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Apito inicial para o Sem Falta hoje com o ex-árbitro internacional e audioárbitro Pedro Henriques, que esteve a acompanhar o jogo em direto do Estádio Dr. Magalhães Pessoa, Estádio Municipal de Leiria. Esta final da Allianz Cup que pôs frente a frente Sporting e Futebol Clube do Porto. Olhamos, como é hábito, para a equipa de arbitragem liderada por João Pinheiro, sendo que no VAR esteve Tiago Martins auxiliado por Fábio Melo. Pedro Henriques, vamos começar a análise dos principais lances de arbitragem deste jogo e começamos logo aos três minutos, num lance em que Pedro Gonçalves cruza a bola e a bola depois acaba por bater na barriga e no braço direito de Marcano. Não se percebeu muito bem quando aconteceu o lance, onde é que a bola tinha batido, mas no final de contas, aparentemente o lance foi legal, é assim?

Exato. Sem motivo para ponto de pé de penalti. Realmente a bola é cruzada, a bola bate na zona da barriga abaixo do peito e também no braço direito de Marcano, braço encostado ao corpo, ao longo do corpo, sem ganho da tal metria, que é um elemento essencial para a análise destas situações e, portanto, lance legal sem penalti.

Aos 13 minutos, outro lance com Pedro Gonçalves metido ao barulho, faz um passe para Edwards, que acaba por fazer o gol. No entanto, o VAR interveio para reverter a decisão. Parece que não foi gol, estava mesmo fora de jogo o Edwards?

Exatamente, temos a tecnologia e é para isso que serve. No momento do passe de Pedro Gonçalves para Edwards, o Edwards está adiantado 41 centímetros, razão pela qual o árbitro assistente não viu isso, obviamente, no jogo a decorrer e depois o VAR fez exatamente a sua correção e reversão, por isso, gol bem anulado ao Sporting, fora de jogo de Edwards por 41 centímetros.

Aos 31 minutos, cartão amarelo para Ugarte por uma falta tática.

Exatamente, é essa situação típica em que o Galeno ia galgar metros e o Ugarte apenas com o seu pé direito toca e derruba, ou neste caso, rasteira, o seu adversário, cortando aqui qualquer hipótese de saída em ataque rápido, cartão amarelo bem mostrado.

Uma primeira parte praticamente sem casos. Passamos desde já para a segunda parte, um minuto 58. A bola bate no peito de Gonçalo Inácio. Foi assim, foi dentro da área, era motivo para penalti ou não?

Não, realmente houve ali um esboço. Até foi o banco do Futebol Clube do Porto que mais reclamou, mais do que o próprio Galeno, mas realmente quando a bola é cruzada pelo Galeno, a bola não toca nas mãos nem nos braços de Gonçalo Inácio, vai ao peito e por isso lance legal sem penalti.

Aos 63 minutos, houve amarelos para Pepe e também para Paulinho. Um destes amarelos depois acabou por ser muito relevante no desenrolar da partida.

O cartão amarelo pro Paulinho é pela falta que faz, também no âmbito da falta tática, derruba o adversário, objetivo travar uma saída em contra-ataque. O Pepe foi pro barulho, pra confusão, como costumo dizer, e portanto, o árbitro considerou que aquela chegada do Pepe em relação aos adversários era um comportamento antidesportivo, exatamente pelos protestos. E por isso, cartão amarelo. Esse do Pepe deixo sempre como boa decisão, o do Paulinho, essa é clara.

E aqui entre o minuto 60 e o minuto 70, os amarelos saíram aos pares. Foi o que aconteceu também ao minuto 67, amarelo para Potts e para Wendel. Só amarelo ou deveria ter tido outra cor, Pedro?

Pois, devia ter outra cor. Aquilo que acontece é que nós aqui também no direto, eu fiquei pelos amarelos. Obviamente que estamos longe de ver o jogo, depois vamos vendo as imagens, vamos tentando fazer os acertos e as correções, mas à medida depois que eu também puxo as imagens pro meu próprio telemóvel pra tentar perceber melhor as circunstâncias, é um lance sem bola, portanto, é impossível para o árbitro ter a capacidade de verificar muito mais. Isto é um lance que só a televisão pode ajudar, e televisão chama-se VAR. Isto pra dizer o quê? Que o Wendel, naquele momento em que está ali com o Pedro Gonçalves meio embrulhado, quando o Pedro Gonçalves está de costas pra ele, o Wendel com sua mão esquerda, embora aparentemente aberta, e portanto, está nas costas e vai acertar em cheio no peito. Isto é uma conduta violenta, uma coisa é empurrar, um chega pra lá, um cabeça com cabeça.

E só pra ficar claro, isto aconteceu numa altura em que a bola não estava sequer nas redondezas destes dois jogadores.

Sim, o Pedro Gonçalves é pela resposta mais incorreta, antidesportiva, digamos que crespe o adversário, terá tido ali algumas palavras. O Wendel, com análise à televisão, é bom que se veja e que se perceba isso, realmente tem uma conduta violenta. Aquilo que ele faz é dar claramente, embora de mão aberta, dar com a palma da mão bem em cheio no peito do seu adversário. Isto é conduta violenta, é sem bola e, portanto, não há aqui um meio-termo.

E pode surgir algum castigo a posteriori ou ficou no jogo?

Não, isso fica no jogo. Neste momento, estas circunstâncias, os sumaríssimos, que antigamente chamavam sumaríssimos, praticamente deixaram de existir e portanto, a regulamentação arrumou isto. Aqui a questão é mesmo pro jogo. Portanto, isto era uma situação de VAR. No meu ponto de vista, é claro e óbvio o lance. Isto é, claro e óbvio, depois de se ver na televisão, depois de se ver com imagens, que é isso que o VAR tem que fazer. E na minha perspectiva, o VAR tinha que chamar o árbitro pra ir ao monitor e pra ele próprio fazer a interpretação. Pra mim, conduta violenta, cartão vermelho, ficou por mostrar ao Wendel.

Aos 72 minutos, houve mais um amarelo e este já tínhamos adiantado há instantes que tinha sido decisivo. Foi o segundo para Paulinho.

Sim, e bem mostrado o cartão amarelo. É uma situação em que o Paulinho, em ato de corrida e na frente em relação ao Otávio, claramente levanta o cotovelo e acerta com o cotovelo na cara do seu adversário. Não é agressão, é muito no limite, mas não é agressão, mas é claramente um comportamento incorreto, antidesportivo. Nós temos vindo a falar aqui muitas vezes que tudo que seja braços, mãos e cotovelos ao nível da cabeça, da cara, do pescoço, que é a tal zona de proteção, normalmente são punidas com o livre direto e normalmente são punidas também com o mínimo de cartão amarelo. Não se tratando de uma conduta violenta, é claramente um comportamento incorreto e desportivo, com intenção deliberada, não é no ato da corrida, ele levanta bem o braço e acerta na cara do seu adversário. Portanto, segundo cartão amarelo muito bem mostrado e consequente expulsão ao Paulinho.

Sendo conduta violenta, seria vermelho direto.

Exatamente.

E depois, aos 95 minutos, Talongo, houve aqui mais uma agressão depois a de Wendel ao Potts, que Talongo também numa agressão ao Otávio, que aconteceu aos 95 minutos.

Um lance em tudo semelhante a este que estávamos agora a falar, primeiro sem bola, dois jogadores que o Otávio vai a correr, vai na frente, o Talongue está na marcação e o Talongue também acerta com a mão no peito do seu adversário, lateralmente e, sobretudo, dá-lhe uma joelhada. Portanto, digamos, dá ali dois toques. Isto não é comportamento anti desportivo e incorreto. Isto entra nas condutas violentas, se quisermos até podemos considerar na parte agressão, mas é, sobretudo, a questão da conduta violenta, é muito mesmo uso excessivo de força, mas sem bola e, portanto, aqui nem sequer se está a tratar de uma situação em que dois jogadores estão a disputar a bola. E, portanto, este tipo de comportamento, este tipo de gestos, não podem ser aceites e também seria lance de televisão, porque para o árbitro é completamente impossível, que repito, é lance sem bola.

Este lance aconteceu aos 95 minutos. Otávio ficou estendido no chão praticamente até ao final do jogo e aos 96 minutos saíram mais dois cartões amarelos, um para cada equipa, para dois Gonçalos, para o Gonçalo Inácio e também para o Gonçalo Seves, depois de um sururu que se gerou à volta do Otávio.

Foi desse lance. Exatamente. É na sequência desse lance, é nesta sequência, por isso é que o Otávio ficou no chão, porque ficou queixoso, e depois gerou-se esta confusão. E nestes lances, normalmente aqueles jogadores que chegam primeiro, que se evidenciam e que levam muitas vezes ao ajuntamento, são aqueles que são penalizados. A distância que nós estamos aqui, mesmo com televisão, era tanta gente no barulho, que vou sempre dar como boa a decisão do árbitro, pelo menos penalizar um jogador de cada equipa que mais se evidenciou no lance.

Pedro Henriques, chegou então a altura, já estão vistos os principais lances deste Sporting 0, Futebol Clube do Porto 2. Fazeres também aqui o resumo, por assim dizer, e dar uma pontuação à equipa de arbitragem liderada pelo árbitro, que logo no início tinhas dito que te parecia uma escolha acertada para estar à frente deste Sporting Futebol Clube do Porto. Qual é a nota para a equipa do árbitro João Pinheiro?

Vou ter que dar nota quatro. Repara que são dois lances em que o VAR tinha mesmo que ajudar, porque são dois lances importantes e relevantes no jogo. É certo que aquilo que dependeu do árbitro mais diretamente, o segundo amarelo, o primeiro segundo amarelo Paulinho, que é uma decisão muito importante para o jogo, como nós sabemos, depois o jogo ficou diferente. O árbitro esteve bem nestas situações sem bola, a ajuda do VAR era essencial e, no meu ponto de vista, ficou aqui exatamente a ajuda por fazer e, portanto, os tais dois cartões vermelhos que para mim, depois de ver as imagens, são inequívocos, para o Evandro aos 67, para Talongue ao minuto 95. Daí a nota quatro.

Pedro Henriques, também conhecedor das leis do jogo, não só dentro, mas também fora das quatro linhas. Aconteceu algo que acabou por manchar também esta partida com tochas a serem arremessadas para perto do relvado. O Sporting poderá ser penalizado por causa deste comportamento dos adeptos?

Sim, o comportamento dos adeptos penaliza sempre as equipas, até quando é facilmente identificado em relação às pessoas claras. Normalmente multas financeiras. O que sabemos é que houve uma alteração numa lei, quase lei civil, vamos dizer assim, que vai haver criminalização, acho que é o termo correto, destes atos. Essa criminalização terá que ser sempre feita individual para quem eventualmente seja apanhado com esses artefactos ou seja lançado. Não sei se neste momento a lei já está em vigor, que eu recordo-me que quando se falou nisto no fim de semana a seguir, ainda não estava. Neste momento, aqui não tenho esses dados. Não sei se já é criminalização ou não. De qualquer maneira, hoje, com câmaras de vigilância nos estádios e com todo o policiamento, quando isto realmente tornar-se lei, obviamente que as pessoas individualmente vão ser penalizadas. São duas coisas distintas, a penalização individual, digamos que é quase da lei, isso há de ser feito quando realmente esta lei passar a ser exequível. E depois há a questão dos clubes, que normalmente são muito penalizados em termos financeiros, com multas bastante elevadas, quando este tipo de comportamento acontece.

Equipa de arbitragem liderada por João Pinheiro neste Sporting 0, Futebol Clube do Porto 2. Recordo a nota do Pedro Henriques para a equipa de arbitragem, nota quatro e, sobretudo, devido à falta de intervenção do vídeo-árbitro. Está feita a análise pelo Pedro Henriques, que hoje esteve in loco no Estádio Doutor Magalhães Pessoa, o Estádio Municipal de Leiria. Contámos mais uma vez, pari passu ao longo dos 90 minutos com a análise ao instante dos principais lances de arbitragem, que ficam também aqui todos compilados neste "Sem Falta". Pedro, até breve. Um abraço.

Até breve. Obrigado