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Mais uma edição do "Sem Falta", desta vez para analisar aquilo que aconteceu no Benfica 1, Bayern de Munique 0. Um jogo que o Benfica venceu e que lhe garante o primeiro lugar do grupo C do Campeonato do Mundo de Clubes. É um jogo histórico para a equipa encarnada, mas é um jogo muito controlado pela arbitragem, neste caso de François Leticié, e que vai ser agora analisada pelo nosso árbitro Pedro Henriques. Pedro, bem-vindo.
Boa noite.
Vamos lá começar. Vamos olhar aqui para os vários lances. Começamos ao minuto 18, em que se pede pênalti sobre o Pavlídis, do lado do Benfica. É aquele lance em que o jogador do Benfica corre e depois acaba por cair na área. Devia ter sido assinalado pênalti para o Benfica?
Não, para mim, sem motivo para pontapé de pênalti. É um lance em que o Pavlídis praticamente sai após a linha de meio-campo e faz um sprint de 50 metros. Talvez por essa corrida ou talvez por outro motivo qualquer, o facto é que ele na parte final e já dentro da área, com o Pavluchenko já em cima dele, nas costas, o Pavlídis vai retardando a sua corrida. Ali é expectável que se remate, porque de certa forma está-se isolado. O facto é que ele retardou e ao retardar essa corrida, acaba por potenciar aquele contacto que existe sem que tenha sido empurrado, carregado ou até mesmo agarrado. E portanto, na minha opinião, facilitou um bocadinho após esse contacto, a queda. A queda não tem a ver com qualquer infração que tenha sido cometida e, portanto, para mim, boa decisão, não havia motivo para pontapé de pênalti. De resto, foi essa também a linha de pensamento do árbitro e, obviamente, do VAR, que confirmou no sentido de deixar continuar a jogada.
Pedro, avançamos então até ao minuto 19, cartão amarelo para Renato Sanches, falta sobre Thomas Müller.
Sim, é uma entrada negligente, fora de tempo, com o pé direito. O Renato Sanches não para o movimento, empita uns e consola, acaba por pisar o calcanhar também direito do Thomas Müller. É entrada negligente, cartão amarelo bem mostrado.
No tempo de compensação da primeira parte, há também motivos de protesto para a equipa do Bayern de Munique a pedirem pênalti sobre Thomas Müller. O que é que te pareceu o lance?
Também um lance correto, é um cruzamento, Thomas Müller salta e tenta interceptar a bola com ela no ar e ela escapa-lhe. E ele, naquela tentativa de interceptar e de fazer uma interceção, que seria uma interceção orientada, portanto um domínio para orientar a bola, o facto é que ela já lhe escapou e ele com esse salto, ele próprio ao tocar na bola, se desequilibra. Há um ligeiríssimo contacto do António Silva, que está nas costas dele, mais até para se proteger daquele movimento do jogador Thomas Müller do que propriamente ter havido um empurrão, uma carga, uma rasteira. Não há qualquer infração nas costas, há apenas um contacto com as mãos, braços, na parte de baixo das costas do Thomas Müller, que saltou na frente do António Silva e que se desequilibrou por esse salto.
Perdemos aqui momentaneamente o Pedro Henriques. Agora sim, já te ouvimos, Pedro. Sim, podes continuar.
Sim, estava a dizer, não há motivo para pênalti, o António Silva não faz falta, Thomas Müller desequilibra-se pela maneira estranha como acaba por tentar no ar fazer aquela receção e é isso que o desequilibra e faz cair. Portanto, não há motivo para pontapé de pênalti.
Avançamos assim para a segunda parte, cartão amarelo para Nico Otamendi, logo nos primeiros instantes da segunda parte, ao minuto 46. Bem mostrado este cartão, Pedro?
Sim, é uma entrada também um bocadinho a varrer. Ele acaba por dar um ligeiro pontapé no Sacha Boey, no 23 do Bayern. E portanto, não só a entrada em si, que se pode enquadrar naquilo que é negligência, mas acima de tudo, porque também corta uma jogada que já, de certa forma, é de algum perigo, porque já é perto da entrada da área. De resto, ali nasceu um livre direto, com barreira e tudo. E portanto, este corte de ataque prometedor e este meio pontapé a varrer acaba por ser corretamente punido.
Minuto 61, gol do Bayern de Munique anulado por fora de jogo posicional de Kane, até porque o remate de Kimmich é de fora da área no momento do gol. Bem assinalado e bem validado este gol do Bayern de Munique.
Sim, muito bem o árbitro assistente, porque não é fácil para um árbitro assistente, mesmo percebendo que há um jogador em fora de jogo posicional, e isso é fácil, porque ele estava claramente destacado, muitas vezes ter a capacidade, na perpendicular, de perceber até que ponto é que aquele jogador tem impacto na ação, neste caso, do guarda-redes, o Trubin. E aqui, com uma só repetição, uma só imagem, percebe-se duas coisas. Primeiro, como eu costumo e gosto muito de usar essa expressão, está na linha da carreira de tiro. Ou seja, diria que não havendo nenhuma repetição, porque estas transmissões são más, são péssimas, são horríveis, sob o ponto de vista técnico de arbitragem, são péssimas, mas eu percebo que se calhar há aqui uma tentativa de não valorizar repetições que deem os ângulos das jogadas para não criar alguma sensação de polêmica. Penso que poderá ser por aí, mas na prática e na realidade, retiram-nos aquilo que é sempre a análise que possa ser feita de um lance, que muitas vezes dá-nos uma leitura e, por exemplo, se víssemos este lance por trás da baliza, vimos pela câmera do árbitro, curiosamente, mais à frente, mas se víssemos por trás da baliza, iríamos ter a perceção exata daquilo que era o guarda-redes Trubin, o alinhamento e o jogador que está na frente dele e a bola a passar quase entre as pernas do Harry Kane. E portanto, temos duas coisas. Por um lado, impacto naquilo que é a possível defesa do guarda-redes, portanto, de alguma maneira, tem impacto naquilo que é a capacidade de uma eventual defesa, porque quase que a bola passa entre as pernas, ele faz ali um movimento e engana e ilude, mas acima de tudo, também naquilo que é a visão, porque de alguma maneira, estando na frente, acaba por ter impacto na visibilidade do guarda-redes. E não é como muitas vezes as pessoas dizem: "Ele viu ou não viu a bola partir." É durante toda a trajetória da bola, se realmente, por algum momento, esse jogador tapa a bola da visão do guarda-redes. E assim sendo, eu diria que temos aqui uma dupla forma de analisar pela visão, pelo impacto que tem na eventual defesa e, portanto, o fora de jogo posicional acaba por tomar parte ativa. Muito bem o árbitro assistente nesta análise.
Pedro Henriques, minuto 65, pediu-se pênalti também do lado do Bayern de Munique, numa suposta falta sobre Harry Kane. O árbitro não assinalou, bem ajuizado?
Nós percebemos que o Orsat está nas costas do Henry Kane. O Henry Kane salta de forma meio acrobática, meio dobrado e meio em peixe e ele próprio se desequilibra, porque nem sequer chega à bola. A bola passa-lhe bem à frente e ele está a tentar esticar-se para a bola. O Orsat está parado, no sentido que tem a posição ganha, porque os jogadores não estão parados, estão em movimento, mas tem a posição ganha nas costas, não tem que sair dali e o contato até é provocado pelo Henry Kane, que nesse meio salto de peixe tenta cabecear a bola, não chega e acaba por cair porque choca contra o Orsat, que faz corpo firme e não tem que fazer de outra maneira. Por isso, boa decisão, não há motivo para pontapé de penalty.
Pedro Henriques, avançamos então até ao próximo lance. É um lance que acontece ao minuto 88, cartão amarelo para Tiago Gouveia, é o último lance em análise. Bem mostrado este cartão amarelo?
Sim, depois de rever melhor o lance, porque no plano fechado percebe-se a falta. Ele realmente com os braços acaba por fazer falta sobre o 44, o Stanišić, mas depois o cartão amarelo em plano aberto é porque o árbitro já interrompeu o jogo. O Benfica está em situação de ataque, estamos perto da linha de baliza adversária e obviamente que o Tiago Gouveia dá um pontapé com muita força na bola e obviamente que ele ouve o apito, e obviamente que ele sabe que o jogo está interrompido, mas manda ali um pontapé para fora tentando ganhar tempo. E isto é um comportamento incorreto, antidesportivo, de pontapear a bola para fora do local. Nem sequer foi por desacordo com a falta, mas mais até para meter a bola para longe. E por isso, cartão amarelo bem mostrado.
Pedro, falta sabermos a nota que vais dar ao árbitro e à equipa de arbitragem, neste caso liderada pelo árbitro francês François Letexier. Qual é a nota?
Nota oito, porque temos um jogo em que a gente pode destacar competitivo o próprio gol anulado à equipa do Bayern, que eu acho que é muito importante. As muito poucas faltas que foram assinaladas, só foram assinaladas 16, três cartões amarelos justos, uma boa gestão no limite de todo o jogo. Muito bem os árbitros assistentes e o árbitro assistente, nomeadamente nesse gol anulado. E são tudo coisas boas. Eu diria que a única coisa menos positiva é um jogo começar à hora local de 15h, com temperaturas elevadíssimas a rondar os 40°C. Isso não faz sentido absolutamente nenhum. Impedimentos calendários, tinha que se jogar com outras condições, que não são nada boas em final de época para muitos jogadores, outros não, mas seja qual for a parte da época, é sempre muito desgastante. E eu acho que daqui a uns meses estaremos todos a falar deste Campeonato do Mundo pelas consequências que isso vai ter em muitos jogadores que estão neste momento a participar na competição.
Pedro Henriques, voltamos a marcar encontro no próximo sábado, dia 28, às nove da noite. Resta saber quem é o adversário do Benfica, porque é certo que cá estaremos para mais uma partida. Obrigado, Pedro, e até uma próxima.
Um abraço, obrigado.