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Quando falo, descubro mais sobre mim e quando escuto, compreendo mais os outros. Mas quer abra a boca ou preste atenção, tenho cada vez mais a certeza que somos todos malucos. Olá a todos, amigos. Sejam bem-vindos ao "Somos Todos Malucos" em 2026. Já estou em 2026 há sensivelmente 15 dias e podem voltar para trás. Não vale a pena virem. Fiquem em 2025, se possível, mas infelizmente acho que já estamos cá todos. Não dá para voltar atrás. E olha, é o quê, é o que temos. Muito obrigado por estarem desse lado. Vamos dar início a mais uma temporada de "Somos Todos Malucos", com estes episódios intermédios hoje, segunda-feira. Está a estrear este episódio, segunda-feira, dia 19 de janeiro de 2026. Quarta-feira temos o primeiro convidado a inaugurar esta nova temporada, que será gravada também num novo espaço, que se vocês forem assistir ao vídeo no canal do YouTube, como estão a assistir alguns de vocês, espero que gostem desta nova casa. Vamos ter várias conversas. Já sabem, venham aqui aos comentários partilhar as vossas ideias, sugestões de convidados, de temas e continuem a acompanhar este podcast independente, já na oitava temporada. Estes episódios intermédios surgiram o ano passado, na temporada passada, sendo que eu resolvi mantê-los, mas numa perspetiva diferente. Se estes episódios se centravam muito na ideia do que é que os convidados que por aqui já passaram poderiam fazer sentir ou refletir, acho que esta temporada, estes episódios vão centrar-se mais na ideia de algumas partilhas de experiências, não só sobre saúde mental, mas se calhar também sobre a atualidade, que se calhar são coisas que vocês pensam também no dia a dia quando vão no vosso carro ou nos transportes públicos ou a andar pela rua. Este primeiro episódio eu gostava de abordar e escolhi exatamente este dia, segunda-feira, dia 19 de janeiro de 2026, porque é considerado o dia mais triste do ano. O dia mais triste do ano existe, meus amigos, e é a terceira segunda-feira de cada mês. De cada mês não, havia de ser bonito. É a terceira segunda-feira de janeiro e é considerado o dia mais triste do ano, o chamado Blue Monday. É a terceira segunda-feira de janeiro, um conceito mediático criado com uma fórmula pseudocientífica que combina fatores como o mau tempo, o fim das festas, as dívidas pós-Natal e as resoluções de Ano Novo falhadas, para apontar este como o dia mais deprimente, mas não tem uma base científica sólida. E eu acho que não tem, porque para mim o dia mais deprimente é sempre um domingo. Eu não sei se concordam, mas eu tenho aquilo que se chama a neura de domingo. Chega ali a meio da tarde de domingo e começa-me a dar uma neura e não consigo explicar muito bem porque é que me dá esta neura, se é de estar a acabar o fim de semana, se é porque vem a segunda-feira. E então se for no inverno ainda pior, porque acho que os domingos de verão, uma pessoa ainda tem coisas para fazer, há sol, há luz, mas no inverno, os domingos de inverno dá aquele sentimento de tristeza. Já esta segunda-feira, dia 19, não sei se isto fará muito sentido ou não. Vamos analisar, porque isto diz que a origem foi popularizada em 2005, portanto quer dizer que até 2005 não havia um dia mais triste do ano, por um psicólogo chamado Cliff Arnall. Combina então o clima frio e escuro, as dívidas de Natal, retorno à rotina, fim das celebrações e as resoluções de Ano Novo não cumpridas. Obviamente que também acreditar que isto será um dia triste, acaba também por referir e reforçar esta mesma sensação. Eu gostava agora que pensassem numa coisa, vocês que estão desse lado: o que é para vocês um dia triste? O que define um dia triste? Como é que vocês definem aquilo que é para vocês um dia triste? Porque eu estava a pensar. Não é um dia triste, que acontece algo que vos deixe embaixo, mas a conjugação de fatores que faz com que defina que esse dia é triste. Eu, por exemplo, às vezes acordo triste. Acordo triste e não consigo definir o porquê. Não é que tenha acontecido alguma coisa particular, não é que vá acontecer alguma coisa particular nesse dia, é simplesmente uma sensação interior de tristeza, que acho que está aliada, obviamente, também à minha própria questão relacionada com a saúde mental. Eu já fui diagnosticado com uma espécie de depressão basal, ou seja, uma depressão que não mata, mas mói, que anda aqui e às vezes, se calhar, há dias em que se identifica e intensifica mais. Mas se calhar, se noutros períodos da minha vida eu ficava com essa sensação e procurava atribuir-lhe um valor. Não só um valor no sentido de: "Por que eu estou a sentir isto? O que é isto? Então devo estar mesmo triste, a minha vida é uma tristeza". Ou também procurar atribuir-lhe um significado e acabava sempre por encontrar um significado. Ou seja, se eu estou triste, por que eu estou triste? Será que as pessoas não gostam de mim? É por causa do trabalho, porque não tenho valor, ou é porque estou com medo que me vá acontecer alguma coisa de mau. Hoje em dia, fruto já de muita terapia também e de autoconhecimento, quando eu tenho este sentimento de tristeza, do dia estar a ser triste, simplesmente assumo isso. Assumo e o assumir não é um assumir: "Pronto, é um dia triste e não há nada a fazer". Não, é assumir que: "Epá, hoje acordei a sentir-me triste. Estou triste e vou fazer para tentar melhorar o meu dia", mas também não seja de loucura, estão a ver a cena tipo: "Sou muito triste, vamos animar o meu dia!" Não é neste sentido. É manter as rotinas, fazer aquilo que eu sei que me faz bem. Portanto, lá por estar triste, não vou ficar mais tempo fechado em casa, lá por estar triste, não vou deixar de treinar, não vou deixar de fazer um ou outro trabalho que tenho que fazer. Se alguém me convidar para ir beber um café, só se eu estiver mesmo: "Epá, não me apetece nada". Mas sentir que é mais aquela sensação de não querer, faço o esforço para ir, porque eu sei que vou aproveitar. Ou seja, ficar com a sensação de tristeza, mas não deixar que ela de alguma maneira se apodere de mim e procurar seguir o meu dia. Ainda hoje aconteceu isso. No dia em que eu estou a gravar isto, que são dois ou três dias antes exatamente desta segunda-feira, dia 19. Tenho andado constipado, aleijei-me num pé, o que me tem dificultado o treino. E hoje fui treinar e era mesmo aquela sensação: "Não me apetece treinar". E isto já está a começar a arrastar. E então, o que eu fiz? Fui treinar. Custou-me um bocado e ainda por cima ainda me aleijei mais um bocado, mas mantive e acaba sempre por ser bom e acabo sempre por valorizar ter respeitado ou ter ido contra esta sensação de tristeza. Curiosamente, este psicólogo, ou melhor, este psicólogo não, pelo menos é o que diz a inteligência artificial, mas eu até concordo. Como lidar com esta segunda-feira triste ou qualquer outro dia difícil? Reconhecer as emoções, lá está, permitir sentir-se sem reprimir essa emoção, cuidar da rotina. Olha, exatamente aquilo que eu estava a dizer, manter o sono, a alimentação e o exercício, atividades prazerosas, reservar tempo para aquilo que traz alegria, procurar apoio, conversar com amigos ou familiares e veja este dia também como uma oportunidade para redefinir metas e focar no bem-estar, em vez de concentrar no que falhou. Esse também é um dos nossos problemas. Nós concentrarmo-nos depois, porque eu ia entrar nesse registo de não querer treinar. Depois começo a me focar: "Olha, lá estás tu a não treinar e pronto, é mais um dia sem treinar". E já dei por esse peditório. E os domingos, que são para mim dias bem mais tristes e que não têm explicação para isso. Já agora vou só pesquisar aqui se encontro alguma coisa em relação ao domingo. Por que o domingo é um dia triste? A neura de domingo, vou escrever: a neura de domingo, se isto existe. A neura de domingo, neurose de domingo, é a sensação de tristeza, ansiedade ou angústia que muitas pessoas sentem no final do fim de semana, especialmente à noite, devido à antecipação da rotina desgastante da semana de trabalho, falta de satisfação pessoal ou profissional e o esgotamento do tempo livre. É um fenômeno psicológico que reflete o desequilíbrio entre a vida de lazer e a vida laboral, gerando estresse e até pânico ao pensar nos desafios que virão. Lá está. Como lidar com a neura de domingo? Reorganizar a rotina, encontrar maneiras de tornar os domingos mais relaxantes, planear atividades prazerosas, estão a ver? Vamos sempre parar isto ao prazer. Buscar equilíbrio, avaliar a vida profissional e pessoal para identificar fontes de insatisfação e aceitar o ciclo. Lá está, entender que o ciclo de esforço e descanso é natural e buscar formas de vivenciá-los de forma mais saudável. Lá está, ou seja, respeitar esta sensação à mesma de neura. Mas não se deixar enterrar por este desconforto e esta sensação de neura. E eu acho que isso, lá está, o autoconhecimento, ler, terapia ajuda muito. O respeitar, nem que seja só o simples respeitar e entender que as emoções são para ser sentidas, isso já ajuda. Esta neura de domingo, este dia mais triste ou qualquer dia triste que seja Qualquer dia triste que seja para vocês, é importante entender exatamente isso: é preciso acolher essas sensações e, mais do que tentar passar o dia a justificá-las ou a dar-lhes um significado, aceitar, integrá-las, mas seguir a nossa vida. E eu acho cada vez mais importante esta questão de nós definirmos os tempos para fazermos aquilo que gostamos. E parar. Acho que ainda há muita gente que tem o conceito de parar como se fosse tirar uma hora para fazer o que quer que seja. Se for, melhor ainda. Mas às vezes o parar é aquela coisa básica e óbvia de cinco minutos, 10 minutos, ler um bocadinho, ficar só, sem fazer nada, respirar fundo. Todos nós temos isso. Temos, porque às vezes o tempo que nós achamos que não temos, estamos a gastá-lo ao telemóvel ou a pensar em parvoíces ou a discutir ou whatever. Isto é cada vez mais importante, nós podermos respeitar estes momentos, porque são estes momentos, estas paragens, que também nos abrem a possibilidade, depois, de nós olharmos para as nossas emoções e de percebermos aquilo que estamos a sentir. Porque senão somos como os ratinhos nas rodas. Estamos sempre na roda a correr e quanto mais aceleramos, mais ela gira e quanto mais ela gira, mais nós aceleramos e não saímos disto. Portanto, os dias tristes fazem parte, os domingos tristes fazem parte, mas se calhar quando eles estiverem a fazer já muita parte da vossa vida, então é importante olhar e entender o que é que podemos fazer para mudar isso. Sem medos, sem dramas e seguir em frente. Este episódio está a ir para o ar hoje, segunda-feira, dia 19 de janeiro, considerado o dia mais triste do ano. Se fizeram muitas resoluções e ainda não cumpriram nenhumas, têm mais 340 dias, mais ou menos, para as cumprir e passinhos pequeninos. Começar com cenas pequeninas. Olha, como eu disse no outro dia, o problema é esse, é nós fazermos grandes resoluções. Por isso é que a minha resolução única deste ano foi acordar. Acordar. Porque se eu acordar, já estou a ganhar. Portanto, a partir daí é sempre a melhorar. Eu ao acordar, já estou a ganhar à minha mãe, ao meu pai, à minha avó, uma data de tios meus e infelizmente de outras pessoas. Portanto, vamos respeitar também o facto de eles já não acordarem e vamos nós acordar e fazer alguma coisa com isso. E acordar, isto pode ter bué sentidos, malta. Acordar, acordar fisicamente, mas também acordar, não naquele registo movimento Gustavo Santos, mas acordar para a vida, acordar para fazermos aquilo que gostamos. Malta, muito obrigado. Até quarta-feira. Quarta-feira temos então o primeiro episódio desta nova temporada do "Somos Todos Malucos". Este foi o primeiro "Intermédios" de 2026. Não se esqueçam, um aspeto importantíssimo, que eu esqueço-me sempre de promover as minhas coisas, ainda por cima num podcast que ninguém me está a pagar, que eu não sou obrigado a dizer outras coisas. O espetáculo "Volte Já" está em cena, o meu espetáculo de stand up sobre o meu medo de morrer. O espetáculo gira em torno de uma experiência que eu tive há três anos, de saúde, que foi um bocadinho chata, que não se sabe em mais lado nenhum, só se sabe neste espetáculo. Se isto vem para as revistas, é capa do "Correio da Manhã". É um espetáculo sobre o meu medo de morrer, que me acompanha desde pequeno. Tem tido um feedback muito bom. Felizmente, tem tido casas cheias e conto com vocês. Vejam as datas em antonioraminhos.pt ou procurem por "Volte Já", porque está Penafiel, Bragança, estes dois já estão esgotados. Vamos ter também Entroncamento para a semana, vamos ter Guimarães, vamos ter Figueira da Foz, vamos ter Lisboa outra vez e mais uma data de datas que vão surgir. Portanto, se ainda não viram, procurem e juntem-se a mim nesta aventura. Quanto ao "Intermédios", muito obrigado por estarem desse lado. E até. Até para a semana, claro, porque é dislexia e tem que entrar sempre. Até para a semana.