A líder do Partido Conservador britânico, Kemi Badenoch, afastou, na terça-feira, a possibilidade de formar governo com a formação populista de direita Reform UK, liderada por Nigel Farage, assegurando preferir uma segunda volta de eleições gerais.
Em entrevista à estação britânica Sky News durante o congresso anual dos conservadores em Birmingham (centro de Inglaterra), Badenoch afirmou acreditar que, dada a atual fragmentação do Parlamento britânico, nem conservadores nem Reform teriam maioria absoluta caso se realizassem novas eleições agora.
Quando questionada se equacionava a possibilidade de formar uma coligação governamental com o Reform UK após as eleições, Badenoch evitou inicialmente responder, mas, perante a insistência da entrevistadora, acabou por dizer: “Preferia ter novas eleições, sim”.
A líder conservadora — que surge atualmente como terceira opção nas intenções de voto, atrás dos trabalhistas e do Reform UK — admitiu que, neste momento, o partido não ambiciona uma vitória eleitoral, tendo como objetivo prioritário reconquistar os eleitores que migraram para o partido de Farage.
Nesse sentido, a líder dos “tories” apresentou-se como a “única alternativa credível” ao Partido Trabalhista, que governa o Reino Unido desde julho de 2024, e frisou que apenas consideraria a hipótese de eleições gerais antecipadas — uma vez que as próximas estão previstas para 2029 — caso o atual primeiro-ministro, Andy Burnham, não financiasse a Defesa de forma “adequada”.
Durante o seu congresso anual, que termina quarta-feira, os conservadores anunciaram várias promessas eleitorais na área da Defesa, incluindo a criação de um sistema antimíssil (“Britannia Shield”, inspirado na “Cúpula de Ferro” de Israel), para proteger o Reino Unido de ataques com drones e mísseis.
O sistema incluiria proteções “paralelas” para os Territórios Ultramarinos Britânicos, incluindo novos sistemas de radar e de defesa aérea para as Ilhas Malvinas, em resposta ao que o Partido Conservador classificou como “ameaças” recentes por parte da Argentina.
“Tomaremos todas as medidas necessárias para impedir que alguém pense sequer numa invasão, pois as Falklands são britânicas e sempre o serão”, afirmou esta terça-feira o porta-voz conservador para a Defesa, James Cartlidge.