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Olá, sejam muito bem-vindos a mais um episódio de "Terapia de Casal". Hoje comigo está a minha querida esposa, Rita da Nova, e um convidado que é não só a pessoa que mais vezes veio a este podcast oficialmente, a partir deste momento.

É verdade.

És a pessoa que mais vezes veio a este podcast.

Não posso.

Tu achavas que a nossa amizade estava perclitante.

Sim, sem dúvida.

E não está.

Sou um recordista.

Tu és um recordista, porque tu fizeste um episódio ao vivo em Coimbra connosco em que tinhas tirado um dente do siso.

E esse conta?

Esse conta.

Conta. Um episódio é um episódio. Depois vieste cá a casa porque a Rita estava a tornar-se uma hippie e vieste falar com ela.

Não, acho que até foi antes.

Exatamente. Eu comecei primeiro em casa e depois no palco.

Exatamente. E depois o que é que aconteceu? Foste novamente convidado para vir ao nosso podcast ao vivo.

Também conta.

Não, essa não.

Quatro vezes.

Essa lamentemente não conta.

Sim. Porque senão a semana passada também gravámos, não é?

Pois.

Cinco vezes.

E os dois doentinhos tiveram que adiar isto. Mas o que eu ia dizer? No episódio ao vivo, tu não pudeste vir por causa do Natal. O único ponto negativo na história do Natal foi não podermos ter gravado por causa do Natal. Não foste nosso convidado por causa do Natal, mas hoje estás aqui. Obrigado por voltares.

Que azar. Cancelei uma ida a um podcast porque tinha Natal no primeiro fim de semana de dezembro.

Sabes que, e nós falámos disso lá, normalmente eu e a minha família, como o meu irmão é imigrante, temos que adiantar o Natal. Nós puxamos o 23 e o 24 normalmente para o 21 e 22. Eu estou habituado. O Natal é quando um irmão imigrado quiser, é o que eu acho.

Perfeito. Foi isso que aconteceu. Obrigado pela tolerância natalícia. Estou aqui com alto entusiasmo, como sempre, e estou muito contente. Agora, não deveria haver aqui uma medalhinha, um brinde.

Pois era.

Eu acho que só a partir das cinco. É um número redondo.

Nós vamos fazer um cartão.

Está bem.

Um cartão.

Isso é bom.

E cada vez que tu vieres, nós carimbamos.

Com carimbo. Vocês tiverem o carimbo. E à sexta vai ser um sucesso, vão ter aqui dos melhores convidados cá neste país.

Com carimbos.

Com carimbo.

À décima vez.

A gente vai querer completar. Não, as figuras, esquece.

Todas, todas loucas.

Todas loucas para virem aqui.

Uma gamification.

Sim, na verdade, tu vais na frente, pole position, o teu lugar é teu.

Impresiona, quem é que está em segundo?

Joana Marques. Joana Marques está em segundo lugar com o maior número de presenças neste podcast.

E ela agora está ocupadíssima, não deve vir tão cedo.

Não, ela agora não consegue.

Não, e ela cá em casa não gosta muito de vir.

Não, ela aqui não vem.

Porque ela tem um bocadinho medo dos gatos.

Isso também é giro. Isso é engraçado.

Não é medo. Não é que as pessoas dizem que não é medo, é receio, desconforto.

Sim.

Ela não gosta muito, fica um bocado desconfortável. Nós temos sempre de pôr os gatos do outro lado da casa, fechar a porta.

Já eu, tive hoje aqui um pequeno evento com um gato, não sei se fica bem de ser eu a dizer, mas gostava que vocês partilhassem com quem nos ouve o que é que aconteceu.

É verdade.

Um gato que vocês têm. Está a olhar para mim. Olha onde é que ele está a ir. Olha para este.

É dos que com brucinha.

Não, o Risotto adora-me.

Não, o Risotto adora.

De repente, não há aqui um gato que estranha todo e qualquer ser humano e de repente criou aqui.

Gosta de ti.

Gosta de mim.

É verdade.

Gosta de ti.

É aí que eu queria chegar.

Mazara, o Risotto é como o grande público português e tem um grande carinho por ti.

Muito bem.

Sendo que o Risotto tem tamanho de cão, se quiseres podes levá-lo.

Passa por cão?

Sim.

Passa por cão. Nós contamos aqui uma história, que eu vou resumir porque os nossos ouvintes já conhecem, que é o Lux Dog, que é um senhor que veio entregar o Uber Eats cá a casa e a Rita explicou que tinha a porta só um bocadinho aberta por causa do gato, senão o gato fugia. E o senhor olha assim para baixo, vê o Risotto e diz assim: "Is cat?" E a Rita disse: "Sim." E ele: "Hum, Lux Dog."

Sim, ele: "Tu não sabes o que é que tens em casa."

E então nós passámos a chamar ao Risotto Lux Dog. O Risotto é Lux Dog por causa disso.

Eu não tinha visto já que era de luxo, de noite ou de luxo ou qualquer coisa, de Lux. Não, Lux Dog.

É Lux de que não parece muito...

Todos os nossos amigos chamam Lux Dog ao Risotto.

Muito bom. Boa história.

Mazara, tu voltas como terapeuta a este podcast, agora não para falar de a Rita ser hippie. Já tratámos esse episódio, as pessoas podem ir ouvir.

Como é que ela está já agora?

Está melhor, já não usa tanto o balde, mas o balde continua a existir e aquela água continua ali.

Ou seja, estou igual.

Ela não piorou, manteve o nível de hippie, vou dizer assim. Pronto, vou só dizer assim. Muitas plantinhas.

Mas as plantas da casa estão boas, não é?

Estão excelentes.

Quer dizer...

Pois, aquelas ali estão...

Rita, eu vou dizer agora uma coisa extrema, que acho que isto já é hippie extremo. Sei que não é o tema, mas...

O que é que tu fazes agora?

Cá vai disto. Tenho feito xixi para algumas plantas em minha casa.

Mas das de fora ou as de dentro?

As de dentro.

Ok.

É que fora eu até compreendia.

Eu vi que estavas à espera da conclusão. E sei que não estás do meu lado, sei que é bizarro. Também não queres isto para a Rita, não queres isto para o teu lar, e eu entendo perfeitamente.

Era muito esquisito entrar na sala e ver a Rita agachada numa planta.

Até porque para mim é mais difícil acertar na planta.

Não, claro, e poderia haver outros métodos, outros sistemas, etc. Mas isto agora é falar um bocadinho sobre mim também. Pronto, é o meu espaço. É um minuto e meio. Não, nem tanto. Um minuto. Pronto, é só uma curiosidade, que é realmente, não pode ser em abundância, nem pode ser diariamente, mas aqui e ali, a urina humana é muito nutritiva para as plantas.

Claro.

Pronto. Então, eu amo as plantas. Vou abdicar de regá-las com a minha urina por quê? Por nojinho?

É verdade.

Tens toda a razão.

Não é?

Tens toda a razão.

O que é o amor, se não é este tipo de partilha?

Se não é mijar nas nossas plantas, não é?

Claro, exatamente. As plantas estão lindas.

Pois, era o que eu ia perguntar, como é que elas estão.

Lindas

Com um brilho especial.

Ok.

Não sei de onde é que vem o brilho especial. Eram seis, mas ficamos só por aí, não tenho mais.

Antes de ires embora, se quiseres passar só ali naquelas do canto que não estão muito bonitas.

Não sei, queres mais água para no fim...?

Até tenho pena de ter feito o xixi antes do podcast.

Se soubéssemos.

Claro, desculpem lá. Olha, veio tarde esta conversa, mas se eu tiver aqui um bocadinho. Vou beber mais água durante o podcast.

É isso, se quiseres outro café, se quiseres mais água.

Se quiserem eu posso ficar aqui até mais tarde.

Ficas aqui sentadinho à espera.

Sim, só sais daqui quando regares as plantas todas cá de casa.

De repente isso é um serviço.

Isso era giro.

É, pode ser.

Temos aqui lutas entre gatos.

Estou a adorar. Está a ser distrativo para mim, porque está um grande combate. Está a ser um grande combate. É mesmo logo da cabeça.

É claramente uma luta de irmãs, porque elas não querem magoar-se, é só aborrecer uma à outra. Mas se calhar avançamos.

Vocês às vezes não gostam, quando os gatos estão assim, de meter a mão no peitinho dos gatos, eles arranham-vos e mordem-vos, e até magoam um pouco, mas é uma boa sensação.

Aquela cena de conexão.

Mimo agressivo.

Mimo agressivo. Essa brincadeira que ultrapassa um bocado o limite, porque já sente um bocadinho à dor. Não sei, tem prazer nisso, não?

Não. Eu, pessoalmente, prefiro mijar nos gatos, é mais a minha cena, mas também não vou estar aqui a explicar, é uma cena nossa e os gatos, como tu sabes, estão saudáveis.

Imagina, se dissessem assim: "O xixi nos gatos torna a pele deles, o pelo, e torna-os mais saudáveis e previne uma série de problemas de pele, etc." Vocês fariam? Ou não, com spray?

Faria.

Ok.

Acho que diretamente no gato, não.

Um borrifador.

Parecia um sheik do Dubai, quando vêm as influencers para fazer cocó em cima. Não, mas agora um borrifar assim um bocadinho de xixi.

Fazia. Até porque eu faço xixi todos os dias várias vezes.

Pronto.

Não é?

Acho que isso fazia.

Pois, mas contigo ficavam ensopadinhos, não era?

Ficavam.

Ficavam ensopadinhos, andavam sempre todos húmidos os gatos.

Coitados.

Era giro levantar-me e os gatos começarem todos a fugir do género: "Pronto, lá vem o gajo."

Lá vai a cascata, lá vai a cachoeira.

Olha, Mazara, o capítulo EPI.

Claro, vamos deixar-nos de brincadeiras.

Estamos bem.

Não, porque isto agora é sério, tu sabes que este podcast é sério. O que é que se passa? Nós chamámos-te agora na condição de especialista em viagens/especialista em amizade em viagens. Vou-me explicar porquê. Porque tu tens um conteúdo no YouTube muito giro chamado "Viajar é um filme", em que foste viajar com dois amigos. És uma pessoa versada em viagens. E o que é que se passa? Eu e a Rita queremos falar contigo sobre pontos positivos e pontos negativos de viajar com amigos, porque eu e a Rita viajamos muito sozinhos, mas também viajamos com amigos e temos algumas viagens marcadas e já tivemos viagens com amigos. E há pontos positivos e pontos negativos, há alguns problemas que costumam aparecer quando se viaja com amigos. E antes de irmos aos nossos problemas pessoais, porque é para isso que tu estás aqui, para nos fazer terapia a nós e, neste caso, aos nossos amigos com quem viajamos, eu gostava que tu dissesses, na qualidade de especialista em viagem com amigos, que dicas é que tu tens para que a viagem corra melhor.

Na qualidade de pessoa especialista com amigos, que dicas é que tu tens...

Que dicas é que tens para, se vais viajar com amigos, faz mais isto, faz mais aquilo, não vás por aqui, não faças isto.

Isto foi uma pequena piada. Tu disseste: "Eu queria que tu dissesses..." e eu disse. Ora bem, primeira dica: antes de fazer uma grande viagem com um grande amigo, vão de fim de semana com ele.

Oh.

Porque realmente, as pessoas revelam-se bastante em viagem. E não quer dizer que o nosso melhor amigo, a pessoa com quem estamos melhor, seja a pessoa ideal para viajar.

Sem dúvida nenhuma.

Muitas vezes não é. E não tem de deixar de ser o nosso melhor amigo por esse motivo, ou uma pessoa de que nós gostamos muito, por esse motivo. Em determinada circunstância, pode não resultar tão bem, porque aí temos acesso a novas características dessa pessoa. Os horários de acordar, as coisas que gosta, tem que haver uma certa sintonia para as coisas que querem ver e vão ver. E de facto, já me aconteceu isso. Há pessoas que eu realmente tenha label de bom companheiro de viagem e não bom companheiro de viagem.

Pois, e que são ambos amigos. Ou seja, não tem nada a ver com a amizade.

Tenho grandes amigos meus que não queria viajar com eles. E de facto, eu também posso adiantar que eu tenho para mim que eu gosto ainda mais de viajar sozinho.

Ok.

Ok.

Gosto. A viagem solitária é a minha viagem favorita. Ou a viagem apaixonada.

Claro.

A viagem apaixonada é muito agradável também. Com amigos, depende um bocado de que tipo de viagem, do contexto. É isso. Posso também dar-vos aqui, se calhar, alguns exemplos.

Sim, se quiseres entrar por exemplos, também temos aqui espaço para isso, mas eu noto essa diferença que é normalmente quando vou viajar com a Rita ou viagens em paixão, como tu disseste, viagens em amor, normalmente é turismo, turismo. Viagens com amigos, normalmente têm um propósito, não é? Porque quando tu vais viajar é ou é a despedida de solteiro do Telmo, ou é vamos ver um espetáculo ali.

Não.

Viagem de turismo com amigos é o que eu acho que tem mais terreno para correr pior. É o que eu acho.

Ok, tu achas que quando vais com um propósito, por exemplo, o Telmo vai casar e a despedida de solteiro vai ser em Madrid.

Foste com um amigo agora, na semana passada, foste ver Florence and The Machine em Manchester. Entraste no avião, foste para Manchester, a viagem é toda organizada à volta do concerto, vês o concerto e no dia seguinte sabes que tens o avião e voltas.

Mas nós fizemos um pouquinho de turismo.

À volta da viagem. Percebes o que eu quero dizer?

Percebo.

Não foste conhecer Manchester durante uma semana com um amigo.

Percebo.

Aí é que eu acho que começam a entrar os problemas.

Eu tive agora uma viagem que correu muito bem. Foi na Argentina também, com um amigo meu, o Bernardo, para quem envio um grande abraço. Grande Bevas. Essa foi uma viagem que trago na minha memória. Por quê? Porque o Bernardo é uma pessoa muito fácil, que se adapta muito bem. Eu acho que tem que haver sempre um pequeno ditador de viagens e o outro tem que ter uma postura mais de servo.

Pois, de seguir.

Sim, de aceitação. Acho que essa pode ser um bocado a fórmula ideal, porque é muito raro haver uma sintonia perfeita entre duas pessoas muito opinativas ou que têm desejos muito concretos a nível de viagem. Isso é quase um milagre. Portanto, acho que essa é a melhor forma. Mas estou aqui a pensar, sim, todas as viagens acabam por ter sim, com amigos. Por exemplo, eu agora viajo muito com amigos para fazer caminhadas. Todos os anos fazemos uma mini expedição.

Mentira.

E é superdiferente, por exemplo, fazer um circuito de cinco ou seis dias a caminhar sozinho ou com amigos. Aí não sei dizer qual é que eu gosto mais, por acaso. Porque com amigos não é nada silencioso. Exatamente. Com amigos, o que acontece? A cabeça está sempre a viajar para muito fora dali, porque temos conversas, falamos das famílias, dos filhos, da comida, do futebol. E saímos um bocado dali, mas ao mesmo tempo também para passar o tempo. Também há muitas provas de amizade, etc., no esforço, etc. É agradável também.

E cimenta-se mais amizades. Tu podes ir com uma pessoa que conheces e que gostas e que é teu amigo, e sais de lá a dizer: "Isto é um bom amigo". Ou seja, eu acho que há um upgrade à amizade. Eu acho que viagens é uma altura em que ou há um upgrade da amizade e tu dizes: "Ok, agora esta pessoa eu consigo estar a perder um comboio às duas da manhã."

Já me aconteceu o contrário também.

Mas é isso. Eu acho que há downgrade da amizade.

Agora que eu estou a pensar bem, já tive pelo menos dois casos.

E depois como é que se lida? Não é seguir.

Eu tive uma amizade que terminou por causa de uma viagem.

Fim de amizade? Por causa de uma viagem?

Sim. A pessoa revelou-se tão chata, que eu não consegui continuar. "Espera aí, esta pessoa afinal é chata. Que chata!"

Mas tu não tentaste manter a amizade sem viagem? Ou seja, voltas para Portugal e dizes: "Olha, vamos jantar amanhã." Logo a seguir.

Esforcei-me a esse sentido.

Esforçaste? Ok.

Mas de repente havia ali uma mancha que não permitiu.

Só te lembravas que aquela pessoa tinha sido chata.

Sim. Que cruel da minha parte. Se calhar a pessoa também.

Não acho que seja cruel.

E nem foi uma coisa de nos termos chateado muito durante a viagem. Fiquei superagastado. Consumi-me completamente.

Não aconteceu nada específico.

Não, eu ficava só com um bocado de irritações constantes e fiquei farto.

Eu acho que é uma questão de energia, porque aquilo que tu estavas a dizer há bocado, de haver um ditador e um servo, eu concordo 100% com isso.

Eu e o Salvador Martinha temos essa dinâmica.

Tu és o ditador e ele é o servo, não é?

Ele permite, ele aceita.

Tu claramente a energia de: "Olha, leva-me que eu vou."

Vamos a votação, eu ganho sempre. Sempre.

Vamos a votação, os meus votos contam, os teus não.

Exatamente.

Quando eu vou viajar com a Rita, eu sou o Salvador e ela é o Mazara, no sentido em que a Rita organiza, planeia e sabe o que é que vai acontecer. E depois, na viagem, eu sou uma espécie do tontinho que vai atrás, do gênero: "Onde é que se almoça hoje?" E ela diz: "Olha, estou a planear."

Completamente.

"Vamos andar naquela zona, naquela zona há dois ou três, vamos ver na altura." E eu: "Ok." E eu estou a aproveitar, ela está a mostrar o que planeou.

E vai ao ponto de ela decidir o que tu vais comer, porque ela quer provar um bocadinho?

Não.

Comida eu não mexo. Então é um bocado mais aberta a ditadura. Eu consigo manipular sempre o Salvador a comer o que eu quero.

Ok, isso é bom.

O prato que eu quero.

O segundo prato que te apetece, tu convences o Salvador a pedir para ele.

Exatamente, para ir lá. Às vezes pode ser uma coisa, imagina, pode ser um bife, mas tem bom acompanhamento. Eu: "Vai para aí." E eu vou comer um bocado do espargado.

Não te apetece um bife? Claro que te apetece um bife.

Não, mas vou ao espargado.

E depois tu roubas. Ya, muito bem.

Exatamente.

É excelente. Às vezes sim, às vezes fazes. Mas tu és mais aberta em relação a isso. Tu dizes: "Olha, eu queria muito provar este prato. Queres escolher também para dividirmos e fazermos metade, metade?" E eu: "Sim, senhora."

A gente faz sempre isso. Sempre metade, metade.

Claro.

Por exemplo, agora com a minha namorada, é o melhor para ela. É verdade, é o estado em que as coisas estão. É sempre: "Qual é que gostas mais? Então vai, ficas com esse." É bonito, não é?

Eu acho que tu cederes no que a outra pessoa tem vontade de comer é um grande gesto de amor. Eu não vou pedir o que me apetece, vou pedir o segundo prato que te apetece para nós dividirmos.

Não, espera aí. Nós chegamos a um consenso de pratos.

Ok.

Há uma avaliação da carta toda. Há a conversa com o funcionário que chega à mesa. Eu acho que é uma pergunta superirritante para quem atende, mas eu não consigo deixar de fazer.

O que é que recomenda?

O que é que recomenda? Eu acho que é superingrato.

Mas tu não achas que eles respondem sempre o que querem despachar? É a sensação que eu tenho. Eu nunca pergunto, eles vão dizer o que eles querem despachar.

Primeiro, estás a recomendar, podes sempre cair o risco do paladar da pessoa ser completamente distinto do teu e não gostar. E foste tu que deste uma dica em falso. Mas eu não consigo deixar de fazer isso. Qual é o ex-libris da casa?

O que é que sai mais? Eu adoro essa pergunta.

O que é que sai mais? O que é que os clientes com mais satisfação?

E é uma espécie de democracia.

Nas sobremesas é menos arriscado.

Sim, nas sobremesas, até porque a carta de sobremesa costuma ser mais reduzida, mas o "o que é que sai mais?" é acreditares que as pessoas que lá costumam ir têm bom gosto. Tu não sabes, podem ter mau. Não, espera. Normalmente, no restaurante, se há uma coisa que sai mais...

Quer dizer que as pessoas já lá vão com a proposta de comer aquilo.

Será?

Ó Guilherme.

Está bem.

Estás a ser do contra só de propósito.

Não, não é ser do contra só de propósito.

Está também a girar a letrinha.

Estás a ser do contra de propósito.

Mas eu queria fazer um salto de ditador zé com o cervo, que eu acho que é uma denominação excelente para o que se passa, para o que acontece quando há a combinação mais perigosa de viagens. Porque tu e o Mazara é quase como se fosse-

Ele e o Mazara. Ele e a outra família dele.

Tu e o Salvador.

Eu e o Mazara é o pior.

Sim, quando viajas só com o Mazara, tu gostas.

Se bores gosto.

Mas quando és tu e o Salvador, a dinâmica é quase de casal, no sentido em que há uma dinâmica de dois. A minha questão para ti é: o que acontece quando vais em double date de viagem, quando são dois casais? Porque normalmente, aqui é onde começam os problemas.

Eu não faço isso.

Pois, é que nem arriscas. É muito esperto.

É muito raro.

É muito esperto.

É muito raro. Bem, de viagem, acho que nunca fiz.

Double date viagem? Eu e a Rita temos feito.

Uma semana, não. Fim de semana, já.

Mas fim de semana, pronto, é aquela coisa.

É mais condensado, é mais fácil.

Vais à festa, ou domingo estás a vir embora.

Fim de semana, já, mas também não tenho muita memória da última vez que isso aconteceu. É mais uma tarde. Não, férias, não. Nunca tive. Desculpa. Era esse o vosso problema?

Não.

Não, não era.

Não, atenção. Mas o que é que tem acontecido? Eu não percebi qual é o vosso problema.

O problema é: como é que nós podemos evitar tensão em viagem, porque há sempre tensão em viagem. Há vários temas que eu apontei aqui, que é comida, qualidade dos hotéis, quantidade das atividades e a hora de acordar. Eu acho que estes são os quatro pilares. Não concordas?

Concordo em absoluto e acho que é superdesafiante. Realmente é mesmo muito desafiante. Temo não ter a forma correta para tentar chegar lá.

Mas vamos nos ajudar.

Estamos a debater.

Então, realmente, hotéis.

Qualidade do hotel.

Por exemplo, a viagem com o Bruno e Salvador. Às vezes havia hotéis que eu achava super OK. Mas de repente, o Salvador alertava-me: "Bem, Mazza, este quarto não tem janela". E de repente estou a pôr os meus amigos em quartos sem janela. E eu até estava OK com aquilo, sei lá. Se calhar até um bom 8.2 no booking.

Ok.

Não é? Que dá uma certa confiança.

Sim.

Mas às tantas, realmente, o critério do turismo argentino é distinto do turismo ocidental.

E o teu próprio, o teu critério, nem reparaste, não havia janelas.

É, que também quando marcas à distância, também tens que ter alguns indicadores que depois, na prática, não coincidem com aquilo que seria expectável. Realmente dá muito trabalho, porque tens que tentar perceber quais são as expectativas das pessoas, depois tens que perceber qual é o limite financeiro de cada um.

Essa é outra questão, que normalmente é o dinheiro, porque tu tens que ir viajar com pessoas que estejam mais ou menos, e eu digo mais ou menos para não dizer exatamente, mas mais ou menos-

Com a mesma disponibilidade financeira.

100%. Se tu vais viajar com alguém que tem menos, por exemplo, já me aconteceu ir para despedidas de solteiro ou viagens de amigos em que há: "Olha, há aqui uma malta que está desempregada, está aqui com uns problemas, está a atravessar umas fases. Olha, não vamos àquele restaurante-"

E essa malta fica muito aliviada quando se diz quanto é que vai custar.

Sim, completamente.

Não ser uma coisa em aberto.

Completamente. Tens que dizer logo o valor à partida.

A pessoa tem que saber onde é que vai meter, senão está sempre um bocado em constante ansiedade com as contas que aparecem.

Sim.

Sim. Ao contrário, nunca me aconteceu, mas é possível que aconteça, não vou dizer que não poderá acontecer, que é ir viajar com alguém que tem muito mais dinheiro do que eu e dizer assim: "Não, malta, cada um com o seu iate ali na marina e vai ser uma cena de um mês e meio, está tudo tranquilo".

Nunca te aconteceu isso?

Nunca me aconteceu.

A mim já me aconteceu.

É possível que aconteça.

E é desconfortável, ou não?

A mim já me aconteceu estar com alguém com muitos gastos. Ter que andar atrás. Hã?

É desconfortável.

É, porque eu geralmente sou relativamente poupadinho. Quer dizer, em alguns restaurantes, não. Os restaurantes é onde eu gasto mais dinheiro, na verdade. Eu até tenho uma caravana para não pagar hotéis, para poder gastar mais em restaurantes.

Exato.

Sim, adoro. Já me aconteceu isso, de realmente estar ao lado de alguém com grandes consumos. Mas aí tive que dar uma friada.

Deste um toque?

Dei um toque nos vinhos.

Pois.

Percebes? Mais de €50 a garrafa.

Sim.

Já me custou um bocado.

Pois, eu percebo. Mas tiveste de dar o toque, ou seja, tiveste de corrigir aí a tensão.

Acho que ninguém se chateia. Acho eu. Se calhar nós em Portugal temos um bocadinho de conversas mais escondidas nesta parte financeira, do dinheiro.

Muito mais. Sim.

Dinheiro é sempre fonte de conforto.

Mas acho que tem que haver uma conversa prévia. Eu acho que o ideal é fazer um budget de viagem. "Olha, essa viagem vai-nos custar X". Pronto.

Sim.

Previamente.

Nós, por exemplo, vamos ao Japão este ano, vamos voltar ao Japão e vamos num grupo um bocadinho maior. Vamos em triple date.

Seis pessoas, três casais.

Vamos em triple date.

Mas como é a produção dessa viagem? Vocês reúnem-se, escolhem destinos.

Há imensos Zooms, que é a parte pior para mim. Há imensos Zooms. A quantidade de FaceTime e Zoom que há.

Mas o que é que acontece?

Eu vou ter que fazer isso também, Guilherme.

Eu não tenho.

Mas o que é que acontece? Isto basicamente é um remake da nossa viagem ao Japão em 2023, nós os dois, mais um casal amigo, com mais um casal agora novo.

Os mesmos sítios, os mesmos lugares.

Não.

Ok.

Vamos ver sítios diferentes, vamos experimentar outras cidades, vamos voltar a Tóquio e a Quioto, que já fomos.

Claro.

A Tóquio e Osaka.

E a Osaka, mas a novos restaurantes. Se calhar aquele que adoraram, há um ou outro que vão repetir.

Claro.

Exatamente.

Sendo que eu e a nossa amiga Sofia, que é de um dos casais, somos muito organizadas. Portanto, nós já estamos a marcar Zooms, porque eles estão na Madeira, já estamos a marcar Zooms para começar, senão tudo vai ficar caro. Mas eu sinto resistência também do grupo às vezes a isto, que é: "Ai". Do grupo, tu falas do Gui.

Eu estou contigo, atenção.

Que é: "Mas ainda temos tempo, temos tempo de fazer um Zoom."

Não, calma. Estás a ser um bocadinho injusta agora. Eu gostava de deixar isso gravado, porque eu não sou contra esses Zooms, porque eu sei que eles são essenciais.

Mas ficas um bocado...

Eu não tenho paciência. Repara, mas isso já é um problema pessoal. Eu aqui estou a abrir o meu coração. Eu, mesmo quando é para ver a minha sobrinha que mora em Londres, que é a pessoa que eu mais adoro no planeta, eu perco a paciência de FaceTimes ao fim de 15 minutos. É complicado para mim estar a comunicar através de ecrãs. Eu não percebo aqueles senhores das lojas que estão tipo sete horas.

Mas estás de acordo que esta pré-preparação é essencial.

Essencial.

Nomeadamente, uma parte gastronómica que há lugares que tens mesmo que reservar, senão corres o risco de não provar as melhores iguarias de determinado local.

Sem dúvida absoluta.

Então isso é bom.

E mesmo experiências.

Então porque é que tu tens que estar presente? Se calhar também não contribuis muito, Guilherme.

Eu gostava de...

Foi não.

Não muito, é verdade.

Eu vou isolar isto. O que eu faço? A minha contribuição para as viagens é: vou vendo TikToks dos sítios.

Imagina, a Rita está na conversa, tu vais lá, mostras um bocado, dás um adeus.

Mato.

Pode ser uma ou duas piadas preparadas.

E tenho sempre.

Exato. Temáticas até.

Tens sempre uma gracinha. Dás um calor ali ao chat.

Sem dúvida nenhuma.

E depois abandonas.

Até porque quando eu brilho...

Tu podes atrapalhar um bocado, até.

Não, sem dúvida nenhuma.

É que eu sinto que ele abandona, fisicamente não, mas mentalmente ele já abandonou muitas vezes.

Completamente. Eu estou sentado e já não estou lá.

Por exemplo, no caso de haver uma marcação para um restaurante, que tu marcaste. O restaurante realmente não correu como esperado. O Guilherme vai cobrar?

Não.

Nunca cobro. Fui eu que marquei, não cobro. Este é um homem para a vida.

É verdade.

Não marquei, não cobro.

E ele nunca cobra nada. E até há uma coisa que eu tenho aqui também de dar uma palma. Já está a correr bem, já estamos aqui em sinergias.

Sim.

Que é: o Guilherme tem uma capacidade muito grande de adaptação a planos que não correm bem em viagem.

Ok.

Não está a correr bem desta forma, vamos adaptar, vamos fazer aqui, vamos fazer etc, vamos fazer ali.

Eu não sei se concordas comigo. Tu és um homem muito viajado. Eu não concordo com os extremos da preparação ou da impreparação, neste caso, porque são os extremos, que é: eu não concordo que numa viagem tu tens que ter tudo marcado ao minuto, que nem é bem férias, é uma espécie de excursão e na tele tens meia hora agora para estar aqui, temos o restaurante a seguir. Nem concordo com o outro lado que é: nós vamos uma semana para a Argentina e lá logo vemos. Eu também não gosto disso, porque eu acho que tem que haver algum espaço para o improviso e para deixar ver o que acontece e o que nos apetece. Temos aqui duas horas. Olha, vamos ver. Mas também não gosto nada daquela cena de estar com tudo tabelado, parece o horário escolar. E eu adapto-me muito bem em viagens, porque eu sei o trabalho que ela esteve a preparar. Porque ela preparou e preparou excelentemente, não tenho nada a apontar. Eu próprio fiz as minhas sugestões antes. Eu mando para ela e para a Sofia, que são as duas grandes agências Abreu no meio disto tudo, porque são elas que marcam tudo e que fazem os Excels todos e os Google Docs. Eu mando uns TikToks com umas coisas, tipo: "Olha aqui, está aqui um museu que eu se calhar gostava de ir". Mas depois lá, eu cumpro o meu papel de animar o grupo e segurança privada do grupo. São os meus dois papéis nas viagens.

Sendo que há uma coisa muito engraçada.

Segurança, muito atento, muito alerta.

Sempre.

100%. Estou alerta, vejo o que está a acontecer, metro à noite eu estou a olhar, estou alerta.

Sempre.

O grau de relaxo é imenso, é como se tivessem um...

Tu não conheces a Rita em viagem.

Desde aquele episódio na Argentina que roubaram o telefone na mão. Ou foi em Paris?

Foi na Argentina.

Foi em Buenos Aires.

Buenos Aires.

Tu não tens noção de como é que é. Eu em viagem sou uma relaxadona. Nós uma vez fomos para uma cena em Cuba.

E o Guilherme sempre tenso.

Sempre.

Não é tenso, é alerta.

Alerta.

Estou alerta.

Nós uma vez em Cuba, por minha causa, fomos a um sítio de charutos, que era um sítio de uns gajos que claramente roubaram aqueles charutos e estiveram presos, e eu fui lá tipo: "Não, nós compramos os charutos. É para onde que nos querem levar?"

Nós estamos no meio da rua, fomos tomar o pequeno-almoço. Vou resumir esta história para também não te aborrecer, nem a ti nem às pessoas que já a conhecem. Estamos no meio de Cuba e fomos tomar o pequeno-almoço a um café. E quando saímos do café, estão dois senhores com o pior aspeto que tu podes imaginar, a dizer assim: "Turistas, não é? Gostam de charutos? Querem charutos? Venham conosco, hoje é o Dia Nacional do Charuto aqui em Cuba. Vocês têm que vir conosco, porque hoje temos preços fantásticos. Venham lá." E a Rita olha para mim e diz assim: "Tu gostas de charutos? Bora." E eu: "Rita, ok." E de repente já está aí com os gajos. Começamos a ir e entramos num prédio que está em obras, tu vês tijolo.

Umas partes não tinham teto.

Não tinha teto.

Mas super alerta. Modo 10.

Estou alerta, por quê? Porque quando o gajo aponta para o prédio, eu vejo que aqui entre o indicador e o polegar está as cinco pintinhas, que é a tatuagem da prisão. Não sei se conheces, que são quatro pintas com uma no centro. É a tatuagem que as pessoas fazem quando estiveram presas.

Ah, é?

E eu reparei na mão deste senhor. E a Rita: "Bora, charutos!" E vamos para um prédio abandonado.

Então a resposta é sim, estavas em alerta máximo, não é?

100%.

Não deixaste tocar a Rita, da tatuagem, não?

Por quê? Porque se fosse outra língua, se fosse Japão, eu dizia em português: "Rita, repara na tatuagem." E eu li espanhol, português, cubano, tatuagem, eu não sei o que é que está parecido. E então não disse nada. Na altura, não sabíamos língua gestual.

Ela toda contente e tu em alta tensão.

Eu em alta tensão. Entramos no prédio e os dois gajos levam-nos até um que está sentado numa mesa de piquenique, daquelas de abrir, com umas caixas de charuto nas costas do prédio. Portanto, nós não estamos visíveis para ninguém em Cuba. Nós estamos isolados. E o gajo diz assim--

Mas como é que tu travas isto?

Não travámos.

Não travam nada? Isso é o teu alerta?

O meu alerta é dizer: "Olha, vamos para esta cave." Bem, estou super alerta. Isto é um rapto. Vamos entrar na cave. Em alerta máximo, mas vamos agora. Então vamos lá aos pulsos, bem.

O que é este alerta? Então tens de fazer alguma coisa.

O meu alerta era empurrar a Rita para cima deles e fugir eu, se fosse preciso, e chamar a polícia, uma coisa qualquer. O que acontece? Vendem-nos umas caixas de charuto que estão seladas com um selo do governo, daquilo que tinha uma espécie de um selo. E ele diz assim: "Isto para passar no aeroporto, tu não podes abrir a caixa até chegares ao teu país, porque se está cortado este selo, eles não passam na alfândega". Paguei a caixa Para sair de lá e dizendo: "Olha, fui enganado, mas ao menos ficas com o dinheiro. É uma doação que eu faço ao povo de Cuba. Está aqui, eu quero ir embora daqui, eu não quero ser esfaqueado aqui."

Não, e eu a regatear.

Tu pagaste a caixa e não trouxeste a caixa?

Não, trouxe a caixa, mas não a abri. E chegamos ao Airbnb, onde estávamos a ficar, e eu disse: "Ó Rita, a caixa tem peso, portanto, eu acho que isto está a valer. Mas eu não posso abrir a caixa até chegarmos a Portugal."

Já sei onde é que isso vai.

O que é que acontece?

Não, e eu disse: "Não, isto são charutos, eu tenho a certeza que são charutos."

A Rita estava: "Acredita nas pessoas. Por que tu estás a duvidar?"

Vai para mula, não vai?

O que acontece?

Ah, isto é mula.

Fazemos a viagem toda. Eu até fui ver quanto é que eu paguei e quanto é que custa aquela caixa, se de facto fossem charutos.

Imagina, a diferença era: a caixa original custava € 200 e nós pagámos 50.

Tipo 50 euros. De facto, se aquilo tivesse charutos lá dentro, era um grande negócio. A cena é que eu não posso abrir a caixa até chegar a Portugal, porque está selada, eu não posso abrir aquilo.

Mas não se pode viajar com charutos.

Pode.

Pode, desde que não quebres o selo.

Aquilo tem um selo na caixa. Nós não podíamos abrir o selo da caixa.

O perigo de viajar com charutos, não percebo isso também.

Não sei.

As pessoas viajam com tabaco.

Exato.

Bem, então.

O que se passa? Chegamos a Portugal e a primeira coisa que eu faço quando chego a casa é abrir a mala e ir imediatamente abrir a caixa para ver se tem charutos ou não, porque eu acho que nós fomos enganados e tem uma pedra, uma merda qualquer, ou droga, uma coisa qualquer. Eu abro e estão charutos. Fizemos um grande negócio. E acabou a história.

Tudo porque eu...

Este viagem foi bom.

Tudo porque eu...

Aqueles senhores não tinham problema nenhum, fizemos um grande negócio.

Ah, caraças!

Tudo porque eu disse: "Bora!"

Eu nunca teria ido. Ou seja, eu estou alerta, eu vejo merdas que a Rita não vê, como a tatuagem do senhor ter estado preso.

Mas eu vi a alma daquelas pessoas.

Também se ganha coisas de ir com a Rita, nesta energia da Rita.

Eu vou. Eu na vida sou superestressada, superdesconfiada.

Eu gostava que as pessoas vissem a cara que o Mazara está a fazer neste momento a olhar para nós.

Não, eu estou a tentar fazer aqui uma análise, se isto tem alguma moral, se tem alguma lição que podemos tirar disso.

Deixa-te viajar um bocadinho mais. Foi o que eu aprendi neste momento, que é: estás tenso, ok, não tem problema. Podes estar numa situação em que, de facto, podes ser esfaqueado ou trazer droga para Portugal, mas deixa-te ir um bocadinho, estás a viajar. Deixa-te ir um bocadinho. E foi o que eu fiz.

É, só que é assim, também quando percebes que as pessoas são de uma gangue. Isso é que me assusta, Guilherme. É que tu viste, ok, isto pode ser uma gangue e realmente tem tatuagens de prisão, etc.

Exatamente.

E deixaste-te levar. Eu acho que aí era um alerta máximo.

Há dois tipos de pessoa neste mundo, que é as pessoas que acreditam que o sistema correcional, de facto, melhora as pessoas e as que não acreditam. E eu não sei se agora não acredito que a prisão melhora as pessoas. Eu acho que aquela pessoa aprendeu o seu erro e vendeu-me uns grandes charutos.

Claro. Não, mas não deixa de ser ilegal, porque estava a vender a muito mais barato.

Sim.

Mas eles disseram: "Hoje é um feriado, é o dia do charuto e fica mais barato." E eu a achar, tipo, o dia do charuto?

E eu: "Que sorte!"

E a Rita: "Que sorte hoje ser o dia do charuto!" E eu: "Rita, esta merda tem tudo." E de facto é uma sorte tudo. E é tudo brutal.

Não fomos esfaqueados, eram charutos, mais baratos, foi excelente. Pois realmente é isso. Mas eu sou assim, eu sou um bocado esse também de deixa-te levar.

Tu és a Rita em viagens, neste sentido de...

Eu estou a achar que eu sou muito Rita em viagens.

Pois.

No geral.

Deixas-te ir.

Ou seja, se para mim era impossível viajar com a Rita.

Pois, porque íamos ser os dois alfa.

Sim, exatamente.

Íamos ser os dois alfa antes na preparação e depois lá, cada um perdido para o seu canto.

Aluados os dois da mesma maneira. Já pensei, estava aqui a pensar onde é que eu me tinha perdido no raciocínio, porque estavas a dizer que não querias nem ser muito oito nem 80 nas viagens.

Superpreparação e impreparação máxima.

Mas isso depende muito do destino que vais e o tipo de viagem que vais fazer.

Ok, verdade.

Por exemplo, até em viagens na natureza, que tu queres estar liberto, solto, etc. Tu tens que marcar os refúgios com antecedência, porque podem esgotar.

Exatamente.

Eu acho que se for realmente uma cidade como Tóquio ou Londres, etc, em época alta, realmente convém marcar os restaurantes e ter ali um plano mais coordenado. Se for num registo mais de road trip, quando há alguns imprevistos, quando se calhar a parte gastronómica não é tão importante, e se calhar a parte também de onde ficas etc, tens vários hotéis nas pequenas cidades, se calhar aí podem ser viagens um bocado mais abertas, e eu gosto que assim seja. Mas de facto eu acho que há viagens que pedem muito mais esse nível de marcação.

Sim, quando fizemos a road trip agora na Escócia com estes amigos, com quem vamos ao Japão, o Vítor e a Sofia, um grande amigo.

Então correu bem?

Correu bem, sim, e já tínhamos ido ao Japão com eles e também correu bem. Eu acho que nós conseguimos acertar disposições e estes quatro pilares que eu acho que são importantíssimos em viagens.

E outra coisa que eu também acho que é importante, que é haver liberdade para um certo dia dizeres: "Eu hoje não me apetece fazer o que vocês querem fazer."

Eu acho isso importantíssimo.

Isso acontece às vezes?

Vão vocês.

Isso acontece às vezes?

Acontece.

Connosco aconteceu no Japão, ou há um dia em que eles dizem: "Olha, não nos apetece ir."

Nós fomos a Hiroshima, eles não queriam.

Houve um dia em que eu disse: "Eu não vou sair do Japão sem ir a um karaoke", e eles: "Não nos apetece muito." E eu e a Rita fomos a um karaoke e eles foram a outra coisa.

Isso é muito maduro.

Há uma grande liberdade e por isso é que eu gostei de viajar com eles, porque não há pressão, não estás a fazer coisas que não te apetece, não te apetece ir a esta cidade e nós queremos ir, está tudo bem. Vamos, encontramo-nos ao jantar, está tudo bem.

Vocês têm então o esqueleto base, mas depois podem ter algumas divergências de plano e está tudo bem.

Está tudo bem.

Exatamente. A vossa relação com esses amigos é supersaudável.

É ótima. Eu gostei muito de viajar com eles e é uma boa dupla de viagem que nós temos ali.

Agora vamos introduzir a Francisca e o Pedro. Olá para eles também.

Foram testados antes, não?

São amigos, ou seja, nós já conhecíamos.

Cuidado.

Não são estranhos, mas podem vir destabilizar isto tudo, é verdade. É um grande perigo.

Até agora, pela maneira como estamos a planear, não parece que venham, mas às vezes as pessoas revelam-se.

Não querem marcar um fim de semana em Cáceres, assim uma coisinha...

Mais perto.

Sim, só que depois também é muito triste. Já têm este plano de viagem grande. "Olha, malta, não deu. O fim de semana não correu bem." Aquela tua atitude de não quereres deixar gorjeta. Não gostei, não gostei. Trataeste mal os locais.

Sei que pagaste o bilhete de avião, mas não vais.

Já está pago.

Já está.

Mas nesse sentido, eu sou como os malucos, porque nós estamos a começar a planear a viagem. Estávamos num jantar onde estávamos todos e falou-se disso, e eu deixei logo claro o que é importante para mim, que é: eu gosto de turismo, de parte turística, mas eu não quero estar o dia todo enfiado em museus e ver merdas. Eu também quero um espaço para viajar. E para mim é importantíssimo cumprirmos as horas das refeições, porque eu fico diferente quando eu tenho fome. E eu disse logo: "Olha, eu sou esta pessoa, vamos viajar juntos e eu quero que vocês saibam, que é para depois quando estivermos lá, se for às 15h e eu não tiver almoçado."

Tens muito trato.

Mas é que eu prefiro ser honesto e dizer logo a maneira como eu funciono em viagem é assim.

Claro, porque em teoria, as pessoas ouvem isto, ok, tudo bem, vamos comer.

Sim.

Mas depois na prática, às vezes pode haver realmente pequenos dramas. Pode não ser assim tão fácil.

Há tensão, sem dúvida nenhuma.

Mas depois aí surge uma Rita que comprou snacks durante o dia.

Isso é uma grande questão. Tu aceitas snacks?

Aceito snacks, mas snack não é refeição.

Isso é bom.

Eu aguento mais meia horinha. Imagina que é tipo videojogos. Eu tenho a minha barrinha de energia.

Eu tenho esse problema na minha relação.

Pois.

Porque a minha namorada não aceita snacks.

Tem de ser uma refeição.

Sim, ela não aceita snacks. E realmente o humor muda um pouco. E então tem que passar logo à refeição. Não aceitar snack é muito complicado. Eu aceito perfeitamente. Por exemplo, o que aconteceu hoje na gravação deste podcast? Cheguei com fome, mandei vir uma comidinha aqui, pus a comidinha de lado, o que eu pedi? Uma pêra. O que a pêra me deu? Deu-me mais meia hora de conforto.

Exatamente.

Agora já estou cheio de fome. Mas eu também aguento estar com bom humor, cheio de fome.

Eu também.

Mas o snack dá mais meia horinha. Não é um almoço.

Não, ninguém está a dizer uma coisa dessas.

Lógico, estou só a dizer.

Ninguém está a dizer isso.

Eu aceito o snack como refeição.

Tu vais ter a tua refeição.

Tirem o almoço e o jantar.

Não, mas é superchato, porque depois imagina, quem liga para o restaurante a dizer que estamos atrasados? É a Rita.

Não, aí é o Guilherme.

Não. Malta, qual é o vosso problema? Vocês estão perfeitos.

Aí é o Guilherme.

Vocês estão muito bem.

Aí sou eu, exatamente.

Vocês se convidaram para esfregar na cara o quão bem estão nesta dinâmica. Porque o que vocês têm é invejável.

Muita tanta TVE erro. Atenção, nós estamos acertando.

Ela marca, ele liga.

É verdade.

Por que queres tu ligar, já agora?

Eu não gosto de falar ao telefone.

Porque ela recusa-se a falar ao telefone com marcações.

Tu tens mais destreza, se calhar.

Mais extrovertido, uma boa disposição, eu aceito. Por falar em boa disposição, outro tema que eu queria falar contigo, já que aqui estás, só para atrasar o teu almoço um bocadinho mais, que é o seguinte: fazer amigos em viagem. Sou contra. Ou seja, há muita gente que, em viagem, imagina que eu e a Rita íamos para um resort ou íamos para um sítio qualquer e estamos no mesmo sítio muita gente, muito tempo.

Isso nunca me aconteceu.

Há pessoas que têm uma energia de ir para a mesa do lado, começam a conversar, não sei o quê, amanhã querem jantar, vamos almoçar, onde é que vocês vão amanhã? Nós vamos com vocês. E de repente estão pessoas no grupo que eu não conheço. Fazer amizades em viagem, sou contra.

Já vos aconteceu ou nunca vos aconteceu?

Isso aconteceu-me uma vez. Estás a dizer que sim. Qual vez?

Pensei que ias falar daquelas nórdicas lésbicas.

Não, não ia falar dessa vez.

Em Madagascar.

Essas mais ou menos que estávamos obrigados a estar com elas.

Sim. De repente já somos amigos de Facebook, não sei o quê.

É verdade. Somos amigos de Facebook de um casal de lésbicas norueguesas, dinamarquesas, não sei.

Não sei, eram nórdicas. Eu disse nórdicas porque eu não me lembro do país.

Quando eu fiz interrail, fiz interrail nos países de leste. Fiz eu e um dos meus melhores amigos, que é o João Pedro, que planeámos a viagem, não sei o quê, nanana. E um dia estávamos, eu acho que em Sófia, e tínhamos marcado um hostel horrível, nojento. E entramos no quarto do hostel e tinha, eu não estou a exagerar, três beliches de cada lado, assim ao comprido, sendo que eram beliches com três andares cada um.

Nunca vi um beliche de três andares.

Era um corredor com beliches de três andares de cada lado até ao fim do corredor.

Ok.

E eu entro no corredor e digo: "Bem, cagando na merda de quarto." E do meio de um dos beliches, da cama do meio, sai uma cabeça que diz assim: "Portugueses?" E nós: "Sim!" Era o Telmo, não estou a gozar, era mesmo o Telmo. E nós enquanto estivemos em Sófia, estivemos sempre com o Telmo.

O Telmo colou-se à vossa dinâmica.

Mais ou menos.

Mas foi aí que conheceram o Telmo.

Foi aí que conhecemos o Telmo. E o Telmo disse: "Não, vocês vão adorar." Ele disse a palavra: "A noite de Sófia é a noite mais debochada da Europa. Vocês vão amar." E nós: "Ok."

Conheceram nesse preciso momento.

Sim. O que era a noite mais debochada da Europa, segundo o Telmo? Era um bar de jazz. E eu não estou a gozar.

Eu estou a gostar do Telmo.

Esse Telmo é fixe. Mas tu conheces o Telmo?

Não conheço o Telmo, não.

Amigo de viagem.

Ficou só em viagem.

Certo.

Mas é isso que eu estou a dizer, é amigos de viagem. Porque eu sou contra fazer amigos em viagem.

Porque o Telmo estava à espera de um visto qualquer para ir para a Índia. Ele era desses, que estava assim ali no meio da Europa à espera para passar para a Índia.

Estava maluco com jazz enquanto esperava.

E nós estivemos uns dias em Sófia e depois foi tipo: "Bye, Telmo, nós agora vamos seguir a nossa viagem." E ele: "Bye, tchau, beijinhos." Somos amigos de Facebook ainda hoje também.

Muito bem.

Mas meio estranho, porque de repente nós não conhecíamos aquela pessoa, conhecíamos muito bem um ao outro, somos amigos desde o 12º ano, então era tipo: que conversa que nós vamos ter com esta pessoa agora?

Como é que é aquele som do TikTok "You, me and Steve"?

And your friend Steve.

Mas como assim? Conversa com quem? Com a pessoa quem?

Com o Telmo.

O Telmo colou-se à viagem deles.

A viagem quase toda. Nos dias em Sófia. Sim, mas vocês estavam bem com isso.

Deixámos, foi um bocado aquela coisa dele tipo: "Então agora onde é que vamos?" E nós...

E ninguém tem coragem de empurrar. Esse é que é o grande problema.

Por acaso isso nunca me aconteceu.

Quando tu viajas sozinho não fazes amigos de viagem?

Faço, sim, acontece-me bastante. Não é bastante. Quando viajas com alguém é muito raro Acho que a pessoa está um bocado menos aberta. Não me acontece tanto. Ou seja, tenho algumas relações de simpatia, mas não acontece tanto. Estou agora a recordar. Tenho muitas histórias de beliche também. Uma vez fiquei num hostel na Costa Rica. Fiquei todo contente, porque fiquei com um dormitório só para mim.

Incrível.

Sim. Só que depois, a meio da noite, chegam-me três australianas ao quarto. Lindíssimas. Interrompem-me o sono, eu abro os olhos e elas são de: "This is not a dream", dizem elas. Eu parto a rir. E elas riem bué também, porque elas perceberam. Riam bué. Estava sozinho, mas de repente estavam lá lindíssimas. E depois fiquei amigo delas. Durante a viagem, uma delas depois até veio cá a Portugal, estive com ela. Amiga. E já me aconteceu outras vezes também. Também já tive más histórias de hostels e beliches. Uma vez, isto não tem nada a ver, mas lembro-me no Vietname, estava com um amigo, Rafinha e João Assis. Houve uma altura que eu lembro que era tipo $2 as noites.

Sim, era baratíssimo.

Tipo $3. Estávamos no Vietname. Eu lembro que nós fomos à receção, pagámos, e depois para o quarto, aquilo andavas numas tábuas de madeira, mas tinha havido uma cheia, então para o quarto tinha de se estar descalço e andar com água até aos joelhos. O quarto tinha água até aos joelhos e ratazanas flutuantes. Nós víamos ratazanas a guinchar ao nosso lado. Nós dormimos todos, cada um na sua caminha, mas com o saco-cama fechado até acima, fechados tipo múmia. Tutankhamon completamente.

Para não entrarem ratazanas dentro.

Essa foi a noite mais sinistra da minha vida. Sinistro. Pronto. Posto isto, boa sorte para a sua viagem.

Obrigado. Fico muito contente.

Boa sorte. Eu acho que têm que ser queridos realmente com esse casal novo.

Acolher, não é?

Acolher e deitar cá para fora logo o que é que de pior pode acontecer.

Exatamente.

Tu és a fome, o que é que a Rita te deve lançar?

O que é que é o pior para mim?

O que é que é o pior da Rita?

Depois me a mim a dizer.

O que é que é o pior da Rita?

É que eu penso e não...

O que é que é o pior da Rita? Eu acho que a Rita há pontos fortes...

Não queres esperar um bocado e hesitar um bocado mais para parecer que é mesmo difícil encontrar aquilo que é pior da Rita? Parece que estás a ir muito rápido ao assunto.

Ok, já pensei numa coisa qualquer.

Ok.

O que é que eu acho? Eu acho que a Rita tem alguns pontos fortes da viagem que ela quer. Imagina, nós agora vamos ao Japão e há de haver duas, três coisas que para a Rita são essenciais.

Ok.

Se por acaso o grupo começar a desviar do que a Rita queria, democraticamente, começar a dizer: "Será que faz assim tanto sentido ir ali? É porque, repara, vamos perder umas horas, se calhar era melhor por aqui, não sei o quê." Eu sei que a Rita vai ficar triste e chateada.

Mas não vou projetar isso para o grupo.

Não vais projetar para o grupo, mas a tua energia vai mudar.

Não, mas se isso vier à conversa, tu também podes aceitar que às vezes pode ter havido uma má preparação.

Não, claro.

Claro, claro. Mesmo claro, claro.

Não sinto que fique ressentida com as pessoas. Fico mais triste para mim, queria mesmo ter ido.

Dou-te um exemplo. Imagina que nós combinamos que enquanto estamos em Tóquio, para aproveitar o dia, vamos todos estar no pequeno-almoço às 9h00. E combinamos enquanto grupo. Não, combinamos enquanto grupo. 9h00 sempre, que é para podermos aproveitar as coisas e não sei o quê. Se toda a gente chegar à receção do hotel às 10h00 todos os dias...

Eu vou ficar ferida.

Eu sei que tu vais ficar. Ou seja, há um nível de preparação.

Claro, mas então isso é muito chato.

Certo.

Tu está a Rita sozinha na receção às 9h00?

Ya.

A não ser alterarem a viagem.

Não.

"Malta, vamos passar das 9h00 para as 10h00."

As pessoas estão constantemente a atrasar-se, perdemo-nos, temos uma coisa marcada.

Não, é isso.

Mas qualquer pessoa ficava, mas isso nem sequer é preciso preparar ninguém.

Ya, mas é que depois cabe-me a mim dizer: "Malta, olha..."

As outras pessoas é que têm que estar preparadas.

Claro.

É que tem de ser a história. Nós às vezes costumamos derrapar.

Realmente 9h00 não dá para mim. Pronto, ok.

Então, mas combinamos à volta de outra hora. Mas aí é preciso dizer. Então combinamos à volta de outra hora. Mas eu já sei que depois tenho que ser eu a dizer: "Malta, olha, é assim, combinamos às 9h00."

Mas eu já estou muito mais flexível em ser eu a dizer essas coisas, tipo: "Não acham que é melhor não sei o quê para salvaguardar, visto que a experiência nos indica que nos últimos três dias..."

Sim. Tenho uma questão. Todos tomam pequeno-almoço? A Rita não come pequeno-almoço, mas vai ao pequeno-almoço.

Não, mas em viagem como.

Isso é super desafiante.

Mas em viagem come.

Em viagem comes, ok.

Sim.

Um café, uma frutinha, uma coisa mais leve.

Sim. Não, em viagem eu fico tipo, é mais uma refeição que eu posso aproveitar nesta viagem.

É mais uma coisa que pode comer. Sim, café ela não dá muito.

Mas ela pensa sempre, é mais uma refeição que eu posso aproveitar em viagem. Portanto, ela come o pequeno-almoço e não costuma comer. Enche um badulho para...

Claro.

Não, mas espera aí. Mas poupar aonde? No almoço?

Não é para poupar. Tenho mais uma oportunidade de comer comida daqui.

Sim, mas é raro os pequenos-almoços darem essa satisfação, não é?

Se formos assim a um sítio...

É um bocado continental.

O do hotel, sim.

Se calhar no Japão pode ser, nunca fui ao Japão. Se calhar no Japão deve ser um pequeno-almoço mais divertido.

É muito bom. É mais comida.

Panquecas verdes.

Sim, coisas assim.

Sim, aquelas panquecas muito altas. Fomos uma vez a um sítio em Tóquio que tinha umas panquecas.

Sim, tem muita sopa miso logo de manhã, tem assim umas coisas interessantes.

Isso é outra coisa. Isso estimula-me também.

Não, uma coisa é de hotel. O hotel até se calhar como uma frutinha, uma coisa assim, estou ok. Mas se for, vamos a um café tomar o pequeno-almoço em viagem. Aí fico tipo, é mais uma oportunidade de experimentar um sítio diferente, e portanto claro que vou comer.

Percebo. Também sou um bocado assim.

No dia a dia não tomo muito pequeno-almoço. Era o café, mas agora...

Mas, por exemplo, o Guilherme tem satisfação que tu tomes o pequeno-almoço com ele?

Não, se formos os dois a um sítio de pequeno-almoço e eu comer e ela não, se ela não tem fome, ela não tem fome. Não vou obrigar ninguém a comer.

Uau.

Ela não quer comer, não come.

Está superevoluído. Vocês há três anos atrás não...

Não éramos assim, não.

Não. Parabéns, bom trabalho.

Muito obrigada.

Está a fazer-vos bem, digo-vos já.

Imagina daqui a três anos quando voltares. Por acaso eu gostava que voltasses em menos tempo do que três anos, mas imagina que voltavas daqui a três anos. Que evolução é que nós não temos?

Incrível, é um casal de excelência.

Ya.

Qual é que é a vossa referência de bom casal? Onde é que vocês gostavam de chegar como casal?

Boa questão.

Realmente, se formos a ver bem.

Não há muitos bons casais agora.

Não. Não é?

Daqueles que estão juntos há muito tempo.

Nem me estou a lembrar de nenhum. Isto é um bocado duro.

Mesmo internacionalmente, ao Ryan Reynolds e a Blake Lively.

Não estou a sentir.

Espera aí, não há casais maduros.

Pois não.

Dê-me lá um casal maduro. Como é que não vem nenhum à cabeça?

Não, nenhum.

O Paulo Pires e a mulher.

Quem é a mulher? Desculpem.

Quem é a mulher? Pois.

Desculpem. Como é que se chama aquele que quando ganha o Globo de Ouro...

A Helena Marques e o Daniel.

Olha.

Não, que eu sei bem o que eles discutem por causa de jogos.

Há muito sofrimento ali.

Mas o Ricardo Pereira e a mulher, que ele agradece sempre os Globos. Eu não sei como é o casamento, mas visto de fora, parece-me bem.

O Ricardo Pereira. E a Xica.

Exatamente, Xica, que ele agradece sempre os Globos de Ouro e dedica sempre à Xica a chorar.

É um bom exemplo.

Foi o primeiro que me veio à cabeça.

Se a nossa vida também fosse estar muito tempo no Brasil, também não me importava.

Pois, está bem, assim também eu. E se eu ganhasse Globos de Ouro.

Mas não há muitos.

Não há muitos. Estamos a trabalhar para isso.

Estamos a trabalhar para sermos nós o casal de referência.

Pois, boa. E depois podem ser referências para os outros.

Sim.

Eu já aprendi hoje imenso com vocês.

Hoje invertemos os papéis.

Um bocadinho. Sim.

Mazara, muito obrigado por teres vindo.

Já está?

Já está, porque...

Tem compromissos.

Nós temos compromissos e tu tens um almoço para comer.

Tens de comer, estás cheio de fome.

Estou cheio de fome.

Vamos acabar isto. terapiadecasalpodcast@gmail.com é onde vocês podem enviar as vossas dúvidas, problemas, questões que tenham na vossa relação. Não tem que ser relação amorosa, pode ser com amigos, pode ser com vizinhos, pode ser na empresa. Problemas que vocês tenham do foro afetivo, emocional ou pessoal.

Relacional.

Relacional.

Eu recomendo o vosso serviço. É muito bom mesmo.

terapiadecasalpodcast@gmail.com, já disse, e acho que é isto. Nós voltamos para a semana. O Mazara há de voltar em breve, porque há outro grande tema que nós um dia gostávamos de falar contigo também.

Qual é?

Não vou dizer no ar. Até para as pessoas ficarem com... Eu desligo e assim que eu desligar eu digo. Queres ver? Vamos despedir das pessoas. Adeus, até para a semana.

Um abraço para todos da minha parte.

Até para a semana.

Mazara, o tema é...