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Falha de segurança sim ou não? Repercussões para as presidenciais sim ou não? Têm soado alertas depois do ataque contra Donald Trump neste último fim de semana. O que é que vão ditar, Miguel Vieira, as luzes do semáforo político?
Já vamos saber com a editora de internacional do Observador, a Cátia Bruno, que já está aqui connosco, e com o politólogo Jorge Fernandes. É o primeiro tema que vão sinalizar esta segunda-feira. Cátia, boa tarde, bem-vinda.
Olá.
E com amarelo, este ataque vem mudar os discursos de Donald Trump e também de Joe Biden.
Sim, olhando para o rescaldo do que aconteceu, acho que é sobretudo interessante como, à primeira vista, os dois candidatos tentaram baixar um pouco a temperatura nos seus discursos. Esta campanha andava a ser marcada por uma retórica muito agressiva e Biden apressou-se a condenar o ataque e a dizer que estava preocupado com a segurança do outro candidato e a dizer que é preciso baixar a temperatura, precisamente. E Donald Trump, curiosamente, hoje vem dizer: "Eu mudei o discurso que vou fazer na convenção republicana. Eu ia atacar o Biden, mas percebo que agora é preciso aqui um discurso de união". Parece-me ótimo das duas partes. Os Estados Unidos já viveram períodos de violência política muito intensos e, portanto, parece que há uma consciência dos políticos de que as palavras podem ter repercussões mais fortes e que temos que moderar aqui um pouco o tom. Mas o amarelo justifica-se porque vamos ver se isto aguenta e vamos ver quanto tempo aguenta, porque a campanha, na verdade, continua. E Donald Trump, por exemplo, sempre teve o seu discurso muito desafiador e é conhecido por fugir do teleponto frequentemente. Portanto, veremos até nesta convenção se sempre vai manter este tom mais de unidade dos norte-americanos que tem prometido. E vamos ver também se os democratas aguentam manter esta frente unida de aparente cessar das hostilidades ou se vão acabar também por partir para o ataque.
E esse tom mais moderado de Donald Trump decorre da necessidade de, de facto, promover alguma calma no discurso entre republicanos e democratas, ou mais ligado a uma estratégia política de apresentar Donald Trump como a nova face e eventualmente capitalizar alguma simpatia que decorrerá do atentado que foi alvo?
É muito difícil dizer, porque capitalizar simpatia ele já iria capitalizar sempre. Qualquer político que é alvo de uma tentativa de assassinato cria, obviamente, uma sensação na maior parte das pessoas de compaixão e de repúdio daquele ato. Portanto, isso acaba sempre por favorecê-lo e acho que iria acontecer independentemente do tom que ele adotasse de seguida. Não sei se esta mudança acontece porque, de facto, há uma consciência de que a situação escalou e, portanto, se eu continuar com discurso de retórica agressiva, isto pode contribuir para escalar mais, ou se, por outro lado, há uma lógica de: "Bom, isto politicamente é-me favorável e faz-me parecer mais presidenciável se embarcar nesta onda". E, portanto, precisamente daí o amarelo, porque vamos ver até quando é que isto dura. Enquanto os dois candidatos têm mantido discursos sóbrios, as redes sociais estão cheias de apoiantes de um lado e do outro, do lado republicano a dizer: "A culpa é dos democratas que andam a dizer que o Trump é um fascista e, portanto, é isto que acontece". E temos do lado dos democratas apoiantes a dizer: "Bom, quem sabe se isto não foi encenado, porque na verdade isto favorece Donald Trump". E portanto, é como se as teorias da conspiração fossem fazendo o seu caminho, independentemente do tom dos candidatos e até que ponto é que eles não irão ser contagiados por isso também, eu tenho muitas dúvidas.
E há muitas teorias da conspiração nesta altura. Jorge Fernandes, não tens um amarelo, tens sim um verde, porque já está no papo a vitória para Donald Trump ou temos de esperar?
Olá a todos, olá Vanessa, olá Miguel e Cátia. Nunca se pode dizer que já está no papo, mas acho que de facto os acontecimentos das últimas semanas, que começaram para Donald Trump com aquele debate que correu muito mal a Joe Biden e culminaram no último sábado na tentativa de assassinato. Eu acho que se ele pudesse escolher, dificilmente teria uma constelação de acontecimentos tão boa, digamos assim. Não consigo imaginar, realmente, isto se não foi encenado, parece. E eu acho que não foi encenado, só para ficar completamente esclarecido. Isto nem de encomenda. Eu tenho muitas dúvidas, aquilo que a Cátia estava a dizer, eu compreendo perfeitamente e é, de resto, aquilo que tem sido dito pela campanha de Trump, mas eu não acredito minimamente que isso vá acontecer. Eu acho que Trump vai aparecer na convenção em Milwaukee completamente ao ataque. Aliás, de resto, há pouco na televisão, na CNN, estava a passar, basicamente no sítio onde vai começar a convenção a qualquer momento, estão a passar em loop as imagens dele a ser baleado. Portanto, eu diria que um candidato que quer, no fundo, virar a página e baixar o tom da campanha, não põe imagens de uma tentativa de assassinato em loop, para mostrar às televisões, ao mundo e, naturalmente, aos seus apoiantes e aos membros do partido, que lentamente estão a aglomerar em torno do local onde vai ocorrer o evento. Portanto, eu não diria que isto de maneira nenhuma sinaliza esta tentativa de baixar a temperatura. E Donald Trump, eu não acredito que ele tenha uma epifania com isto. Portanto, não há nenhum motivo para ele, pelo contrário, ele tem todos os incentivos e aquilo que aconteceu hoje à tarde ajuda-o ainda mais. Hoje à tarde saiu esta decisão por parte de um juiz federal para Para arquivar um dos processos em que ele estava envolvido. Aliás, é juiz bastante conservador e, de resto, circulam informações de que haverá aqui um quid pro quo em que este juiz esperará uma nomeação para um tribunal superior, caso Trump seja eleito.
É o processo, só para contextualizarmos os nossos ouvintes, relacionado com os documentos confidenciais que o ex-presidente levou da Casa Branca.
Exatamente. As boas notícias continuam para o Trump. Não há nenhum motivo para ele, neste momento, tirar o pé do acelerador. Seria muito idiota. Aliás, se repararmos, há uma coisa interessante que aconteceu nas últimas semanas: antes da tentativa de assassinato, Trump já tinha vindo a começar a falar menos. Quando o Biden teve aquele debate muito mau, esperava-se que Trump aparecesse nas redes sociais a explorar a maneira como Biden se atrapalhou, as gafes que cometeu, incluindo mostrando os shorts do debate e utilizando-os para os tornar rapidamente virais. Mas Trump e a sua campanha perceberam que os próprios democratas estavam a ter uma grande cisão interna e que estava em muito debate, e que isso estava a ser muito desgastante para Joe Biden. E se vocês repararem, eu tinha comentado até com alguns colegas, nas últimas semanas, desde o debate, Trump tinha dado um passo atrás e tinha começado a falar muito menos, porque percebeu que bastava simplesmente estar calado, porque os democratas entre eles estavam a fazer o que era necessário para desgastar Biden. Esta ideia que ele vai mudar de tom, eu quero ver. Se acontecer, pronto.
Pode haver aqui eventualmente um sinal, Cátia Bruno, no site oficial da campanha do Donald Trump, já está a imagem com o punho erguido, aquela fotografia que andou a circular em todo lado.
E que eu acho que encaixa aqui muito bem com uma coisa que o Jorge estava a dizer, que é precisamente depois deste debate e de uma altura em que Biden estava a ser atacado dentro do seu próprio partido pela imagem de, para alguns, meio senil, incapaz, fraco, Trump isto é a cereja no topo do bolo, um homem que quando leva um tiro, em vez de se esconder e de se agachar, a reação que tem é erguer o punho e dizer: "Lutem, lutem". Isto é o maior contraste possível com essa imagem de Biden e calcifica essa ideia que estava a criar-se e que, de repente, não é só Trump a dizer: "Eu sou mais capaz, forte fisicamente, quase corajoso do que o Biden", é ele a mostrá-lo. Portanto, é de facto uma cereja no topo do bolo para a campanha do Donald Trump e que vai muito ao encontro daquilo que o Jorge estava a dizer.
Sendo, Jorge, que este caso vem também limitar a ação de Joe Biden, que eventualmente terá obrigatoriamente que mudar de estratégia nas críticas feitas ao candidato republicano Donald Trump.
Eu acho que a principal consequência desta tentativa de assassinato a Donald Trump está precisamente aí. Em primeiro lugar, matou basicamente o momentum interno que estava a existir dentro do Partido Democrata para substituir Joe Biden. Neste momento, essa história morreu. Admito que esteja ainda a circular dentro dos corredores, mas assumindo que Biden não quer sair, e era aquilo que sabíamos, a sua saída apenas poderia ter ocorrido se houvesse uma grande pressão mediática e partidária para que isso acontecesse. E neste momento, isso acabou. Sob esse ponto de vista, Biden de alguma maneira garantiu com esta situação que permanece e será o candidato democrata. Se houver eventualmente, vamos supor daqui a um mês, um mês e meio, novamente uma muito má noite de Biden, uma coisa assim que seja estarrecedora, tal como foi aquele debate, aí será tarde demais e a janela de oportunidade para que Biden pudesse ser substituído foi fechada completamente com esta questão de Donald Trump. Sob esse ponto de vista, Trump encaixou aqui uma dupla vantagem. Por um lado, aquilo que a Cátia estava a dizer, a sua coragem física perante a adversidade, que contrasta com Joe Biden, mas por outro lado, também matou a campanha mediática dentro do Partido Democrata para manter Biden, que é um adversário notoriamente frágil neste momento e tem esta dupla vantagem, porque a partir de agora chegamos ao ponto de não retorno para Biden sair. A dada altura já será uma questão meramente de tempo.
Que efeitos de facto é que decorreriam de uma eventual desistência de Joe Biden nesta altura?
Joe Biden, ele próprio, por todas as informações que nós temos, isto vale o que vale, e todo o seu inner circle, ele queria e quer permanecer. Mas o que estava a acontecer era que estava a haver lentamente e de forma continuada uma pressão pública, mediática, artigos políticos. Estava, por exemplo, antes deste evento no sábado, um número crescente quer de congressistas, quer de senadores a virem a público no Twitter, em comunicados, etc, a dizer: "Bem, Biden tem que sair, gosto muito de Biden, mas Biden já não está capaz, etc." E isso acabou, essa campanha morreu. Já não se fala mais nisso. Neste momento, Biden acaba por permanecer na campanha por uma questão de que essa campanha morreu, e se alguma vez alguém pensar em reavivar essa campanha, rapidamente alguém lhe lembrará que nós estamos em agosto ou meio de agosto ou em setembro, e agora já não dá, é tarde demais E portanto, isto é quase a ideia de que tudo aquilo que podia correr bem a Donald Trump está a correr, e tudo aquilo que podia correr mal a Joe Biden está a correr. Vamos supor que este atentado a Trump tinha ocorrido há três ou quatro meses. Enfim, seria num momento bastante diferente para Joe Biden e portanto esta situação da sua potencial substituição não se estaria a colocar naquele momento. O facto de isto ocorrer exatamente nesta altura, muda completamente a dinâmica dentro do Partido Democrata.
Mais um problema aqui, Cátia Bruno, para Joe Biden. Como é que a campanha democrata pode conseguir reinventar a estratégia?
Pergunta para um milhão de dólares. Não quereria estar dentro do círculo interno de Joe Biden neste momento. É claro que ele sempre disse que continuava a achar que era o homem certo para o cargo, mesmo a possibilidade que se levantava de ele ser substituído. Havia aqui duas hipóteses: ou seria substituído pela vice-presidente Kamala Harris, ou o partido iria a primárias para escolher um novo candidato. E é como o Jorge diz, não há tempo para isso. Portanto, neste momento, há Joe Biden candidato e será até o fim. Um Joe Biden que neste momento tem de tentar atacar Trump sem parecer que está a alimentar a raiva e o clima de ressentimento político. É uma quadratura de círculo muito difícil.
Que agora Trump midiaticamente é a vítima.
Exatamente, é muito difícil. Biden fez um comunicado a dizer: "Eu vou continuar a fazer campanha, a mostrar o que me diferencia de Donald Trump". Certo, mas é difícil fazer isso sem recorrer às pessoas mais duras, como, por exemplo, durante o debate, ele usou a expressão de: "Eu estou aqui a debater com um gato de rua, com um gato vadio", para mostrar que seria uma pessoa sem moral, sem valores. Neste momento, se Biden disser algo desse gênero, figuras do Partido Republicano vão surgir a dizer: "Está a incentivar". Pode haver outra pessoa que, ao ouvir isto, diga: "A um gato de rua, eu dou um tiro". É muito difícil.
A menos que Donald Trump, como aventava o Jorge Fernandes, de facto enverede por esse caminho.
Daí que eu tenha dado o meu amarelo, porque me parece que muito provavelmente os dois vão rapidamente voltar a esse caminho. E acho que a campanha vai acabar por voltar a ser a campanha que estava a decorrer antes, e é apenas uma questão de tempo. Temos aqui uma pequenina janela em que parece que há uma união, em que há uma moderação que tem estado ausente da política norte-americana nos últimos anos, e acho que rapidamente vamos acordar dessa situação e perceber que tudo continua na mesma e as eleições são 5 de novembro, portanto é num instante. Mas passa muito rápido.
Vamos esperar por esse discurso de Donald Trump mais logo, na abertura dessa convenção republicana, sendo que vai anunciar também, pelo menos é o que está a ser noticiado pela imprensa internacional, os possíveis nomes. Vai anunciar o nome, e há aqui vários possíveis para vice-presidente de Donald Trump, caso venha depois a vencer as eleições de novembro. Temos o senador de Ohio, J.D. Vance, o senador da Flórida, Marco Rubio, e o governador da Dakota do Norte, Doug Burgum. Algum merece um semáforo verde, Jorge?
Nenhum deles, são todos péssimos. Mas estamos a falar do ponto de vista de qual-
Não podia vir mais direto ao assunto.
Há aqui um nome que eu acho que é mais importante que o senador da Dakota do Norte, que é o Tim Scott, eventualmente, que seria uma escolha. Há aqui três nomes, fundamentalmente, que têm objetivos diferentes. O J.D. Vance tem o objetivo da renovação geracional e de criar a ideia de continuidade do MAGA, de todo o movimento de Donald Trump e, no fundo, uma tentativa de dar continuidade ao movimento. Uma vez o fundador não estando cá, ou retirando-se da política, ou morrendo, enfim, no fundo, seria prolongar ainda mais a institucionalização do MAGA dentro do Partido Republicano, se é que podemos falar eventualmente da existência ainda de um Partido Republicano fora do MAGA. Depois temos aqui duas escolhas, que é o Tim Scott, que é um African-American, que seria para sinalizar e tentar captar algum voto de minorias, ou o Marco Rubio, que seria também para captar votos de minorias, e seria para captar votos, neste caso, dos hispânicos, que são um grupo gigante e rapidamente a crescer. E, portanto, no fundo, são três lógicas políticas diferentes. Quer dizer, são duas lógicas, uma lógica de escolher um vice-presidente para tentar captar voto, digamos, latino ou African-American, ou então escolher um vice-presidente, que é um crente naquela ideia do MAGA, e ser a ideia da continuidade e, no fundo, criar ali um sucessor ideológico, quase, que pudesse tomar conta eventualmente do partido e de continuar a liderança do movimento. Enfim, se Trump perder ou se Trump eventualmente morrer ou sei lá, numa situação qualquer.
Cátia Bruno, apostas?
Não faço apostas, acho que as escolhas de Donald Trump não se fazem apostas. Acho muito interessante que todos estes nomes são pessoas que no passado disseram muito mal de Donald Trump e Donald Trump disse muito mal deles. Acho que isso é bastante revelador do domínio que ele tem sobre o partido hoje em dia, em que muitos acabam por reverter todas as posições que tinham em relação a ele, mesmo depois de um primeiro mandato, mesmo depois de uma invasão ao Capitólio, mesmo depois de vários processos judiciais. Pessoas como, por exemplo, J.D. Vance, que chegou a comparar Donald Trump a Hitler, agora é o seu grande sucessor ideológico e é o homem que, como dizia o Jorge, se for ele a escolha, é a tomada completa do aparelho do partido pelo movimento trumpista. Acho que é muito interessante se Vance for a escolha nesse sentido, porque mostra que Trump quer claramente criar um movimento político americano que substitua o Partido Republicano como o conhecíamos. Se for uma das outras escolhas, há aqui pelo menos uma cedência ao establishment, e a noção de que pode ser eleitoralmente favorável ter uma figura mais típica, não só por ir captar eleitorado específico, como o Jorge explicava, hispânico ou afro-americano, etc, mas também por, por exemplo, serem congressistas com posições mais moderadas do que Trump em algumas coisas. Por exemplo, na política externa, Marco Rubio foi durante muito tempo um crítico da Rússia, um crítico da China, mais recentemente a tentar aproximar-se de Trump, já começou a levantar reservas ao pacote de ajuda à Ucrânia, mas há pelo menos uma ligação ainda, pode ser ténue, mas ainda uma ligação a alguns princípios do antigo Partido Republicano. Seja qual for a escolha, acho que isso nos pode dar alguns sinais do que é que Trump quer ou não. Mas também não descartaria o nome de Doug Burgum, que ninguém conhece, e esse é um ponto muito interessante. Que mais uma vez é um homem que aparentemente não adorava Trump antes, não o criticou tanto como os outros, mas perguntaram-lhe uma vez numa entrevista, porque ele é um antigo empresário tornado político, e perguntaram-lhe se ele gostaria de fazer alguma vez negócio com Trump, e ele disse: "Diz-me com quem andas e isso diz-te alguma coisa". Portanto, se calhar não. Hoje em dia, ele anda com Trump por todo lado a fazer campanha, muito afincadamente. E estamos a falar de um antigo empresário que se tornou governador e que é apontado na Dakota do Norte, que é um Estado que tem muito pouca relevância em termos eleitoral, é apontado como um homem que sempre foi visto como muito moderado, muito independente até, não necessariamente um clássico do Partido Republicano, mas um independente moderado, não um independente numa lógica radical. Acho que Trump às vezes gosta de surpreender e também há sempre uma dimensão pessoal da relação dele com as pessoas. Não me parece que Trump queira ter um vice-presidente que possa ter grandes ambições próprias. Não sei até que ponto é que uma figura mais desconhecida não pode ser alguém que Trump acha que é uma figura mais maleável.
Sendo que a escolha é de Trump.
A escolha é de Trump.
É de Donald Trump.
Ele já disse que isto era como "The Apprentice", que eles iam ter que se gladiar e depois ele escolhia quem era despedido e quem é que era o nomeado.
E a Cátia Bruno, talvez imbuída por este sol radioso que se faz sentir, pelo menos na cidade de Lisboa, tem mais um amarelo para atribuir desta feita ao primeiro-ministro indiano Narendra Modi pela visita que fez a Moscovo.
Sim, isto já vem com alguns dias de atraso, mas parece-me interessante porque no mesmo dia em que a Rússia bombardeou o hospital pediátrico de Kiev e assistimos todos àquelas imagens, Modi estava de visita a Moscovo a tirar fotografias abraçado a Putin e numa aparente lógica de proximidade, ao mesmo tempo que ao longo dos meses anteriores andou a tentar fazer o mesmo com líderes ocidentais. Podíamos dizer aqui: ou Modi está indeciso em como se posicionar nesta questão, ou Modi quer aproveitar a situação melhor e jogar nos dois tabuleiros. Parece-me que é esta a segunda hipótese, como é evidente. Não podemos esquecer que não é só uma questão política, é uma questão também concreta de políticas. A Índia é o país que neste momento importa mais petróleo da Rússia e está a manter a economia russa a funcionar apesar das sanções. Não é apenas uma questão de aproximação no sentido de: "Não, mantemos relação diplomática com este país." Há uma forma de apoio económico, que continua a existir. A NATO focou-se muito em criticar a China na última cimeira, não falou na Índia, porque a Índia continua a encontrar-se com líderes ocidentais, mas na verdade, isso também pode ser considerado uma forma de apoio ao esforço de guerra russo. O meu amarelo é porque, embora é óbvio que os países defendem os seus próprios interesses, parece-me que numa guerra como a que está a acontecer e quando há uma invasão de um país, é importante também tomar posições morais, de certa forma, e Modi não se quer comprometer e as pessoas que não se querem comprometer normalmente acham que lhes corre bem, mas não sei se corre sempre bem.
E aqui no Semáforo Política acabam por ter pelo menos um amarelo, dois sinais amarelos atribuídos pela Cátia Bruno, um verde atribuído pelo Jorge Fernandes, politólogo do Fora do Baralho, que hoje também esteve aqui conosco. Obrigada, Cátia e Jorge.