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O Semáforo liga-se pela primeira vez esta semana. Verde, vermelho, amarelo, as cores à disposição da Judite França e hoje da editora adjunta do Observador, Filomena Martins, para avaliarem temas e protagonistas da atualidade.

Como vem sendo hábito, começamos pela nossa convidada. Filomena, o chefe do Estado-Maior da Armada veio defender o maior estado de prontidão militar para operações reais. Fez bem, Gouveia e Melo, tendo em conta o contexto de guerra na Ucrânia?

Fez e fez aquilo que muitos exércitos europeus e muitos países já estão a fazer, numa realidade que para nós parece sempre paralela, porque nós vamos sempre atrás dos outros, somos sempre os últimos a chegar às coisas. Vai já a cor do semáforo, que é verde para Gouveia e Melo, numa situação que eu acho que está a ficar cada vez mais vermelha lá fora. Ele analisou muito bem em Aveiro quando disse o que tinha a dizer, perante uma situação que se torna cada vez mais real. Nós tivemos hoje a notícia de que Zelensky vai chegar a Portugal nos próximos dias, não sabemos ainda quando. Virá seguramente não só pedir contas ao que lhe foi prometido e ainda não foi enviado, quer por Portugal, quer por muitos países. Virá também, sobretudo, falar do que Gouveia e Melo também falou. Nós vamos estar numa posição em que não sabemos, quando forem as eleições americanas, como lidará Trump com a guerra. Virá também numa altura em que se percebe perfeitamente que a Rússia está a ganhar terreno, apesar de alguns ataques ucranianos em solo russo. E perante isto tudo, vários exércitos na Europa estão a reforçar-se. Um deles é o alemão, que é um dos exércitos mais fortes da Europa, e o exército alemão está a contratar estrangeiros e a pagar por isso. Hoje, por exemplo, foi revelado, penso que por um dos jornais espanhóis, acho que era o ABC que tinha essa informação, de que há um plano e o plano prevê que os primeiros a serem mobilizados em caso de guerra são os jovens entre os 19 e os 24 anos. Havia informações sobre isso, sobre o exército da Finlândia, sobre o exército da Suécia, sobre vários exércitos, sobre o que estão a fazer. Macron tem falado disto claramente várias vezes. E nós, o que estamos a fazer? Que se saiba, nada. O que se falou foi quando se falou sobre o serviço militar obrigatório, caiu carma em Trindade. Parece que é um tema tabu. Quando Nuno Melo disse, que eu acho que foi uma patetice ou uma coisa qualquer que lhe saiu para fora, aquilo que ele disse nem sequer foi debatido, mesmo quando ele o quis debater, falando de outros casos agora nestes últimos dias no Parlamento, como se fosse uma coisa completamente de outro planeta, que até não é, apesar de eu achar que ele disse aquilo da boca para fora e sem ser bem explicado. E mesmo quando o Gouveia e Melo falou pela primeira vez do serviço militar obrigatório, e também toda a gente lhe caiu em cima e ele teve de vir explicar depois que não era bem isso que ele queria dizer, não era serviço militar obrigatório, era uma nova forma de reforçar os militares, que estão cada vez menos em Portugal. E isto é um assunto que nós temos de debater sem ser tabu. De facto, a Europa, neste momento, ou de uma forma com um exército europeu, um reforço do exército da NATO, sabe lá como, nós temos de falar disto. Nós estamos perante um momento em que não sabemos se os Estados Unidos vão ter de reforçar a sua ajuda no Pacífico, sabemos lá. Como é que vai evoluir a guerra no Médio Oriente, também não sabemos, e como é que os Estados Unidos vão ter de ajudar, apoiar, nem como é que vai ficar a Ucrânia e como é que a Rússia vai evoluir nesta guerra. Nós temos de nos preparar para uma guerra que pode chegar a mais países da Europa. E nós podemos ter de entrar nela, até porque temos uma posição estratégica em termos geoestratégicos. E é preciso falar disto, é preciso falar disto sem tabus. E foi disso que falou Gouveia e Melo. E falou de uma forma completamente aberta e sem tabus. Eu acho que isto tem de ser debatido, e mais, tem de ser debatido muito rapidamente.

E por isso sinal verde da Filomena Martins para Henrique Gouveia e Melo, que alertou precisamente para este cenário que porventura na cabeça de muitos de nós parece coisa distante. Não é para Henrique Gouveia e Melo, que fez este alerta. Judite, tu queres falar-nos sobre a Comissão Nacional de Eleições, que fez uma reprimenda à SIC para pedir o mesmo tratamento para todas as candidaturas com representação parlamentar às eleições europeias. Isto porque Ricardo Araújo Pereira não convida o CHEGA para o seu programa de entretenimento, "Isto é Gozar com Quem Trabalha".

Isto parece-me uma espécie de OPA da Comissão Nacional de Eleições ao Rap. Uma OPA da CNE ao Rap podia ser o início de um sketch.

Podia.

Podia. E o que está na base disto também dá para rir, porque é comparar um programa de humor ao critério e rigor jornalístico. E a partir daí, eu acho que a conversa já não faz sentido. Pior do que isto é que a CNE dá uma solução à SIC, que é: se o CHEGA não entra no "Isto é Gozar com Quem Trabalha", então que seja compensado noutro programa. Ou seja, se o Casa Feliz ou a Júlia Pinheiro entrevistarem o André Ventura, está automaticamente compensado? Para perceber qual é o tipo de compensação, se quiserem que a compensação seja feita com o mesmo nível de audiência, será preciso isso? Será uma questão de tempo? Também não vamos fazer mais disto do que é, porque a CNE recebeu três participações de três cidadãos que consideram que há, e eu vou citar: "há um tratamento jornalístico discriminatório em período eleitoral". E depois invocam que nenhum representante do partido CHEGA foi convidado para o programa do Rap. Talvez seja importante começar Por explicar, e a CNE podia fazer essa pedagogia, que o programa do Rap não é jornalismo, ele está sentado como se estivesse num jornal televisivo, com aquela mesa. E, passe a expressão, que a RTP cunhou, não é um telejornal, aquele é um programa de humor. Portanto, com isto a CNE delibera que a SIC tem de assegurar na sua programação, considerada no seu todo, que inclui também programas de humor, cumpra o princípio constitucional de igualdade de oportunidades e tratamento das candidaturas. Das candidaturas, não diz das candidaturas com representação parlamentar. O tratamento deve ser igual em todas as candidaturas. Daí que o Ricardo Araújo Pereira tenha dito: "Então também tem que se entrevistar a senhora do PCP, MRPP ou do ADN, ou dos Juntos pelo Povo". Enfim, todos esses teriam que ter igual tratamento das candidaturas, porque o princípio constitucional da igualdade não faz distinção de quais são as candidaturas. Não perceber que isto é um programa de humor e que é um programa de autores, e que isso não tem nada a ver com jornalismo, que não tem que ter a mesma bitola de representatividade, de igualdade e de pluralismo, é uma conversa que não faz sentido. Eu acho que isto vai ficar por aqui, porque é uma recomendação. A CNE delibera que, mas a CNE não cite.

E é uma recomendação baseada, aliás, com uma recomendação da ERC, que já vinha de um passado exatamente no mesmo sentido. Aliás, o que eles dizem é que é a tal compensação, o que não faz sentido é vir falar também no programa humorístico, mas a isso tudo a CNE já nos habituou.

De facto, é uma questão de liberdade de expressão num sítio que não precisa de cumprir as mesmas regras que o jornalismo precisa de cumprir. E se olhássemos até para a representação do Chega nos espaços informativos, o Chega tem uma representação muito maior.

E como é que tu consegues medir o facto de ir ao Ricardo Araújo Pereira, qual é o impacto nas audiências? É que estar lá pode prejudicar quem lá vai. Não ir lá até pode beneficiar quem lá não vai. Portanto, tudo isto é muito difícil de medir. Ou seja, ir ao programa da Júlia Pinheiro tem mais impacto ou é pior para quem lá vai? Isto é tudo muito difícil. Como é que se mede? Vamos medir isto.

Basicamente, acho que André Ventura quer lá ir, não é? Mas Ricardo Araújo Pereira não o quer receber.

Ele, aliás, já o disse: "Ele não vai lá porque eu não quero convidá-lo."

Exatamente. E, portanto, tem esse direito. Não é a mesma coisa que um jornalista dizer: "Eu não entrevisto determinada pessoa." Isso não é igual e não pode ser posto ao mesmo nível.

E que sinal, Judite?

É um vermelho.

É um vermelho. Sendo que este caso terá, porventura, o condão de aguçar o apetite sobre o próximo "Isto é Gozar com Quem Trabalha" de Ricardo Araújo Pereira.

Este já foi muito interessante com João Oliveira e João Cotrim Figueiredo.

Bastante humorístico.

Mas o debate também foi interessante do ponto de vista do conteúdo, portanto, estou expectante para ver o próximo.