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Está no ar mais um Sem Falta, da Rádio Observador. 24ª jornada do campeonato. Benfica deslocou-se à casa do Gil Vicente nesta segunda-feira para vencer por duas bolas a uma, num jogo sofrido que teve a liderança da equipe de arbitragem por João Gonçalves. Pedro Henriques, vamos ao primeiro lance deste jogo, logo aos oito minutos. Um alegado penalti sobre Orsini, a favor de Orsini, não me recordo deste lance.
Não, é um lance em que se fosse penalti era de Orsini, mas não há penalti, é uma bola de lançamento de lateral. O Elimbi, que está em situação de ataque, estamos na área do Benfica, dá um cabeceamento para trás e a bola aparentemente teria ficado ali prensada nas mãos ou nos braços do Orsini, mas depois com a repetição percebe-se que é no peito. E, portanto, a bola fica ali meia prensada entre os dois jogadores, sempre no peito do Orsini, nunca tocou com a mão ou com o braço e por isso tudo certo, sem penalti neste caso.
Ao minuto 23, não falamos de um lance de área, falamos de um lance em que, na tua opinião, ficou por mostrar um cartão amarelo a um homem do Gil Vicente, Santi García.
Sim, Santi García, exatamente. E este, no meu ponto de vista, já não tinha gestão. É uma situação em que o Santi García entra claramente fora de tempo e com a bola também já fora do sítio, pisa com o pé direito o tornozelo esquerdo do Otamendi. É uma entrada embora lateral ao tornozelo, negligente, passível de cartão amarelo, e ainda por cima um jogador que já tinha feito outras pequenas faltas e que devia ter sido sancionado disciplinarmente ou pelo acumular, mas acima de tudo por esta falta que ele fez, que é um pisão no tornozelo.
Ao minuto 34, tínhamos alegados penalti de Zé Carlos na área do Gil Vicente, muito reclamado pelo Benfica.
Exatamente. É este que o Mourinho reclama na flash interview e que depois muda um bocadinho logo a seguir na conferência de imprensa. Passa de um penalti claro para parece que, de forma rápida, que foi penalti. E depois de ele ouvir aqui o Sem Falta e depois de ver uma fotografia que eu vou publicar no outro espaço onde também escrevo, vai-se perceber que a bola é claramente no peito. Portanto, alguém que está preocupado com as classificações virtuais estava distraído e não fez o trabalho que devia ter feito. E é aqui é que tem que fazer o trabalho. E o trabalho que tem que ser feito é mostrar outras imagens para mostrar que quando o Sheldrum cabeceia de muito perto, a bola é interceptada com o peito de Zé Carlos. O que é que leva à ilusão do possível penalti? É que o Zé Carlos tem o braço direito completamente aberto. Mas depois, e a câmera por trás da baliza mostra isso, a interceção é feita com o peito e nem sequer há aquela questão de tocar no braço para depois estarmos aqui a analisar se estava aberto, se não estava aberto, se era de livre braço.
Se estava ou não estava, exatamente.
Exato. Não, a bola apenas, única e exclusivamente, tocou no peito e, portanto, bem o árbitro, bem o VAR, que afinal não foi beber um cafezinho, como disse o Mister Mourinh, estava atento, é um dos nossos melhores VARs e por isso esteve muito bem nesta decisão, o árbitro e na confirmação do vídeo ao árbitro. Não há motivo para apontar penalti.
Ao minuto 39, Pedro, amarelo mostrado a Otamendi que, na tua opinião, devia ter ficado no bolso.
Sim, aqui mostrou mal o cartão amarelo. O árbitro fica com a ilusão, pela maneira como o Santi García se projeta, que o Otamendi teria pisado o Santi, mas não pisou. É que o pé direito toca, sim, no pé esquerdo do Santi García, mas apenas uma, e este apenas entre aspas, obviamente, porque é um direto, uma rasteira, uma entrada imprudente. Imprudente significa apenas não tem a intenção e consideração para com o seu adversário e na lei 12 não há cartões nas imprudências, só há nas negligências. E portanto, o direto foi bem assinalado, a sanção disciplinar, no meu ponto de vista, foi exagerada, vamos dizer assim, e por isso mal mostrado este cartão amarelo.
Ao minuto 45 tivemos amarelo para César Peixoto num lance envolvendo o jogador do Benfica em que César Peixoto se dirigiu ao jogador do Benfica mandando-o apressar no lançamento.
Sim. O colega do Dédic dá um pontapé na bola para a bola ir na direção do Dédic pra ele agarrar e fazer o lançamento lateral. O Dédic vem a andar junto à linha lateral, depois dá assim um toquezinho quando ele recebe a bola com o pé, dois toquezinhos para levantar a bola para as mãos e faz as coisas na calma. E, portanto, não é o César Peixoto, nem é o banco do Gil. Isto aplica-se a todos, obviamente, que vai ter que dizer ao jogador para despachar, para seres rápido, seja por gestos, seja por palavras e da forma efusiva como o fez. E o Dédic depois, obviamente, faz o papel dele, que olha pra ele e pergunta-lhe: "Mas por que eu tenho que lançar?" Ou algo assim do gênero. E depois a partir daí juntou-se o granel.
É verdade.
E quando se juntou o granel, o César Peixoto, que foi quem potenciou isso, teve que ver o cartão amarelo e viu. Depois parece também ser um cartão vermelho para alguém do banco, mas não é das figuras principais.
Ao minuto 52 tivemos o gol do Gil Vicente, que esteve a ser analisado por eventual possibilidade fora de jogo, que não se confirmou. Resta saber se acertou o VAR.
Sim, tudo bem. Não há motivo para fora de jogo. No momento do cruzamento do García para o Hernández. O Hernández, além de me parecer, essa não dá bem para ver, que estaria atrás da linha da bola, mas mais importante é que o Hernández, que é quem finaliza, tem mais de dois adversários entre a linha de baliza e, portanto, automaticamente não estava em fora de jogo. E também foi uma verificação rápida, mas enfim, como o árbitro fez o sinal de linhas e esteve à espera, e é um gol, tinha que trazer aqui o lance, mas portanto é muito pacífico.
Ao minuto 57, Pedro, temos um amarelo mostrado a Facundo Cáceres, da equipe do Gil Vicente. Bem mostrado?
Bem mostrado, vem por trás e rasteira de forma negligente o Rafa Silva, canela esquerda na perna esquerda e quando o Rafa vem fazer aquela transição em contra-ataque, passar a linha do meio-campo, aliás, já tinha passado a linha do meio-campo, chamada a falta tática, cartão amarelo bem mostrado.
Temos depois, e agora sim, ao minuto 67, um alegado penalti, pediam os encarnados de Locão, guarda-redes do Gil Vicente. Não me recordo o lance, Pedro.
É aquele lance em que o Locão salta e depois até o Otamendi fica no chão a reclamar que teria levado com a mão na cara. Mas depois com as repetições é muito claro, o guardião dos gilistas ao saltar para interceptar a bola, toca com a mão direita na bola e depois ato contínuo, na queda, porque o Otamendi também foi lá ao cabeceamento, acaba por raspar com os dedos na cara. Nem sequer é aquela situação que às vezes acerta mesmo na cara, não. Portanto, tudo certo, o contato é na bola e o Locão não fez penalti, boa decisão.
Temos depois ao minuto 76, amarelo, desta feita para o homem que marcou o gol da vitória do Benfica, falo de Sheldrum. Bem mostrado?
Sim, é aquela entrada com o pé direito de sola no peito do pé do Zé Carlos, uma entrada em tackle, embora de perto, sola com os pitões, negligente e foi bem sancionada com o cartão amarelo.
Ao minuto 78, mais uma vez na área do Gil Vicente, pedia-se por parte do Benfica um eventual pênalti que resta saber se tinha motivos de existir.
Não, obviamente que os jogadores do Gil Vicente pediram. É uma bola em que o Sousa, jogador do Gil Vicente, ao cabecear, cabeceia a bola contra a sua própria mão esquerda e depois é que a bola ressalta e vai ao braço do Samuel Dalot, que está próximo do jogador, de costas e tinha o braço em posição normal, natural. Mas o fato de o cabeceamento não ter sido feito diretamente pro braço de Dalot tira qualquer hipótese de estarmos aqui a analisar o pênalti, porque o cabeceamento é feito do Sousa para a sua própria mão, e dessa para o braço do Dalot. Portanto, não há motivo para pênalti e boa decisão.
Temos ao minuto 87, amarelo para outro homem do Gil Vicente. Desta feita, Helimbi viu o sexto cartão.
Sim, o Helimbi é uma entrada sobre o Lukebakio. É aquela entrada no meio-campo, bem durinha, dois jogadores muito possantes e talvez por isso tenha tido mais impacto. Mas é uma falta tática, porque o objetivo foi dar o corpo às balas para destruir e parar aquela saída em contra-ataque e por isso é amarelo bem mostrado.
Minuto 91, amarelo para Abá do Benfica.
Sim, é junto à linha lateral, um pisão de forma negligente a um jogador que tinha entrado, que era o Joel Santo Fernandes e, portanto, cartão amarelo bem mostrado.
E a fechar os lances desta partida, Pedro Henriques, temos um eventual pênalti sobre Pavlidis, mesmo a fechar o jogo, num encosto com o jogador. Resta saber se havia motivo ou não para pênalti.
É o Helimbi com o Pavlidis, é um contacto lateral, não há empurrão, não há carga incorreta, são os dois a discutir a bola. De resto, o protesto foi quase nada por parte do Pavlidis, foi mais olhar do que propriamente protestar, mas de qualquer maneira houve um contacto legal, corpo a corpo, lateral, quando a bola está a sair pela linha de baliza e tudo certo, sem pênalti.
Pedro Henriques, resta saber que nota merece João Gonçalves depois deste Gil Vicente 1, Benfica 2, a contar para a 24ª jornada do campeonato.
Vou dar nota seis, uma nota positiva, baixo um valorzinho por causa da parte disciplinar. Eu diria que ele teve muitas e boas decisões nas áreas e, portanto, o VAR, o trabalho que teve foi só de confirmação, não foi para corrigir algum erro que a equipa de arbitragem tinha cometido. E a parte da irregularidade ou de menor acerto é na parte disciplinar, sobretudo naquelas duas situações, o amarelo mal mostrado ao Otamendi e o Santi García que escapou ao amarelo. Mas é um jogo que fica 2x1, um jogo difícil, que já sabia que ia ser, bem dirigido, apostou no deixar jogar, protegeu o contacto físico, mas quando assim é, sabe-se também que se comete alguns erros, nomeadamente em termos disciplinares. De qualquer maneira, nota positiva, nota seis, com o destaque para as suas e boas decisões nas áreas.
Nota seis para João Gonçalves, que apitou este Gil Vicente 1, Benfica 2, 24ª jornada do campeonato, Pedro Henriques. Amanhã por aqui estaremos também, mas em sede de Taça de Portugal, com um jogo daqueles mais quentinhos. Um grande abraço.
Exatamente. Um abraço, até amanhã.