Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Olá, minhas coisinhas boas. Deliciosas não sei, que não provei.

Queres me contar alguma coisa?

Não, se calhar estou a ser baseada. Desculpem, estou love bombing. Desculpem.

Estás love bombing. Começa outra vez.

Olá, bom dia, tudo bem? Daqui é a Rita da Nova, estamos no "Terapia de Casal". Sabe agora eras tipo uma pessoa-

Parece só anúncios de aeroporto

...uma pessoa que não sabe estar no meio.

Ok.

Imagina, ou é love bombing, tipo: "Vocês são lindos, maravilhosos", ou então é: "Bom dia, tudo bem?"

Ya. Como é que é?

Tudo bem? Aqui estamos mais um episódio de "Terapia de Casal".

Ya. Eu estou aí.

A ouvir aí. Isso. Como é que é?

Isso que aquilo que deve acontecer aos seus primos.

Ya. Olha, é giro ser os primos.

Ya, é giro.

É giro. Como é que tu estás?

Eu estou bem.

Esqueci-me de dizer, meu nome é Rita da Nova, estou com meu marido, Guilherme Fonseca. Entramos aqui nesta brincadeira. Vai que alguém calha neste episódio pela primeira vez.

É verdade. Bem-vindo.

Bem-vindos.

Ou bem-vindo ao "Terapia de Casal". Como é que estás?

Tudo bem.

Temos mais episódios no Patreon. Não te esqueças de subscrever pra ouvir e depois cancelar a tua assinatura pra não pagares mais um mês. Nós não somos desses que andamos aqui a roubar.

Não.

Como é que eu estou? Já falo a seguir, porque eu sei que tu perguntas como é que eu estou, mas não esperas a resposta.

Não.

Tu tens a curiosidade.

Hoje genuinamente era como é que tu estás. A curiosidade não vai colar com a tua resposta.

Sinto que estou entupido há uma semana e meia, que é uma coisa que me está a chatear, porque eu não me sinto doente de maneira nenhuma, a não ser de vez em quando pinga do nariz. E apercebi-me da minha idade recentemente, mas eu já vou falar a seguir.

Ok. Eu, há dois episódios, fui ver o que se tinha passado naquele dia no mundo e eu hoje achava que já era a Blue Monday, mas não é. A Blue Monday é a próxima segunda-feira, dia 19.

Ok.

Então pensei: "Será que hoje é alguma coisa?" Primeiro, eu gostava de saber quem é que define os dias internacionais e os dias mundiais deles.

Alguns são inventados pelas próprias marcas ou as próprias instituições.

Porque janeiro é uma salgalhada.

Ok.

Tu começas janeiro com 1 de janeiro é o Dia Internacional da Paz. Lindo, maravilhoso.

É?

Sim.

O dia da ressaca é o dia da paz?

Sim.

É o dia do deixa-me em paz. High five. Não, é um curtisse de testa. Agora.

Mas também é o Dia Internacional do Domínio Público.

Ok.

Das coisas em domínio público. Depois aqui janeiro tem o Dia do Euro, o euro do dinheiro no dia 1 de janeiro, porque foi decidido porque começou recentemente.

Essa faz sentido.

Depois também tens a 8 de janeiro, o Dia da Rotação da Terra.

Mas isso não é todos?

Pois. Depois tens aqui um que era muito engraçado, onde é que está? No dia 14 é o Dia Mundial da Lógica.

Ok.

E dia 16 pra ti é o Dia Internacional do Hot and Spicy Food.

Ok, esse é o meu dia. 16 de janeiro?

16 de janeiro.

Ok.

Mas depois tens aqui coisas ridículas como o Dia Internacional da Aceitação, dia 20 de janeiro.

Ok.

Global Belly Laugh Day, dia 24.

Ok. De rir agarrado à barriga? Há um dia?

Sim. E depois, no dia 26, o Dia Internacional das Alfândegas.

Ok.

E dia 27, meu favorito, é o World Breast Pumping Day.

Ok, o dia de tirar leite com a máquina.

E eu penso: "O que é isto? Pra quê?"

Eu volto a dizer o que disse na semana passada. É pra dar conteúdo aos programas da rádio que precisam de conteúdo pros programas da manhã.

Mas não é o dia da Mônica e o dia da Paula e o dia da Flávia?

Também. Mas há sempre o dia de alguma coisa que é pra eles poderiam falar. E agora ficamos a falar de breast pumping o resto do programa todo. Antes de irmos ao trânsito. Rita, que máquina é que tu usas pra tirar o teu leite?

Enfim, acho curioso, não sei quem é que define essas coisas, mas acho que os dias internacionais e mundiais de janeiro refletem um pouquinho aquilo que é janeiro.

É essa a tua curiosidade?

Não, não é bem curiosidade. Fui pesquisar e tenho aqui.

Ok. Rita, eu apercebi-me recentemente-

Mas eu gostei do desdém.

Mas o que queres que eu diga em relação a dias de-

Não foi desdém. É essa a tua curiosidade? Ok, seguimos pra outros temas muito mais importantes.

Temos, sem dúvida nenhuma, nós temos aqui coisas importantes pra falar. Devagarinho, vá lá, se não ficas no colo. Exatamente. Eu apercebi-me recentemente da minha idade, porque dei um jeito às costas por causa do nosso sobrinho.

É verdade.

E eu acho que é assim que se nota que eu já não tenho bem a idade que os meus hábitos de entretenimento ou a minha roupa com estampagem do "Rick and Morty" deixa transparecer que eu tenho. Porque dar cabo das costas por causa de andar-

A pegar ao colo uma criança.

É, acho eu, o fim da linha. Eu estou pronto pra abate, vocês podem vir cá a casa, eu estou pronto pra me lerem os últimos last rites, não sei como é que se diz em português. Os meus...

Não, os seus last rites, não.

Como é que se chama aquela coisa quando o padre vai ler os últimos-

Não, é tipo vai te dar uma bençãozinha, que é pra tu ires purificado.

Não, mas é os últimos.

Vai te purificar o ar.

Não é purificar o ar. Isso não que faz aquela coisa quando nós passamos cospe.

Vai te lá passar aquela salva.

Como é que se diz last rites em português?

Últimos direitos? Não.

Não. Há uma expressão.

Last rites, espera.

Last rites em português.

Se ao menos alguém tivesse aqui um computador.

Pois. Quer dizer, pra ver os dias internacionais de janeiro.

Olha, não gozes comigo, porque eu acho muito interessante a salgalhada que é janeiro. Últimos direitos. Não.

Last rites em português.

Guilherme, estou a pesquisar em chinês. Últimos direitos.

Ok, então pronto, são os últimos direitos. Olha, eu nunca tinha ouvido isto assim, parece uma novela. Tu viste o episódio ontem dos últimos direitos?

Não, desculpa, estás a falar da extrema-unção.

Exato, é isso. Vamos ler a minha extrema-unção e eu estou pronto para ir. Dar cabo das costas por andar com uma criança ao colo é das coisas mais deprimentes. E eu tive esta conversa com o Cláudio, com quem eu trabalho, e que tem agora uma filha bebé, e ele diz: "Não, sabes o que é? Eu todos os dias de manhã faço alongamentos para a mobilidade." E eu: "Mais meia hora e estamos a falar de pilates e de hidroginástica. O que aconteceu à minha vida?"

Guilherme.

O que aconteceu à minha vida?

Vou agarrar a tua mãe enquanto digo isto. Eu já fiz hidroginástica.

Pois claro que já fizeste. Mas tu és uma velhinha por dentro e por fora.

E não é fácil fazer hidroginástica, digo-te já.

É, dona Arminda, como é que foi?

Não é nada fácil, porque tens de estar dentro de água e a água tem resistência.

Pois tem, tem essa resistência, dona Arminda, mas fez-lhe bem aos joelhos ou não? Não se sente melhor agora?

Olha, estás a gozar comigo, mas quem é que está empenado?

Já não estou. É uma questão de postura, sentei-me melhor e agora já ando com o meu sobrinho às costas e já subo com o rabo.

Pois, então, mas isso era o que devias fazer desde o início.

É, mas com uma criança, uma pessoa está ali a brincar. O nosso sobrinho adora lâmpadas e eu tenho que estar sempre a esticá-lo para candeeiros. E as minhas costas a certain altura, não é.

Nunca vi uma criança tão fascinada com luz.

Pois não. Eu nunca vi.

Fica: "Ah!"

"Ah, ah!" E quando descobre o botão para ligar e desligar a luz... Eu gostava de ser tão fácil de entreter.

Como uma criança de um ano, não é?

É. Às vezes eu estou aborrecido e era darem-me um interruptor.

A semana passada, portanto esta semana que passou, eu fui ter com a minha irmã a uma Fnac, não interessa, estávamos lá as duas, e a certa altura num dos expositores a luz estava intermitente, estava assim a abanar. Bem, e ele começou a correr para esse expositor e eu pensei: "Vai atirar as coisas todas", ainda por cima eram brinquedos, livros e não sei o quê, "vai atirar aquela porcaria toda ao chão, tenho de ir a correr atrás dele". Quando ele chega ao expositor, aponta para a luz que estava a piscar, vira-se para mim e faz: "Ah".

"Ah".

"Ah". Ele só queria ver a luz a piscar.

No fundo, sabes aquelas pessoas, eu não sei como é que é fora de Lisboa, porque moramos em Lisboa e a minha referência é Lisboa, portanto desculpem lá.

Mas tu estás mesmo tipo: "Desculpem lá, se eu moro em Lisboa." Agressivo.

Não é agressivo, eu estou a desculpar.

Estás mesmo. "Desculpem lá."

Por acaso, a seguir eu estava a falar de outra coisa que é isso.

Desculpem lá, lindas.

Mas faz-me lembrar as pessoas que no Natal se metem no carro, pico para o trânsito, para ver as luzes de Natal do centro de Lisboa.

Olha, Guilherme.

Que é das coisas mais deprimentes.

Olha, Guilherme.

É deprimente.

Olha, Guilherme.

Para mim é o fundo.

Não, não é.

É o fundo.

Não é, desculpa.

É bater no fundo. É vamos ver a decoração que o Carlos Moedas pôs na Avenida Liberdade ficando parados no trânsito três horas.

Espera, mas há duas coisas. Há ir ver a decoração de Natal, como eu fiz durante muitos anos com a minha família, que é estacionas o carro, vais a pé.

Tu ias ver a decoração de Natal com a tua família?

A minha avó adorava ir ver as luzes de Natal.

Eu não sei se este casamento tem pernas para andar.

A minha avó adorava ir ver as luzes de Natal, queres que eu te faça o quê? Eu ia dizer a uma senhora velhota, quase na sua extrema-unção: "Não, avó, não vamos. Queres ir ver as luzes de Natal? Não vamos."

Que promessa é essa, avó, não vamos ver as luzes de Natal.

Não vamos.

Então vocês iam passear a olhar para lâmpadas?

Não era passear a olhar para lâmpadas, Guilherme. Era parar o carro, estacionar o carro e passear pela Baixa de Lisboa quando já estava de noite e ir vendo as decorações, ir vendo a rua e passear. Eu não ia de carro, ou seja, eu não fazia o percurso para ver as luzes de carro.

Isso já acho estúpido, o que tu estás a descrever. Agora, ir de carro para mim é... Eu não sei se essas pessoas deviam votar.

Antes isso do que ser como tu, que não tem tradiçõezinhas destas.

Tenho outras.

É, tens outras.

Crio com o meu irmão, ouçam o episódio de 25 de dezembro.

Pois, crias com o teu irmão, mas e essas tradições de família? Um dia, quando estiveres no teu leito de morte...

Vou criar essa tradição com o meu irmão, que é todos os Natais vamos ali à rua ver os candeeiros de rua. Olha que bonito, este candeeiro de rua, mesmo a meu merlinho.

Qual é o problema? Leva o Duarte que ele vai gostar.

Pois, exato. Já viste que a tua tradição de família é a mesma de um bebé de um ano.

Estou sempre a dizer que morrer e nascer é a mesma coisa.

Ya.

A minha avó também é fascinada com as luzes. Pronto, o que queres que eu te diga?

Assim está muito parecido.

Pronto.

Por falar em teu sobrinho.

Nosso sobrinho.

Sim, senhora. É só que é do teu lado, minha sobrinha, porque é do meu lado.

Não, não é.

É só para simplificar a comunicação.

É mais do meu lado do que teu.

O amor eu não tenho diferenças.

É.

O que é que eu ia dizer? Ontem aconteceu uma coisa muito engraçada. Nós tivemos todos um almoço/lanche.

Não, um lanche/jantar.

Um pequeno-almoço/ceia. Por acaso, por esta ordem nunca faria sentido. Seria ceia/pequeno-almoço, porque assim tínhamos estado a fazer a mesma coisa.

Pequeno-almoço/ceia, não, estavas o dia todo.

É o dia todo. Quem me dera. Mas nós tivemos um encontro de família e há uma pessoa da tua família que é mais, vou dizer assim...

Tem o pezinho no Chega. Então podes dizer. Tem. Já estou irritada outra vez.

Estás a gritar.

Desculpem. Bom dia. Desculpem.

Tu tens uma pessoa que vota no Chega. Tu tens um familiar que vota no Chega.

Ele diz que não, mas...

Ya, mas não se justificou muito. Mas tu tens um familiar que vota no Chega, pronto, tens um familiar que vota no Chega. E o que acontece? Ontem as pessoas já sabem da minha condição de gostar de conversar com pessoas que pensam de uma maneira completamente diferente e de perceber por que ele vota num partido no qual eu não acredito. Pronto, e eu quis conversar com ele. E eu estou a conversar com ele.

Calma, que ele em momento algum disse que votava. Até estava tipo: "Não, mas eu não, mas eu se calhar..."

Está bem, certo.

Mas depois diz: "Eu nunca votei no mesmo partido". Então, tipo, também, there are so many options.

Sim, quantas é que tens aí nesse canto?

Se à partida não votas esquerda, porque estás claramente a dizer que és uma pessoa de direita.

Sim. Mas eu estava a conversar com ele e estava a tentar perceber porque ele estava a dizer Que não achava o Chega um partido de extrema-direita. Que é uma discussão que eu esfreguei as mãos e até me meti na conversa. Eu estava a postar um "reel" do meu stand-up e de repente: "Espera aí, eu gosto desta conversa, vamos embora. Por que tu achas que não é de extrema-direita?" "Porque o partido nazi também tinha socialista no nome. O partido nazi era socialista." E eu: "Epa, agora estamos a falar de nomes." Está bem. Então, o que aconteceu? Eu comecei a conversar com ele e eu ainda estive uma boa meia hora a falar com ele, mas tranquilo.

Estiveste 15 minutos. Não foi meia hora, foi 15 minutos.

Pronto.

Eu sei, porque foi o tempo que tentava vestir o meu sobrinho.

Exatamente. O que acontece? Vocês não estão a perceber. A Rita está do outro lado da sala. Parecia uma chaleira. Tu estiveste 20 minutos. E houve uma altura em que rebentou a tampa, tu levantas, começas a atirar coisas ao chão e dizes assim, eu vou dizer Telmo para não dizer o nome do teu irmão: "Telmo, eu não te permito que tu digas. Telmo!" A atirar as coisas ao chão. "Eu não acredito que tu estás a dizer que o Chega não é de extrema-direita."

Mas meia a brincar. Não estava mesmo passada. Havia raivinha.

Havia raivinha para sair.

Claro que sim.

Foi espetacular. Tu tiveste uma cena do género: "Eu não acredito." E o teu pai a rir, sem olhar para ti. A ver dois filhos a discutir um com o outro.

A minha irmã só dizia, porque eu estava a ajudar o meu cunhado a trocar a roupa do Duarte, para ele já ficar com o pijama para quando chegasse a casa. E eu já não estava. O Marco só dizia: "Ajuda-me aí." E eu nem olhava.

Tu estavas com as mãos assim de lado, mas a olhar para a minha conversa.

Sim, a minha irmã só dizia: "Ela estava com um agarramento com um deles." Não sei, deu-me. Sabes que esta questão de discutir política foi uma coisa da qual eu sempre fugi muito, porque me irrito. Ou seja, a minha tendência é irritar-me.

Mas lá está, são pessoas como tu, que se irritam a falar de política, que fazem com que falar de política tenha má reputação. Porque eu comecei a falar com esse teu familiar de política e as pessoas todas à volta começaram imediatamente a dizer assim: "Já estão a discutir, isto já está desconfortável, vamos antes falar de futebol. Porque eles estão ali a conversar?" Quando eu e o teu familiar.

Tu já disseste irmão, okay.

Já disse irmão. Agora já me esquivei. Eu e o teu irmão estávamos tranquilamente a falar. Em nenhum momento fomos malcriados, em nenhum momento gritamos um com o outro. Tecnicamente, eu percebo que o teu irmão é 100% Iniciativa Liberal, mas como levou com propaganda racista em relação aos castanhos, de repente é meio Chega. É só por causa disso, porque tudo o que ele acredita é uma mentalidade neoliberal americana de capitalismo e de meritocracia social e financeira. Portanto, o teu irmão tecnicamente é Iniciativa Liberal, mas deixou-se levar pelas redes sociais e vota no Chega, ou vota na extrema-direita. Portanto, a conversa até foi superinteressante.

Sim, e tirando o meu momento, que foi mais engraçado do que outra coisa.

Completamente. A conversa foi toda boa do início ao fim. Foi bastante interessante.

Eu inseri-me na conversa. E essa é a altura quando as pessoas começaram a dizer: "Não vá falar de política." Eu disse: "Não, isto é importante."

Mas por que não se pode falar de política?

Por que não se há de falar de política?

Por que as pessoas ficam desconfortáveis à nossa volta por estarmos a falar de política? Repara, quando eu estou a conversar com o teu irmão, eu não quero mudar a opinião dele. Eu não quero trazê-lo para a esquerda, ou para o centro, ou para a direita moderada. Não, eu só quero perceber porque ele acha aquilo, porque ele vê aquilo daquela maneira. É só isso. E as pessoas estavam genuinamente desconfortáveis à nossa volta. O lado da sala onde eu estava a conversar com o teu irmão, as pessoas foram para o lado oposto, afastaram-se. "Não, eu vou para o lado contrário da sala, antes que comecem a voar copos." Agora, para terminar isto, eu queria falar do que tu disseste quando chegamos a casa, que eu vou-te deixar dizer e vou-me assoar.

Então nós chegamos a casa, eu ainda estava a pensar nesta conversa, porque depois eu inseri-me na conversa e aí, sim, tivemos imenso tempo a conversar. Cheguei a casa e pensei. Estão a ouvir o nosso elefante? Um, dois, três. Ali está ele, muito bem. Eu cheguei a casa e estava a pensar: "Engraçado como são sempre as pessoas com tendências muito mais conservadoras, até já adjacentes à extrema-direita, que têm mais filhos."

Ou mais, não é tradicionalistas, mas é mais conservador. Mas conservador até pode ser mais religiosa, por exemplo, CDS.

Sim, conservadores de costumes, etc. E eu perguntei ao Gui: "Tu achas que nós devíamos ter filhos para repopular a esquerda?" Quase que me sinto na obrigação.

Sabes qual é o problema? É que nós e os nossos amiguinhos de esquerda andamos para aqui a fazer diagnósticos de autismos, e a pintar o cabelo, e a andar a ir a festivais, e a curtir imensos novos estreias da Netflix, e a direita está a ter filhos.

Mas isso para mim é o meu preocupo.

Nós andamos aqui todos contentes. "Não, nós queremos uma Nintendo Switch, não queremos filhos, nós queremos voltar ao Japão, nós não queremos filhos." E o que está a acontecer? Os nomeiros estão a ter sete filhos.

Ya.

Depois não me venhas dizer daqui a 20 anos: "Ai, meu Deus, o que se passa? Que mundo é este?" Nós não estamos a ter filhos, a culpa é nossa.

Mas, por outro lado, também é um bocado uma roleta russa, não é?

Como assim?

Imagina que agora eu dizer: "Guilherme, pelo bem da esquerda em Portugal, eu vou aceitar ter dois filhos." 2.1, que é o necessário para renovar.

Eu não sei como é que vamos fazer o .1.

É um braço, está tudo bem.

Eu estou pronto.

Pronto, Guilherme, pelo bem da esquerda em Portugal, pela esquerda em que eu acredito, que é uma esquerda capaz de dialogar. Vamos ter filhos. 2.1 filhos. Bora.

Sim, senhora, estamos todos prontos.

É uma roleta russa Pode-me sair um Sebastião Bugalho.

Eu percebo o que tu queres dizer, mas por um lado, tu não sentes que pessoas de esquerda que têm filhos acham sempre: "Epá, mas os filhos vão sempre contra os pais, vão contrariar os pais, vão ficar de direita." Mas os putos de direita tu pensas assim: "Claro que os putos são do Chega, os pais são do Chega, foram todos endoctrinados."

Endoutrinados, não endoctrinados, Guilherme.

Tens toda a razão, endoutrinados. O que quer dizer que as pessoas de esquerda, além de não terem filhos, que é o nosso problema, que andamos aqui distraídinhos com TikToks, quando temos, não somos bons a obrigar os nossos filhos a ficarem com os nossos ideais. Deixamos os nossos filhos pensar pela própria cabeça e eles ficam de direita. Portanto, nós estamos a dizer tudo errado. Viva a direita, a direita vai mandar em Portugal.

Livra-te.

Sendo que direita não tem mal, extrema-direita é que tem mal.

Obviamente, é disso que estamos a falar.

Foi muito engraçado. Diverti-me genuinamente ontem quando tu tiveste o teu ataque de fúria a atirar coisas ao chão, que eu acho que era a roupa que o Duarte tinha vestido antes.

Era a roupa que o Duarte tinha vestido antes.

A atirar ao chão. "Ó Telmo!" Ainda por cima tu, imaginem uma pessoa a ter um ataque como eu estou a descrever, que é uma pessoa que se levantou do sofá, meteu-se na conversa e está a atirar coisas ao chão. Mas a Rita só tinha uma peça de roupa, portanto quando atirava ao chão, tinha que se baixar outra vez para agarrar e atirar outra vez. O que estraga um bocado o momento, não é?

Mas teve mais graça.

Teve muita graça.

O beat teve mais graça.

Teve muita graça. Tanto que eu e o Telmo desatámo-nos a rir.

Claro, o objetivo também era esse, não era tipo: "Agora ficou dramático."

Ya. Mas pronto, é só porque eu sei que algumas pessoas também devem passar por isso com a sua família ou com amigos. Eu gosto muito de falar de política com pessoas que têm visões diferentes da minha. Há pessoas que são abertamente racistas ou fascistas ou o que seja, eu com essas pessoas não tenho vontade nenhuma de conversar, mas com o teu irmão Telmo, foi divertido falar. Gostei.

Pronto.

Vamos a e-mails.

Vamos a e-mails.

Pronto. Queres ir a primeiro qual? Tu é que escolhes.

Eu quero ir ao que já estava cá da semana passada, que é história e amizade.

Sim, senhora. Espera aí.

É antigo, Guilherme.

Mas tu marcaste. Está aqui.

Sim.

Então dale. Podes ler. Sê feliz.

"Olá, Rita, Guilherme e gatinhos. O meu nome é Emma Stone." Ela é que pediu. Nós estávamos aqui: "Por que nós chamamos Emma Stone a esta pessoa?" Ela é que pediu.

Nós cumprimos tudo o que nos mandam.

Exatamente. "E recentemente descobri o vosso podcast, ouvi três episódios e agora estou viciada. Gosto muito do podcast, especialmente a parte dos e-mails. Por isso resolvi participar também. Vou contar-vos uma história sobre a minha amizade com uma amiga que já não é minha amiga e no fim gostaria de saber a vossa opinião."

Olha, falecimento de amizades.

"Nós fomos amigas durante uns quatro anos, desde o ensino secundário. Quando o secundário acabou, nós seguimos caminhos diferentes na universidade. Continuávamos a falar e a sair juntas, mas não com tanta regularidade por estarmos as duas ocupadas. Passado um ano, mudámos as duas de curso e acabámos por ficar na mesma faculdade e no mesmo curso. Ambas ficámos muito contentes por estarmos juntas novamente e na mesma turma. Com o passar do tempo, eu comecei a notar um afastamento da parte dela. Notei que ela dava mais atenção aos amigos que fez no curso anterior do que propriamente a mim. Eu sou uma pessoa introvertida e ela é uma pessoa mais extrovertida. Ela consegue fazer amizades mais facilmente do que eu. Eu só a tinha a ela como amiga. Não tinha mais ninguém. Eu considerava-a a minha melhor amiga, por isso sentia-me um bocadinho triste." Obrigada, Baguera. "Por isso sentia-me um bocadinho triste, sabendo que ela estava a afastar-se. Chegou o mês de dezembro e no último dia de aulas antes das férias, eu passei-me. Ela é fumadora e eu não. Eu odeio tabaco, odeio o cheiro e tudo isso faz-me impressão, incomoda-me imenso e eu afasto-me sempre que há a hipótese. E ela sabia disso. Nesse dia estávamos no intervalo e fomos as duas lá para fora, mais os amigos fumadores dela. Eu fiquei ao lado deles e fiz um pequeno comentário que foi: peço desculpa, mas o cheiro do tabaco incomoda-me e por isso vou lá para dentro. No final do dia, quando cheguei a casa, contei o que aconteceu à minha mãe e ela fez-me ver que o meu comentário foi desagradável e um pouco ofensivo e devia pedir desculpa."

Não concordo com a mãe. Aliás, deixa-me só dizer isto: ela própria foi lá para fora com os fumadores, estava ao pé dos fumadores e disse: "Olha, desculpem lá, mas o cheiro do tabaco está a me incomodar, vou lá para dentro." Por que isso é ofensivo para os fumadores?

Pode ter dependido da maneira como disse.

"Este cheiro de merda!"

"Não te admito!"

A tirar a roupa do Duarte ao chão.

"No dia seguinte, foi precisamente isso que fiz. Mandei mensagem à minha amiga a pedir desculpa, ao que ela respondeu: não te preocupes com isso, estamos bem, amigas na mesma. Coraçãozinho, mão, coração. Eu fiquei aliviada e respondi desejando-lhe boas férias e bom Natal. A partir daqui foi quando as coisas começaram a desabar. No mês de janeiro eu saí da universidade e isso afastou-nos um bocadinho mais, mas eu não queria deixar de ter amizade com ela. Pouco tempo depois disso, ela fez anos, eu mandei-lhe uma mensagem de parabéns e ela respondeu-me e agradeceu. Uns dias depois mandei outra mensagem a perguntar se queria sair comigo, isto foi em janeiro 2024. Hoje estamos em dezembro de 2024." Sim, eu sei que nós respondemos este e-mail um bocadinho tarde. "E ainda estou à espera de uma resposta. Mas esperem, queridos especialistas, que isto ainda fica melhor. Ao longo deste ano de 2024, eu encontrei-a algumas vezes na rua. Primeira vez foi quando eu e o meu namorado fomos ao cinema, nós estávamos a sair do cinema e ela estava a entrar. Ela viu-me, eu também a vi e já estava pronta a levantar a mão para dizer-lhe olá, mas ela literalmente virou-me a cara como se não me conhecesse de lado nenhum. A segunda vez foi quando fui buscar o meu namorado à universidade, ela viu-me e simplesmente ignorou-me, não disse nada. E a terceira e última vez foi quando fui com o meu namorado ao hospital. Nesse dia a parte das urgências estava caótica. Uma hora depois ela também aparece e olhem só, aquilo como disse estava caótico, cheio, ela vai e senta-se na cadeira ao lado da minha e nada. Eu não vou mentir, nesse momento apeteceu-me confrontá-la, mas infelizmente uns minutos depois o meu namorado volta e fomos embora. Esta é a minha história. Peço desculpa por ser tão grande, mas eu não quis deixar nada de parte. Eu só gostava mesmo de saber por quê. Por que este ghost? Ela age como se eu já não existisse e eu não sei o porquê. Foi devido ao meu comentário? Eu pedi desculpa, ela aceitou as minhas desculpas, disse que estávamos bem, continuávamos amigas. Eu não percebo. Se ler este e-mail, agradeço muito pela vossa paciência e atenção para com o meu testamento. E por favor, digam-me a vossa opinião acerca da história. Mando a seguir fotos das minhas cadelinhas. Beijinhos."

Então, mas agora quero ver as cadelinhas.

Abre.

O que é isto?

Todas as cachorras. Muito fofa.

Sim, senhora. Olha, o que eu acho em relação a isto? Eu acho que a tua amiga já não tinha vontade de ser tua amiga há mais tempo do que tu achas. Acho que ela usou isso como desculpa. Acho que o teu comentário não teve mal absolutamente nenhum. Eu estou sempre a dizer aos meus amigos que fumam para não fumarem para cima de mim quando estou ao pé deles ou fico do lado do vento. Estou sempre a fazer isso.

Também eu.

"Quando é que é o vento? É deste lado? Ok, então vou para o lado do vento". Ainda por cima é meio estranho, porque eu adoro o cheiro do charuto. Quando estão a fumar charuto ao pé de mim, eu ponho-me contra o vento, para apanhar com o cheiro do charuto, mas tabaco é de facto desconfortável e as coisas ficam todas a cheirar a tabaco.

Sim, para mim também.

Portanto, o teu comentário, se foi como tu disseste, qual é o mal de uma pessoa dizer: "Olha, desculpem lá, está-me a fazer confusão o cheiro a tabaco, eu vou lá para dentro outra vez". Em relação a amizade ter acabado. A faculdade é a altura em que mais relações acabam, amorosas e de amizade.

De amizade, sim.

Porque os grupos partem-se, porque tu fazes amizades novas, começas a perceber quem é que tu és num contexto novo. Há imensa gente que fica presa naquela mentalidade e amizades de escola secundária e que nunca cresce daí, infantilizam para sempre. E eu acho que é normal, na altura da faculdade, as amizades irem para cada lado. Onde é que eu acho que a tua ex-amiga está errada?

Em não dizer nada, não é?

Em te dar ghost. Porque é que a tua amiga desapareceu completamente da tua vida, disse que estava tudo bem, que não teve mal e que continuava tudo bem, depois cagou para ti e ignora-te em público? É que a tua amiga, além de te ter dado ghost, é malcriada.

Ya.

É malcriada, está a ser mal-educada. Porque tu não lhe fizeste absolutamente nada, a menos que falte alguma coisa no e-mail e que tu, sei lá, fizeste cocó na cama e não contaste no e-mail, mas a menos que falte algum pormenor no teu e-mail, que eu duvido muito, a tua amiga, única e exclusivamente, cresceu para um lado diferente do teu.

Sim, e não há mal nenhum em crescer para lados diferentes. A questão aqui é precisamente esta maneira como eu acho que ela aproveitou esse momento e pensou: "Agora são as férias do Natal, já não nos vamos ver, vou aproveitar fazer aqui um soft ghosting". E eu acho que há duas opções aqui. Ou a nossa Emma Stone aceita que isto foi a decisão da amiga, que nunca vai perceber os motivos, e segue em frente.

Ya.

Isto é duro de lidar, porque tu não só estás a lidar com a tua frustração, como estás a lidar com o facto de não saberes, nem nunca vires a saber porque é que isto aconteceu.

Ya.

Ou confrontas.

Eu acho que a melhor maneira é fazeres como o Trump fez com o Maduro, que é durante a noite, arranjas três ou quatro gajos muito grandes e musculados, vais à casa dela, vais lá buscá-la e arranca-la da cama. Levas para um sítio, para um armazém abandonado e interrogas a tua amiga e dizes assim: "Por que deixaste de ser minha amiga? Quero respostas". Levas um martelo e apontas ao mindinho do pé. Quero saber, dizes agora ou isto vai acabar mal. Porque é que deixaste de ser minha amiga? É por fumares ou não, o que é que aconteceu? E depois devolves outra vez à cama, à noite.

Ela à partida já fez xixi nas cuecas.

Exatamente, troca-se e depois vai dormir. Tu só tens estes dois métodos. O da Rita ou o meu.

Eu acho que o teu era mais fácil. Pelo menos é mais direto, não é?

O meu parece-me um bocadinho mais eficaz.

Exato.

Mas quem sou eu?

O meu requer um bocadinho mais de desenvolvimento pessoal, estares bem contigo própria e a fazeres este trabalho. Se calhar dá muito trabalho.

Ya, ou agora escolhe. Agora escolhe.

Agora escolhe.

Se és o método da Rita ou o meu, tu é que sabes.

Vamos a mais um e-mail?

Vamos a mais um e-mail. Eu vou ler o ofender burlões.

Ok.

Que eu acho mais giro, porque tem também a ver com a tua energia de ontem, assim tu descarregas um bocadinho a energia que ainda tens de atirar a roupa do Duarte ao chão. Então aqui vai. O e-mail é da Carolina Patrocínio. Por quê? Porque foi burlada.

Pelo seu agente.

Pelo seu agente. "Caros terapeutas, espero que se encontrem bem". Este e-mail é curto, direto e grosso. Grosso e direto. Não sei como é que se diz.

Grande e grosso e dá a volta ao pescoço e mete no bolso.

Não, não é nada disso, não é sobre pichas. É curto e grosso, não é como estou a dizer.

Quem é que falou de pichas?

Grande e grosso e dá a volta ao pescoço é o quê?

Pode ser um cachecol.

É essa a energia que eu quero. "Caros terapeutas, espero que se encontrem bem".

Estamos ótimos.

"E espero que consigam arranjar-me um nome original".

Aqui está, Carolina Patrocínio burlada pelo seu agente.

Exatamente. "Eu sei que o assunto deste e-mail é estranho, mas por favor leiam até ao fim. Resumidamente, fui vítima de burla empresarial. Já fui à polícia fazer queixa e ao banco. Trabalho num hotel. Telefonaram a informar que chegaria uma encomenda e que eu precisava de pagar uma parte porque houve um problema com o pagamento. Caso contrário, a empresa teria uma multa enorme por não cumprirem a parte do acordo, neste caso, o pagamento. Naquele momento fazia sentido, mas pronto. Queria só pedir-vos para ofenderem aqueles canalhas e deixarem o alerta de que até por chamada telefónica para o local de trabalho, aquela gente sabe enganar bem. Obrigado pela atenção e pelo excelente podcast". E depois há um PS que diz assim: "22 € por 23 episódios no Patreon". E eu pensei: "Agora vai nos chamar a nós burlões".

Ya, também pensei.

Mas depois disse assim: "Quer ir? Quero. É como ir às sessões de terapia sem sair de casa e ainda mais barato". Portanto, depois no fim isso ela já não acha que seja um esquema para roubar dinheiro.

Já não é esquema.

Com o devido caveat de que foste tu que foste enganada.

Olha, sim, mas deixa-me dizer-te uma coisa.

Espera aí que a Rita pôs um ar sério.

A burla está cada vez mais evoluída.

Evoluída. Sem dúvida nenhuma.

A burla está perigosa.

Por acaso eu admiro os burlões, porque os burlões, eu admiro os burlões.

Eu não vou ofender os burlões, porque eu acho que eles são bem inteligentes.

Os burlões arranjam esquemas. Esta coisa do "olá, pai, olá, mãe, fiquei sem dinheiro", isto é superinteligente.

É superinteligente

A criatividade toda parece que está condensada nos ladrões. Os ladrões são super criativos.

Sabes porquê?

Porque é que não apanhamos os ladrões? A polícia apanhava os ladrões e em vez de penas suspensas, alta instrução.

Era o Rui Pinto.

Era: "Agora trabalhas para o governo".

Agora trabalhas connosco, Rui Pinto.

Agora trabalhas para o governo. Olha, tu agora vais falar com o Sócrates por WhatsApp e vais fazer com que ele confesse. Porque é que estes burlões têm estas capacidades espetaculares?

Olá, Sócrates, é o teu amigo.

Sempre queres que te mande aquele dinheiro que é teu, mas que tu dizes que é meu? Por que não estamos a usar os burlões?

Olá, Sócrates, tenho aqui os livros todos que tu compraste, os teus livros. Mas vou mudar de casa e não consigo.

Porque os burlões são inteligentíssimos, acompanham a tecnologia, porque já roubam por MB Way e é por WhatsApp a fingir que são os filhos. Excelente!

Com a foto dos filhos.

Excelente.

Eu vou te dizer uma coisa: eu acho que há duas categorias de pessoas neste mundo que nós estamos a desaproveitar.

Brancos e pretos. És como o teu irmão Telm e já estás a separar as pessoas por cores.

Ele não separou as pessoas por cores.

Estou a brincar.

Mas há dois tipos de pessoas neste mundo que nós estamos a desaproveitar: os burlões e os preguiçosos.

Exatamente.

Porque os preguiçosos são quem arranja os engenhos melhores para não terem de fazer nada, não terem de trabalhar, nem se mexer.

Eu sei que a Carolina Patrocínio queria-nos do lado dela e a insultar os burlões. Calma, nós já vamos insultar os burlões, mas primeiro eu tenho só que dizer que eu admiro imenso esta malta que anda a arranjar esquemas para roubar dinheiro, porque são mesmo super criativos. Por isso é que eu desconfio de tudo.

Eu também.

Eu desconfio de toda a gente.

Eu vou ver o endereço de e-mail que mandou, mas, por exemplo, já vi ontem ou anteontem um TikTok de uma rapariga que quase foi burlada ou enganada a trocar a sua passe do Instagram com um e-mail que em tudo era parecido com o Instagram.

Eu recebi esse e-mail ontem.

Pois.

A dizer: "Tentou renovar a sua password hoje às 10:00 da manhã" e eu olhei para o e-mail e disse: "Não, foi alguém que tentou entrar. Caguei, não vou carregar em nada, não vou carregar em link nenhum devido a toda a gente".

Sim, mas em tudo é parecido, portanto, estes esquemas estão cada vez mais.

Agora vamos ser roubados este ano com esta conversa.

Nós nunca. Nós com uma multa para pagar, já acumulá juros.

Agora eu tenho aqui uma questão. Há outro pormenor que me interessa nesta história e eu sinto que a Carolina Patrocínio não nos deu os dados todos, que é: vamos refazer este cenário. Tu estás a trabalhar num hotel.

Num hotel.

Estás na receção, suponho. Não sei, mas é administração. Estás na receção do hotel. E eu ligo-te, eu sou o burlão. E eu ligo-te e digo-te assim: "Boa tarde".

Boa tarde.

"Olha, é o seguinte, há aqui uma encomenda para entregar no hotel e falta um bocadinho do pagamento. Falta uma parte do pagamento que não seguiu e eu não posso entregar isto, que é uma encomenda urgente para o seu hotel, para a sua entidade profissional, e eu preciso só que me pague estes 20 € para eu entregar a encomenda".

Ok, então venha e eu entrego à porta.

Sim, senhora.

Eu pago à porta.

Pronto. Mas ela recebeu de facto uma caixa e estava vazia? Fez o pagamento à distância?

Não, eu acho que deve ter feito o pagamento à distância.

Uma espécie de um MB Way, será?

Provável, uma referência Multibanco.

Uma referência Multibanco, pagou e depois não entregaram nada, é isso?

Eu acredito que tenha sido isso.

Já percebi. É que eu estava a imaginar um gajo mesmo à porta, estava no balcão com uma caixa a dizer: "Olhe, mas falta pagar aqui 30 €". E depois a caixa está vazia.

Não, eu acho que não, senão ela também percebia que a caixa estava vazia.

Ya. Nunca mais me esqueço. É porque há um ponto em que os burlões são tipo mágicos.

Ya. É o Now You See Me.

Na verdade, a magia é uma burla. Mas não vamos entrar por aqui.

Não, não é uma burla, porque não estás a tirar nada a ninguém.

Estás o dinheiro do bilhete. Pois. Ali ao gamar.

E a magia de rua.

Também é burlões. Porque no fim vês as moedas. Mas o que é que eu ia dizer? Tu lembras-te daquele esquema que acho que acontecia no centro de Barcelona, que era: tu andavas no centro de Barcelona e estavam lá uns senhores a vender uns telefones recondicionados ou iPhones e não sei o quê. E tu compravas o iPhone e eles punham o iPhone à tua frente dentro de um saquinho e fechavam o saco ou punham numa caixa e diziam: "Olhe, não abra a caixa aqui porque anda aqui muita polícia, abra quando sair da zona". Eu não sei se Joana Gama, com quem eu fui falar no podcast dela esta semana, não caiu nesse esquema, acho que foi ela. Mas compras o telefone, metem dentro de uma caixa e dizem: "Não abra aqui por causa da polícia, abra só quando sair desta rua. Quando dobrar ali a esquina, já pode abrir". E as pessoas abrem a caixa e lá dentro estão pedras ou coisas a fazer peso e não está lá dentro. Mas à frente da pessoa, ele meteu o telefone dentro do saquinho. Esse slight of hand, para mim fascina-me, porque é magia.

É fascinante.

Eu sou vivamente fascinado com os burlões. Malta, desculpem lá, eu admiro-vos. Agora, parem de roubar o nosso ouvinte.

Agora, claro que tu podes ter essas histórias que são verdade de Barcelona, mas tu viste, agora um bocadinho pouco relacionado, aquilo que Barcelona fez no TikTok. A cidade de Barcelona, os habitantes de Barcelona fizeram no TikTok.

Não faço qualquer espécie de-

Que foi criar conteúdo falso em como Barcelona estava super perigoso, que era para os turistas não irem para Barcelona.

Mas um esforço concertado?

Sim. Começou-se a criar esse esforço de: "Que horror, Barcelona está super, acabei de ser roubada, não sei o quê, não venham, está muito perigoso, está muito mau, não venham, não façam".

Isso é super engraçado. Bora fazer isso em Lisboa.

Eu estou sempre a dizer.

Vou começar a partilhar tudo do Chega, que são vídeos da Turquia.

Lisboa está horrível, não venham turistas, não venham americanos, não venham israelitas.

Estão a meter as turcas em todo lado. Não venham para aqui, está horrível.

Está horrível.

Que é para baixar um bocadinho as reservas dos restaurantes. É aí que me afeta um bocadinho.

É o velho rico.

Ya. Os restaurantes estão sempre cheios e é preciso libertar mais mesas nos restaurantes. Vamos começar a dizer que Lisboa é perigoso.

Vamos fazer uma burla. Vamos burlar.

Eu vou começar a concordar com o teu irmão Telm, que Lisboa está muito perigoso e isto tem demasiada imigração, porque Lisboa está impossível. Só porque eu quero os restaurantes mais vazios.

Pronto. Olha, enfim, acabamos todos a concordar, não é bonito? terapiadecasalpodcast@gmail.com é para onde vocês podem mandar os vossos e-mails, como fez a Emma Stone e como fez a Carolina Patrocínio. Esperamos ter ajudado, não ofendemos os burlões, mas olhem, concordamos com eles e também é o que é. Para a semana cá estaremos lindos, maravilhosos. Quer dizer, eu sim, o Guilherme depende.

Eu vou continuar em TPIZ, parecia.

Em TPIZ, sim, continua. Até lá, entrem em contacto connosco, mandem-nos e-mails, estamos aqui para responder, para ajudar. E até para a semana.

E um ganda beijinho. E como é que é, Rita? Eu não te admito.

Eu não admito que tu digas.