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Está na hora de sinalizarmos a atualidade, como sempre, com cores do semáforo da Rádio Observador. O semáforo político está no ar sempre depois do jornal das 6h00. E a nossa convidada esta tarde, Teresa Becasís, administradora da Galp com o pelouro comercial, junta-se à grande repórter de economia, Ana Suspiro, e também ao Bruno Vieira Amaral. Lanço o primeiro sinal verde do nosso semáforo para a moderação da Vanessa Cruz.

E podemos começar com aquilo que os consumidores querem saber: as gasolineiras estão ou não a aumentar as margens de lucro? Teresa Becasís, bem-vinda à Rádio Observador. O que nos tem a dizer sobre esta matéria? Contava ter aqui Teresa Becasís, mas houve alguma falha na conexão. Vamos tentar corrigir isso mesmo. Penso que já temos conosco Teresa Becasís. Creio que me terá ouvido.

Boa tarde. Sim. Antes de mais, agradecer a oportunidade para estar aqui a falar sobre este tema que é tão importante para a vida dos portugueses. Em relação à sua pergunta. Sim. Em relação à sua pergunta, clarificar que sim, que a Galp repercutiu integralmente a descida do ISP no preço dos combustíveis e, portanto, não houve, nesta movimentação de preço, qualquer aumento da margem de comercialização. Todos os postos da rede da Galp tiveram a atualização dos seus preços a acontecer entre as 00h00 e as 00h15 de domingo para segunda-feira e, portanto, não houve efetivamente aqui um aumento das margens de comercialização e os consumidores portugueses podem ter essa informação clarificada aqui em primeira mão pela empresa.

Muito bem. O que explica que as contas do governo sejam diferentes das contas das empresas e sejam sempre mais favoráveis aos consumidores?

Eu penso que as contas do governo não são diferentes das contas da empresa. As contas do governo são muito semelhantes. O que acontece é que, efetivamente, os €0,20 de redução do ISP que foram veiculados correspondem à aplicação de quatro portarias diferentes, que acontecem desde outubro de 2021, e que terminam na alteração que ocorreu esta segunda-feira. Esta segunda-feira, a verdadeira alteração de ISP que estava prevista era de 14,2 cêntimos por litro no gasóleo e 15,5 cêntimos por litro na gasolina. Aconteceu também, infelizmente, que na semana passada houve uma alteração dos custos de produção, nomeadamente das cotações dos produtos e do câmbio euro-dólar, que afeta também o preço dos produtos, e foi necessário fazer uma correção dessa redução esperada no ISP com um aumento de cerca de €0,04 por litro e, portanto, de uma comunicação ou de um número de €0,20 que tinha sido veiculado para o valor efetivo de redução, há uma diferença grande, mas que é justificada por estes dois elementos. E portanto, terminamos com uma descida efetiva do gasóleo de 10,2 cêntimos por litro e na gasolina de 11,5 cêntimos por litro.

Acabamos de ouvi-la dizer, portanto, que todos os postos da rede Galp fizeram a alteração de preços correspondente à descida do imposto, salvo erro, na madrugada de segunda-feira, se bem percebi.

De domingo para segunda.

De domingo para segunda e, no entanto, não sei se já teve a oportunidade de ver o relatório que a ASAE fez à primeira ação de fiscalização, o primeiro dia de fiscalização, em que há sete postos de combustível que não fizeram a alteração de preços, ou pelo menos não comunicaram uma alteração de preços no dia 2 de maio, esta segunda-feira. Um deles é da Galp. Não sei se teve a oportunidade de verificar estes dados e se tem alguma explicação para esta situação.

Nós não temos informação de que tenha existido alguma irregularidade na atualização dos preços que, como bem diz, ocorre na madrugada de domingo para segunda. Internamente, nós fizemos as confirmações das integrações dos sistemas nos nossos 650 postos e não detetamos nenhuma irregularidade. Certamente que com base em informação que nos chegue relativa a essas situações, iremos investigar e aprofundar e, com isso, tomar as medidas que entendermos que sejam necessárias. Este setor, realmente, a Galp é o principal interessado em que exista esta transparência sobre o setor, este escrutínio. Este é um dos setores mais escrutinados que existe, também pela importância que tem para a vida dos nossos consumidores. E, como tal, temos todo o interesse em, usando essa informação, ir entender se ela corresponde à realidade que se praticou no posto ou à comunicação, sendo a realidade que se praticou no posto não coincidir exatamente com o momento em que é comunicada a alteração do preço, porque essas situações também acontecem, mas verificar se houve alguma irregularidade e certamente atuar não só nessa irregularidade, mas também entendendo o que pode ter corrido menos bem nos processos que temos em curso para que não volte a acontecer.

E Teresa Becasís, como é que olha para o discurso que o governo tem tido, nomeadamente até o próprio primeiro-ministro já falou pelo menos duas vezes sobre esta questão dos preços dos combustíveis. Ajuda a aumentar a suspeição sobre as gasolineiras e, já agora, até convido-a a escolher uma cor de semáforo para atribuir às declarações de António Costa, sendo que o primeiro-ministro falou dos bons alunos nesta matéria e não se referiu à Galp

Olhe, eu tenho que dizer, voltar a insistir que a Galp é a maior interessada em que exista uma grande transparência neste mercado. E, portanto, sequer contrariamente àquilo que estaria à espera, a cor que eu dou é uma cor verde. Eu recebo estes comentários do senhor primeiro-ministro e de todos os governantes que vieram a público preocupar-se com esta situação, com agrado. Eu penso que é importante que todos estejamos cientes das responsabilidades que temos por estarmos a atuar no mercado, que é um mercado crítico para a vida e para o bem-estar dos consumidores portugueses. E, como tal, qualquer situação anômala, qualquer irregularidade, nós queremos que ela nos seja reportada o mais depressa possível, para com isso conseguirmos fazer a sua correção. Portanto, saúdo vivamente que tenha sido colocado toda esta intensidade de preocupação e de escrutínio sobre um tema que é tão estruturante.

Teresa Bacarisas, mas a ideia que tem passado para a opinião pública, e isto usando uma linguagem popular, é de que as gasolineiras têm metido dinheiro ao bolso com esta redução dos impostos. Ou seja, o governo fica como o bom da fita, que desceu os impostos, mas que na atualização dos preços, as gasolineiras aproveitaram para meter esse dinheiro ao bolso. É esta a imagem que tem passado para a opinião pública. Acha que o governo, nesse discurso, tem contribuído para reforçar essa impressão junto da opinião pública?

Primeiro, é importante voltar a reforçar que a Galp não está a aumentar as suas margens de comercialização. Estamos cientes da responsabilidade que temos neste momento de preços elevados e asseguramos que apenas o aumento dos custos de produção e que vem essencialmente pelos custos dos produtos nos mercados internacionais, é refletido nos preços para os consumidores. Inclusive, a Galp tem, desde abril, uma intensidade de descontos maior. Durante o mês de abril, estivemos com uma atividade promocional ativa de €0,06 por litro de desconto adicional sobre todos os outros descontos. E estamos agora também com uma campanha de descontos adicionais associados à nossa parceria com o Continente, em que, no total, os consumidores, se usarem todos os descontos, podem chegar a descontos de até €0,24 por litro. Portanto, eu queria reforçar este ponto, porque eu penso que é muito importante que seja entendido que a margem de comercialização não aumenta com descidas de impostos ou com um contexto de preços altos. Em relação à suspeita que o governo está a lançar, eu insisto no mesmo ponto. Não vejo como uma suspeita, vejo como uma preocupação, vejo como um assumir de responsabilidades em relação a um setor que é importante que funcione de uma forma correta, é importante que se assegure que se mantém um setor concorrencial e um setor onde os preços refletem toda uma dinâmica de um mercado livre e de um mercado escrutinado, transparente e com a sua responsabilidade.

Teresa Bacarisas, deixe-me só agora referir uma questão que aconteceu esta semana, penso que por uma coincidência de calendário, mas que de alguma forma terá também ajudado a alimentar algum ambiente de suspeição em relação ao setor, que foi o anúncio por parte da Galp dos lucros do primeiro trimestre, que cresceram, salvo erro, quase 500%. E a pergunta que lhe faço é: neste momento, a Galp está a ganhar dinheiro ou está a ganhar mais dinheiro na atividade de distribuição e venda de combustíveis em Portugal ou, pelo contrário, está a fazer menos dinheiro ou até a perder dinheiro?

Os resultados da área comercial que foram reportados tiveram uma redução de 20% no trimestre. Os resultados que a Galp apresentou são, certamente, o conjunto de várias atividades, mas é preciso conhecer os números. E eu digo-lhe que a área comercial em Portugal representa apenas 3% dos resultados que a Galp tem. Isso não significa que nós não tenhamos um grande compromisso com o país e com Portugal. Esta atividade, apesar de ser apenas 3% do resultado da Galp, emprega mais de um terço dos nossos colaboradores. Portanto, estes resultados que foram publicados não refletem aquilo que está a acontecer como resultados da atividade de distribuição e venda de combustíveis.

Mas tendo em conta este crescimento de lucros para os consumidores que estão a enfrentar uma conjuntura internacional bastante difícil, a Galp não teme danos reputacionais, pelo menos?

Eu acho que é importante também entendermos a perspectiva dos consumidores. É natural que as pessoas liguem as coisas e é natural que façam este tipo de leituras. Cabe-nos a nós, como empresa, esclarecer que a Galp é um conjunto de atividades muito diferentes e que tem níveis de investimento muito diferentes. Quando nós falamos de uma exploração de petróleo, que a maior parte dele nem sequer acontece A maior parte dele acontece no Brasil. Acontece em países diferentes deste, o valor é gerado nesses países, os investimentos são muito pesados e os lucros vêm remunerar esses investimentos. Sendo que é muito importante que os lucros continuem a remunerar o investimento, principalmente numa fase em que a Galp, a própria empresa, está a fazer uma transição, uma transformação muito grande do seu portfólio de negócios e a investir em novas áreas da transição energética, nomeadamente em energias renováveis ou em novas tecnologias que permitem descarbonização de indústrias e transportes. E é muito importante que exista a capacidade de remunerar estes elevadíssimos investimentos que nós vamos ter que fazer. E 50% dos investimentos que a Galp vai fazer nos próximos anos será realmente nestas novas áreas da transição energética. Inclusive, ontem anunciamos o investimento-

Teresa Bacas, eu peço desculpa interrompê-la, mas queria nos voltar a focar aqui no tema dos combustíveis e queria lhe fazer uma última pergunta para a qual eu agradeço que fosse rápida, se possível. Acha que esta medida que o governo está agora a implementar, de descida acentuada do imposto petrolífero, é a melhor forma de contrariar o aumento do preço dos combustíveis?

Olhe, não me cabe a mim comentar a política fiscal do governo. Como operador do setor, os impostos, em geral, são sempre uma boa forma, ou a redução dos impostos, que por si só introduzem algumas distorções no mercado, são sempre uma boa forma de permitir o acesso a um preço mais baixo à totalidade dos consumidores. Portanto, eu diria que sim, que é uma medida que nós acolhemos, damos as boas-vindas e achamos que faz muito sentido. É uma maneira muito eficiente de o Estado poder também participar nesta crise energética que vivemos. E, portanto, parece-me que sim.

Teresa Bacas, muito obrigada por ter estado no Semáforo Político. Teresa Bacas é administradora da Galp com o pelouro comercial e deixa aqui esta garantia de que a Galp não está a aumentar as margens e também reage até com agrado aos reparos que têm sido feitos pelo primeiro-ministro e pelo presidente da República. Rádio Observador, Grande Porto 98.4.

Semáforo Político disponível no nosso site e nas plataformas podcast já daqui a pouco, para já 18h30.