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Nós vemos que há aqui uma continuidade da estratégia do Governo, no controle da pandemia e manter de certa maneira os restaurantes encerrados, de porta aberta, sem clientes, visto que até janeiro prevemos que esta situação vai continuar. Esta exceção dos dias 24 e 25, e mediadamente o 26, estamos a falar aqui de exceções que primeiro, pensamos nós, terão maior impacto na hotelaria, porque na restauração penso que o dia 24 e 25 não terá grande impacto. Na questão do dia 26, não é propriamente uma situação normal, visto que aqui existem também restrições ao nível da mudança de concelhos, portanto isto restringe bastante o funcionamento normal dos restaurantes, aqui no dia 31, da passagem de ano. Entendemos que estas medidas são de continuidade e que de certa maneira elas terão que ser naturalmente apoiadas com medidas robustas e que esperamos que na próxima semana o Dr. Pedro Siza Vieira apresente. A nossa expectativa não é muito elevada, porque já fomos falando com membros do governo, já fomos obtendo algumas informações nesse sentido, portanto estamos um pouco apreensivos. No entanto, mantemos este sinal de alerta, porque as empresas neste momento, e posso revelar, está a decorrer um inquérito aos nossos associados e cerca de 75% do setor tem perdas superiores a 70%. São perdas colossais e que se não forem acompanhadas com medidas adequadas, vamos assistir aqui a encerramentos de empresas em grande número e também despedimentos de trabalhadores. Nós estimávamos, há cerca de um mês num inquérito que tínhamos feito, que se não houvesse apoios à altura, que cerca de 50% das empresas iriam encerrar, ou definitivamente ou temporariamente. Neste momento, o número andará dentro dos 20% e pelo inquérito nós estamos a prever que mais de 30%, portanto vai acabar por se encontrar aquele número que nós queríamos evitar, que é metade do setor da restauração estar encerrado. De certa maneira, isto vai ser catastrófico ao nível do desemprego. Portanto, aquilo que nós tínhamos pedido e temos vindo a insistir é que o governo encontre forma de proativamente evitar que haja esses despedimentos, porque aquilo que o governo vai ter que depois assumir em termos de custos, e nós estimamos que durante o próximo ano, se se vier a verificar os mais de 100 mil desempregados que nós prevemos, estamos a falar aqui numa fatura de 800 milhões de euros. Ora, se esta associação tem vindo aqui no fundo a apontar, e já nas reuniões que tivemos com o governo, já dissemos que havia aqui uma solução, não esta que foi apresentada, porque esta última prevê o cálculo em função do ano corrente e na base uma contabilização de valores de restaurantes que estiveram encerrados, portanto, parece-nos uma situação completamente inadequada, porque os valores são residuais, já é comum ouvir os empresários que vão receber 100, 200 € por força das perdas, em função das contas que o governo fez. Portanto, aquilo que nós pedimos é que, em face desta estratégia continuada do governo, que nós não queremos questionar a questão da limitação das estratégias todas que têm adotado pelo controle da pandemia, nós queremos é que haja aqui do ponto de vista dos apoios, uma medida mais adequada. Eu até acho, e a associação já falou nisso, e até defende que perante esta situação e este cenário, seria muito mais sensato o governo decretar o encerramento dos restaurantes e encontrar aqui um apoio, como fizeram outros países. E aqui nós apontamos uma situação concreta, neste caso, e olhando aqui para o último trimestre, os restaurantes estão a perder cerca de 70%. No ano passado, o volume de faturação foi 2000 milhões de euros, atendendo que as perdas sejam 70%, estamos a falar aqui de uma perda de 1400 milhões de euros. Nós estamos a falar em 20% desse valor, no fundo, dado ao setor da restauração, estamos a falar de 280 milhões de euros. É isso que temos vindo a pedir para mitigar um pouco estas questões, e de certa maneira, mais vale encerrar os restaurantes do que os manter abertos, porque além da questão financeira, existe aqui também um problema de questão de saúde mental, porque os empresários têm tido aqui muita dificuldade em estar nos seus espaços sem clientes e claramente que poderíamos poupar os empresários a isto, porque a questão destas exceções são muito residuais, porque estão aqui com algumas restrições ligadas e que realmente isto não serve para o setor.
Seria preferível, pelo menos do que percebi pelas suas palavras, encerrar por completo nesta altura e preparar melhor ou detalhar melhor apoios para este setor?
Sem dúvida. Esta seria, e já temos vindo a falar nisso, a medida mais adequada, porque o setor da restauração, e isso vai-se perceber em janeiro, as perdas são catastróficas. Manter um restaurante aberto com poucos clientes, existem aqui custos realmente elevados, porque o restaurante tem que estar preparado para receber pessoas, quer receba ou não receba, tem que estar. São produtos perecíveis. Obriga a uma série de consumo, consumo de bens alimentares e consumos energéticos e as próprias pessoas que acabam por estar, não podem estar em layoff. Portanto, se estivesse encerrado, havia aqui um layoff e os custos eram basicamente eliminados ou muito reduzidos e teríamos aqui uma situação mais tranquila e então retornaríamos em fevereiro ou março. É o que estão a fazer alguns países, penso que é a medida mais adequada. Esta aqui, de certa maneira, até serve ao governo, porque vão dando alguns apoios, mas não serve à restauração e vamos perceber isso dentro de pouco tempo, quando virmos o setor completamente desestruturado. E aquilo que nós achamos e temos vindo a dizer que isto é um erro histórico, não tomar esta posição firme, que entendemos que seria o mais adequado à situação que neste momento estamos a viver.