui encontrar 150 viseiras, que fui criteriosamente distribuí-las aqui pelo pessoal da linha da frente. Aquilo era ouro que eu levava nas mãos para entregar às pessoas. E se nós olharmos para aquilo que foi o início e a nossa preparação e tudo aquilo que aconteceu ao longo destes 11 meses, olhamos agora para a questão das vacinas como se se tratasse das máscaras inexistentes da altura. A seu tempo, as coisas hão de chegar a todos. Eu penso que este cansaço que todos nós já vamos dando nota e dando sinais, temos que aguentar mais um pouquinho, porque agora temos a esperança da vacina e ela vai chegar a todos. A seu tempo, acredito e confio que isto chegará a todos. Eu, da minha parte, esperarei tranquilamente pelo critério que me chegar a mim e depois, em relação àquilo que se faz por aí, eu penso que os critérios devem ser cumpridos e devem ser muito respeitados. No fundo, é isto.

Osvaldo Gonçalves é presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, um dos concelhos mais envelhecidos do país. Esteve aqui na Rádio Observador a ajudar-nos a olhar para como está a decorrer o processo de vacinação no concelho. Muito obrigado por ter aceitado o nosso convite e até breve.

Muito obrigado. Bom dia. Obrigado.