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Este é o Sem Falta, programa do Pedro Henriques, que analisa a arbitragem nas partidas de futebol, com emissão especial de desporto aqui na Rádio Observador. Pedro, muito boa noite, bem-vindo de novo.

Boa noite.

Vamos começar a analisar o trabalho de António Nobre, foi o árbitro que esteve esta noite no Estádio do Dragão e começamos com o minuto 12 e um golo anulado ao Porto.

Sim, e bem anulado. Foi o árbitro assistente que levantou a bandeirola, cumprindo protocolo, depois da bola ter entrado na baliza. Percebe-se depois na repetição que no momento da assistência do Gabri Veiga ou do passe para o Órgan Sánchez, ele está muito adiantado, está vários metros, nem passaram as linhas, porque realmente o adiantamento é muito claro e óbvio, mas de qualquer maneira, o VAR limitou-se a confirmar a boa indicação e decisão do árbitro assistente.

Minuto 34, penalti para o Futebol Clube do Porto.

Sim, para mim, penalti bem assinalado. Há um momento de demarcação mútua, que é normal nestes emparelhamentos, entre o Murilo Sousa e o Samu. Naquele primeiro momento em que eles estão a controlarem-se mutuamente, há braços mútuos e há ali um momento que se pode dizer: "Mas o Samu também tem os braços no Murilo Sousa, tal como o Murilo Sousa tem no Samu". Mas depois, quando a bola descreve toda aquela trajetória e vai para o segundo poste, aquilo que fica evidente é que o Samu já não tem mais qualquer ação sobre o Murilo Sousa e ao tentar se desembraçar do Murilo Sousa, este, Murilo Sousa, com o braço esquerdo bem aberto, bem esticado, impede, em volta do tronco, o jogador do Futebol Clube do Porto. Fica a ideia até que pela camisola fora do corpo, que estará inclusivamente a puxar, embora a imagem aí não seja tão esclarecedora. Aquilo que é esclarecedor é que há aquele braço esquerdo a envolver, o impedimento da rotação do Samu e depois a queda, inclusivamente, do Murilo Sousa sobre o Samu. Para mim, boa decisão do árbitro em campo, sem ajuda do VAR. O VAR aqui limitou-se a confirmar a decisão.

Avançamos então para o minuto 36, na sequência do penalti e os tais amarelos que saem para Gabri Veiga e para Zé Carlos.

Sim.

Skaramussa, não é?

Exatamente. Esqueci-me de dizer que o Murilo de Sousa também por agarrar ou por envolver o Samu, viu também cartão amarelo, porque não se trata de uma situação em que o jogador esteja a tentar jogar a bola, aí é que há a despenalização da parte disciplinar. Aqui é porque tem este complemento desportivo, com o braço, e tudo que é braços, se houver infrações para cartões amarelos ou vermelhos, seja qual for a situação, mantêm-se. O cartão amarelo também ao Murilo de Sousa foi bem mostrado. E depois, como disseste, e bem, na sequência, há um complemento desportivo que nós inicialmente identificamos como Bednarek, porque realmente só se vê o Zé Carlos a ser advertido, vê-se o árbitro a mostrar o cartão para alguém e até inclusivamente a televisão depois passou Bednarek, mas depois a liga mais à frente vem confirmar que é Gabri Veiga. E quando eu fui recuperar o lance no fim, realmente o Bednarek não está lá, nem sequer está naquela zona. Nunca pensei ser para o Bednarek e mesmo sem vermos, confiando naquilo que é o site da liga, que há esse cartão amarelo para o Gabri Veiga, mas aqui o importante é dizer que foi por complemento desportivo um em relação ao outro. A televisão não mostra tudo, porque está a dar repetições do lance e nós não nos apercebemos, aceitamos sempre como boa esta decisão.

Depois, ao minuto 52, sai um amarelo para César Peixoto e também um amarelo para um adjunto do Futebol Clube do Porto.

Exato. Aqui também no direto só vimos o cartão amarelo para o César Peixoto. Muitas vezes esses cartões são por palavras dirigidas aos árbitros, mas aqui não foi o caso. Aqui foi uma situação em que o César Peixoto se terá envolvido com palavras em relação a tal adjunto do Futebol Clube do Porto, que depois mais à frente nós também, numa repetição mais à frente, vimos o árbitro, em termos televisivos, a mostrar o cartão amarelo e esse tal adjunto que não consegui identificar o nome.

É o Lino Godinho.

Desculpe?

Lino Godinho.

Obrigado, não sabia. Pronto, então o Lino Godinho vê o cartão amarelo, tal como César Peixoto, por palavras que dirigiram um em relação ao outro. E assim sendo, tudo certo. E relembrar só que há esta questão da tolerância zero para os bancos, muito enraizada e muito transmitida aos árbitros para tentar de alguma maneira parar com este descontrolo, que há muito emocional e de comportamentos menos corretos.

Há um lance que marca muito este jogo, o vermelho a Martim Fernandes, acontece ao minuto 69.

Sim, é um cartão vermelho claro. Eu percebo que os treinadores, obviamente, quando depois vão aos factos de interviews ou não concordem ou falem em critérios. Para mim, intelectualmente, isso não é muito honesto, porque se fosse ao contrário, obviamente que dizem sempre que está tudo certo. E não é muito honesto porque os treinadores, e se não sabem é porque não querem, porque as equipas todas receberam formação por parte da direção técnica da arbitragem. E logo passado meio duzia de jornadas, quatro ou cinco jornadas, o diretor técnico nacional teve o cuidado de publicamente, e também transmitir aos clubes, até com exemplos da segunda e da primeira liga, até errou em dois exemplos da primeira liga, que na altura estavam muito fresquinhos. Foi aquele lance do Porto vs Vitória, logo nas primeiras jornadas, em que há um lance que é para cartão vermelho de uma entrada em karaté do jogador do Vitória, que o árbitro na altura deu amarelo, e depois uma em que o Gonçalo Inácio sofre um penalti na área também de uma entrada de um jogador. Eu já não me recordo se foi Arouca, se foi Estoril, lembro que era uma equipa de amarelo, que entrou também com o sole, apitou, bem levantado e acabou por acertar até na zona lombar, na zona das costas do Gonçalo Inácio. E o diretor técnico nacional teve o cuidado, assim como o Conselho de Arbitragem, dizer que tudo que seja entradas em modo karaté, e foi a expressão que eles utilizaram, pitons soles bem na frente, que depois acabam por, de alguma maneira, seja no movimento ascendente, seja no momento descendente, normalmente até no momento descendente Que acertam com essa mesma sola, com esses pitões e sobretudo tudo que é essas entradas acima do joelho e com a bola que nem sequer está lá. E quando nós paramos o movimento e a imagem declara que ele está a acertar depois no Thiago Silva, a bola está bem afastada dali. Isto é para punir como conduta violenta e com cartão vermelho, portanto, está tipificado. Não é uma questão de interpretação, não vale a pena passar essa areia para os olhos de ninguém. Está claramente tipificado. Estas entradas são para cartão vermelho. E o árbitro, uma vez mais, e muito bem, sem ajuda do VAR, até porque é um lance que ele está a dizer que não há falta na área sobre o Rodrigo Mora, na área não, à entrada da área, e portanto, até pode estar um bocadinho desfocado em relação àquele momento em que o jogador Gil Vicente manda a bola em profundidade, mas está muito bem colocado, embora um bocadinho mais afastado, mas ângulo aberto e consegue ver esta conduta violenta. Por isso, cartão vermelho muito bem mostrado, porque realmente esta conduta violenta é para ser penalizada com este cartão.

Analisamos também uma queda de Rodrigo Mora ao minuto 78, mas sem penálti.

Sim, o Rodrigo Mora fica deitado lá no chão e fica-se com a ideia que poderia ter sido desarmado em falta, ter sido ponteapeado no pé, mas depois percebe-se que o Mohamed Bamba estica a sua perna esquerda e com a ponta do pé esquerdo desarma de forma correta o Rodrigo Mora, portanto, não havendo a tal infração para castigo máximo e tudo certo neste lance.

Vamos ao minuto 86 e ao terceiro gol do Porto. Tudo legal?

Sim, dois momentos para análise. O primeiro momento em que o desarme do Páblo Rosário sobre o Santiago Garcia é de forma correta, porque o Páblo Rosário utiliza apenas o seu pé esquerdo e ao tocar na bola, e aí depois recupera a bola, acaba por fazer com que esta fique prensada em relação ao Santiago, e daí o Santiago ter caído. E depois, na sequência, o William Gomes, que é quem vai fazer o gol, tem o momento em que o 39, o Boatswain, acaba por ponteapear a bola e a bola vai à barriga do William Gomes, que depois acaba por fazer o gol. E por que eu chamo a atenção para isto? Porque se realmente o Boatswain, ao pontear aquela bola, a bola mesmo que sem querer, acidentalmente fosse bater no braço do William Gomes, isto é, mesmo que esse toque fosse acidental, a regra é muito simples: se um jogador marcar diretamente gol ou imediatamente a seguir gol de uma bola que lhe tenha tocado no braço, mesmo que esse toque tenha sido acidental, o gol é sempre anulado. Não foi o caso, a bola foi à barriga do William Gomes e, por isso, este gol ao minuto 86, quer na recuperação do desarme de Páblo Rosário, quer na questão do William Gomes não ter tocado a bola com o braço, tudo certo, tudo legal.

E fechamos com um amarelo para Kvric, que sai ao minuto 93, quase no final mesmo.

Sim, exatamente. E bem mostrado, porque ele vai de perna esquerda esticada, com a sola, também com os pitões, passa de raspão, não tem nada a ver com a entrada que depois deu o vermelho, e acaba por de raspão tocar no pé esquerdo do Santiago Garcia. Não é tanto pela consequência, nem pelo contato em si, mas pela maneira como ele aborda o lance. E por isso o árbitro bem livre direto e cartão amarelo por esta entrada negligente.

Vamos à nota para António Nobre.

Vou dar uma nota muito alta, porque eu hoje, da mesma maneira que muitas vezes agarro nos setes e passo os passeios, porque os árbitros, decidindo bem, decidem com ajudas do VAR, ou seja, muitas vezes só o VAR que dá o penálti ou o VAR que dá o vermelho. Aqui tivemos dois momentos que para mim são fundamentais em termos de jogo e para o jogo, porque quer queiramos, quer não, o penálti, porque é o momento de quase de abre-latas, como se costuma dizer, em relação ao jogo, e depois a questão do vermelho, porque aí sim, transforma completamente o jogo e vocês já analisaram isso técnica e taticamente, ficou um jogo totalmente diferente. Se fossem duas decisões erradas, era complicado. Se fossem duas decisões certas com vídeo ao árbitro, ótimo, porque interessa é a decisão final, mas estas foram duas decisões corretas da decisão do árbitro. E nos tempos que correm, como costumo dizer, é quase uma raridade os árbitros conseguirem ter decisões tão relevantes e importantes no jogo sem ajuda do VAR. Isto é, o VAR limita-se a confirmar a boa decisão. E por isso, eu vou dar uma nota elevada e vou dar oito ao António Nobre, que regressou depois de 5 de dezembro, foi o último jogo que ele tinha feito da Primeira Liga. Regressa e regressa muito bem num jogo que até tinha uma previsibilidade de grau de dificuldade e que acaba por sair por cima. Nota oito para António Nobre.

Muito bem, nota oito para o árbitro que esteve neste Porto 3 Gil Vicente 0. Análise no "Sem Falta" do Pedro Henriques fica já disponível em podcast. Pedro, voltamos a contar contigo na próxima emissão especial de desporto aqui da Rádio Observador.

Um abraço. Até quarta-feira, obrigado.

Até quarta.