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Sem falta na Rádio Observador, vamos analisar o trabalho da equipe de arbitragem do jogo entre Sporting e Benfica. Os Leões venceram por duas bolas a uma e ficam mais próximos do título. Conosco temos Pedro Henriques. Pedro, boa noite.
Boa noite.
Começamos logo no primeiro minuto com um gol do Sporting.
Sim, o gol é legal, embora tenha estado em observação pela seguinte razão: no momento em que o Geny Catena remata e que faz o gol, o Gyokeres está a estorvar a visão do guarda-redes, o Trubin. Ora, aqui a questão que se coloca é se estivessem fora de jogo, mesmo não tocando na bola, o Gyokeres era punido por fora de jogo posicional, que passaria a tomar parte ativa exatamente por estorvar a visibilidade. Só que o Otamendi está a colocá-lo em jogo por 18 centímetros e a partir daqui, estando em jogo, pode estar em qualquer posição, porque já não conta essa questão do fora de jogo posicional com a tal questão que seria a visibilidade. Por isso, tudo legal, gol legal, é o Otamendi que valida a posição do Gyokeres e, como tal, o gol do Geny Catena é legal.
Seguimos para o minuto quatro, Geny vê cartão amarelo.
Simulação, tenta ganhar um pênalti, claramente a fazer-se à falta, expressão mais popular, na tentativa de ludibriar o árbitro. E o árbitro mostrou-lhe bem o cartão amarelo.
E minuto 27, amarelo a Otamendi e Ulman.
Sim, ambos os jogadores acabaram por ter um comportamento incorreto e antidesportivo, um que empurra, o outro que tira de força também, permeia palavras que obviamente nós na televisão não conseguimos perceber, o árbitro está perto. Isso provocou também um ajuntamento de mais jogadores. A FIFA é muito determinante nesse aspecto, que é quando dois jogadores têm comportamento incorreto um em relação ao outro e que com isso provocam a vinda de outros jogadores para o barulho, esses dois prevaricadores, os que iniciaram a ação, têm que ser sempre penalizados pelos comportamentos que ambos tiveram um em relação ao outro, quer por essa questão do ajuntamento, cartão amarelo bem mostrado.
E ao minuto 32, havia motivo para cartão vermelho para Di María?
Sim, o Di María escapou aqui claramente ao cartão vermelho. Basicamente a bola saiu pela linha de baliza, era pontapé de canto. Provavelmente por isso o árbitro já não estava com o foco na questão do Di María e em relação ao Pedro Gonçalves, mas o que aconteceu, e é factual, é que o Di María, quando passa ali com o Pedro Gonçalves, porque estavam se a provocar, obviamente, acaba por tocar com o ombro esquerdo, no ombro esquerdo também do Pote. Só que ato contínuo, o Di María com a mão esquerda, de baixo para cima, de punho fechado, e isto é muito importante, acaba por acertar em cheio no nariz do Pedro Gonçalves. Não se trata de uma situação em que ele está a ser agarrado e ao tentar desembaraçar-se, às vezes acontece acertar no adversário. Não se trata apenas de um chega pra lá ou da mão na cara, que muitas vezes é considerado apenas comportamento incorreto ou antidesportivo. Trata-se de mão fechada, de punho fechado e um movimento deliberado no sentido de ir ao nariz ao seu adversário. Portanto, isto é uma conduta violenta. As condutas violentas têm que ser punidas com cartão vermelho direto e aqui impunha-se claramente a intervenção do VAR. Não há amarelos nessas situações, quer dizer, ou não é nada ou é vermelho. Portanto, não é uma situação de mão aberta. E por isso, o VAR aqui tinha que ajudar, porque acredito que o Artur Soares Dias nem sequer tinha o foco nestes dois jogadores. Como disse, a bola está fora do terreno de jogo, não estava a ser disputada por eles e por isso é normal o árbitro não estar a ver.
É o minuto 35. Consideras que havia pênalti por mão do Gonçalo Inácio?
Não, sem pênalti, o remate é de Florentino. A bola vai realmente bater na mão direita do Gonçalo Inácio, que tem o braço dobrado, encostado ao corpo, junto ao corpo, sem ganho de volumetria anormal. E este fator é extremamente importante para determinar o não pênalti, portanto, que é a questão da volumetria. Além disso, também não há nenhum movimento deliberado, há um movimento de proteção, de rotação, até para se proteger do remate e, por isso, tudo legal, sem motivo para pontapé de pênalti.
E aos 39, temos um cartão amarelo para Neres.
É numa disputa de bola com o Santos justo, pé esquerdo no pé direito do Santos justo, o árbitro considerou, e aceita-se obviamente a boa decisão, uma entrada mais dura, chamada entrada negligente, cartão amarelo bem mostrado.
E consideras que ao minuto 43 havia pênalti sobre Gyökeres?
Também não. É um lance em que o Gyökeres na área faz aquele movimento típico, a bola já está quase a sair pela linha de baliza e ele faz um movimento de rotação para dentro. Ao fazer esse movimento de rotação, estava a ser marcado por António Silva, acaba por haver um inevitável contato de joelho esquerdo, no joelho esquerdo, um do outro. Obviamente que quem está em situação de ataque, e é sempre assim, tem sempre mais tendência para se projetar e para cair. Quem se defende, normalmente isso não acontece, por razões óbvias, mas de qualquer maneira, o mais importante é que não houve pênalti sobre o Gyökeres e, por isso, decisão correta.
É o minuto 45 mais um, temos um cartão amarelo para Ubah.
Sim, é um corte no ataque prometedor, o Ubah faz ali um "Jane Doe" take deslizante e acaba com o seu pé direito varrer os pés de Trincão. Perto da área, corta uma jogada de Pri, cartão amarelo bem mostrado.
E aos 45 mais dois, temos um gol do Benfica.
Sim, não há fora de jogo do momento do passe ou do cruzamento do Lis ou Di María pro Ubah. Ubah não está em fora de jogo, também não faz falta atacante. E foi por isso que o árbitro deu um timing, esteve à espera daquilo que o VAR dissesse e depois a seguir praticamente apitou pro Sporting recomeçar o jogo e apitou logo para terminar a primeira parte. De qualquer maneira, gol do Benfica, gol legal, sem qualquer infração.
E aos 68 e 73, achas que Ulman arriscou o segundo amarelo?
Sim, eu no direto, sobretudo no lance do minuto 63, havia quatro jogadores do Sporting ali a rodear o jogador do Benfica, na altura o Ernst. Depois fui rever melhor os lances pra tentar perceber também os enquadramentos, que é sempre importante, porque ali no direto muitas vezes tem que responder em cima e fui recuperar inclusivamente esse lance do minuto 68, que o árbitro nem sequer assinalou falta. Portanto, no minuto 68, o Ulman acaba com o pé esquerdo por tocar no pé direito do Tangic. Quando eu digo Tocar é pisar literalmente, meio raspão, metade do pé, já apresentou a sola ao minuto 63. O facto é que, não obstante haver mais jogadores do Sporting na jogada, o Hørstenes quando faz a finta para dentro acaba por ser varrido e ser rasteirado, e aqui o objetivo, percebe-se melhor na jogada, é que o Uhmann tenta matar a jogada. Chamada falta útil, que nós dizemos falta tática. Estas duas situações, quase qualquer uma delas consignava o cartão amarelo. Ora o Uhmann já tinha cartão amarelo e acaba por escapar, sobretudo no minuto 63, se calhar mais evidente ainda, acaba por escapar à expulsão por acumulação de cartões amarelos, sendo que ao minuto 80, depois o Rúben Amorim acaba por substituir exatamente com medo, percebendo como o Uhmann estava a jogar, teve medo de alguma maneira de perder o Uhmann nos minutos que faltavam.
E aos 74, o Tengstedt vê um cartão amarelo.
Sim, é por um protesto. O Tengstedt já tinha sido substituído, estava no banco e portanto deduzo que o protesto tinha sido por palavras e daí aceito sempre como boas as decisões destes cartões amarelos.
Minuto 85, outro amarelo desta vez para Hørstenes.
Sim, é sobre o Génio. O Génio no corredor direito da forma como o Sporting estava a atacar, mete a bola em profundidade, vai claramente a passar por Hørstenes, vai criar uma jogada de perigo, já considerado um ataque promissor. O Hørstenes derruba o Génio e portanto cartão amarelo bem mostrado.
Minuto 90, amarelo para Nuno Santos.
Também no banco e com isto é um jogador que fica de fora do próximo jogo. Estava no banco, mas protestou. Já não era a primeira vez que o árbitro tinha ido ao banco do Sporting, logo no princípio também o fez, e curiosamente também em relação ao Nuno Santos, e aqui ficou com tolerância zero e acabou por ver o cartão amarelo.
Ainda no minuto 90, eu pergunto se devia haver pênalti sobre Daniel Bragança?
Fiquei com muitas dúvidas no direto, porque a imagem que deu foi por trás da baliza e junto ao poste, mas depois no programa desportivo que o próprio canal que transmite acaba por fazer e dar outras imagens, percebe-se claramente que é aquele lance que o Bragança escorrega sobre a bola, quase um gol feito e depois acaba por escorregar, depois fica a sacudir o pé. Inicialmente pensávamos que tinha torcido o pé porque escorregou sobre a bola, depois percebe-se que o Bah poderia ter dado um toque no pé, mas no melhor ângulo, e é a câmara do fora de jogo que mostra isso, o Bah toca claramente na bola, acabando no final do seu movimento por dar um toque ligeiro no Bragança, insuficiente para ser punido por pontapé de pênalti, e mais do que isso, o ato do Uhmann é mesmo ter tocado claramente na bola e afastado a bola.
Seguimos para o minuto 96, Marcos pediu pênalti contra o Sporting por mão.
Exatamente. Há dois momentos nesse lance, o Otamendi que salta com o Cobra. O Cobra ficou embaixo e o Otamendi fica estatelado na área e aí pedem pênalti e depois na sequência, o Marcos remata e pede mão do Diomande. A jogada fica logo toda morta à nascença, porque embora o árbitro não o tenha feito, o árbitro assistente, vamos imaginar que era pênalti, vamos imaginar que era gol, porque no início da jogada o Otamendi, na disputa de lance com o Cobra, o Otamendi sai de fora de jogo, já está em posição irregular e vai disputar a bola e inclusivamente toca na bola. E portanto a partir daqui, tudo que vem para a frente ficava morto, chamemos assim, em termos de alguma punição. Mas de qualquer maneira, relembrar que também que o Marcos que o rematou e a bola foi à perna esquerda do Diomande e nunca sequer tocou no braço. Acaba por ser uma boa decisão no sentido de não haver infração para pênalti, mas como disse, o Otamendi em fora de jogo anulava tudo isto que o VAR depois iria rever caso houvesse gol.
Minuto 98, segundo amarelo para Hørstenes.
E bem mostrado, é sobre o Cobra, é uma entrada dura, negligente, pé esquerdo no pé direito, apresentando a sola e os pitões acabando por derrubar o jogador do Sporting. Cartão amarelo bem mostrado, neste caso, o segundo.
E terminamos com um cartão amarelo, desta vez para António Silva.
É nos protestos. António Silva está a protestar, não sei se com a situação do segundo amarelo, se com alguma coisa anterior. O facto é que os protestos foram demasiados, obviamente, com gestos e palavras, e o árbitro mostrou o cartão amarelo e como disse, estes são aqueles que compete mesmo ao árbitro e eu aceito sempre como boas as decisões, sempre que são situações de protesto.
Pedro, vamos então para a nota, qual é a pontuação para a equipa de arbitragem?
Olha, o impacto que podia ter tido a não expulsão do Di María, de alguma maneira, e mesmo a questão do possível segundo amarelo ao Uhmann, acaba por perder um bocadinho de carga, por assim dizer, daquilo que poderia ter sido se, por exemplo, o Sporting perde ou se o Sporting empata, se calhar, viria algo mais a dizer-se sob o ponto de vista do Sporting, obviamente, que iria se focar na questão da expulsão do Di María. E por isso acaba por perder um bocadinho o impacto naquilo que podia ser uma decisão muito importante para o jogo e que foi uma má decisão não ter expulso o Di María. Por isso eu acabo por dar nota 5 ao Artur Soares Dias, que é uma nota positiva baixa, quase no negativo, porque ele tecnicamente esteve bem no que diz respeito ao importante, às situações de áreas. Falhou, no meu ponto de vista, no capítulo disciplinar, como disse, Di María e Uhmann podiam não ter acabado o jogo por motivos diferentes, um por vermelho direto, outro por acumulação de amarelos, mas acaba por perder um bocadinho o impacto dada a maneira como acabou o jogo. E nessa perspectiva, acaba por também ser valorizado aqui aquilo que também foram muitas e as boas decisões. Um jogo com 21 faltas, bastante pouco até, mas com nove cartões amarelos, um vermelho, mas todos justos de uma maneira geral. O jogo é difícil, não é um jogo qualquer e por isso dou também para valorizar um bocadinho a nota, não obstante o erro do Di María não ter sido expulso e também, obviamente, o Uhmann. Nota cinco.
E termina assim este Sem Falta, com Pedro Henriques a analisar a arbitragem do Sporting-Benfica. Pedro, boa noite e obrigado.
Boa noite e amanhã. Obrigado.