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Mais uma sondagem com dados curiosos que o Bruno Vieira Amaral quer sinalizar neste Semáforo Político, mas vamos começar contigo, Judite França, e com essa multa de €50 mil para a TAP, a propósito da saída de Alexandra Reis, porque a TAP mentiu num comunicado que divulgou ao mercado.

Se dúvidas houvesse que o caso da TAP e da saída da Alexandra Reis tinha sido uma enorme trapalhada, que não havia dúvidas, é verdade.

Não havia muita margem para isso.

Não havia muitas dúvidas. Hoje tivemos a confirmação, porque esta multa da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários de €50 mil, enfim, para quem pagou 500 mil de indenização, pode parecer pouco. E aliás, como a Alexandra Reis também teve que devolver uma parte, pode servir para isso. Mas a verdade é que esta é uma contraordenação muito grave, porque prestar informação errada ao mercado não é algo que se possa tomar de ânimo leve. Só para recordar aqui brevemente, porque tanto aconteceu entretanto, que já não nos lembramos de tudo. A TAP fez um comunicado ao mercado em fevereiro do ano passado, dizendo que Alexandra Reis saía por razões pessoais. Ora, a questão era que isso não era verdade. Nós viemos a saber em dezembro que afinal tinha sido a Christine Nomiè Weiner, que era a então CEO, a decidir pela saída da administradora e a negociar uma indenização dos tais meio milhão de euros bruto, que foi, aliás, o que depois levou à comissão de inquérito na Assembleia da República e à saída do ministro Pedro Nuno Santos do governo. Portanto, foi um dominó causado por esta saída, que agora, ao fim deste tempo todo, se percebe que até ao mercado, aliás, na altura, essa dúvida existiu logo, houve aquilo que o comunicado da CVM diz, uma informação não verdadeira, que é, portanto, uma informação falsa. A palavra que diz a CVM provocou aqui um equívoco, é que há a expressão "renúncia", e isso não permitiu perceber de forma imediata que havia um acordo com a TAP e que Alexandra Reis não saía então por razões pessoais e por vontade própria. É evidente que a expressão foi utilizada propositadamente. Isso é evidente e percebe-se agora com esta multa, mas já se percebia antes. Aliás, a TAP já tinha recorrido da primeira decisão da CVM e entretanto foi de novo condenada. Eu espero que fique por aqui, porque acho que não vale a pena continuar a recorrer de decisões, quando todos sabemos que a informação prestada pela TAP foi objetivamente falsa.

Mas temos boas notícias, caso o PS de Pedro Nuno Santos forme governo, vamos continuar com a TAP.

Pagamos. Esses €50 mil pagamos nós.

E mais trapalhadas virão a caminho, certamente. Estou ansioso.

E portanto, Judite, a tua cor?

É um verde para a CVM, que cumpriu a sua função e que a faz com todo o brio que é suposto. Atenção, a TAP já nem sequer precisa agora de prestar informações ao mercado, porque já não tem obrigações que na altura tinha. Enfim, portanto, se calhar agora será mais fácil de mandar embora administradoras e depois dar-lhes indenizações e dizer que foram renúncias, fazer a tal trapalhada.

E agora não é uma trapalhada, Bruno Vieira Amaral, é só uma sondagem e têm saído várias nos últimos dias. Esta tem alguns dados curiosos que quero sinalizar aqui. Os mais velhos votam no Partido Socialista, os mais jovens à direita, os menos instruídos no PS e quem tem ensino superior na Iniciativa Liberal e no Bloco de Esquerda.

Sim, portanto, isto tudo proporcionalmente aos resultados desta sondagem para cada partido. É muito significativa a percentagem de pessoas com mais de 65 anos e com o terceiro ciclo ou menos, que votam no PS. É este o eleitorado mais forte do PS. A vantagem é muito significativa do PS nesta fatia do eleitorado, que diz que vai votar. E as pessoas com mais de 65 anos são mesmo as que estão mais decididas. Por exemplo, os jovens estão muito inclinados para votar nos partidos à direita, mas ainda há 30% de indecisos, tudo segundo esta sondagem feita para o público e para a RTP. É significativo que seja um grupo muito mobilizado ou já com o voto praticamente decidido. As pessoas com mais de 65 anos, é cerca de 35% que dizem que vão votar no PS. Para o PSD são exatamente 19% desse eleitorado com mais de 65 anos, o que ajuda-nos a perceber esta viragem também do discurso, esta insistência do discurso do Luís Montenegro na questão dos pensionistas, porque pode estar aqui a chave das próximas eleições.

Como normalmente está.

Como normalmente está, mas também é muito significativo, para se avaliar o peso dos partidos, as propostas que apresentam, que haja uma rejeição tão grande entre os mais jovens que já decidiram o sentido de voto do PS.

O problema é a abstenção entre os mais jovens.

E essa deve ser uma aposta dos partidos à direita Como esta sondagem indica, poderá ter no eleitorado jovem o seu eleitorado mais forte. Já se percebeu que são os que estão ainda mais indecisos. É preciso mobilizar. Se a direita quer equilibrar as contas, porque as pessoas com mais de 65 anos pesam muito nos resultados eleitorais, porque normalmente até votam mais do que os mais jovens, é preciso convencer estes jovens a votar, porque não adianta muito haver esta inclinação se depois na hora de ir depositar o voto na urna, os jovens não saem de casa ou preferem outras atividades. Como é que se faz isso? A direita tem um bom exemplo à esquerda nos Estados Unidos com Barack Obama, que apareceu com um discurso centrado na mudança e cuja vitória em 2008 teve muito acento na capacidade de mobilização dos eleitores que votavam pela primeira vez. Esta é, ou devia ser, uma das apostas, ou talvez a aposta mais forte da direita, do PSD, da Iniciativa Liberal. Os resultados também não são maus para o Chega, mas é curioso também ver que os resultados do Chega têm algumas semelhanças com os do PS, porque também consegue muito bons resultados com os eleitores acima dos 65 anos e com as pessoas com menos escolaridade. É um dado curioso, por exemplo, entre as pessoas com ensino superior, os resultados são melhores proporcionalmente para a Iniciativa Liberal e para o Bloco de Esquerda, que nós sabemos que são partidos com uma grande força urbana e junto deste eleitorado. Mas o PSD também não pode entrar só naquela luta pelo eleitorado em que o PS, de facto, neste momento, é muito forte e que dificilmente esse eleitorado irá mudar de sentido de voto.

E eu acho curioso que quando olhamos também para esta sondagem, e estávamos a falar sobre isto há pouco, é esta questão dos mais novos serem tão importantes para os partidos e, no entanto, nós sabermos que são sempre os mais desiludidos com os partidos, sobretudo os partidos do centro. Portanto, é difícil chamar a atenção desses jovens, é difícil chamar a atenção dos mais novos.

Sim, e convencê-los a votar, porque há esse afastamento e eu não conheço os dados da abstenção para os mais jovens, mas a verdade é que nós temos essa impressão de que é o eleitorado mais velho que mais-

Continua a votar e a cumprir o seu dever cívico.

Os mais jovens podem expressar até, por vezes, de outras formas a sua insatisfação, essa desilusão.

Mas sentem que votar não muda nada.

Não muda nada. E esse é que é o problema para a direita, que consegue, ainda assim, cativar mais os jovens.

E é por isso que esta sondagem dá um sinal amarelo para os partidos terem aqui atenção.

Tem vários desafios pela frente.

É, vários desafios. Paramos no semáforo político, um sinal verde e um amarelo, e agora fica vermelho. Paramos por aqui, mas voltamos amanhã.