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Começa mais uma jornada da Liga Portugal Betclic. Aqui não há meio-termo. As equipas não jogam bem nem mal, antes pelo contrário, são remates rasteiros, a meia altura, por cima da barra. Estádios bonitos, modernos, arejados. Fica na retina o cheiro de bom futebol. Liga Portugal Betclic, em nome do futebol.

Sem falta, Pedro Henriques fica disponível também através do podcast da Rádio Observador. Pedro, mais uma vez, muito boa noite.

Muito boa noite.

Analisando primeiro o jogo do Sporting. Sporting a ganhar 3 x 2 em Paços de Ferreira, o árbitro foi o Miguel Nogueira. Minuto 17, amarelo para Vahanian. Primeiro lance de análise.

Deixa-me só puxar aqui para baixo. Afirmei que ia pôr em primeiro lugar pela parte cronológica. Ok, tranquilo. O primeiro cartão amarelo para Vahanian e acaba por ser bem advertido por uma simulação na área do Paços. É aquela situação em que ele está na área e tenta ganhar um pontapé de pênalti, quando depois de adiantar a bola com o pé esquerdo, acaba por se projetar para o solo e com o seu próprio pé esquerdo, com o qual tinha tocado na bola, acaba por ir bater nas costas do Costinha, que estava no solo. Portanto, é uma clara projeção para o solo, é uma clara simulação e bem mostrado o cartão amarelo.

Gol do Sporting, minuto 22, algo a dizer do lance de bola parada?

Sim, é a tal situação de um pênalti seguido de gol. Ou seja, o Gonçalo Cardoso entra fora de tempo e pisa o Vahanian, com o pé esquerdo pisa o pé direito, portanto, era motivo para pontapé de pênalti. Só que a bola sobra para o Pedro Gonçalves, que ato contínuo, digamos que ajeita a bola, e quando digo ajeita, com o pé, obviamente, e faz um remate e faz gol. A explicação é simples: não há, por norma, embora isso não esteja escrito, mas é por indicação aos árbitros, não deem a lei da vantagem nas situações de pênalti, sendo pênalti, assinala-se o pontapé de pênalti. Mas o que é isto dar a lei da vantagem? Dar a lei da vantagem significa que o árbitro vê uma falta, que a bola sobra pra mesma equipa e o árbitro para mostrar que está a dar uma lei da vantagem, estica o braço, ou um ou os dois, no meu tempo era dois, agora pode-se dar a permissão de ser só um, que dá mais jeito até para correr e dar a lei da vantagem, e ao mesmo tempo, para além de materializar através desse gesto, que é esticar o braço pra frente, normalmente verbaliza qualquer coisa como "siga" ou "joga". É isto que mostra publicamente que está a dar uma lei da vantagem. Para evitar-se que um árbitro dê uma lei da vantagem e depois, a seguir, repare, não marca o pênalti, dava uma lei da vantagem e depois não era gol, para evitar-se essa questão, porque aí a gente queria o pênalti, obviamente, o que é que se diz aos árbitros? Se perceberem que a bola sobra pra um jogador que pode fazer imediatamente ou na sequência gol, não façam lei da vantagem, façam um compasso de espera, ou seja, uma espera mental no sentido de retardem o apito um, dois, três segundos no máximo antes de apitar. Portanto, sem dar materialmente a lei da vantagem. Se o jogador que a seguir pode fazer gol, fizer gol, vocês validam o gol. Foi o que aconteceu. Se porventura esse jogador não fizer o gol, tem todo o tempo para puxar o apito à boca e marcar o tal pênalti. Portanto, é esta que é a técnica de arbitragem em relação a esse lance. E o árbitro aqui revelou experiência, que é muito difícil um árbitro, no momento de tensão e de grande decisão como é um pontapé de pênalti, ter esta capacidade rápida de leitura que é: sim, pênalti, a bola está a sobrar para o jogador, pode fazer gol, retarda o apito, vê, foi gol, válida, não foi, apita e marca o pênalti. Mas o árbitro esteve muito bem aqui neste lance e esta explicação um pouquinho mais demorada para as pessoas perceberem como é que tecnicamente é possível aos árbitros fazer nestas situações.

Para fechar a primeira parte, cartão amarelo ainda para Morita.

Se calhar fui eu que saltei aí também um cartão amarelo.

Não, para o Anilson.

Anilson, pronto.

É verdade.

Mas junta já os dois. Anilson é o minuto 26.

E o outro aos 45. Exatamente.

Ok, Anilson, em pentetrada em take, deslizando sobre Ricardo Mangas, não obstante ter tocado na bola, as pessoas ficam na dúvida, mas ele tocou na bola. A maneira como abordas um lance em que uma bola está disponível, não é um jogador que leva a bola, é uma bola que está disponível para ambos os jogadores procederem lá chegar. E tu não podes abordar de qualquer maneira o lance. E ele abordou em take deslizante a varrer. Toca na bola e com a perna varre o Mangas, o Ricardo Mangas. E por isso, bem o árbitro a marcar ou neste caso, a mostrar o cartão amarelo. Em relação ao Morita, é o lance que eu tenho muitas dúvidas, que é que o CA fique com dúvidas, as posições são de longe. É uma situação sem bola, o árbitro está muito perto e é só benefício de dúvida. O CA ficar a queixar-se da cara, provavelmente terá havido esse contacto na cara, mas com as imagens ao longe e, portanto, sem qualquer hipótese de ter certezas, fica a ideia que é na movimentação que há esse choque meramente casual e não aquela sensação de passar por alguém e abrir o braço para lhe acertar. O árbitro está muito próximo e esse é o benefício de dúvida que eu dou ao árbitro.

Em relação ao gol do Paços, há aqui caso. Minuto 49. O que é que aconteceu?

É um lance em que, honestamente, vai haver divisão de opiniões, garantidamente. Está três momentos para análise e eu acho que os três momentos são todos irregulares, mas não havendo melhores imagens, eu vou dizer que há erro e que o gol não devia ser validado. Mas percebo, para o árbitro em jogo chegado, e sem VAR, percebo toda a análise que ele faz. Primeiro lugar, é a maneira como o Mota ganha a bola sobre o Allison. E o Allison quando está a saltar e sem os apoios no chão, o Mota coloca-lhe o braço esquerdo nas costas. Se eu tivesse o jogador no chão com os pés apoiados, provavelmente aquele contacto nas costas faz com que o jogador nem se mexa. A questão é que quando o jogador está no ar E sofre aquela carga nas costas com o braço, é o suficiente, é só ver na imagem, para o jogador que ia claramente cabecear a bola. Ele tinha feito o salto para cabecear a bola e aquela carga nas costas é suficiente para o meter um pouquinho mais à frente, o suficiente para a bola já não ser interceptada pela cabeça e vir passar pelas costas. Por isso é que é falta. Depois, a bola, na sua trajetória descendente, ainda por cima é controlada. E quando eu digo controlada, eu sei que o Mota não fez aquele gesto deliberado para dominar a bola com o braço. O fato é que a bola, no seu momento descendente, vai ao braço esquerdo, em zona que é punível, e é essa bola que é tocada no braço esquerdo, que depois faz uma recepção e uma amortização da bola, ou seja, ele fica com a bola disponível, dominada, em função desse toque no braço. Aqui é mais discutível, porque não tendo sido intencional, deliberado, e sendo sem querer, mesmo tendo ficado com a bola disponível, muitas vezes a ideia não se pode punir, mas o fato é que ele domina a bola e fica com a bola jogável. O mesmo Mota, que depois, no seguimento da jogada, vai passar a bola para o Lumung. E portanto, o Mota aqui tem papel preponderante nesta jogada. Lumung, que parece estar adentrado em relação ao Vahanidis, que é o jogador no lado contrário, que poderia estar em colocá-lo em fora de jogo ou em jogo, mas sem linhas, com imagens que nós sabemos que muitas vezes dá erro para lá. Eu não tenho a certeza se está fora de jogo. Parece-me. Para o árbitro assistente, bem o que ele fez, porque se é um lance no limite, voltamos à fórmula antiga, em que deve-se "beneficiar" a equipa que ataca. E, portanto, o assistente cumpriu. Agora, é um lance que me parece, em toda a sua construção, irregular. Eu vou dar como irregular, sendo que muito difícil, e aqui fazia muita falta o VAR.

Muito bem. Seguindo para o último quarto de hora até o minuto 90, minuto 76, amarelo para Diomande.

Sim, é um empurrão nas costas, que acaba por tirar o jogador do passo da jogada. E esta carga vem no seguimento de outras faltas que o Diomande já tinha feito e o árbitro até já o tinha avisado. Eu admito aqui duas coisas, o infringir com persistência as leis de jogo e, por outro lado, o fato de, embora o jogador do passo estivesse de costas para a baliza adversária e estava ainda no seu meio-campo, o fato é que tinha dois jogadores de um lado e outro jogador do passo do outro, a quem podia tabelar e fazer sair esta jogada em contra-ataque. Portanto, é um misto de infringir com persistência as leis de jogo e falta tática.

Entretanto, amarelo também para Nito, minuto 87.

Falta tática, trava claramente o Trincão quando ele sai em contra-ataque.

E minuto 100, já no prolongamento, não há penalti do Tiago Ferreira.

Não. É um remate do Pedro Gonçalves, que depois até vai reclamar junto do árbitro. O Tiago Ferreira realmente leva com a bola na mão esquerda, mas tem o braço ao longo, encostado, junto ao corpo, sem qualquer volumetria. Ainda por cima, o remate é feito perto, que nós dizemos que é à queima, tecnicamente chamamos de bola inesperada. Tudo legal, sem penalti.

Falta tática de Pote, minuto 62.

Claramente. Sobre o Nito, objetivo de travar também o contra-ataque.

E finalmente o amarelo para o Rafael Vieira, minuto 115.

Sobre o Fresno é aquela situação em que o Fresno já passou a bola e o Rafael Vieira vai contra ele, e portanto o árbitro viu e mostrou o respectivo cartão amarelo.

Só falta a nota de Pedro.

Nota cinco.

Nota cinco para Miguel Nogueira.

Antecipei. Nota cinco, porque há um erro, no meu ponto de vista, num gol e se calhar não sabemos se teria prolongamento, não teríamos. Não podemos dizer isso, até porque estamos a falar de uma situação no minuto 49, portanto havia muito jogo pela frente. A questão é que a equipa que passa acaba por ser o Sporting. E passando, digamos que este eventual erro, que eu considero que é erro, não tem impacto propriamente dito naquilo que é a decisão da eliminatória. De qualquer maneira, acaba por baixar-lhe a nota, porque o árbitro esteve bem em muitos lances, como este, que não foi penalti, como no gol do Sporting ao minuto 22, como na maior parte das situações disciplinares, e houve sete cartões amarelos. Há só um que eu tenho, ainda por cima, são dúvidas, nem sequer são certezas. O árbitro esteve bem, tem este lance, para mim, irregular, e por isso eu dar aqui como uma nota de cinco. Podia ser uma nota muito mais elevada se outra decisão tivesse sido no lance do minuto 49.

Entrega então este Sem Falta, nota cinco de Pedro Henriques para a arbitragem de Miguel Nogueira, no Paços de Ferreira x Sporting. A seguir, analisando o Saloniense Futebol Clube do Porto.