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O especialista de arbitragem Pedro Henriques connosco no Sem Falta desta noite para analisar o trabalho de João Pinheiro nesse Alverca Futebol Clube do Porto. Deu vitória dos Dragões por 3x0. Muito boa noite, Pedro, bem-vindo.

Muito boa noite.

Pedro, vamos começar com um gol anulado ao Futebol Clube do Porto, a Borja Sainz, foi ao minuto 26.

Sim, gol bem anulado, até porque depois o vídeo-árbitro confirmou, mas o árbitro assistente foi quem invalidou em primeira instância. Alberto Costa cruza, Borja Sainz está adiantado, depois ficamos a perceber pela cidade do futebol, 47 centímetros e, portanto, fora de jogo bem assinalado.

Boa decisão. Poucos minutos depois, ao minuto 29, há mesmo o gol de Borja Sainz.

Sim, aqui no gol do Borja Sainz não há muito a dizer, e só coloquei aqui porque tentei repescar toda a situação e não percebi por que os jogadores do Alverca estavam a reclamar de um empurrão. Foi isso que se viu em termos visuais, a reclamarem com o árbitro. Quer na recuperação de bola, não há nenhum empurrão, quer depois no salto do Borja Sainz, que finaliza de cabeça, não está a empurrar nenhum adversário. Só por isso é que chamei aqui à colação, porque foi ali o que vi, os jogadores a reclamarem de um eventual empurrão. Não percebi, portanto, nas repetições que foram dadas e por isso gol legal.

Ao minuto 34, faltou um amarelo para Alberto Costa?

Sim, talvez a única situação disciplinar e técnica menos bem conseguida, sem grande impacto na jogada, mas ele agarra e puxa de forma evidente a camisola do Meppiu e acabou por ter este comportamento antidesportivo, porque é ostensivo, é deliberado e ficou aqui cartão amarelo por mostrar. Claro que o árbitro, embora já estávamos no minuto 34, não tinha cartões amarelos mostrados e estava a tentar fazer uma gestão mais larga do jogo, só que depois mais à frente acaba por ter uma infração onde também vai mostrar cartão amarelo e por isso eu acho que tem que haver sempre coerência, seja o primeiro minuto, ou 34, ou depois sendo na segunda parte.

Ao minuto 38, um possível pênalti sobre Mahrez que não existe, na tua opinião.

Sim, não existe. Ele queixa-se de uma eventual falta. Ele também faz o gesto de empurrar, é isso que aparece. E quem estava a disputar a bola com ele é o Martim Fernandes. No salto, percebe-se claramente que não há carga, não há agarrão, não há empurrão e, portanto, tudo legal, sem pênalti.

Na segunda parte, Alan Varela aumenta a vantagem para o Futebol Clube do Porto ao minuto 59. Tudo legal aqui? 57, creio.

57, sim. Sim, é tudo legal, porque é aquela situação em que o PP remata, o André Gomes defende, a bola sobe para o Alan Varela, que faz a recarga e faz gol. No que diz respeito ao Alan Varela, que é quem faz o gol, está em posição legal. Mas também, e aqui é que está a questão que foi observada pelo vídeo-árbitro, é em relação ao Borja Sainz, porque o Borja Sainz está na posição do guarda-redes, a olhar de frente para a bola, tem o Borja Sainz do seu lado direito, afastado e mais atrás. Ou seja, ele está atrás do guarda-redes e quase colado ou perto da linha de baliza. E a bola vai passar exatamente para onde está o Borja Sainz, que abre as pernas e deixa passar a bola. Ele está em fora de jogo posicional, mas não tem qualquer impacto na ação do guarda-redes, do André Gomes, porque o guarda-redes não defende, não fica impactado pelo fato de ele estar ali, porque não só está afastado, como está mais para trás. E portanto, o guarda-redes já tinha tentado a defesa, a bola já tinha passado e depois a única coisa que podia invalidar o gol era se o Sainz tocasse na bola, porque aí automaticamente, de acordo com a lei, era fora de jogo. Neste caso, abriu as pernas, deixou passar, não tem qualquer impacto em André Gomes, gol legal, sem fora de jogo.

Borja também protagonista de um amarelo ao minuto 63. Merecido?

Sim, cartão amarelo bem mostrado ao Borja Sainz, é uma entrada fora de tempo. Ao esticar a sua perna direita, acaba por tocar com o pé, de raspão, mas a tocar com a sola do seu pé no tornozelo direito do Juliano Martinez e é uma entrada dura, negligente, bem sancionada com cartão amarelo.

Vamos também ao minuto 76, sem pênalti de Pablo Rosário.

Sim, porque pediu-se mão do Pablo Rosário na área, mas depois percebe-se que é um cabeceamento feito muito perto pelo Tiago Leite e a bola vai bater na cabeça do Pablo Rosário. Portanto, nunca toca no braço ou na mão do jogador dominicano dos Dragões e portanto, tudo legal, sem pênalti.

Ainda ao minuto 84, um amarelo que sai para Abdullai.

É esse lance. Ele vem por trás do Deniz Gül, agarra, puxa, não o consegue derrubar, mas por si só esta infração já poderia ter sido para cartão amarelo. Mas depois, acto contínuo, estica a perna direita e com a zona da canela rasteira, a perna direita também do avançado turco e, portanto, é uma entrada negligente, bem sancionada disciplinarmente.

Muito bem, está feita a análise desta partida. O árbitro João Pinheiro chegou aqui vindo de um jogo complicado nos Açores. Que nota atribuís à sua prestação?

Vou dar nota sete. Os gols foram todos legais e há um gol que é bem anulado, o tal de fora de jogo. Foi bem assistido pelos assistentes, nomeadamente nesse lance e não só. Depois, tem um jogo com essas características, poucas faltas, só 20, poucos cartões amarelos, dois, e depois um bom tempo útil de jogo para a nossa liga, 62%. Fez um controle técnico e até mesmo disciplinar, não obstante ter falhado no cartão amarelo, fez um bom controle técnico e disciplinar e portanto falhou nesse tal cartão amarelo, mas sem impacto. E eu diria até que o mais negativo deste jogo nem é o João Pinheiro, é o estado do relvado, que não é concebível para este nível de competição. De qualquer maneira, para o árbitro, para a equipe de arbitragem, até por esse enquadramento que tu disseste, emocional e psicológico do jogo, que se tornou fácil porque o resultado também acabou por ser facilitador do jogo, nota sete.

Muito bem, está feita a avaliação do trabalho de João Pinheiro nesse Alverca-Porto com Pedro Henriques. Pedro, um abraço.

Obrigado.