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Pedro Henriques, está na hora de mais um Sem Falta na Rádio Observador. Vamos terminar este mundial. A final foi esta noite, vitória espanhola por uma bola a zero, com arbitragem de Slavko Vincic, o árbitro esloveno. Vamos começar, Pedro, ao minuto 41, o primeiro amarelo do jogo para Lisandro Martínez, o argentino. Pedro Henriques?

Sim, estava aqui a falar, pois desculpe, eu ia fechar. Cartão amarelo bem mostrado ao Lisandro Martínez, porque põe a mão esquerda sobre o ombro direito do Oyarzabal e agarra e impede a progressão do avançado espanhol. É a chamada falta tática, que impede tal contra-ataque com o objetivo de só destruir a jogada e, portanto, foi uma boa sanção disciplinar, ou seja, bem mostrado o cartão amarelo.

Temos depois, Pedro Henriques, ao minuto 52, já na segunda parte, um amarelo para Paredes, que entrou já como se estivesse a perder a final por 4 x 0.

Exatamente. Sem que a bola estivesse jogável, isto é, a bola já não estava no sítio, faz uma carga incorreta com o braço direito nas costas do Rodri, derrubando, neste caso, o médio espanhol. É um complemento completamente incorreto, antidesportivo, sem bola e também foi bem sancionado com o respectivo cartão amarelo.

Temos depois, Pedro, ao minuto 66, num lance com Cubarsí na área da Argentina, no qual reclamaram um pênalti os espanhóis, sem motivo, na tua opinião.

Sim, para mim, sem motivo, embora houvesse ali o por-se a jeito, porque na parte final, o Cubarsí está a ser marcado por trás e ele já está em queda e a projetar-se para o solo, fruto desse contacto, mas para mim contacto sem falta, não há empurrão. E no momento já terminal, quando está perto do fim, vê-se que há uma mão direita a agarrar a camisola. Se fizermos essa imagem parada, toda a gente vai dizer: "Não, mas ele está a ser puxado pela camisola." Não, o fato é que quando há esse agarrar na camisola como ele está a cair para baixo, obviamente que a camisola fica esticada, mas não foi essa mão que teve a consequência de fazer a queda. Ou seja, o jogador cai porque assim que sente esse contacto, projeta-se claramente para o chão. E se virmos o filme, percebemos que a mão está ali na camisola nem um segundo, ou seja, é tão momentâneo. E nós sabemos que o critério foi bastante claro nesse sentido de deixar jogar neste mundial e portanto, estas infrações para serem realmente penalizadas, têm que ser muito claras e óbvias, quer para o VAR, quer para a equipa de arbitragem. E eu dou como boa a decisão de não haver pênalti neste lance.

E ao minuto 83 temos amarelo para Enzo Fernández, um amarelo por protestos do qual, acredito, o médio argentino vá viver o resto da vida arrependido.

Pois, porque é um lance em que ele nunca sabe o que podia ser a Argentina com menos um, como vai acontecer 10 minutos depois. De qualquer maneira, o Enzo Fernández vê aqui um cartão amarelo de uma forma que não faz sentido nenhum levar, que é uma bola que é metida em profundidade para ele, ele vai chocar com o jogador espanhol. Para mim, não há qualquer infração, não há qualquer obstrução, ainda por cima é no meio-campo, portanto, uma situação menor, vamos dizer assim. Uma coisa é protestar, que já por si só é cartão amarelo, mas a maneira como ele protesta, levanta o braço, é demasiado evidente toda a parte gestual, toda a parte física, para que o árbitro não mostrasse o respectivo cartão amarelo. Estávamos a aproximar do fim e o árbitro sente a necessidade de segurar o jogo e por isso as imagens não podem desmentir este primeiro cartão amarelo. E estou a falar assim disto porque como vais me perguntar já a seguir, vem o segundo.

Ao minuto 90 mais três, e daí também falarmos de arrependimento por parte de Enzo Fernández, um segundo amarelo já em lance de jogo corrido, já depois de uma falta e também a eliminar aqui as poucas perspectivas que a Argentina tinha de fazer alguma coisa no jogo. Não estava bem no jogo. Depois de ficar reduzida a menos um, mais difícil ficou, mas o que interessa aqui é a decisão técnica, Pedro.

Sim, e bem, foi correta a mostragem deste cartão amarelo, na ocasião o segundo, ou seja, consequente expulsão. É uma entrada negligente, não tem em conta o perigo e as consequências do seu ato, pé esquerdo à frente, sólico os pitões, acerta no pé direito do Pau Cubarsí, e quando nós olhamos para a bola, a bola nem sequer está lá. Ou seja, ele chega completamente fora de tempo, nem se pode dizer que está ali a bola mesmo para ser disputada. A bola já foi tirada de lá e portanto, completamente desnecessário e por isso cartão amarelo bem mostrado e neste caso, expulsão. Estávamos a dois minutos de terminar os cinco. O tempo que tinha sido dado pelo árbitro como tempo adicional.

Missão complicada para a Argentina que com menos um acabou mesmo por perder, e precisamente no prolongamento, por uma bola a zero. Tivemos depois ao minuto 97 um gol anulado à Espanha. Na tua opinião, bem anulado, Pedro?

Sim, para mim sim. Claro que as redes sociais já estão a bombar. Muitas pessoas não percebem que há um pisão, muitas pessoas não percebem por que o VAR não intervém.

Merino sobre Otamendi.

Exatamente. Primeiro, Merino sobre Otamendi com o pé esquerdo. O Otamendi está nas costas e o Merino quando faz a rotação, acaba por acertar com o pé esquerdo por cima, sobre o peito do pé, também esquerdo, do Nicolás Otamendi, e pisa, tirando o central argentino da jogada. Portanto, para mim é uma falta atacante que precede aquilo que depois vai acontecer a seguir, que é o gol. O árbitro interrompe o jogo, que é sempre um risco, mas de qualquer maneira, o árbitro viu aquilo, a bola ainda sobrou. Claro, que depois há o gol, mas o gol não é propriamente dito, sobrou e marcou. Há uma primeira defesa e depois há uma recarga. E o árbitro interrompe a jogada. E portanto, com isto, vamos imaginar que era incorreta a decisão do árbitro, o VAR já não pode intervir, porque o VAR só pode intervir.

Exatamente.

Exatamente, não deixou correr o lance. As indicações que são dadas aos árbitros é, se for uma situação iminente, que possam não fazer. Mas se tem uma infração e depois não há o gol logo imediatamente a seguir, se calhar o árbitro depois de ver isto, percebendo que numa segunda recarga houve mesmo gol, se calhar teria deixado ir até o fim, marcando na mesma a falta. Mas ele foi muito convicto e viu bem. No meu ponto de vista, o gol é bem anulado, porque há um pisão. Não vou estar a dizer que o Otamendi se pôs a jeito, como outras pessoas dizem que ele colocou o pé lá de baixo. Não, há alguém que pisa de cima para baixo e com esse pisão retira-se um jogador que está atrás da jogada, impede. Portanto, esse corte, para mim, gol bem anulado à Espanha.

Também no prolongamento e a fechar os lances em análise nesta final do mundial, 113 minutos, golo anulado à Espanha, que já vencia por 1x0 e poderia assim ter selado o caminho da ansiedade até à conquista do mundial. O que é certo é que Ferran Torres acaba por estar fora de jogo. Foi meio ombro e meio a nuca, Pedro.

Sim, é uma bola passada em profundidade. Eu penso que é para o sete da Espanha que está em fora de jogo.

Eu acho que é Ferran Torres, precisamente.

Ok. Não é isso que eu queria dizer. Acho que é o Lamine Yamal que faz a assistência.

Ok, exatamente.

Peço desculpa. O Lamine Yamal faz a assistência, o jogador espanhol está adentrado em relação ao penúltimo adversário. Na ocasião, parece-me que era até o Leandro Paredes. O assistente esperou que a jogada fosse até ao fim, depois levanta a bandeirola e o VAR acaba por confirmar. Mas isso para dizer o quê? Para dizer que nós, nesta nova tecnologia e para este mundial, não só o fora de jogo é semiautomático, como os árbitros assistentes estão ligados a um sistema de inteligência artificial. Aliás, todo o sistema está ligado a inteligência artificial, que faz com que o assistente, em direto, no momento, sempre que há um fora de jogo, que seja acima de 10 centímetros, receba a informação de offside. E aí, os árbitros assistentes tiveram indicações para levantar logo a bandeirola, para não deixar a jogada ir até ao fim. Para quê? Para evitar aquela coisa que é uma corrida, depois há uma lesão, ou seja, aqueles bocados que às vezes acontecem quando o jogo já vai ter que ser parado por causa do fora de jogo e tudo o que vem para aí é escusado, e às vezes há lesões, há jogadores que fazem mais um sprint, etc. Tudo o que for fora de jogo abaixo dos 10 centímetros, a tecnologia diz delay para que o árbitro assistente deixe ir até o fim a jogada e faça aquilo que está cumprindo o protocolo para levantar. Por quê? Porque a tecnologia consegue detetar se o jogador está à frente ou não, mas não consegue detetar, por exemplo, se um jogador que está à frente está em fora de posição e depois não intervém na jogada e depois vem outro e marca. Isso a tecnologia não consegue. A tecnologia consegue ver quem está à frente, mas não consegue fazer a interpretação dos foras de jogo, nomeadamente as situações em que os jogadores que estão em fora de jogo podem tocar ou não podem tocar, etc. E nessa perspetiva, estes foras de jogos à queima, para também dar margem de manobra, porque não vá a tecnologia ter alguma problemática, eles dão o delay e deixam ao árbitro assistente o critério. Normalmente, quando eles dão o delay, eles vão mesmo levantar a bandeirola, porque se é delay, significa que é um fora de jogo, por pouco que seja. E cumpriu-se aqui o protocolo e cumpriu-se uma tônica deste mundial, que foi muita tecnologia a serviço da videoarbitragem. Uns criticam, mas eu sou daqueles que defende tudo que possa ajudar na tomada de decisão.

Resta saber que nota merece Slavko Vincic.

Nota 7, porque eu diria que os gols foram bem anulados. Os árbitros assistentes também tiveram bem no fora de jogo. As decisões na área foram boas. A expulsão, sob o ponto de vista disciplinar do Enzo, é imaculada, no sentido que é correta. Isso é o lado positivo. O lado menos positivo, nem vou atribuir bem ao árbitro, é os seis amarelos e dois vermelhos que houve para argentinos, um vermelho depois do final do jogo, que tiveram uma atitude um bocadinho agressiva. Certo que o jogo teve prolongamento, isso também aumenta o número de faltas, mas o jogo terminou com 46 faltas, são números pouco normais, mesmo quando há prolongamentos. De qualquer maneira, eu acho que aquilo que é dizer-se que a Espanha ganhou, ou a Argentina perdeu, neste caso, porque o árbitro ou a equipe de arbitragem tiveram erros graves em relação ao jogo, como tivemos em outras ocasiões, não é real, ninguém pode dizer isso, e se o fizer, não está a ser intelectualmente honesto. A equipe de arbitragem esteve bem, podia ter sido mais criteriosa em termos disciplinares, se calhar aí a Argentina iria se dar menos bem, mas o fato é que ele esteve bem, sobretudo nos gols anulados e na expulsão do Enzo, e, portanto, tudo certo. Nota 7.

Nota sete para fechar este mundial. Na final, vitória de Espanha por uma bola a zero, também com uma boa prestação do árbitro esloveno. Estamos de regresso, Pedro Henriques, com a "Sem Falta". Acredito que no início desta época, venha já a começar com os jogos da Liga de classificação para a Liga Europa. Contamos contigo, Pedro, já em sede de competições nacionais e internacionais, mas sempre atrás das equipes portuguesas. Um abraço.

Um abraço. Obrigado.