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A esta hora fazemos andar ou paramos o trânsito. O semáforo político está ligado sempre depois do jornal das 18 horas e hoje tem ao volante o publisher do Observador, José Manuel Fernandes, que vai enviar aos nossos leitores e ouvintes uma nova newsletter já a partir deste fim de semana, mas também tem aqui cores de semáforo para atribuir à atualidade política, que tem andado quente por estes dias. A Judite França e o Bruno Vieira Amaral também escolhem temas para classificar ou colorir e o primeiro sinal verde vai para a Vanessa Cruz.

José Manuel Fernandes, temos uma sexta-feira cheia de temas, do cargo essencial que Fernando Medina queria criar e que afinal já não é assim tão essencial, ao programa de emergência social apresentado hoje pelo PSD. São dois dos temas que vamos sinalizar por aqui, mas para já desfaz-nos lá esta curiosidade: que nova newsletter é essa?

É uma velha nova newsletter, por assim dizer. Quando o Observador arrancou, já fez oito anos, em 2014, eu na altura criei uma newsletter que chamei Macroscópio e que basicamente era um olhar mais profundo sobre um dos temas do dia. Era uma newsletter diária que saía ao fim do dia. E basicamente o que fazia não era um texto muito longo, era um apanhado do melhor que tinha sido publicado na imprensa nacional e internacional sobre aquele assunto. Com o tempo, a newsletter foi se tornando um pouco mais complexa, um pouco mais longa, um pouco mais sofisticada e sobretudo sobre temas da atualidade internacional, procurando selecionar o melhor que a imprensa internacional oferece, sobretudo aquela que é de alguma forma acessível aos leitores portugueses portanto, em inglês, em francês menos, em espanhol também, e permitir que as pessoas pudessem ler textos de qualidade, que ajudassem a pensar basicamente sobre aquela matéria de uma forma mais aprofundada.

E agora vais continuar a aprofundar temas.

Eu agora vou fazer isso, mas de uma forma mais pessoal e por outro lado mais dirigida e mais variada. A newsletter terá, em princípio, um tema principal, que será mais no registo da crônica habitual, a apresentação de uma análise, de uma opinião, de um tema que pode ser da semana, pode não ser da semana, e depois terá um conjunto de outras componentes, uma newsletter que vai passar a sair ao domingo, até permitir alguma leitura de fim de semana. E por isso eu vou ter, por exemplo, algumas sugestões de leituras. Algumas continuarão a ser, como já eram, leituras da imprensa, pode ser chamar a atenção pra um outro texto que eu penso que é relevante aqui do Observador, para aquela matéria da semana, mas podem também ser textos de outros órgãos de informação ou livros que tenham a ver com a atualidade, livros que eu esteja a ler, enfim, sugestões. E além disso, terá uma brincadeira final. Eu vou tentar ter todas as semanas uma fotografia, que pode ser uma fotografia minha, atual, antiga, ou uma fotografia da atualidade que eu selecione, com um pequeno comentário. Portanto, serão pequenos apontamentos, digamos, estas são as partes principais. Haverá, naturalmente, alguma referência àquilo que eu faço na rádio todas as semanas, que é o Contracorrente, recapitulando rapidamente os temas que foram tratados na semana anterior, chamando, eventualmente, a atenção para algum dos programas que tenha tido algum episódio mais interessante ou que valha a pena referir. Portanto, é uma newsletter bastante pessoal, em que misturará crônica, opinião e sugestão. Sugestões de leitura, sugestões que podem ser também de passeios, podem ser também de visitas, podem ser também, eventualmente, menos provável que sejam de atividades culturais, porque não é bem a minha área de conforto, mas não quer dizer que não apareça também. Sempre dentro da linha que é a linha inicial do Macroscópio, que é aquilo que os anglo-saxões chamam de "food for thought", comida pra pensar. Portanto, permitir que quem a leia tenha mais motivos de reflexão e mais sugestões sobre como é que pode olhar para os tempos que correm.

Deixa-me só fazer aqui um apontamento, José Manuel, porque pra quem não te conhece, tu tens uma particular vontade de fotografar.

Sim, de alguma forma. Eu sei que há algumas pessoas que me seguem no Instagram, eu partilho algumas fotografias no Instagram, agora com menos regularidade do que costumava partilhar. Mas enfim, vou partilhando fotografias daquilo que vou vendo, sobretudo da zona aqui onde vivo, eu vivo em Sintra. Quer dizer, vivo na serra de Sintra, não vivo em Sintra, vivo na serra de Sintra, concelho de Sintra, mas já quase na fronteira com o concelho de Cascais, portanto, perto do Cabo da Roca. É um sítio particularmente bonito, devo dizer. Tenho essa felicidade.

Estamos aqui bastante curiosos pra perceber qual é que vai ser essa primeira fotografia que vais incluir na newsletter que vai ser lançada este fim de semana.

Vou até colocar mais que uma.

Já podes dar alguma pista. Boa.

Vou colocar mais que uma. No fim do ano passado, fiz uma visita aqui a um dos monumentos da serra de Sintra, que foi recentemente restaurado O restauro é absolutamente extraordinário. Aliás, ganha um prémio europeu de restauro e agora até há uma espécie de superprémio que está à votação dos europeus, eu até dou o link pras pessoas depois poderem votar. Eu deixo três ou quatro fotografias desse monumento, que é o Convento dos Capuchos, é um sítio mágico aqui na serra de Sintra, não tem nada a ver com o Palácio da Pena ou com o Castelo dos Mouros ou com o Chalé da Condessa, que são várias coisas que aqui há na serra. É um ambiente completamente diferente e está absolutamente maravilhoso. Eu não sou profissional, portanto vou deixar três ou quatro fotografias.

Mas é o teu olhar, Zé Manel. E sai portanto este novo Macroscópio no domingo, esta nova newsletter. Vamos aproveitar também estes minutos finais do semáforo político, Zé Manel, para olharmos aqui, atribuirmos aqui cores de semáforo a uma atualidade que tem estado muito mexida neste final de época, que de silly season já nem tem nada. Um dos casos que marcou o verão teve agora um desfecho. É verdade. Um dos casos que marcou o verão teve agora um desfecho. Fernando Medina já não vai arranjar substituto pra o lugar de Sérgio Figueiredo. É um serviço de consultoria que tinha sido anunciado como uma necessidade específica do Ministério das Finanças. Afinal, parece que não é bem assim. Que cor de semáforo é que escolhes para este recuo?

Eu vou escolher uma cor surpreendente, vou escolher verde, porque o recuo pode ser total. Portanto, para poder assumir completamente o recuo. Mas o episódio em si merece um vermelho. Obviamente que tudo aqui correu mal. Do ponto de vista do ministro, em primeiro lugar, porque é muito estranho que alguém no Ministério das Finanças não tire partido das estruturas da administração pública, e há algumas que têm competências para isto precisamente, e precise de uma empresa, porque ele estava a contratar uma empresa exterior, numas condições muito particulares, porque, por exemplo, quando se contratam os gabinetes ministeriais, têm assessores, têm adjuntos. São pessoas que estão ali em exclusividade a tempo inteiro, ali nem sequer era isso, não se percebia bem exatamente por que era, sobrepunha-se a outras áreas de competências da administração pública e este recuo é uma indicação de que aquilo que muita gente suspeitou que podia ser uma espécie de troca de favores. Sérgio Figueiredo tinha convidado Fernando Medina para a televisão, pra TVI, em concreto, pra fazer comentários na TVI 24, no tempo em que ele era diretor da TVI, e agora, que deixou de ser diretor da TVI, Fernando Medina dá-lhe a mão, por assim dizer. Eu não ponho em causa a competência jornalística de Sérgio Figueiredo, eu conheço a carreira, não tenho nada a dizer sobre isso. Houve já vários momentos em que ele circulou um bocadinho entre este lado e o outro, como a gente costuma dizer aqui no jornalismo. Esteve do lado de cá, depois foi ao lado de lá, por exemplo, quando esteve na Fundação EDP, depois voltou pro lado de cá quando voltou pra TVI e agora, de alguma forma, voltava a ir pro lado de lá. São movimentações que para nós jornalistas são desconfortáveis. Quer dizer, habitualmente nós preferimos que quem está do lado de cá, fique do lado de cá. E quando passa pro lado de lá, fica do lado de lá, não volta, não regressa. Não é a primeira pessoa a quem isto acontece, quer dizer, houve mais casos. Há pessoas que às vezes fazem apenas pequenas passagens pela área do poder. Conheci várias pessoas que fizeram isso e depois a vocação delas é serem jornalistas, mas houve outros casos em que pessoas que andaram pra cá e pra lá também várias vezes, e isso criou sempre muito desconforto em quem trabalhava com elas, porque aquilo que nós devemos procurar ser, que é ter um olhar equidistante, equilibrado, independentemente das opiniões que tenhamos, todos nós temos opiniões, todos nós temos um olhar especial, mas não se tem que estar submetido a fidelidades que naturalmente se criam quando se fazem estas transições. E portanto, independentemente da competência de Sérgio Figueiredo, isto não era muito agradável. E isso veio muito ao de cima neste episódio do mês. Além disso, uma coisa que ficou muito mal, que foi Fernando Medina não deu a cara como devia ter dado. Levou muito tempo a reagir. Antes dele ainda falou o primeiro-ministro e para sacudir água do capote, tudo isto correu mal.

E agora deixa cair esta necessidade deste cargo.

O que dá a ideia que, de fato, não havia necessidade do cargo. Portanto, era mais encontrar alguma coisa para Sérgio Figueiredo fazer.

E é por isso que o Bruno Vieira Amaral e a Joana de França também trazem aqui sinais para esta matéria. Bruno Vieira Amaral, sinal vermelho para Fernando Medina.

Sim, hoje, particularmente para Fernando Medina. Já tinha dado aqui anteriormente um sinal vermelho, mas que foi quase extensível a todos os protagonistas deste caso. Neste caso, agora vou dar mesmo a Fernando Medina, porque esta notícia é prova de que este cargo, esta função, tinha sido desenhada à medida de Sérgio Figueiredo. Fernando Medina, por razões que ele lá saberá, queria ter Sérgio Figueiredo ao seu lado. Esta notícia prova-o. Não era necessária aquela função, não havia nada de avaliação de políticas públicas que Fernando Medina achasse que tinha de ser feito, fosse por Sérgio Figueiredo ou outra pessoa qualquer. Ele queria Sérgio Figueiredo ao lado dele. E isto vem prová-lo. E também vem provar que, se calhar, António Costa cometeu um erro grave ao chamar, ao recuperar, ao salvar a carreira política de Fernando Medina, que tinha ficado em condições bastante precárias após a derrota nas eleições pra a Câmara de Lisboa. Provavelmente, António Costa deveria ter deixado Fernando Medina respirar mais um bocadinho, recuperar daquela derrota, mas não, fez questão de o ir buscar Ir buscar aquilo que eu considero ser um zumbi político. E já se sabe o que os zumbis políticos fazem, e os zumbis em geral, fazem estragos. E é o que Fernando Medina tem feito, com custos que eu acho que poderão ser graves a breve prazo para o governo de António Costa.

São estragos que merecem também da tua parte, Judite França, um sinal vermelho ou é outro?

Não, eu até dava um sinal averiado, porque eu não consigo compreender como é que Fernando Medina foi interrogado, e o Ministério das Finanças foi interrogado durante muito tempo sobre quem é que iria substituir Sérgio Figueiredo. E depois de nunca ter dado a cara pela escolha, só ter vindo dizer quando Sérgio Figueiredo desiste, que tinha muita pena, agora aparentemente não precisa de ninguém para aquele cargo, porque aquele cargo, afinal de contas, não era assim tão importante. Eu não sei se isto é uma questão de ser zumbi ou se está distraído, porque isto dá uma ideia muito clara de que o lugar foi feito à medida. E eu não sei se Medina quer ficar com esse chapéu ou se, de facto, há uma sensação de impunidade tão grande que é uma questão que passa. Isto passa.

José Manuel Fernandes, volto a ti, só temos aqui um minutinho, mas gostava de te ouvir sobre o programa de emergência social que foi apresentado hoje pelo PSD a pedir, por exemplo, uma diminuição da taxa de IVA, e o governo, pelos vistos, já podia ter feito isso, ainda não avançou. Que cor de semáforo é que te merece este plano de emergência do PSD? Que também tem o vale alimentar, tem várias medidas.

O plano de emergência do PSD merece-me um amarelo. E vou dizer porque é que me merece um amarelo, porque eu não vi com suficiente detalhe para saber se é o plano certo. Há, no entanto, alguns aspetos que me parecem positivos, que é a proatividade do PSD. Durante muito tempo o PSD parecia que não existia e agora o PSD toma a iniciativa, antecipou-se ao governo. Fez algo que, aliás, já tinha sido anunciado no comício da Rentrée, no calçadão, como é que se chama aquele sítio? Em Corteira.

O Pontal, sim.

O Pontal. E no discurso final, Montenegro tinha apresentado as linhas gerais deste plano e agora o PSD, antecipando-se ao Conselho de Ministros, que deverá ser na segunda-feira, vem apresentar medidas. Eu não dou já um verde, porque isto em princípio é uma iniciativa positiva. Não dou um verde porque eu não analisei as medidas e não sei se elas são as melhores de todas. Não tenho uma opinião sobre as medidas. Dou algo a caminho do verde, que é o amarelo. Preparem-se para partir.

E terás tempo para analisá-las depois. Eventualmente, até pode ser algum tema do Contracorrente ou irás comentar naturalmente aqui também na Rádio Observador. José Manuel Fernandes, muito obrigada por teres estado no Semáforo Político. José Manuel Fernandes que relança a newsletter Macroscópio já a partir de domingo. Vai ser a primeira e podemos contar, sabemos já disso, com algumas fotografias tiradas pelo próprio José Manuel Fernandes. Bom fim de semana.