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Este é o Sem Falta da Rádio Observador, sempre com o Pedro Henriques a analisar o trabalho, desta vez, de David Silva, que esteve a liderar a equipa de arbitragem neste Sporting-Casa Pia. Uma partida que acabou em vitória para os de Alvalade, três a zero. Pedro Henriques, muito boa noite, bem-vindo.
Boa noite.
Vamos começar pelo minuto 12 para analisar este amarelo que não saiu para Nsona.
Sim, o Kelly Nsona tem uma entrada fora de tempo e com o pé direito acaba por pisar a zona do pé e tornozelo esquerdo do Geny Catamo, isto no corredor direito do ataque do Sporting. O árbitro deu olhada à vantagem, e bem, mas na primeira interrupção devia ter mostrado o cartão amarelo por esta entrada negligente. Não mostrou e falhou neste caso.
Logo depois, praticamente no mesmo minuto, há um amarelo para o José Fonte.
E é por isso que o árbitro, se calhar, não mostra o primeiro amarelo, que devia ter mostrado, não invalidava, porque logo a seguir a jogada termina com este falta e cartão amarelo ao José Fonte numa zona central fora da área, obviamente, mas numa zona central e próximo da área, em que o José Fonte, com o pé direito, acaba por pisar a ponta do pé esquerdo do Francisco Trincão. E o árbitro aqui assinalou livre direto e cartão amarelo, mas isso não invalidou que a entrada anterior, que tinha uma entrada negligente, não fosse também sancionada com cartão amarelo.
Ao minuto 25 também faltou um amarelo para um jogador do Casa Pia, desta feita Cassiano.
Sim, é um lance de televisão, é um facto, mas o Cassiano é daqueles lances que se percebe que os jogadores têm que conseguir evitar, porque é muito evidente. O Cassiano, ao saltar, vai mesmo com o seu braço direito à frente e de forma mesmo deliberada acaba por acertar na cabeça do João Simões. De resto, ele ficou lá a queixar-se. É uma entrada completamente despropositada e negligente, desnecessária, diga-se de passagem, mas passível de cartão amarelo e que o árbitro também não mostrou aqui.
Ao minuto 30 não há penalty de David Sousa.
Sim, é de um pontapé de canto, o cruzamento da bola, Gonçalo Inácio cabeceou a bola e a bola, o esférico, vai bater no braço direito do David Sousa. Uma bola, primeiro, que é cabeceada de muito perto. Nós dizemos que é uma bola inesperada, à queima, sendo que também o braço estava dobrado e junto ao corpo e, portanto, sem qualquer tipo de voluntariedade. Boa decisão, sem motivo para penalty.
Ao minuto 43 surge o segundo gol de Geny Catamo, do Sporting. Há ali algumas dúvidas, mas é legal.
É legal. O Gonçalo Inácio quando faz aquele passe em profundidade pro Geny Catamo, ele está em posição legal, portanto não há fora de jogo. O João Goulart está a validar a posição por 40 cm e, portanto, tudo certo.
Vamos para a segunda parte. Ao minuto 69 há um fora de jogo de Geny e um gol anulado.
Sim, ao minuto 69 o gol é bem anulado, neste caso à equipa do Sporting, ao Geny Catamo. Nós pelas imagens do ONU percebíamos que estava claramente adiantado e depois com as linhas fora de jogo, que eram praticamente desnecessárias. A cidade do futebol disse que foi por 94 cm que havia fora de jogo e, portanto, tudo certo.
É quase um metro. Minuto 73, não há penalty sobre o Suárez.
Sim, exatamente. O Sebas Pérez estica a perna direita e só com as repetições se consegue perceber que ele, quando põe o pé no chão, no solo, não pisa o Luís Suárez, mas também com a perna não toca, não rasteira o avançado colombiano do Sporting e, portanto, o Luís Suárez fica a sacastar de ter sido pisado ou rasteirado, mas as repetições são claras, o Luís Suárez não é tocado nem rasteirado e, portanto, não havia motivo para pontapé de penalty.
O Casa Pia poderia ter tido o seu gol de honra ao minuto 83, mas foi anulado a Clau Mendes. E bem.
Sim, está adiantado por 42 cm, portanto o VAR vem confirmar isso, mas de realçar tanto no gol anulado ao Geny como no gol também validado ao Geny, que os árbitros assistentes, e agora a mesma coisa, nos dois gols anulados levantaram a bandeirola, no gol validado não deram fora de jogo, ou seja, a decisão em campo dos árbitros assistentes foi sempre correta. O VAR limitou-se a confirmar e neste caso confirmou também a boa decisão em campo do árbitro assistente e confirmou que foi por 42 cm que estava também adiantado.
Analisamos também ao minuto 86 o amarelo a David Sousa.
Sim, este cartão amarelo mal mostrado. É uma situação em que o David Sousa não faz qualquer falta sobre o Giorgi Kvilitaia e, portanto, no limite, o Kvilitaia é que se projeta e simula uma falta. E, portanto, não só o cartão amarelo é mal mostrado, como, no limite, teríamos o Kvilitaia a ser advertido com cartão amarelo por simulação.
Ao minuto 89 há um vermelho mesmo para Clau Mendes. Este não deixa dúvidas.
Sim, não deixa pelas repetições. É uma das repetições que é mais feliz no sentido de mostrar a situação. O Clau Mendes com a mão direita acaba por agredir, acertar na cabeça do Giorgi Kvilitaia. É uma conduta violenta, bem sancionada. É um lance muitas vezes difícil de ver pra o árbitro, porque a bola não tá lá e, portanto, o árbitro se tivesse a seguir a bola, obviamente, e não tivesse, se calhar De olho na circunstância, podia não ter visto. Estes lances são perfeitamente desnecessários para os jogadores que têm estas condutas violentas, porque mesmo que façam sem que o árbitro veja, porque as bolas não são de lá, eu diria que em cada 10 novos, nove vezes os árbitros não veem, mas não se podem esquecer que o cartão vermelho, as agressões e as condutas violentas fazem parte do protocolo e há um VAR. Normalmente, o VAR iria com certeza verificar a situação. De qualquer maneira, o mais importante é que o árbitro, e depois o VAR confirma, esteve bem ao mostrar aqui o respectivo cartão vermelho.
Vamos ao último lance desta partida, porque poderia ter surgido um pênalti sobre o Suárez, que só não é porque na jogada anterior há um fora de jogo do Daniel Bragança.
E é engraçado que o Bragança disse ao árbitro que estava fora de jogo. Não sei se aperceberam isso na transmissão.
Não, mas é uma boa atitude.
Há ali um momento de conversa, ou seja, o próprio Bragança está a dizer ao árbitro que estaria adiantado, que tinha essa sensação. Porque às vezes os jogadores não têm esse feeling, muitas vezes reclamam não só por reclamar, é porque acham mesmo ou que estão em jogo ou que estão fora de jogo. Mais importante, o que ele faz falta sobre o Luis Suárez, que seria adiantar e, portanto, seria para apontar pênalti, mas como disseste e bem, na construção da jogada, o momento antes, e na mesma fase de ataque, por assim dizer, o Daniel Bragança faz uma recuperação de frente para trás e está em fora de jogo. E neste caso concreto, primeiro, o fora de jogo é uma situação factual, o árbitro nunca tem que ir ao monitor para verificar o fora de jogo. O pênalti já não é factual, aí o árbitro teria que ir ao monitor para confirmar se era pênalti ou não, mas como o fora de jogo é antes do pênalti, o VAR limita-se a explicar: "Olha, aqui há pênalti, mas há fora de jogo antes". Para que não recomeçasse o jogo com fora de jogo, ou neste caso com o braço no VAR e com livre indireto, podia deixar dúvidas às pessoas, o árbitro, também de acordo com o protocolo, fez aquilo que tem que fazer e que é bem feito, que é abrir o microfone e diz: "Há realmente pênalti". Neste caso, eles não dizem os nomes dos jogadores, dizem os números, mas neste caso do Cali sobre o Luis Suárez. Mas antes, há uma posição de fora de jogo, também disse o número, neste caso do Bragança, e por isso, tudo certo naquilo que é anular. E assim as pessoas perceberam que vai-se recomeçar com o fora de jogo, mas que o pênalti foi visto e que só não foi assinalado porque havia fora de jogo. Correta aqui a intervenção do VAR.
É um jogo em que diria a arbitragem não teve grande influência nenhuma neste 3 x 0, mas que nota é que atribuís ao trabalho do David Silva?
Eu vou dar nota seis, porque na prática nós tivemos aqui dois cartões amarelos que ficaram por mostrar e tivemos aqui um cartão amarelo mal mostrado, o que tornou aqui um bocadinho mais irregular. Mas depois temos, pelo lado positivo, este último lance em que o VAR surge em grande, ou seja, o árbitro não conseguiu ver o pênalti, o assistente não viu o fora de jogo. Mas na prática, depois temos os árbitros assistentes a validarem um gol ao Geni e a anularem dois gols, um ao Geni e um ao Clau, muito bem. Portanto, bem os árbitros assistentes, na maior parte dos casos e nestas situações de fora de jogo. Temos o árbitro bem numa situação que é sempre importante, que é um cartão vermelho, e aí também esteve bastante bem. Portanto, temos árbitro bem no vermelho, os assistentes bem nesses três momentos de fora de jogo, dois gols anulados e um validado. Temos o VAR bem quando foi preciso chegar à frente e dizer: "Pênalti, sim, mas antes fora de jogo". E só esta parte dos cartões amarelos, alguma irregularidade. Mas cumpriu e eu diria que no final, como tu dizes e muito bem, não teve qualquer impacto, não tem qualquer influência no resultado. E diria que o árbitro e o VAR acabaram por cumprir naquilo que é essencial. Mesmo aquelas falhas disciplinares acabam por ser dissolvidas, vamos dizer assim, naquilo que no fundo foi o essencial e que foi o mais importante. E por isso, vou dar nota positiva e vou dar nota seis.
Está feito mais um "Sem Falta: Análise à Arbitragem", sempre com o Pedro Henriques nas emissões especiais de desporto. Acompanhe-nos na próxima. Vamos ter conosco o Pedro Henriques. Pedro, boa noite. Um abraço. Obrigado.
Um abraço. Até amanhã.