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Sem falta na Rádio Observador, 13ª jornada do campeonato. O Futebol Clube do Porto venceu esta noite no Estádio do Dragão, Casa Pia, por 3 x 1. Já o Sporting perdeu em Guimarães frente ao Vitória por 3 x 2. Vamos nos próximos minutos analisar os principais lances de arbitragem com a ajuda do Pedro Henriques. Pedro, boa noite, bem-vindo.
Boa noite.
Começamos primeiro com o jogo do Sporting. O árbitro foi João Pinheiro, os assistentes Bruno Jesus e Luciano Maia, o quarto árbitro foi José Bessa. No VAR esteve Hugo Miguel e no assistente de vídeo-árbitro esteve André Campos. Pedro, começamos no minuto oito e com uma pergunta: há pênalti ou não de Diomande sobre André Silva?
Para mim, não. É um fato que um jogador como o Diomande, que usa muito o corpo e às vezes puxa a extensão com os braços, põe sempre muito jeito nesta forma de jogar sobre os adversários, podendo eventualmente provocar falta, e então quando é dentro da área, a coisa pode se complicar. Este lance ocorreu dentro da área, é uma bola em que o Diomande faz exatamente esse uso do corpo para, mais ou menos correndo na direção da bola, mas também do seu adversário, entrar em contato lateral, corpo em corpo. E depois, porque é mais forte, normalmente, e como vai com mais velocidade, a tendência é que os adversários, isso também acontece com todos os jogadores que estão nas áreas e que estão em situação de ataque, normalmente quando sentem o contato, têm tendência para cair de forma mais fácil do que quem está a defender. De qualquer maneira, é uma utilização do corpo contra o corpo. Não vejo um empurrão claro, não vejo uma carga incorreta, por exemplo, feita na coluna virtual, nas costas, que é um dos sítios onde não é permitido carregar, é uma carga lateral. Agora, o Diomande arrisca muito, porque muitas vezes depois destes contactos há aquela tendência de abrir um braço e aí às vezes pode pressupor aquilo que é a infração, que é o empurrar. É um lance no limite, mas para mim, bem decidido. E digo mais, eu quero, e acho que todos temos esta ideia de que percebendo que o futebol é também de contato, que tirando as infrações que existem, como agarrar, empurrar, saltar, o que seja, o futebol espera que nessas ações, nessas situações de corpo a corpo, de luta, e sobretudo em movimento normal, depois em câmera lenta é mais fácil ver o toque ali ou acolá, quer que estes lances sejam de contato e, como tal, sejam para seguir e não sejam para punir. Ou seja, dificilmente o futebol, de uma maneira geral, espera uma situação de pênalti nessas situações de corpo a corpo. E dentro desta perspectiva, eu acho que o lance foi bem decidido e, portanto, que não há motivo para apontar pênalti.
Seguimos para o minuto 19 com o amarelo mostrado a Esgaio.
Comportamento antidesportivo, incorreto, Esgaio agarra o João Mendes e puxa-o. E já sabemos que sempre que agarras, puxas e derrubas o adversário, estamos perante situações incorretas, antidesportivas e punidas com cartão amarelo.
Passamos para o minuto 27, outro amarelo, mas desta vez para Mangas.
Sim, Ricardo Mangas estica o braço direito, acerta na cara do Geny Catano quando ele vai no corredor direito, além de cortar uma jogada já de perigo, porque o Geny se ultrapassa o Mangas e ia lateralmente com perigo entrar na área. Mas acima de tudo, é esta questão que vamos aqui falando muitas vezes, que é a questão do uso do braço, das mãos, dos cotovelos, ao nível da tal zona que o International Board quer que seja protegida em relação aos jogadores, que é pescoço, cabeça, cara.
Passamos para o minuto 41. Há falta atacante de Morita no gol do Sporting?
Não, para mim, não. Há efetivamente um ligeiro contato do Morita, que está nas costas do Miguel Maga, quando para o seu movimento para recepcionar a bola, e há um ligeiro contato de mãos nas costas, mas não o empurra, portanto, insuficiente para ser falta, e depois ele projeta a perna para frente, também não faz qualquer tipo de jogo perigoso, porque antecipa-se, mete a perna para frente e acaba por, dessa forma pouco ortodoxa, fazer ali um gesto que acaba por fazer a assistência para o Gonçalo Inácio, que marca o gol. Resumindo e concluindo, não considero que haja qualquer falta atacante por parte de Morita sobre Miguel Maga e, portanto, o gol do Sporting, gol legal.
Aproximamo-nos aqui do intervalo, minuto 45 mais um, gol anulado ao Sporting por fora de jogo. Pedro, o que dizer aqui deste lance?
Sim, correta a decisão. O Edwards quando passa para o Pedro Gonçalves, ele está adiantado em relação ao penúltimo adversário. Depois a Cidadde de Futebol confirmou isso com as respectivas linhas, fora de jogo e consequentemente gol bem anulado. O árbitro assistente anulou o gol depois da bola ter entrado na baliza, cumprindo com o que é o protocolo, que é deixar ir a jogada até o fim.
Aos 45 mais três, temos aqui, Pedro, diria eu, o lance talvez mais polêmico da partida. Adán fez ou não pênalti sobre Ricardo Mangas?
Concordo contigo, para mim este é o caso do jogo. Eu dou como incorreta a decisão. É um lance que não é fácil em movimento normal. Só com televisão se consegue aferir dos diversos ângulos e foram dadas muitas e boas repetições. A bola é metida para o Ricardo Mangas, que se antecipa e chega primeiro que o Adán, tocando na bola com o seu pé esquerdo e adiantando, digamos, a bola ligeiramente para frente. O Adán sai-se de joelhos no chão, a deslizar, e não toca no pé esquerdo, que é o pé da frente. E depois, embora com muitas dúvidas, um ligeiro contato com um dos joelhos no pé de trás, no pé direito. Mas quando esse eventual contato, que também não é perceptível na televisão, se dá, já o Ricardo Mangas já se tinha antecipado, já tinha tocado na bola com o pé esquerdo, já se tinha desequilibrado, já estava projetado e já estava a cair. Portanto, a consequência, que é a queda de um jogador por ter sido derrubado ao ser tocado, não foi por esse eventual toque no pé trás. É porque ele, ao tocar com o pé esquerdo, já se desequilibrou, já caiu. Resumindo, o eventual toque dá-se quando o Ricardo Mangas já está em queda e está no chão e já está desequilibrado. De qualquer maneira, quanto mais vejo o lance e mais repetições e mais ângulos, que são todos aqueles que foram apresentados, e depois no final do jogo, o próprio canal que transmite tem um programa específico que mostra ainda mais ângulos que não foram mostrados originalmente, aquilo que eu vejo é que vejo muito de simulação. E eu recordo que o Ricardo Mangas, ao minuto 27, conforme já tínhamos dito aqui, levou um cartão amarelo. Ora, não sendo pênalti e até, eventualmente, tratando-se de uma situação de simulação, estaríamos perante o segundo cartão amarelo. Mas eu, mais do que a possibilidade de dizer que ele devia ter sido expulso por simulação, por acumulação de amarelos, sobretudo, a maior certeza que eu tenho é o não pênalti. Portanto, não vejo falta do Adán, não vejo o derrube do Adán em relação ao Mangas. O ligeiro toque, eventualmente, que dado no pé trás é quando o Ricardo Mangas já está desequilibrado e em queda e, portanto, não é essa a consequência desse ligeiro toque. Portanto, má decisão, no meu ponto de vista, da equipa de arbitragem e, obviamente, do VAR, que terá entendido não haver, se calhar, imagens para eles claras e óbvias, que é sempre esse o pressuposto, mas para mim, as imagens que eu tenho, aquelas que são obtidas, são claras e óbvias no sentido do Adán não ter feito falta. E este para mim é realmente o erro e o caso do jogo.
Seguimos para a segunda parte do encontro, para o minuto 77. Aqui, o gol do empate do Sporting, havia ou não fora de jogo?
Aqui é o empate de 2 x 2. Nem na construção da jogada, nem no momento em que o Pedro Gonçalves faz a assistência para o Nuno Santos, e sobretudo nesse é que é o mais importante, há fora de jogo, porque o Nuno Santos tem entre ele e a baliza adversária dois adversários no momento da assistência ou do passe do Pedro Gonçalves e, por isso, gol legal sem fora de jogo.
Passamos para o minuto 80, o Vitória marca o terceiro. O que dizer deste momento, Pedro?
Também é uma tabelinha que é feita entre dois jogadores do Vitória, depois com a finalização do Daniel Silva. Aqui também era a questão se o Daniel Silva estaria em fora de jogo ou não, depois também as imagens são claras, não há fora de jogo e o 3x2 do Vitória também é um gol legal ao nível, sobretudo, daquilo que estamos aqui a analisar, que é a questão do fora de jogo. Portanto, não houve fora de jogo, gol legal.
E o resultado não se alterou, mas há mais lances para analisar até o final da partida. Minuto 89, já perto do fim, amarelo a Zé Carlos.
Sim, se bem se recordam, é num lançamento lateral, depois até origina uma série de confusões. Houve cartões amarelos que nós aqui não comentamos. Eu dá-me ideia que o árbitro, até a imagem não é clara, este amarelo para o Zé Carlos tem a ver com o lançamento lateral, ele retarda o lançamento, depois envolve-se com os jogadores do Sporting que estão no banco, depois dá a bola para o colega e, portanto, há aqui um comportamento incorreto, antidesportivo, até se calado perde tempo de lançamento. Tudo isto fez com que o árbitro, que está de frente para o lance, mostrasse o cartão amarelo. Para nós não foi completamente percetível o motivo, porque nós não estávamos focados, sobretudo na parte exterior do campo, mas de qualquer maneira, aceito sempre como bom este tipo de cartão amarelo, que decorre sobretudo destes comportamentos incorretos.
E aos 98, é o último lance aqui em análise. Pedro, também tens algo a apontar?
Sim, não há motivo para duas situações que acontecem na área de possível pênalti a favor do Sporting, em nenhuma delas acontece. Primeiro, é um contacto normalíssimo com Nunes Santos, que, obviamente, à semelhança do que eu disse também no primeiro lance, neste caso, na altura do Vitória, agora com o Sporting, que é assim que está na área adversária, ainda por cima aflita, é o último lance do jogo, assim que sente o contacto, deixa-se cair para tentar, obviamente, se calhar, sacar aqui um pênalti e não há. E na sequência, depois há um remate à baliza, a bola vai ao braço direito do jogador número quatro, do Tomás Ribeiro, que tem o braço dobrado, encostado junto ao corpo, sem qualquer voluntaria e, portanto, sem falta. Portanto, digamos que nesta dupla situação não há motivo para pênalti, que seria a favor do Sporting contra o Vitória.
Pedro, vamos agora para a nota. De 0 a 10, qual é a pontuação para a equipa de arbitragem liderada esta noite por João Pinheiro em Guimarães?
Olha, eu vou dar uma nota negativa, uma nota 3. Tem a ver com o árbitro e com o VAR. Eu não gosto de nim, gosto de tomar posições, mesmo que as pessoas depois concordem ou não concordem. Eu acho que realmente há um caso de jogo, que é um caso que acaba por ter sempre impacto no jogo. Tem a ver com aquele lance antes do intervalo. Eu tenho a certeza que não há pênalti. Tenho muita convicção que o jogador até simulou e tentou tirar claramente partido da situação, o que seria até inclusivamente o segundo cartão amarelo. Temos aqui um lance, mais concretamente, que tem impacto naquilo que é o jogo, independentemente do que possa acontecer na segunda parte. Num jogo com esta intensidade, com esta alternância de resultado, ainda por cima vindo do João Pinheiro, que é um árbitro que recentemente esteve no Campeonato do Mundo sub-17, está em grande forma, está em grande momento, eu quero sempre mais e espero sempre mais. E por isso valorizo muito as notas dele e considero que ele é um dos melhores árbitros portugueses, mas quando as coisas não correm bem, também o penalizo. E é um bocadinho esta também a minha função como pessoa que analisa estas situações e por isso nota negativa, nota três, repartindo esta nota pela equipa de arbitragem, que também não ajudou nesse momento, nomeadamente a videoarbitragem.
Termina assim este "Sem Falta", com o Pedro Henriques a analisar a arbitragem do Vitória de Guimarães 3, Sporting 2. Pedro, obrigado.