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Vamos a mais uma edição do "Sem Falta" com o Pedro Henriques, sempre aqui na Rádio Observador, o podcast em que destacamos o trabalho da equipa de arbitragem, neste caso, do árbitro que esteve ao comando neste duelo entre Benfica e Estoril para a Primeira Liga. Falo de Anthony Rodrigues. Pedro Henriques, sê muito bem-vindo. Vamos olhar para o trabalho deste juiz da Associação de Futebol da Madeira. Esteve a dirigir este Benfica-Estoril e vamos desde já olhar para os lances, a começar pelo minuto 11, um lance de grande área, Pedro Henriques, mas no teu entender, não há pênalti sobre Richard Rios.

Certo. Boa decisão do árbitro. Richard Rios está na frente do Félix Bakker e é o Richard Rios que recua e ao recuar vai chocar com as costas contra o peito do Félix Bakker, que tinha a posição ganha e que se limitou a não sair da posição, portanto, não é obrigado a fazê-lo. Claro que o Richard Rios, assim que sentiu o contacto, projetou-se e caiu no chão, mas bem o árbitro, e o VAR depois confirma, sem qualquer infração para castigo para pontapé de pênalti.

Sem pênalti sobre Richard Rios no primeiro lance aqui no "Sem Falta". Vamos avançar, Pedro, minuto 19, de novo um lance de área, mas agora na área do Benfica, mas no teu entender, a bola que vai ao braço de Otamendi não tem motivos para haver grande penalidade.

Sim, é um remate. Realmente a bola vai ao braço direito do Otamendi, mas que tinha as mãos atrás das costas e o braço junto, encostado e ao longo do corpo, ou seja, sem qualquer volumetria e por isso é dessas situações em que um jogador não é penalizado por braço/mão e por isso tudo certo também, sem motivo para pontapé de pênalti aqui.

Vamos continuar e vou desde já deixar a ressalva aos nossos ouvintes. Esta primeira parte, todos os lances são lances de grande área, mas ao minuto 25, Pedro Henriques, há um momento que envolve o jogador do Benfica, Prestianni, também dentro da grande área do Estoril, mas no teu entender, nova boa decisão, sem pênalti.

Sim, aqui diferente, no sentido que não foi jogada de bolas com a mão, foi o Gianluca Prestianni que está em luta uma vez mais com o Félix Bakker. E curiosamente, o que o Prestianni fez? Fez um braço dobrado e fez pressão, entalou, desculpem a expressão, mas é mesmo o correto, a mão direita do Bakker e puxou. Portanto, é daquelas situações em que tu tens a mão ali por baixo do braço de alguém e ele aperta-te o braço contra o corpo e puxa-te. E portanto, quem estava a fazer falta, embora o Prestianni estivesse a atacar na área, mas quem está a fazer falta é exatamente o Prestianni. Depois, no ato final, já quando os dois estão para lá da linha de baliza, realmente o Bakker acaba por empurrar o Prestianni. Mas para mim, bem o árbitro em não ter assinalado nada, mas se assinalasse alguma coisa, seria sempre falta atacante do Prestianni sobre o Félix Bakker, e não ao contrário. Por isso, mais importante, não houve motivo para pontapé de pênalti, bem decidido.

No minuto seguinte, sem pênalti também por braço de Bakker.

Sim, curiosamente o Bakker está em quase esses lances todos. É uma bola que é cruzada para a área, é desviada de cabeça por Richard Rios e a bola vai de perto, a chamada bola inesperada, ali a zona entre o peito e em simultâneo para a mão esquerda do Félix Bakker, que tinha o braço junto, também dobrado, encostado ao corpo, numa posição absolutamente normal e natural para o gesto técnico que está a fazer. Portanto, também sem volumetria. Por isso, mais uma boa decisão.

Vamos avançar para o último lance da primeira parte, daqueles que foram curados por ti, Pedro, que é ao minuto 28, de novo, um lance de grande área e aqui, efetivamente, foi marcada uma grande penalidade a favor do Benfica. É uma boa decisão, no teu entender, Pedro Henriques?

É uma boa decisão. As pessoas podem dizer: "Minuto 28?" Sim, minuto 28, porque o jogo andou, depois o VAR disse ao árbitro para esperar, o árbitro vai ao VAR ao minuto 31 e praticamente o pênalti é cinco, seis minutos depois assinalado. Por isso é que o lance, quando ocorre, que o árbitro não teta, é ao minuto 28. O pênalti, porque se formos ver nas incidências dos diversos sites, aparece minuto 31, minuto 33, aparece mais à frente, porque há uns que consideram quando o árbitro vai ao monitor, outros consideram quando o pênalti entrou na baliza. Mas o lance do pênalti acontece ao minuto 28. E bem o VAR aqui, porque o árbitro não teve a capacidade de analisar o lance. O que acontece? O Alejandro Marques, ao saltar, muito provavelmente com a intenção de cabecear a bola, mas aqui pouco conta a questão da intenção, ele faz um movimento deliberado, ou seja, fisicamente, ele faz um movimento do braço direito no sentido da bola. Portanto, é o braço que vai claramente ao contacto e ao encontro da bola. E quando mostra a imagem vista da linha lateral, portanto, perpendicular à jogada, por assim dizer, percebe-se que o braço direito está afastado do corpo, está a ganhar volumetria e, portanto, bem o vídeo-árbitro a chamar o árbitro, a mostrar imagens que são muito claras e óbvias, porque curiosamente, na repetição, as imagens que foram dadas foi no sentido de quem ataca a baliza e vistas de frente. E portanto, percebe-se que há o toque do braço, mas como é em profundidade, não se sabe se o braço está afastado ou se está encostado. E lá está, a ilusão ótica é que o braço estaria encostado e não seria pênalti. Visto lateralmente, aí é que se percebe a distância que o braço está em relação ao corpo. E por isso, resumindo e concluindo, bem o VAR, há motivo para pontapé de pênalti. O árbitro não perdeu muito tempo a ver as imagens, e quando digo perder é uma forma de dizer, porque realmente as imagens são boas, são claras e óbvias. É este o sentido da intervenção do VAR, com imagens claras e óbvias para dizer: "Tu tiveste uma decisão que não foi correta". Pontapé de pênalti bem assinalado.

Vamos avançar para os lances da segunda parte escolhidos pelo Pedro Henriques. Minuto 64, Kevin Bomá arriscou um cartão amarelo. Será por aquele remate quando o jogo já estava interrompido?

Pode parecer estranho. Se nós isolarmos este lance e mostrarmos a um árbitro num curso de árbitros, é para cartão amarelo. E portanto, os puristas da lei dizem: "Não, isto é cartão amarelo". Mas há aqui uma perceção. Uma coisa muitas vezes é o jogador que, em sinal de protesto por uma decisão do árbitro, pontapeia a bola para longe, ou pontapeia a bola para longe quando está a ganhar e está numa situação vantajosa e tenta com isso ganhar tempo. E por estes motivos, cartão amarelo. Para as pessoas também perceberem o lado do árbitro. Claro que olhando para o gesto, é um pontapé da bola para longe. Mas por que o árbitro não mostra cartão amarelo e avisa? Porque o Estoril está a perder, não tira vantagem nenhuma no sentido de ganhar tempo com isto que está a fazer e, ao mesmo tempo, não é para protestar com o árbitro, é a frustração que ele tem de não ter conseguido ficar com a bola dentro do terreno de jogo e do árbitro estar a assinalar ali algo, não é pelo assinalar, mas é pela incapacidade que o Bomá teve de conseguir ficar com a bola propriamente dita. E é por isso que o árbitro não mostra o cartão amarelo. Obviamente que se mostrasse estaria correto, mas para as pessoas também perceberem que isto não é só matemática pura e que se percebe o enquadramento, o contexto deste lance, que é diferenciador de quando chutas para perder tempo ou quando chutas no sentido de protestar por uma decisão do árbitro. Por isso eu vou dizer que aceito a decisão, mas realmente o mais correto seria mesmo mostrarmos cartão amarelo.

Anzonay Rodrigues não mostrou esse cartão amarelo, sendo que aos 64 minutos ainda não tinha exibido uma única cartolina amarela. O primeiro chegou apenas ao minuto 69 e foi para Bakker, jogador do Estoril.

O Félix Bakker, uma vez mais, esteve muito envolvido em quase todos os lances que nós temos vindo aqui a falar. Agarrou com a mão direita e puxou a camisola do Leandro Barreiro. E o Leandro Barreiro já estava muito próximo da área estorilista, portanto, há o comportamento desportivo de agarrar e de puxar e destruir a jogada e há, acima de tudo, o corte numa jogada já de perigo, que nós tecnicamente chamamos ataque prometedor e por isso bem mostrado o cartão amarelo.

Vamos então avançar para os últimos 10 minutos, neste caso, um lance ao minuto 81, que é o terceiro gol de Pavlídis. Aqui suponho que seja talvez um risco de fora de jogo?

Exatamente, é essa a questão. Curiosamente, não sei se a Cidade do Futebol injetou algum sinal com as imagens para a operadora, neste caso para a BTV, com as linhas. O facto é que não me apercebi durante a transmissão e acho que no final também não mostraram as possíveis linhas de fora de jogo. O que é que acontece? Quando o Sidney Cabral cruza a bola, o Vangelis Pavlídis, que vai finalizar para gol, está atrás da linha da bola. Portanto, isolando este momento, sempre que um jogador está em linha com a bola, no momento em que o seu colega lhe passa ou atrás da linha da bola, nunca está em fora de jogo. Ponto número um. O facto de ter havido um jogador do Estoril que pelo meio tentou cortar a bola, portanto a bola quando é cruzada por Sidney Cabral, há um jogador do Estoril que tenta cortar a bola e deu nas orelhas da bola e a bola mesmo assim ressaltou para o Pavlídis, para as pessoas perceberem que não podem dizer: "Mas como a bola foi tocada pelo adversário". Não, isso não conta. Para anular uma posição de fora de jogo, em que a bola é tocada ou jogada para o adversário, tem que ser jogada deliberadamente. Tem que estar de pé, sozinho, com todas as possibilidades de jogar a bola. Sempre que ele vai disputar a bola com alguém ou, como foi o caso, em carrinho, em tackle, ou tentar interceptar, fazer um corte, é sempre considerado ressalto. E portanto, sendo considerado ressalto, o que conta é o momento do passe. Se o Pavlídis estivesse fora de jogo, era fora de jogo, se não estivesse fora de jogo, não era fora de jogo. Pelas imagens que foram dadas na BTV em direto, até pararam a imagem no momento do cruzamento, fico a ideia clara que o Pavlídis, não por muito, mas está atrás da linha da bola no momento do passe do Sidney Cabral. Mas faltava aqui, acho que este lance merecia a colocação das imagens, nomeadamente as linhas, para se colocar a linha sobre a bola e a linha do Pavlídis, para se confirmar isto, que o Pavlídis estaria atrás da linha da bola. Mas dou como boa a decisão, até porque o árbitro obviamente vai receber sempre um feedback do VAR e o VAR, se validou o gol, é porque teve esse cuidado de analisar o fora de jogo.

Pedro, rapidamente, vamos então falar sobre o último lance, o cartão amarelo mostrado a um jogador do Estoril.

É o Tiago Parente, por pontapear por trás o Leandro Barreiro, já à entrada da área do Estoril. É um corte de um ataque prometedor e bem sancionado, quer o livre direto, quer a parte disciplinar com o cartão amarelo.

Pedro Henriques, analisados os lances, falta conhecer a nota. Anzonay Rodrigues tem motivos para estar feliz?

Sim, nota 7. Não lhe dou 8 porque o momento muito importante, que é o do VAR, é do protagonismo do VAR. E eu faço sempre diferença entre quando o árbitro decide tudo e bem sozinho, quando o árbitro, mesmo decidindo bem, decide com a ajuda do VAR. Senão hoje era nota para 8. Vou dar uma nota positiva, nota 7. O VAR foi oportuno e assertivo em lance de pênalti. O árbitro esteve bem nos lances de área, com exceção deste que teve que ser ajudado. Os assistentes também estiveram bem ao nível fora de jogo, como foi, por exemplo, o caso do terceiro gol. E portanto, digamos que a equipa de arbitragem sai por cima com uma nota positiva, nota 7 para a arbitragem.

Nota 7 dada pelo Pedro Henriques ao trabalho do árbitro que esteve no comando do jogo entre Benfica e Estoril, Anzonay Rodrigues. É desta forma que fechamos mais uma edição do "Sem Falta". Pedro Henriques, muito obrigado, é sempre um gosto. Até amanhã. O Pedro Henriques e o "Sem Falta" estão de regresso amanhã na Rádio Observador.