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Sem falta, na Rádio Observador, vamos analisar o trabalho da equipa de arbitragem do jogo entre Sporting e Estrela da Amadora. Os Leões venceram a partida por três bolas a duas e conosco temos Pedro Henriques. Pedro, boa noite.
Boa noite.
Começamos aqui no minuto oito e eu pergunto se há penalty de Gaspar sobre Daniel Bragança.
Este é um dos lances, talvez o mais difícil do jogo, até porque como há um toque na cara do Bragança, as pessoas vão inevitavelmente fazer comparação, que está muito quente, com ontem Bruno Langa com João Neves, onde eu dei penalty e onde a maior parte das pessoas também acabaram por dar por penalty. Isto para dizer o quê? Para dizer que havendo semelhanças também há diferenças. Eu acho que há motivo para infração. Percebo o grau de dificuldade do árbitro na análise deste lance em jogo jogado. Fica a ideia de que aquela utilização do braço, neste caso por parte do Gaspar no Bragança, terá sido insuficiente para ser marcada a falta e percebo, provar que aquela questão da intervenção sempre que seja claro e óbvio, fique muito de interpretação. O que aconteceu foi que o Gaspar, quando o Bragança tinha a posse de bola, driblou entre dois adversários. Aliás, até fintou três, mas quando vai tentar passar por dois adversários, nomeadamente pelo Bragança, o Bragança estica claramente o seu braço direito e não é normal um jogador esticar o braço direito quando o outro tem posse de bola e vai passar por ele para impedir a sua progressão. E ao esticar o braço direito, não lhe acertou diretamente na cara, acertou-lhe na zona do peito e ao mesmo tempo que acerta no peito, isto é numa fração de segundo, toca também no braço do Bragança, que na sua movimentação acaba por fazer levantar o braço do Gaspar. Ou seja, há um toque direto no peito e ato contínuo vem à cara do Bragança, fazendo com que ele caia no chão. Não é normal um jogador ter o braço aberto, não é normal um jogador usar os braços para impedir a progressão de alguém que tem a posse de bola e ainda por cima com o azar de, ao abrir esse braço, acabar por fazer, em consequência direta, que o braço tenha batido ou que a sua mão tenha batido na cara do Bragança, fazendo o impedimento de forma muito imprudente da progressão do jogador do Sporting. Por isso, sendo um lance difícil, conforme expliquei da análise, e não querendo estar a estabelecer comparação com o lance de ontem, para mim, há claramente uma infração e por isso eu acho que é motivo para apontar pé de penalty, que fica por assinalar, compreendendo que no campo eu faria o mesmo, não daria nada, e que como VAR, o protocolo me impediria, por assim dizer, de intervir, não sendo claro e óbvio que é fundamental para que um VAR intervenha. Como não estou a obrigo do protocolo, estou a comentar um lance e como comentador, se me perguntam penalty sim, penalty não, e como não gosto de dizer que tanto faz ou aceita-se, não gosto dessas expressões, porque isso é passar a tomar a decisão para ambos os lados, eu dou como má a decisão e daria como boa a decisão de ser assinalado o penalty.
É o minuto nove. Há penalty de Jean Felipe sobre Mateus Reis?
Não há. Na sequência deste lance, a bola acabou por não sair e é praticamente dois lances depois que isto acontece. Basicamente, já dentro da área também, no fundo da mesma área, de ataque do Sporting, neste caso na área do Estrela, em que tanto o Jean Felipe, que vai à bola com o pé esquerdo, como Mateus Reis, que vai à bola com o pé direito, o Jean Felipe chega primeiro e toca claramente na bola primeiro. E por isso, retirando a bola de lá, não há aquilo que aparentemente poderia ter ficado a dúvida se era se tinha sido o jogador do Sporting a chegar primeiro ou que o Jean Felipe teria acertado no pé do Mateus Reis, que se ficou a queixar do seu pé direito. Não foi isso que aconteceu. O Jean Felipe toca claramente com o seu pé esquerdo na bola e retira a bola única e exclusivamente. Lance legal sem penalty.
E é o minuto 29. A bola entrou na baliza do Sporting, mas o lance estava anulado por falta sobre o Coates.
E a falta existiu. Realmente é uma falta que é muito evidente e que se vê a olho nu, como se costuma dizer. Portanto, o Léo Jabá carrega nas costas fazendo uma carga incorreta sobre o Coates que tinha a bola aparentemente dominada e o árbitro muito bem interrompe ali o jogo. As pessoas perguntam: "Mas não é de deixar ir até o fim para depois poder marcar a falta?", como acontece muitas outras vezes. Isso é a regra geral, quando se é no limite, quando é na dúvida. Esta falta é tão evidente, tão clara, o Coates tinha a bola tão dominada, que o árbitro fez bem logo em matar ali a jogada e interromper. E mais importante é que existiu mesmo a falta. E, portanto, por isso, livre direto a favor do Sporting. A bola quando entrou na baliza, já o jogo estava interrompido, também já não contava para nada, nem podia haver intervenção ao VAR. A decisão foi correta e neste contexto e nesta situação em concreto, foi bem o árbitro ter interrompido sem deixar a jogada prosseguir.
Seguimos para a segunda parte desta partida. Ao minuto 49 pergunto se consideras que houve penalty por braço de Coates.
Sim, o braço evidente e claro, e o penalty bem assinalado. É o lance típico em que um jogador, neste caso o Coates, tenta ganhar alguma volumetria usando o corpo, fazendo um take deslizante no momento em que o Léo Jabá vai fazer o cruzamento para a área e ele ao projetar o seu corpo para tentar interceptar a bola, e isso é legal, levanta demasiado o braço direito perfeitamente fora do plano do corpo e bem alto, bem levantado. Depois, quando a bola é cruzada, curiosamente, o braço direito baixa ligeiramente, vindo ao encontro e à interceção da bola. Portanto, não vou aqui discutir a questão de ser ou não ser deliberado, vou discutir aquilo que hoje está em causa em relação a estes braços, que é braços fora do plano do corpo, em posições não normais, nem naturais para o movimento técnico. E neste caso concreto, ele até baixou o braço. Nem sequer é a bola que vai ao braço, é o braço que baixa ligeiramente e vai à interceção da bola e por isso pontapé de penalty bem assinalado. De realçar que não há cartão amarelo, e bem, porque quando é situações de cruzamento de bola para a área, em que, entre aspas, vai para jogadores que poderão estar a disputar atacantes e defesas na área e que há um corte com o braço na bola, não há cartão amarelo. Da mesma maneira, com regra também deste ano, que é quando há um arremate à baliza, que não foi o caso, e que há um jogador que intercepta a bola com o braço, a não ser que a bola vá entrar na baliza, são coisas diferentes, também não há cartão amarelo. Portanto, são alterações que têm vindo a ser colocadas no futebol, e esta última foi desta época, exatamente para retirar amarelos de situações de mão, porque com a televisão e com o vídeo ao árbitro, vai-se descortinar mais situações de mão e mais vezes marcam essas tipo de faltas e é para evitar o maior número de cartões em situações em que, na realidade, não há um grande perigo propriamente dito e a bola desde que não vai entrar na baliza, está tudo ok.
Aos 66 temos um cartão amarelo mostrado aqui. Queres o que dizer, Pedro?
Sim, é uma falta atacante, a bola é metida, o Diomande tem a bola controlada, dominada, o Kika está nas costas e ele insiste muito na maneira como faz a falta, como agarra, como puxa e depois, ainda por cima, sai dali e vai se pegar com o Pedro Gonçalves. O árbitro mostrou não por ele se pegar com o Pedro Gonçalves, mas por esta atitude extremamente incorreta do Kika, que podia ter feito a falta e largado, mas não, fez aquela falta que demorou a largar. Este comportamento incorreto que muitas vezes disputa a situação do jogador para se tentar desembaraçar, acertar nele, na cara, etc. Muitas vezes gera conflito estas faltas muito persistentes. Portanto, o árbitro fez bem em mostrar aqui o cartão amarelo.
Em minuto 76 temos outro amarelo, mas a Pote.
O Pote entra de uma forma perfeitamente desabrida sobre o Léo Jaba. Acaba por não lhe acertar bem em cheio, senão até estaríamos a falar de outra cor, mas é aquele salto bem em tackle, todo no ar, sempre muito arriscado, e a maneira como ele saltou, como ele se projetou e como, embora depois tenha dado um toque que não foi tão grave quanto isso, mas pela entrada em si, perfeitamente negligente, cartão amarelo bem mostrado.
No minuto 79 temos um golo de Paulinho.
Sim, por ser um golo importante e decisivo, de realçar aqui a questão que no momento do passe do Edwards, o Paulinho está claramente em jogo e, portanto, não houve nem necessidade, em termos de televisão, a transmissão televisiva parou-se aí mais no momento do passe do Edwards, para se perceber que o Paulinho estava claramente em jogo, mas depois a sede do futebol nem foi colocar a questão da linha de fora de jogo, porque estava evidente a olho nu que o golo foi legal. Mas por ser um golo importante e decisivo, também quisemos trazer aqui, até porque na transmissão televisiva parou-se aí mais no momento do passe para se perceber exatamente isso.
E terminamos no minuto 90. Pedro, aqui também tens algo a apontar.
Sim, o minuto 90 é aquela bola cabeçada que eventualmente podia ter entrado na baliza. Penso que foi até o Trincão que cabeceou. Ficou-se na dúvida. Nenhuma imagem, obviamente, que esclareceu perfeitamente. Não há tecnologia de linha de golo, relembrar isso. Não há essa tecnologia que, por exemplo, é utilizada na Liga dos Campeões. Ficará sempre ao critério do árbitro, do árbitro assistente que está no ambiente e, obviamente, do VAR, com todas as câmaras disponíveis. As repetições, nenhuma delas demonstrou claramente que a bola teria ultrapassado completamente a linha de baliza, mas pela transmissão ficámos com a ideia que a bola não entrou. E obviamente que o VAR, com melhores imagens, acabou por confirmar isso. Mas fica-se exatamente com essa ideia de que não entrou. De resto, não houve muito protesto, mas trazer também este lance, porque foi um lance importante e relevante do jogo.
Pedro, vamos então para a nota. Qual é a pontuação que dás à equipa de arbitragem?
Eu mesmo assim vou dar assim, que eu gostei da arbitragem. Repare, temos um jogo com 13 faltas e apenas dois cartões amarelos. Que é muito pouco e ainda bem que de vez em quando há estas coisas boas. A nossa liga normalmente tem mais de 30 faltas, tem sempre cinco, seis cartões amarelos, no mínimo, e de repente tens o jogo que foi intenso, foi disputado até ao fim, com resultado incerto e tens um jogo com 13 faltas e dois cartões amarelos. Isso revela bem do espírito do árbitro em relação ao jogo, que teve sempre o jogo controlado disciplinarmente. É importante que isso tenha acontecido. Decidiu bem. Achei-o muito seguro na maneira como tomava as suas decisões, na maneira como se relacionava com o jogo e com os jogadores. Tem este lance que é sempre discutível, se calhar até subjetivo, que é este lance do minuto oito, em que eu compreendo perfeitamente a decisão dele em terreno de jogo e inclusivamente a do VAR não intervir. Mas como eu disse, só dou cinco, pois era claramente um jogo para sete ou para oito, mas partindo deste pressuposto e deste princípio, que eu acho que é motivo para pontapé de penalty, acabo por dar nota cinco. Mas uma arbitragem muito competente, no meu ponto de vista, e muito segura do André Narciso, que apareceu num grande momento de forma, na minha perspectiva, e que soube gerir muito bem o jogo.
E assim termina este "Sem Falta" com Pedro Henriques, a análise da arbitragem do Sporting Cristal da Amadora. Pedro, boa noite e obrigado.
Boa noite, amanhã.